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24 maio 2014

Fiat G-91 (quinta parte)

Ver  Fiat G-91 (primeira parte)

                            Ver  Fiat G-91 (segunda parte)

                                                        Ver  Fiat G-91 (terceira parte)

                                                                                    Ver Fiat G-91 (quarta parte)


(continuação)


Imagem 20:  © Carlos Pedro - BA6: Fiat G-91 / R3 especialmente pintado
para o International Air Tattoo - RAF Fairford, de 1991 (ver imagem 21).


Imagem 21: Cortesia de http://digitalhangar.blogspot.pt/


Percurso em Portugal (continuação):

     Os Fiat G-91, que tão valiosos serviços prestaram à FAP e a Portugal, especialmente durante a Guerra do Ultramar, depois de realizarem cerca de 75.000 horas de voo em 28 anos de serviço, foram oficialmente retirados de serviço em 27 de Junho de 1993, data da transferência da Esquadra 301 da BA6 para a BA11, Beja, onde passou a operar os aviões Alpha-Jet, os novos “Jaguares”.


Imagem 22:   © Carlos Pedro - Fiat G-91 / R3, especialmente pintado para a despedida,
em 27 de Junho de 1993, BA6. (ver imagens 23 e 24)


Imagem 23:  © Carlos Pedro - Pormenor da pintura, com os emblemas das várias Esquadras,
assim como os nomes dos pilotos que operaram os Fiat G-91 ao longo de 28 anos (ver imagem 24).


Imagem 24:  © Carlos Pedro 


     As OGMA - Oficinas Gerais de Material Aeronáutico, em Alverca, tiveram um papel importantíssimo na manutenção dos Fiat, realizando centenas de IRAN e introduzindo diversas modificações, possibilitando a sua operacionalidade por quase três décadas.
     Os Fiat G-91 desactivados foram distribuídos por Portugal: Colocados em pedestal na BA6 (imagem 28) e no Estado-Maior da Força Aérea. Alguns foram doados a algumas Câmaras Municipais; Alguns na BA2, Ota, para fins de instrução de pessoal técnico; outros na posse do Museu do Ar. Muitos mais foram desmantelados, acabando nos parques dos sucateiros.

Imagem 25: Cortesia de http://digitalhangar.blogspot.pt/


Imagem 26: Cortesia de http://digitalhangar.blogspot.pt/


Quanto aos esquemas de pintura, os Fiat G-91 tiveram algumas alterações:
a)      Os G-91 R/4 recebidos entre 1965 e 1966, mantiveram até 1968 o esquema da Luftwaffe, em verde e cinzento escuro nas superfícies superiores e cinzento azulado nas inferiores, depois alterado para cinzento claro. Ostentavam a Cruz de Cristo, sobre círculo branco, no extra-dorso da asa esquerda, no intradorso da asa direita e nos lados da fuselagem. As cores nacionais, sem escudo, estavam dentro de um rectângulo nos lados do estabilizador vertical. Os números de matrícula encontravam-se a preto em ambos os lados das asas, alternando com a insígnia e também sobre os rectângulos com as cores nacionais no estabilizador vertical.
b)     A partir de 1968, os aviões que fizeram o IRAN na Fiat, em Itália, regressaram inteiramente pintados em cinzento claro azulado (FS 16.473). As insígnias e matrículas não sofreram alterações.
c)      Com o aparecimento dos mísseis Strella na Guiné e em Moçambique, em 1973, começaram a ser inteiramente pintados em verde-azeitona anti-radiação, que se aproximava da cor FS 34.102. Esta pintura era afectada pela exposição ao tempo, alterando a tonalidade, situando-se entre o verde escuro (FS 34.128) e o verde claro (FS 34.227). A insígnia da Cruz de Cristo foi reduzida para um diâmetro de 20 cm. Os algarismos das matrículas foram igualmente reduzidos.


