Fairey III D


Aviação Naval


Aeronáutica Militar

FAIREY III D

Quantidade: 7
Utilizadores: Aviação Naval (6)
                             Aeronáutica Militar (1).
Entrada ao serviço: 1922
Data de abate: 1930

Dados técnicos:

a.      Tipo de Aeronave

  Avião monomotor terrestre, de trem de aterragem convencional fixo, com patim de cauda, ou hidroavião de flutuadores, biplano, de revestimento misto (fuselagem em contraplacado e planos em tela), trilugar (na versão standard), concebido para missões de bombardeamento e reconhecimento aéreo. Tripulação 2 (piloto e observador).

b.      Construtor

Fairey Aviation Co. Ltd. / Grã-Bretanha.

c.       Motopropulsor

      Conhece-se a utilização dos seguintes motores:
        1). Rolls Royce Eagle VIII de doze cilindros em V arrefecido por líquido - possuía dois grandes radiadores       
colocados em ambos os lados da fuselagem - de 350 a 375 hp.
        2). Napier Lion IIB, de igual configuração, que desenvolvia 450 hp. Por certo que parte do arrefecimento dos motores era conseguido por fluxo de ar, dado que os cilindros se encontravam a descoberto, sobressaindo da parte superior do nariz do avião.
        Hélice: de madeira, de duas pás, passo fixo.

d.      Dimensões (hidroavião)      Standard     Transatlantic

Envergadura ……………......14,05m            19,17m                           
Comprimento ……………….10,97m            11,25m
Altura ……………………..……3,70m              3,98m
Área alar……………………..44,27 m²           65,10 m²

e.      Pesos

Peso vazio ………..……...1.800 kg            1.861 Kg
Peso máximo …...….……2.500 kg            3.242 Kg

f.         Performances (motor Rolls Royce Eagle VII de 350 hp)

Velocidade máxima ……......176 km/h        desconhecido
Velocidade de cruzeiro …desconhecido       127 Km/h
Tecto de serviço ……….....4.570 m            desconhecido
 Raio de acção ………..........980 km               2.027 Km

g.      Armamento

Uma metralhadora Vickers de 7mm, frontal, fixa, actuada pelo piloto;
Uma metralhadora móvel Lewis de 7mm, instalada no posto da retaguarda, actuada pelo observador;
Um torpedo.

h.      Capacidade de carga

Nenhuma.


Resumo histórico:
     O Fairey III D era a evolução dos modelos Fairey III B e Fairey III C, que operaram em França durante a I Guerra Mundial. O primeiro voo do protótipo ocorreu em Agosto de 1920. Começou por utilizar motores Rolls-Royce Eagle VIII, de 350 e 375 hp e, mais tarde, motores Napier Lion II B, de 450 hp.
     A sua notável versatilidade permitia as mais diferentes configurações, sem prejuízo das características operacionais. Foram construídos como aviões terrestres e como hidroaviões de flutuadores.
     O principal utilizador foi o Royal Naval Air Service (RNAS), que operou a versão terrestre em porta-aviões e a versão hidroavião em navios, de onde eram catapultados. A Royal Air Force (RAF) também utilizou estes aviões.

     Para além da Primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul, realizada por portugueses em 1922, quatro Fairey III D da RAF levaram a cabo, de 1 de Março a 21 de Junho de 1924, uma espectacular viagem de longa distância em formação, voando desde Northolt (Grã-Bretanha) até Cape Town (África do Sul), regressando a Lee-on-Solent, cruzando a Grécia, Itália e França. Durante esta maratona de 22.366 Km não se verificaram problemas mecânicos graves, regressando os quatro aviões à Grã-Bretanha.

     Tanto a RNAS como a RAF operaram estes aviões até 1930. A sua reputação de seguros, duráveis e versáteis, esteve na origem de aquisições por parte da Austrália, Holanda e Portugal.


