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20 dezembro 2013

Republic F-84G Thunderjet (terceira parte)

Ver  Republic F-84G Thunderjet (primeira parte)



(continuação)

Imagem 11

(...Percurso em Portugal - continuação)

     A chegada dos North-American F-86F Sabre, em 1958, provocou a extinção da patrulha devido à transferência dos pilotos para estes aviões. Entretanto, a Esquadra 22 manteve sempre activa a sua patrulha acrobática.

Imagem 12: Emblema da
Patrulha Acrobática
«S. Jorge»

     Com a extinção dos “Dragões”, a partir de 1958 a representação nacional foi entregue à patrulha da Esquadra 22, denominada «S. Jorge» (note-se a rivalidade e ironia. Segundo a lenda, S. Jorge matou o dragão...) (ver imagem 12).
     Os «S. Jorge» actuavam com quatro aviões F-84G Thunderjet, mantendo um quinto avião em reserva. Fizeram a estreia internacional no Festival de Sevilha, em 19 de Outubro de 1958. A última actuação foi em Julho de 1960.
     Os “S. Jorge” apresentaram-se inicialmente com a última pintura usada pelos “Dragões”. Adoptaram depois uma mais vistosa, com todas as superfícies superiores a preto e as inferiores a vermelho separadas por um filete longitudinal a preto metalizado, sobre o qual, na secção dianteira da fuselagem, se encontrava inscrito o nome da patrulha, a branco. Não ostentavam as marcas e insígnias habituais, resumindo-se ao rectângulo com a bandeira  nacional, sem escudo, nos lados do estabilizador vertical, com a matrícula por cima, em algarismos brancos.

Imagem 13 - Cortesia de http://digitalhangar.blogspot.pt/

     O desgaste dos F-84G originou que alguns fossem retirados de serviço. Em meados de 1960 foram desactivadas as Esquadras 21 e 22. Os F-84G ainda em condições de voo foram transferidos para a Esquadra de Instrução Complementar de Aviões de Caça (EICPAC), que dispunha dos Lockheed T-33 T-Bird, formando a Esquadrilha de F-84G, com a missão de fornecer treino operacional aos futuros pilotos dos F-86F Sabre.
     Tudo se encaminhava para que o ano de 1960 fosse o derradeiro da vida operacional dos Thunderjet portugueses. Para além de Portugal, só a Jugoslávia, o Irão e a Tailândia ainda os mantinham operacionais. Mas assim não aconteceu: A Guerra do Ultramar e o boicote da ONU à venda de armamento a Portugal, levaram os F-84G Thunderjet para Angola.
     Pelo facto dos F-84G estarem atribuídos à NATO e para não se levantarem problemas quanto à sua utilização em África – como aconteceu com os F-86F Sabre que operaram na Guiné – o Governo Português comprou os aviões à NATO a fim de dispor deles livremente.

Imagem 14: Emblema da
Esquadra 93, BA9.

     Foram retirados da EICPAC e enviados para Angola, 25      F-84G, onde chegaram, por via marítima, entre 30 de Março de 1961 e 14 de Dezembro de 1962. Foram colocados na Esquadra 93 da Base Aérea N° 9 (BA9), Luanda (ver imagem 14).

     No dia 17 de Agosto de 1961 realizou-se o primeiro voo de um avião a reacção português nos céus de Angola. O primeiro F-84G a chegar a Angola foi o número 5207. Provavelmente, foi também o primeiro a voar. O segundo grupo foi constituído pelos aviões números 5111, 5115, 5145, 5168, 5175, 5177, 5180, 5184, 5199, 5203, 5213, 5216 e 5227. Os últimos foram os 5103, 5128, 5130, 5141, 5144, 5156, 5164, 5186, 5190, 5195 e 5225.
A Esquadra 93 intitulou-se de “Magníficos”, adoptando um distintivo muito revelador das suas origens: um escudo com fundo vermelho, cruzado em diagonal verde descendo da esquerda para a direita, acima da qual a silhueta de um barrete de campino (alusão à antiga Esquadra 21) e abaixo, a silhueta de um pirata (referência à Esquadra 22). Adoptou o encarnado como cor de esquadra. Desenvolveram intensa actividade, principalmente em missões de ataque ao solo.