Imagem 27: Emblemas de pano da Esquadra 301, "Jaguares", e da Manutenção Fiat, "Os Mágicos"


d)     Regressados a Portugal em 1974, altura em que foram colocados na BA6, regressaram ao esquema inicial referido em a), com as superfícies inferiores em cinzento claro.
e)      Por força do Regulamento de Pinturas, Insígnias e Marcas das Aeronaves da Força Aérea (Portaria 101/80 de 12 de Março de 1980), a pintura dos Fiat foi uniformizada em camuflado com as superfícies superiores em castanho (FS 30.219) e verde (FS 34.079) e as inferiores em cinzento claro (FS 36.662), esquema semelhante ao adoptado pelos americanos no Vietname. As asas deixaram de apresentar as insígnias e a matrícula. A Cruz de Cristo, sobre círculo branco com 37 cm de diâmetro, estava colocado nos lados da fuselagem. As cores nacionais foram mantidas nos lados do estabilizador vertical em rectângulos com 50 cm de comprimento e, sobre estes, foram inscritas as matrículas, a algarismos pretos com 15 cm de largura. O desenho da Cruz de Cristo foi ligeiramente alterado.
f)       Nos finais de 1983 foi adoptado um esquema de pintura conhecido por wrap-around, mais apropriado para as operações a baixa altitude. As superfícies inferiores passaram a ser pintadas na continuação da camuflagem das superfícies superiores, agora com maior recorte. As marcas e insígnias não sofreram alterações.

     Os Fiat G-91 T/3 mantiveram o esquema de pintura como foram recebidos, acima referidos em a), com zonas em dayglo.

     Também alguns R/3 e R/4 apresentavam o esquema de pintura referido em a), com os depósitos suplementares instalados sob as asas com a parte cilíndrica em dayglo.
     De referir que os aviões ostentavam igualmente os distintivos das esquadras, normalmente nos lados da fuselagem, por baixo do pára-brisas. Os G-91 do AB7 eram uma excepção, apresentando um grande escorpião preto em ambos os lados da fuselagem.
     Os “Tigres” da Guiné apresentavam uma boca de tubarão no nariz dos aviões.
     Os Fiat G-91 portugueses foram os únicos do mundo a actuar em combate.


Ver  Fiat G-91 (primeira parte)

                             Ver  Fiat G-91 (segunda parte)

                                                           Ver  Fiat G-91 (terceira parte)

                                                                                       Ver Fiat G-91 (quarta parte)


Fontes (quinta parte):

17 maio 2014

Fiat G-91 (quarta parte)

Ver  Fiat G-91 (primeira parte)

(continuação)

Imagem 10 -  © Carlos Pedro - "Linha da frente", Fiat's, Base Aérea Nº 6, Montijo, 1991


Percurso em Portugal (continuação):


     Os Fiat G-91 R/4 chegaram a Moçambique em fins de 1968. Montados na Base aérea Nº 10 (BA10), Beira, foram colocados no Aeródromo-Base N° 5 (AB5), Nacala (imagem 11), onde, em Janeiro de 1969, constituíram a Esquadra 502Jaguares” (ver imagem 12).


Imagem 11: Cortesia de http://digitalhangar.blogspot.pt/




Imagem 12 - Emblema da
Esquadra 502, AB5, Nacala
Imagem 13 - Emblema da
Esquadra 702, AB7, Tete


















     Em Setembro de 1970 foi criada no Aeródromo-Base Nº 7 (AB7), Tete, a Esquadra 702 Escorpiões” (ver imagem 13), também equipada com Fiat G-91 R/4.