Percurso em Portugal:

  1. Aviação Naval
     Os três Fairey III D que em 1922 foram recebidos em Portugal destinaram-se à Aviação Naval (A.N.) e estavam equipados com flutuadores. Tinham os números de fabricante F-400, F-401 e F-402, mas apresentavam diferenças entre si.
     O F-400, da versão designada por Transatlantic, vinha preparado para a histórica viagem entre Lisboa e o Rio de Janeiro. Tinha as dimensões referentes à versão, maior que os restantes e, para além disso, tinham as empenagens modificadas e os flutuadores adaptados para servirem de depósitos de combustível, que era trasfegado para o depósito normal por bombas accionadas por pequenos hélices. Por ser um avião especial, A A.N. não lhe atribuiu número de matrícula e foi baptizado de «Lusitânia».
O F-401 era um modelo standard puro. Foi-lhe atribuída a matrícula 17.
Em Novembro de 1922 foram recebidos mais três destes aviões, na versão Standard, aos quais foram atribuídos os números 18, 19 e 20.

     O F-402, baptizado de «Santa Cruz» concluiu com êxito a Primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul e regressou a Portugal por via marítima. Em 1927 foi enviado par o Centro de Aviação Naval (CAN) de Macau, onde operou na companhia dos Fairey III D números 19 e 20.

     Dos aviões do CAN de Macau só o «Santa Cruz» regressou a Lisboa, já em muito mau estado de conservação. Esteve armazenado em vários locais, o que contribuiu para que se deteriorasse ainda mais. Em 1962 passou a integrar o património do Museu da Marinha.
     Em 1998, graças aos esforços do «Grupo de Amigos do Museu da Marinha», foi totalmente restaurado, incluindo o motor Rolls-Royce. Cabe referir que a Rolls-Royce, quando tomou conhecimento dos trabalhos de recuperação, ofereceu-se para fazer a revisão completa do motor Rolls-Royce Eagle III na Grã-Bretanha - considerado uma peça rara no mundo - sem quaisquer encargos para o Museu. O Fairey III D «Santa Cruz» encontra-se em exposição no Museu da Marinha, em Lisboa, sendo exemplar único no mundo.

     Os Fairey III D estavam totalmente pintados em alumínio. A insígnia da Cruz de Cristo sobre círculo branco era visível na parte exterior das quatro asas, assim como em ambos os lados da fuselagem. As cores nacionais, com escudo, ocupavam todo o leme de direcção. Os números que a A.N. lhes atribuiu estavam pintados a preto nos painéis laterais dos motores, junto ao hélice. Não se encontram referências à utilização de qualquer tipo de armamento.
     Todos os Fairey III D da A.N. foram abatidos ao serviço em 1930.

  1. Aeronáutica Militar
     A Aeronáutica Militar (A.M.) adquiriu em 1924 um Fairey III D com o número de construtor F-779. Era da versão Standard, equipado com trem de aterragem de rodas e depósito suplementar de combustível instalado sob a fuselagem, entre as pernas do trem de aterragem. Esta aquisição tinha em vista a realização de uma viagem aérea denominada Circuito Aéreo a Espanha e Marrocos. Iniciada em Setembro de 1925, foi interrompida em Espanha devido a um acidente que destruiu o avião.
     A pintura e as insígnias eram iguais aos Fairey da A.N., diferindo unicamente por apresentar a bandeira nacional com escudo, numa faixa ocupando a parte central do leme de direcção. Desconhece-se qualquer dado sobre a matrícula que a A.M. eventualmente lhe atribuiu.
Fontes:
Fotos: FAP / AHFA - Força Aérea Portuguesa / Arquivo Histórico da Força Aérea;
Plano e Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.

1 comentário:

  1. Só agora vi o seu blogue onde reflete o gosto pela Aviação Militar Portuguesa e Fotografia, duas áreas que também me fascinam. Parabéns pelo blogue.
    Cumptos,
    José Santos

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