     Na sequência do bloqueio naval ao porto da Beira, motivado pela independência unilateral da Rodésia, em Novembro de 1965, foram destacados seis F-84G (5141, 5144, 5245, 5164, 5199 e 5203) de Luanda para a Base Aérea N° 10, Beira, Moçambique, onde se mantiveram cerca de seis meses.

     Os “velhos” Thunderjet foram sendo abatidos progressivamente, uns por acidente, outros por desgaste. Mesmo os que sofriam um pequeno acidente deixavam de ser reparados, por falta de sobressalentes.
     Até 1973 a Esquadra 93 tinha perdido 10 aviões em acidentes ou incidentes. Nesse ano só dispunha de cinco aeronaves em condições de operar. Quando a Guerra do Ultramar terminou, em 1974, os poucos que ainda se mantinham operacionais foram definitivamente abatidos.
     Da totalidade de 125 F-84G existentes na FAP, foram perdidas 30 aeronaves em acidentes ou incidentes, tanto em Portugal como no Ultramar.
Portugal foi o país da NATO – talvez do mundo – que utilizou os F-84G Thunderjet até 1974.

     Os F-84G que não faziam parte das patrulhas acrobáticas estavam inteiramente em metal polido com a Cruz de Cristo, sobre círculo branco, no extra-dorso da asa esquerda, no intradorso da asa direita e nos lados da fuselagem. A bandeira nacional, sem escudo, estava colocada num rectângulo nos lados do estabilizador vertical. A matrícula, em algarismos pretos, estava colocada nas asas, alternando com a insígnia, sobre as bandeiras no estabilizador e ainda na fuselagem, entre as asas e o nariz, aqui unicamente os três últimos algarismos. Toda a parte superior da fuselagem, à frente e atrás da cabina, estava coberto em preto anti-reflexo, numa faixa relativamente estreita.
As pinturas específicas de cada uma das esquadras sofreram, ao longo do tempo, pequenas alterações.      Nos primeiros tempos da Esquadra 21, os seus aviões apresentavam a entrada de ar contornada a verde com um pequeno bico, a preto, na direcção das asas. Ostentavam o distintivo da esquadra no lado esquerdo da secção dianteira da fuselagem, a meia distância entre os números de matrícula e a entrada de ar. Os depósitos de combustível das pontas das asas com um raio verde. Na cauda, uma estreita cinta em verde, amarelo e encarnado. No leme de direcção existiam três cunhas em leque saindo da base inferior do leme, em verde. A pintura do leme e da cauda não foi conservada por muito tempo.
Quando se assumiram como “barretes verdes”, a pintura resumiu-se ao anel verde na entrada de ar e aos depósitos das pontas das asas, inteiramente em verde. O novo distintivo foi mantido no mesmo local do anterior.
     Os aviões da Esquadra 20, depois 22, e da Esquadra 93, apresentavam o mesmo esquema, com a entrada de ar e os depósitos das pontas das asas em vermelho. Os respectivos distintivos estavam colocados no lado esquerdo da secção dianteira da fuselagem.
     O Museu do Ar é possuidor dos F-84G números 5176, 5187 e 5216.
O 5201, exposto em pedestal na Base Aérea N° 2, Ota, perpetua a memória dos Republic F-84G Thunderjet que operaram na FAP.


Fontes (terceira parte):
Imagem 11: © Carlos Pedro - Blog Altimagem;
Imagem 13: Cortesia de  Paulo Alegria - Blog Digital Hangar;
Texto e Imagens 12 e 14: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.