Imagem 14: Cortesia de http://digitalhangar.blogspot.pt/


     As Esquadras 502 e 702 mantinham destacamentos permanentes em Porto Amélia, Mueda (Aeródromo de Manobra 51) e Nampula, além de destacamentos ocasionais em Nova Freixo (Aeródromo-Base Nº 6AB6), Vila Cabral (Aeródromo de Manobra Nº 61AM61) e Beira (Base Aérea Nº 10BA10). Desempenharam as mesmas missões que os G-91 da Guiné e, tal como estes, defrontaram-se com o armamento pesado do inimigo. Os mísseis Strella, de um modelo mais moderno e mais díficil de detectar, fizeram a sua aparição no Planalto de Mueda em 1973. Felizmente, nunca conseguiram atingir qualquer aeronave Fiat.
     Em Outubro de 1974 os Fiat G-91 do AB5, Nacala, foram desmontados e embarcados para a Metrópole, enquanto que os do AB7, Tete, foram transferidos para Nacala, onde foram desmontados e enviados para Angola. Estes aviões instalaram-se na Base Aérea Nº 9 (BA9), Luanda, ocupando as infraestruturas da Esquadra 93, dos F-84G Thunderjet, abatidos ao efectivo em 1972.
     Em Angola efectuaram missões de reconhecimento, acompanhando a transferência de poderes, com excepção de uma única acção de apoio de fogo em Cabinda.

     Consumada a independência das ex-colónias, todos os Fiat G-91 sobreviventes regressaram a Portugal. Foram os únicos Fiat G-91 do mundo a actuar em teatro de guerra real.
     Passado o tempo das indefinições provocadas pela Revolução do 25 de Abril de 1974, a FAP procedeu à indispensável reorganização do dispositivo.
     Desta forma, em Agosto de 1974 os Fiat G-91 R/4 foram reunidos na Base Aérea Nº 6 (BA6), Montijo, onde foi criada a Esquadra 62, que retomou o símbolo dos Fiat de Nacala, os “Jaguares”.

Imagem 15 -  © Carlos Pedro - BA6: Fiat participante no
International Air Tattoo de 1991 (ver imagem 16)


Imagem 16: Cortesia de  http://digitalhangar.blogspot.pt/

     No dia 23 de Março de 1976 chegaram a Portugal cinco Fiat G-91 T/3, a versão bi-lugar de treino. Este lote era de seis aviões, mas um acidentou-se à descolagem, após uma escala na Base de Getafe, em Espanha, quando efectuava o voo para Portugal. O fornecimento de Fiat G-91 T/3 prolongou-se até 1982. O Governo Alemão forneceu a Portugal um total de 26 G-91 T/3, dos quais só 11 se tornaram operacionais. Foram colocados na Esquadra 62.
     A correspondência entre as matrículas da FAP e os números de construtor dos Fiat G-91 T/3 que se tornaram operacionais foi a seguinte: 1801 (91-2-0003), 1802 (91-2-0006), 1803 (91-2-0009), 1804 (91-2-0017), 1805 (91-2-0019), 1806 (91-2-0025), 1807 (91-2-0031), 1808 (91-2-0040), 1809 (91-2-0042), 1810 (91-2-0042) e 1811 (91-2-613), tendo este último entrado ao serviço em 1986.

     No dia 13 de Junho de 1976 foram oficialmente recebidos na Base Aérea Nº 11 (BA11), Beja, 70 aviões Fiat G-91 R/3. Destes, só 34 se tornaram operacionais, cuja relação entre as matrículas da FAP e os números de construtor era a seguinte: 5441 (91-1-0065), 5442 (91-1-0077), 5443 (91-1-0080), 5444 (91-1-0089), 5445 (91-1-0091), 5446 (91-370), 5447 (91-386), 5448 (91-402), 5449 (91-404), 5450 (91-428), 5451 (91-433), 5452 (91-469), 5453 (91-520), 5454 (91-532), 5455 (91-440), 5456 (91-449), 5457 (91-464), 5458 (91-477), 5459 (91-551), 5460 (91-582), 5461 (91-1-0097), 5462 (91-301), 5463 (91-384), 5464 (91-391), 5465 (91-450), 5466 (91-533), 5467 (91-517), 5468 (91-393), 5469 (91-307), 5470 (91-339), 5471 (91-530), 5472 (91-559), 5473 (91-577) e 5474 (91-544).

Imagem 17 - Emblema da
Esquadra 301, BA6, Montijo.