Republic F-84G Thunderjet (segunda parte)

Ver  Republic F-84G Thunderjet (primeira parte)

(continuação)

Imagem 3: F-84G com a pintura usada pelos «Dragões» em 1958


Percurso em Portugal:
      Os primeiros Republic F-84G Thunderjet da Força Aérea Portuguesa (FAP) chegaram ao porto de Lisboa no dia 25 de Janeiro de 1953, a bordo do porta-aviões americano “Tripoli”. Eram aviões novos, que nunca tinham sido utilizados. O primeiro destes aviões fez o voo de experiência no dia 2 de Fevereiro desse ano, pilotado por um americano.
     Receberam a numeração da FAP de 5101 a 5125. A correspondência destas matrículas com os números de série (n/s) da USAF era a seguinte: 5101 (USAF n/s 51-10999), 5102 (51-11115), 5103 (51-11111), 5104 (51-11047), 5105 (51-11025), 5106 (51-11112), 5107 (51-11082), 5108 (51-10900), 5109 (51-11100), 5110 (51-11002), 5111 (51-11092), 5112 (51-11020), 5113 (51-11104), 5114 (51-11061), 5115 (51-11067), 5116 (51-10994), 5117 (51-11063), 5118 (51-11068), 5119 (51-10928), 5120 (51-11114), 5121 (51-11053), 5122 (51-11012), 5123 (51-10991), 5124 (51-11070) e 5125 (51-11103).

Imagem 4: Emblema da
Esquadra 20, BA2.

     Foram entregues à Base Aérea N° 2 (BA2), Ota, constituindo a Esquadra 20, inaugurada em 15 de Maio de 1953, a primeira unidade de combate da FAP equipada com aviões a reacção (ver imagem 4).
     A Esquadra 20 adoptou o vermelho como cor da esquadra e como distintivo um F-84G preto, entrelaçado no número 20, a vermelho.
     Em 1954 foram fornecidos mais 25 Republic F-84G Thunderjet, com os quais foi formada a Esquadra 21 que, inicialmente, adoptou como distintivo um rato de capa vermelha e de espada em riste e, como cor de esquadra, o verde. Pouco depois mudou o distintivo, adoptando o barrete verde de campino e mantendo a mesma cor de esquadra. (ver imagem 5).
     Os aviões receberam a numeração de 5126 a 5150. A correspondência entre as matrículas da FAP e os números de série da USAF era a seguinte: 5126 (51-1076A), 5127 (51-11199A), 5128 (51-11219A), 5129 (51-11231A), 5130 (51-16645A), 5131 (51-16672A), 5132 (51-16684A), 5133 (51-10468), 5134 (51-16651), 5135 (51-11175), 5136 (51-10440), 5137 (51-11216), 5138 (51-11245), 5139 (desconhecido), 5140 (51-16674), 5141 (51-11203), 5142 (51-11190), 5143 (51-11212), 5144 (51-16650), 5145 (51-11223), 5146 a 5149 (desconhecidos), 5150 (51-16643A).
     Integrados nas Forças da NATO, tinham como missão primária a defesa do espaço aéreo nacional. Tendo em vista a preparação para o desempenho da missão, as Esquadras empenharam-se em rigorosos programas de treino operacional, praticando voos de navegação em formação a baixa altitude, voo sem visibilidade, acrobacia aérea, tiro ar-chão com metralhadoras, foguetes e bombas e ainda treino de combate aéreo (dog fight) o que, para além das manobras de combate, incluía fogo real de metralhadoras para um alvo rebocado por um avião do mesmo tipo.

Imagem 5: Emblemas da Esquadra 21 (BA2), original
e definitivo, respectivamente.

     No dia 1 de Julho de 1955 aconteceu uma grande tragédia, tanto para a BA2 como para a FAP: durante as comemorações do Dia da Força Aérea, oito aviões de uma formação de doze F-84G Thunderjet da Esquadra 21 colidiram com a Serra dos Carvalhos, Poiares, perto de Coimbra, em condições meteorológicas desfavoráveis, vitimando os respectivos pilotos.

     Em 1956 uma formação de oito F-84G, com pilotos das duas esquadras, voou da BA2 para a BA4, Açores, regressando sem problemas. Ainda em 1956, outros oito F-84G repetiram a viagem aos Açores, onde participaram no exercício “Estorninho”. Os Açores situavam-se no limite da autonomia dos aviões, pelo que os mesmos foram assistidos por bimotores Locheed PV-2 Harpoon. Ainda que todos os aviões tenham regressado à BA2 sem percalços, alguns pilotos referiram que, tanto à ida como no regresso, aterraram com combustível para poucos minutos de voo.

Imagem 6
     Em 1958 foi criada na BA2 o Grupo Operacional 201, tendo a Esquadra 20 alterado a designação para Esquadra 22 e mudando o distintivo para o desenho de um pirata (ver imagem 6). Manteve o vermelho como cor de esquadra.
     Entre 1956 e 1958 a FAP recebeu mais 75 aviões Republic F-84G Thunderjet, provenientes da Alemanha Federal, Bélgica, Estados Unidos, França, Holanda e Itália. Matriculados de 5151 a 5225, tinham a seguinte correspondência com os números de série da USAF: 5151 (51-16653A), 5152 (51-10461A), 5153 (51-16669A), 5154 e 5155 (desconhecidos), 5156 (51-1092), 5157 (51-10384), 5158 (desconhecido), 5159 (51-1178A), 5160 (51-1216A), 5161 (51-9846), 5162 (51-10414), 5163 (51-10617), 5164 (51-11120), 5165 a 5167 (desconhecidos), 5168 (51-16648A), 5169 e 5170 (desconhecidos), 5171 (51-10678), 5172 (51-10878), 5173 (desconhecido), 5174 (51-9840), 5175 (51-9857), 5176 (51-9957), 5177 (51-9962), 5178 e 5179 (desconhecidos), 5180 (51-10473), 5181 e 5182 (desconhecidos), 5183 (51-9924), 5184 (51-9930), 5185 (desconhecido), 5186 (51-9871), 5187 (51-9928), 5188 (51-9955), 5189 (desconhecido), 5190 (51-9896), 5191 a 5193 (desconhecidos), 5194 (51-9716), 5195 (51-9983), 5196 a 5198 (desconhecidos), 5199 (51-10038), 5200 (51-10188), 5201 e 5202 (desconhecidos), 5203 (51-10238), 5204 e 5205 (desconhecidos), 5206 (51-10267), 5207 (51-16745), 5208 (51-10099), 5209 a 5211 (desconhecidos), 5212 (51-10800), 5213 (51-109041), 5214 (51-8423), 5215 (51-10563), 5216 (51-10838), 5217 (51-11094), 5218 (51-16730), 5219 a 5220 (desconhecidos), 5221 (51-8420), 5222  e 5223 (desconhecidos), 5224 (51-8446) e 5225 (51-8464).

     No total, a FAP recebeu 125 F-84G Thunderjet. É provável que tenham sido recebidos mais alguns, que não se tornaram operacionais nem receberam matrículas, servindo para fornecimento de peças sobressalentes.
    Estes magníficos aviões foram um marco da história da FAP, definindo a era da aviação a reacção em Portugal e possibilitando uma prestigiada actuação no âmbito das forças da NATO. Ambas as esquadras praticavam acrobacia em formações de dois a quatro aviões, manobras incluídas no treino operacional, sustentando salutar rivalidade.

Imagem 7 - Cortesia de http://digitalhangar.blogspot.pt/


Imagem 8: Emblema da
Patrulha Acrobática
«Dragões».
     Embora tivesse sido a patrulha acrobática da Esquadra 20 a primeira a participar em festivais internacionais, actuando no Festival Internacional de Madrid em 1954, foi a patrulha acrobática da Esquadra 21 que recebeu o estatuto de Patrulha Acrobática Nacional, conferido pelo Secretário de Estado da Aeronáutica, com a denominação de “Dragões de Portugal”. Actuavam com quatro aviões, mantendo um de reserva. Os “Dragões” fizeram a presentação oficial em 30 de Novembro de 1954, quando o Presidente da Grécia visitou Portugal.


     Mais tarde, por iniciativa do Comandante da BA2, a patrulha acrobática “Dragões” passou a incluir pilotos das duas esquadras. Nas suas 40 exibições nacionais e internacionais salienta-se a participação no Festival Aéreo de Bruxelas, realizado em 29 de Junho de 1958 onde, em competição com 12 patrulhas de países da NATO, conquistaram o segundo lugar, a cinco pontos da patrulha italiana “Diavoli Rossi”, que utilizava aviões Republic F-84F Thunderstreak. Uma semana depois, nas comemorações dos 45 anos da Força Aérea Alemã, obtiveram um prestigiante terceiro lugar.