     A reorganização levada a efeito em 1978 alterou a designação de Esquadra 62 para Esquadra de Ataque 301, tendo como missões primárias o apoio aéreo táctico, interdição do campo de batalha e reconhecimento. Tinha como missões secundárias, o apoio aéreo a operações navais e a luta aérea defensiva.
     Participaram em inúmeros exercícios nacionais e NATO, Squadron Exchange e Tiger Meet, conquistando o Troféu de Bombardeamento Rasante no NATO Tiger Meet (NTM) de 1978 e o Troféu Silver Tiger em 1980 e 1985, em competição com aviões da última geração.
     Alguns Fiat G-91 R/3 foram pintados especialmente de “Tigres” para participarem nos NTM, o último dos quais, o Fiat G-91 R/3 número 5454, presente no NTM92 em Albacete, Espanha, é hoje património do Museu do Ar.

     Em Agosto de 1980 a Esquadra 301 da BA6 iniciou um destacamento permanente na Base Aérea Nº 4 (BA4), Lajes, Arquipélago dos Açores, com oito aviões e seis pilotos. Este destacamento esteve na origem da criação da Esquadra de Ataque 303 da BA4, inaugurada em 13 de Janeiro de 1981. Recuperou o símbolo da antiga esquadra dos Fiat G-91 da Guiné, com o nome de “Tigres” e tendo por lema “Em quaisquer outras guerras que aconteçam” (ver imagens 18 e 19).

Imagem 18: Cortesia de http://digitalhangar.blogspot.pt/


     A Esquadra de Ataque 303 era, inicialmente, constituída com 14 aviões Fiat G-91 R/4, (números 5401, 5410, 5414, 5415, 5417, 5421, 5427, 5428, 5432, 5435, 5436, 5438, 5439 e 5440). Em 1982 foi reforçada com mais seis G-91 R/4 (5418, 5420, 5422, 5425, 5431 e 5434) e dois G-91 T/3 (1809 e 1810).

 
Imagem 19 - Emblema da
Esquadra de Ataque 303,
BA4, Lajes, Açores

     A missão da Esquadra de Ataque 303 tinha em vista a defesa e patrulhamento da Zona Económica Exclusiva (ZEE), num meio marítimo para o qual os Fiat G-91 não estavam preparados. Para além disto, a sua acção era muito limitada pelo curto raio de acção e sistema de navegação inadequado para operar numa região onde as condições meteorológicas mudam frequentemente, dispondo de um único alternante seguro, o Aeroporto de Santa Maria, distante 270 Km das Lajes.


     A Esquadra 303 foi desactivada em 13 de Janeiro de 1990, tendo os aviões regressado à Esquadra de Ataque 301, na BA6, Montijo.





(continua)


Fontes (quarta parte):
  • Imagens 10 e 15: © Carlos PedroBlog Altimagem;
  • Imagens 11, 14, 16 e 18: Cortesia de  Paulo Alegria - Blog Digital Hangar;
  • Imagens 12, 13 e 19: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000;
  • Imagem 17: Cortesia de EMFA – Estado-Maior da Força Aérea -  www.emfa.pt;
  • Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.

09 maio 2014

Fiat G-91 (terceira parte)

Ver  Fiat G-91 (primeira parte)


(continuação)

Imagem 6: © Carlos Pedro - Em primeiro plano, Fiat G-91 R/4. Atrás, Fiat G-91 T/3.


Percurso em Portugal:
     Em 1965, com a Guerra do Ultramar em fase muito activa, Portugal tinha grande necessidade de adquirir armamento, o que se tornava difícil, devido ao embargo imposto pela ONU. Poucos eram os países que vendiam armamento a Portugal, de forma mais ou menos camuflada. Entre estes destacava-se a República Federal da Alemanha e a França.
     A Força Aérea Portuguesa (FAP) debatia-se com a falta de aviões modernos de apoio táctico, com os velhos F-84G Thunderjet no limite da sua vida e os F-86F Sabre impossibilitados de operar em África por imposição da NATO.