Imagem 9 - Cortesia de http://digitalhangar.blogspot.pt/

     Inicialmente, a pintura dos F-84G dos “Dragões” pouco diferia dos outros aviões da Esquadra 21, inteiramente em metal polido, com a entrada de ar em verde e flechas verdes ao longo dos depósitos das pontas das asas.
     Nas comemorações do Dia da Força Aérea, no Porto em 1957, apresentaram-se com a entrada de ar circundada a vermelho escuro metalizado e amarelo. Nos lados da fuselagem, entre as asas e o nariz, uma figura semelhante a metade de uma seta, em amarelo e orlada a preto, que se repetia em menores dimensões nas faces exteriores dos depósitos das pontas das asas que, por sua vez, se encontravam pintados em vermelho escuro metalizado. O estabilizador vertical e a parte da fuselagem que se encontrava no seu enfiamento estavam pintados em xadrez, a preto e amarelo. Note-se que o leme de direcção manteve a pintura em alumínio. Os aviões que se apresentaram com esta pintura no Porto tinham os números 5145, 5172, 5178 e 5186.

Imagem 10 - Cortesia de http://digitalhangar.blogspot.pt/

     A partir de Junho de 1958 apresentaram-se com uma faixa encarnada e verde envolvendo a fuselagem em espiral. Mantinham a fuselagem em metal polido, bem como as marcas e insígnias da FAP, segundo o padrão em uso.


(continua)


Fontes (segunda parte):
Imagem 3: © Carlos Pedro - Blog Altimagem;
Imagens 7, 9 e 10: Cortesia de  Paulo Alegria - Blog Digital Hangar;
Texto e Imagens 4, 5, 6 e 8: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000;

Republic F-84G Thunderjet (primeira parte)

Imagem 1

REPUBLIC F-84G THUNDERJET

Quantidade: 125
Utilizador: Força Aérea
Entrada ao serviço: Janeiro de 1953
Data de abate: 1974


Dados técnicos:
a.  Tipo de Aeronave
Avião mono-reactor terrestre, de trem de aterragem triciclo retráctil, mono-plano de asa baixa,  revestimento metálico, cabina com cobertura em bolha transparente, inicialmente construído como avião de caça, depois como caça-bombardeiro. Tripulação: 1 (piloto).
b.  Construtor
Republic Aviation Company / USA.
c.  Motopropulsor
Motor: 1 motor Allison J35-A-9, turbo-reactor, de 2.540 Kgf (24,9 kN) de impulsão.
d.  Dimensões
Envergadura …………...........11,09 m
Comprimento…..………..…....11,60 m
Altura………….……...…...…....3,84 m
Área alar ……….……............24,15 m²
e.  Pesos
Peso vazio……………..........……4.633 Kg
Peso com armamento.............6.684 Kg
Peso máximo…………........……10.196 Kg
f.   Performances
Velocidade máxima ……..….....1.000  Km/h
Velocidade de cruzeiro ......dependente da altitude
Tecto de serviço ……………...13.725 m
Raio de acção………………......1.600 Km
Raio de acção com depósitos suplementares ........3.220 Km
g.  Armamento
6 metralhadoras calibre 12,7 mm instaladas no nariz;
1.815 kg de bombas suspensas nas asas e na fuselagem.
h.  Capacidade de transporte
Nenhuma.


Imagem 2

Resumo histórico:
     Os Republic F-84 Thunderjet, a par dos North-American F-86 Sabre, foram dos mais famosos aviões da primeira geração de caças a reacção.
     A história dos F-84 Thunderjet remonta aos últimos tempos da II Guerra Mundial. Em 11 de Setembro de 1944 a Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (USAAF) abre concurso para a produção de um avião de caça diurno, de asa média, com velocidade de 950 Km/h e um raio de acção não inferior a 1.400 Km. Como armamento deveria ter 8 metralhadoras de calibre 0,50 polegadas ou 6 de calibre 0,60 polegadas, depois alterado para 6 de 0,50 ou 4 de 0,60.

     Face a este desafio, o engenheiro Alexander Kartveli, da Republic Aviation Company, responsável pelo célebre caça da II Guerra Mundial, o Republic P-47 Thunderbolt, começou a imaginar uma versão a reacção deste avião.
     O desenho básico ficou completo a 11 de Novembro de 1944, ao mesmo tempo que a General Electric levava a cabo uma longa série de experiências com os novos motores a reacção TG-180 turbo-reactor, mais tarde designado por J35.
     No dia 4 de Janeiro de 1945 a USAAF estabelece um contrato com a Republic para a construção de 25 aviões para avaliação das capacidades operacionais, e 75 de produção normal, contrato que mais tarde foi alterado, reduzindo a construção dos aviões de avaliação para 15 e aumentando os de produção normal para 85, atribuindo a estes últimos a designação de P-84 Thunderjet.
     Os ensaios no túnel aerodinâmico, que decorreram nos primeiros meses de 1945 denunciaram a falta de estabilidade em torno do eixo longitudinal, o que obrigou à revisão do desenho. O programa também foi afectado devido a problemas com o motor J35 da General Electric.
     Em Dezembro de 1945 a situação na Republic estava muito deteriorada, sem conseguir cumprir os prazos estabelecidos inicialmente.

     Finalmente, a 28 de Fevereiro de 1946 voou o primeiro protótipo, designado por XP-84. O segundo protótipo, igualmente designado por XP-84, iniciou os voos em Agosto de 1946 e logo evidenciou possuir melhores performances. No mês seguinte bateu o recorde nacional de velocidade dos Estados Unidos, ao atingir 978 Km/h (611 mph). Ambos os protótipos utilizaram motores General Electric 135-GE-7, de 1.700 Kgf de impulsão. Quando passaram a utilizar motores Allison J35-A-15 de 1.820 Kgf de impulsão, receberam a designação de XP-84A. Foram os motores Allison os seleccionados para a produção normal, além de serem instalados nos aviões de avaliação, designados por YP-84A.

     Ainda em 1946, a Republic e a USAAF estabeleceram dois contratos: um para fornecimento de 141 e outro de 271 aviões P-84B. Várias contrariedades técnicas e financeiras, agravadas por dificuldades com o fornecimento dos motores, obstaram ao cumprimento dos contratos. Assim, resultou que em Junho de 1947 a USAAF estabelecesse novo contrato, limitado ao total de 226 unidades, mais realista face à capacidade de produção da Republic. Os aviões começaram a ser entregues em Agosto de 1947.
A grande beneficiária da situação foi a Lockheed, que captou a preferência da USAAF para o seu caça, o Lockheed P-80 Shooting Star.

     Em Outubro de 1947, a recém-formada Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) estabeleceu um contrato com a Republic para o fornecimento de 345 aviões nas versões P-84C e P-84D.
     Em Dezembro de 1947 os P-84B Thunderjet em actividade nas esquadras operacionais apresentaram pequenas falhas estruturais que implicaram restrições em voo, não podendo exceder a velocidade de Mach .8 nem a aceleração de 5,5G. Em Maio de 1948 a frota dos P-84B estava imobilizada para reparação de sérias falhas estruturais. Completados os trabalhos de reparação, os aviões voltaram a voar mas mantiveram as limitações estruturais.
     A produção dos P-84B foi encerrada em Junho de 1948, data da entrega do último dos 226 construídos, sendo retirados de serviço em 1952.