     É neste cenário que o Governo Português obtém em Outubro de 1965 o fornecimento de 40 aviões Fiat G-91 R/4 por parte da República Federal da Alemanha.
     Como atrás foi referido, a versão G-91 R/4 foi especialmente construída para a Grécia e Turquia, que desistiram da aquisição quando os 50 aviões encomendados já estavam construídos, sendo então adquiridos pelo Governo Alemão fora do âmbito da NATO. Considerando que podia dispor deles sem qualquer sujeição à NATO, vendeu-os a Portugal. Alguns investigadores sugerem que se tratou de um “grande malabarismo diplomático”, pois quando os aviões foram construídos já teriam como destino Portugal.

Imagem 7: Cortesia de http://digitalhangar.blogspot.pt/

     No dia 4 de Dezembro de 1965 chegou a Alverca o primeiro Fiat G-91 R/4, vindo a voar de Furstenfeldbruck.
     Durante o ano seguinte chegaram os restantes 39. Estavam equipados com 4 metralhadoras Colt-Browning M3 de 12,7 mm e com nariz de reconhecimento, onde podiam ser instaladas três máquinas fotográficas Vinten F95.
     Depois de inspeccionados e pintadas as insígnias e marcas das identificações nacionais, nas Oficinas Gerais de Material Aeronáutico (OGMA), em Alverca, seguiram para a Base Aérea N° 5 (BA5), Monte Real.
     Até Julho de 1968, os Fiat G-91 faziam as grandes revisões de manutenção (IRAN) em Itália, para onde eram transportados em voo ou por via aérea, desmontados. A partir dessa data e até à sua retirada de serviço, os IRAN foram tarefas desempenhadas pelas OGMA.

     A FAP atribuiu as matrículas que correspondiam aos números de construtor, indicado entre parêntesis: 5401 (91-4-0109), 5402 (91-4-0114), 5403 (91-4-0115), 5404 (91-4-0117), 5405 (91-4-0118), 5406 (91-4-0126), 5407 (91-4-0132), 5408 (91-4-0153), 5409 (91-4-0090), 5410 (91-4-0131), 5411 (91-4-0144), 5412 (91-4-0149), 5413 (91-4-0138), 5414 (91-4-0133), 5415 (91-4-0147), 5416 (91-4-0148), 5417 (91-4-0110), 5418 (91-4-0121), 5419 (91-4-0129), 5420 (91-4-0130), 5421 (91-4-0135), 5422 (91-4-0139), 5423 (91-4-0146), 5424 (91-4-0152), 5425 (91-4-0100), 5426 (91-4-0101), 5427 (91-4-0111), 5428 (91-4-0112), 5429 (91-01166), 5430 (91-4-0134), 5431 (91-4-0136), 5432 (91-4-0145), 5433 (91-4-0119), 5434 (91-4-0120), 5435 (91-4-0127), 5436 (91-4-0128), 5437 (91-4-0141), 5438 (91-4-0142), 5439 (91-4-01463) e 5440 (91-4-0151).

Imagem 8: © Carlos Pedro - Fiat G-91 / T3


     Após um curto período de adaptação na BA5, integrados na Esquadra 51, sete Fiat G-91 foram colocados na Base Aérea Nº 12 (BA12), Bissalanca, Guiné, onde a partir de Julho de 1966 constituíram a Esquadra 121, denominada “Tigres” (ver imagem 9). Actuaram em missões de reconhecimento fotográfico e visual, bombardeamento, apoio de fogo e escolta de protecção às tropas de superfície.
     Os pilotos portugueses que operaram o Fiat G-91 no Ultramar não souberam, em regra, tirar todo o rendimento do equipamento fotográfico, aliás de excelente qualidade, de que o avião dispunha. Normalmente, preferiam utilizar a câmara frontal, mais fácil de operar mas com pouco interesse sob o ponto de vista de interpretação fotográfica, por não fornecer imagem estereoscópica.

Imagem 9: Emblema da
Esquadra 121, BA12.
     As câmaras vertical e lateral, mais difíceis de operar, eram rejeitadas pelos pilotos, apesar de proporcionarem imagens estereoscópicas, que forneciam muito mais informação do que as imagens obtidas com a câmara frontal.
     A partir de 1967, o inimigo apresentou melhor capacidade de fogo, utilizando armamento antiaéreo pesado, culminando com os mísseis terra-ar SAM-7 Strella, que começaram a operar em 1973, conseguindo abater alguns aviões, entre eles três Fiat G-91. Esta nova situação obrigou à aplicação de novos métodos de operação.
     Em 1968 apareceram dois MIG 17 em atitude intimidatória durante o desenrolar de uma operação militar, o que levou à instalação de mísseis ar-ar Sidewinder nos Fiat G-91, que nunca foram utilizados.

     Os Fiat G-91 da Esquadra 121 operaram durante oito anos, realizando cerca de 10.000 horas de voo, com cinco aviões destruídos, para além dos atingidos pelos fogo inimigo que conseguiram regressar à Base.

(continua)



Fontes (terceira parte):

06 maio 2014

Fiat G-91 (segunda parte)

Ver  Fiat G-91 (primeira parte)

(continuação)

Imagem 3


Resumo histórico  (continuação):

A experiência colhida conduziu à produção de diversas versões, como a seguir se resume:
·        G-91: Protótipo. Construíram-se três exemplares. Primeiro voo em 9 de Agosto de 1956;
·    27 aviões de pré-produção, tendo o primeiro começado a voar em 20 de Fevereiro de 1958. Dezasseis destes aviões foram depois transformados em G-91-PAN (Pattuglia Aerobatica Nazionale);
·        G-91A: Variante que tinha em vista a introdução de inovações. O único exemplar resultou na modificação de um G-91 de pré-produção;
·        G-91N: Tal como o anterior, era um G-91 de pré-produção equipado com modernos sistemas de navegação;
·        G-91 PAN: 16 G-91 de pré-produção foram especialmente modificados para acrobacia aérea, incluindo geradores de fumos coloridos;
·        G-91 R/1: Versão para reconhecimento aero-fotográfico, retendo as características básicas de avião de combate, com a secção do nariz modificada de modo a conter três câmaras fotográficas de 70 mm capazes de obter fotografias frontais, verticais e oblíquas. Foram construídas 22 unidades;
·        G-91 R/1A: Iguais aos anteriores, mas com equipamento de navegação autónomo. Foram construídas 25 unidades;
·        G-91 R/1B: Semelhantes aos R/1, estavam equipados com sistema de navegação Doppler e pequenas modificações estruturais. Foram construídos 50 aviões;
·        G-91 R/3: Versão especialmente destinada à Luftwaffe (Força Aérea Alemã). Começou a voar em 20 de Julho de 1961. Foram construídos 344 exemplares, dos quais 50 na Itália e os restantes na Alemanha, pela Dornier, com a colaboração da Messerchmitt e Heinkel. Estavam equipados com dois canhões DEFA de 30 mm, quatro suportes nas asas para bombas e sistema de navegação Doppler modernizado;
·        G-91 R/4: Similares aos R/3, equipados com quatro metralhadoras de 12,7 mm. Foram construídos 50 aviões desta versão, destinados à Grécia e Turquia, que os recusaram. Adquiridos pela Alemanha, muitos deles foram cedidos a Portugal;
·        G-91 T/1: Variante de dois lugares para treino, cujo protótipo realizou o primeiro voo em 31 de Maio de 1960. Destinados à AMI, foram construídos 101 exemplares. Produzidos em duas séries, a última com o lugar da retaguarda elevado. Possuíam duas metralhadoras de 12,7mm;
·        G-91 T/3: Outra variante de treino, esta destinada à Luftwaffe. Foram construídos 66 exemplares, 22 dos quais com o lugar da retaguarda elevado. Mantinham o equipamento dos R/3, com duas metralhadoras de 12,7 mm no lugar dos canhões de 30 mm;
·        G-91 Y: A primeira variante com alterações de vulto. Utilizava dois motores J-85-GE-13A, de 1.850 Kgf de impulsão e pós-combustão. Construíram-se dois protótipos. O primeiro começou a voar em 27 de Dezembro de 1966. A AMI encomendou 20 unidades de pré-produção, seguindo-se mais 35 de produção de série, que foram entregues entre 1973 e 1976;
·        G-91 Y/S: Esta variante não passou de protótipo. Era para ser vendida à Suíça, mas tal não aconteceu. Estava preparado para usar mísseis Sidewinder.