     Foi em Junho de 1948 que a USAF adoptou a letra “F” para designar os aviões de caça. Assim, os P-84 passaram a ser designados por F-84 Thunderjet.
     Com os problemas internos na Republic a entrega dos F-84C (ex-P-84C) encomendados pela USAAF estava a processar-se lentamente e os trabalhos para a produção dos F-84D (ex-P-84D) não decorriam como estava programado.
     A versão F-84C era similar à versão F-84B, com as modificações necessárias para solucionar os problemas estruturais apontados. Apresentou também um novo sistema eléctrico e um novo motor J35-A-13, igualmente com 1.820 Kgf. Os 191 exemplares começaram a ser entregues em Maio de 1948. Distribuídos por diversos grupos de caça da USAF, começaram a ser retirados de serviço em 1952, sem nunca terem operado fora dos Estados Unidos.
     Os F-84D tiveram uma enorme importância no futuro da Republic Aviation. Em Setembro de 1948 a USAF conduziu uma completa revisão ao projecto, ao mesmo tempo que os primeiros F-84D se encontravam em fase de acabamento. Também por essa altura, o projecto da versão F-84E estava bastante avançado e apresentava boas perspectivas.

     Segundo alguns historiadores, a USAF pretendia anular o contrato e encerrar a produção do F-84D, mas acabou por manter a encomenda, na convicção de que a anulação do contrato iria provocar um descalabro financeiro na Republic e, consequentemente, o projecto do F-84E ficaria perdido para sempre. Perante isto, decidiu reformular radicalmente o projecto e fazer um grande investimento financeiro. Em Dezembro seguinte firmou contrato para a produção de 409 aviões F-84E, um dos quais modificado para servir de protótipo YF-84F. Outras encomendas elevaram o total da produção de     F-84E para 843 exemplares.

     Os 154 exemplares da versão F-84D foram entregues à USAF entre Novembro de 1948 e Abril de 1949. A nova versão apresentou as asas e os lemes com revestimento de maior espessura, um sistema de combustível mais eficaz no uso do JP4, e a substituição dos componentes hidráulicos do trem de aterragem por outros de acção mecânica.
     Os F-84D foram os primeiros aviões Thunderjet a serem enviados para a Guerra da Coreia (1950 a 1953), onde chegaram em Dezembro de 1950. Foram retirados de serviço em 1957 depois de alguns anos ao serviço da Air National Guard.

     O protótipo do F-84E realizou o primeiro voo em 18 de Maio de 1949. O primeiro avião de produção foi entregue em 26 de Maio de 1949 e o último em Julho de 1951. Tinha mais 30 cm de comprimento do que o antecessor – de que resultou uma cabina mais ampla e cómoda – novo motor J35-A-17 de 2.280 Kgf de impulsão, a estrutura das asas mais resistente e a possibilidade da instalação de depósitos de combustível suplementares sob as asas, o que adicionou 1.800 Km ao raio de acção. Na Guerra da Coreia, os F-84E foram os melhores aviões de caça dos americanos, apenas superados pelos F-86 Sabre.

     A versão definitiva dos Thunderjet foi a F-84G, que começou a ser entregue em Novembro de 1950. Foram construídos 3.025 exemplares, dos quais 2.236 para os países da NATO, ao abrigo do Programa de Defesa e Assistência Mútua (MDAP).
     Em meados de 1952, o Strategic Air Command não teve dúvidas em incluir os F-84G Thunderjet na sua frota de aviões estratégicos, tornando-o assim no primeiro caça-bombardeiro monolugar a ser considerado um potencial transportador de armamento nuclear. Foi também o primeiro avião da sua categoria a possuir sistema de reabastecimento em voo.

     Os F-84G estiveram presentes na Guerra da Coreia, onde desempenharam missões como caça-bombardeiro e caça de escolta. Nesta guerra foram abatidos 335 Thunderjet, das versões F-84D, F-84E e F-84G, dos quais mais de metade por armas terrestres.
     Incluindo todas as versões, até aos finais de 1940 a Republic Aviation Company construiu 7.254 unidades.
     Salvo raras excepções, os F-84 foram retirados de serviço em 1960.

     O F-84F não é aqui incluído por não ser da “família Thunderjet”, embora construído a partir do modelo original de F-84G: o modelo de caça foi designado por F-84F Thunderstreak, e o modelo de reconhecimento por RF-84F Thunderflash. Tinham a particularidade de ter as asas em forma de flecha.

(continua)




Fontes (primeira parte):
Imagem 1: FAP / AHFA - Força Aérea Portuguesa / Arquivo Histórico da Força Aérea;
Imagem 2: Cortesia de  Richard Ferriere - 3 vues;
Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.