Imagem 4: Cortesia de http://digitalhangar.blogspot.pt/


Outras variantes não passaram de projectos:
·        G-91 BS/1 e BS/2: Versão destinada a reconhecimento do campo de batalha;
·        G-91 R/2: Versão destinada à França, que apresentou a encomenda mas não a concretizou;
·        G-91 R/5: Destinada à Noruega, com maior raio de acção, que não passou de projecto;
·        G-91 R/6: Versão melhorada do R/1 para a AMI, que não chegou a ser produzida;
·       G-91 S: Projecto da segunda geração de aviões de combate da NATO, que não se tornou realidade;
·       G-91 T/4: Versão bi-lugar equipada com radar, para treino de pilotos de F-104. Não foi construída;
·        G-91 Y/T: Variante destinada a treino de pilotos destinada à Suíça. Não passou do desenho.

Imagem 5

     A AMI utilizou cerca de 180 aviões Fiat G-91 nas versões G-91, G-91 R/1, G-91 R/1A, G-91 R/1B, G-91 PAN (estes utilizados pelas patrulha acrobática Frecce Tricolori) e G-91 T/1.
     A Luftwaffe foi o maior operador de Fiat G-91, com cerca de 500 exemplares nas versões G-91 R/3, G-91 R/4 e G-91 T/3, dos quais mais de 200 construídos pela Dornier.
     A Luftwaffe ficou desiludida com os Fiat G-91, que não corresponderam às expectativas iniciais. A partir de 1979 começou a substituir os Fiat G-91 R/3 pelos Dassault-Dornier Alpha-Jet, quando quase todos os G-91 R/3 já tinham sido entregues a Portugal.

     Em 1960, os Fiat G-91 despertaram o interesse da Força Aérea e do Exército dos Estados Unidos, que realizaram testes com dois G-91 R/1 da AMI e dois G-91 R/4 e um G-91 T/3 da Luftwaffe. Esta diligência não teve efeitos práticos, uma vez que não resultou em encomendas.

(continua)


Fontes (segunda parte):
  • Imagens 3 e 5: FAP / AHFA - Força Aérea Portuguesa / Arquivo Histórico da Força Aérea;
  • Imagem 4: Cortesia de  Paulo Alegria - Blog Digital Hangar;
  • Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.

04 maio 2014

Fiat G-91 (primeira parte)

Imagem 1

FIAT G-91 R/3
FIAT G-91 R/4
FIAT G-91 T/3

Quantidade: 85:
(Versão R/3 = 34)
(Versão R/4 = 40)
(Versão T/3 = 11)
Utilizador: Força Aérea
Entrada ao serviço: Dezembro de 1965
Data de abate: 27 de Junho de 1993



Dados técnicos:
a.       Tipo de Aeronave
Avião monomotor terrestre, de reacção, subsónico, com trem de aterragem triciclo retráctil, monoplano de asa baixa em flecha, revestimento metálico, cabina com cobertura em bolha, destinado a missões de apoio táctico e reconhecimento fotográfico. Tripulação: 1 (piloto).
b.       Construtor
Fiat Aviazione / Itália.
Sob licença: Dornier Werke GmbH / Alemanha.
c.       Motopropulsor
Motor: 1 motor reactor Bristol Siddeley Orpheus 80302, de 2.270 Kgf de impulsão.
d.       Dimensões                           R3 / R4                   T3
Envergadura......................8,56 m                          8,60 m
Comprimento…...............10,30 m                        11,57 m
Altura………….…..............3,98 m                          4,26 m
Área alar..................…...16,42 m²                       16,42 m²
e.       Pesos
Peso vazio…………….......3.674 Kg                      4.050 Kg
Peso máximo...................5.670 Kg                      6.050 Kg
f.        Performances
Velocidade máxima …….......1.080 Km/h               1.070 Km/h
Velocidade de cruzeiro..............dependente da altitude
Tecto de serviço ………......….13.100 m              11.890 m
Raio de acção ...........................320 Km                 320 Km
Raio de acção de combate….......315 Km                 315 Km
Autonomia..............................1.840 Km              2.180 Km
g.       Armamento
Fixo na secção do nariz:
R3: 2 canhões DEFA calibre 30 mm;
R4: 4 metralhadoras Colt-Browning calibre 12,7 mm;
T3: 2 metralhadoras Colt-Browning calibre 12,7 mm.
Suspenso nas asas (até 1.860 Kg):
2 bombas de 227 Kg;
2 bombas de 113 Kg;
Alternativas:        2 depósitos de combustível;
                               Mísseis ar-ar;
                               Armas nucleares tácticas;
                               Vários tipos de foguetes não-guiados.
h.       Capacidade de transporte
Nenhuma.


Imagem 2

Resumo histórico:
     Em 1953 a NATO / OTAN necessitava de um avião ligeiro de apoio táctico, com bom rendimento geral e alto poder de manobra, capaz de operar em pistas de relva ou improvisadas, com baixos custos de aquisição, manutenção e operação. Com a finalidade de conseguir o avião pretendido, elaborou e distribuiu pelos principais construtores europeus um caderno de encargos com a definição das características do avião em vista.
     Em Junho de 1955 foram estudados oito projectos concorrentes. O projecto do Fiat G-91 foi um dos que apresentavam boas perspectivas.
     Antecipando-se às conclusões da NATO, a Aeronautica Militare Italiana (AMI) encomendou três protótipos e 27 exemplares de pré-produção. O protótipo iniciou a série de voos experimentais em 9 de Agosto de 1956, utilizando um motor Bristol Siddeley BO1, de 1.850 Kgf de impulsão. Em 20 de Fevereiro de 1957 este protótipo ultrapassou por quatro vezes a velocidade do som. Sete dias depois despenhou-se devido às vibrações estruturais, tendo o piloto (R. Bignamini) usado a cadeira de ejecção com êxito.
     O segundo protótipo começou a voar em Julho de 1957, com as modificações convenientes, armamento completo e motor Orpheus BO3, de 2.200 Kgf de impulsão.
     O terceiro protótipo voou em Outubro de 1957 e foi enviado para França, onde foi comparado com três protótipos concorrentes da autoria de concorrentes franceses.
     Finalmente, em Janeiro de 1958 a NATO considerou o Fiat G-91 como o que melhor satisfazia os objectivos em vista.
     É de salientar o facto, pouco vulgar, de os motores poderem ser colocados em funcionamento por acção de um cartucho de pólvora, o que lhes atribuía autonomia em relação a alguns equipamentos de assistência em terra.
     Após a aterragem, a travagem era auxiliada pela acção de um pára-quedas instalado na cauda do avião, entre o leme de direcção e o tubo de escape.
     O primeiro Fiat G-91 de pré-produção voou em 20 de Fevereiro de 1958. Em 1959, os 27 aviões de pré-produção estavam ao serviço da AMI, operando no 103° Grupo de Caça Táctica Ligeira.

     A produção dos Fiat G-91 terminou em 1973, totalizando cerca de 750 unidades de diferentes versões. Algumas versões corresponderam apenas a modificações introduzidas em aviões já construídos.

(continua)

Ver  Fiat G-91 (segunda parte)

                               Ver  Fiat G-91 (terceira parte)

                                                             Ver  Fiat G-91 (quarta parte)

                                                                                         Ver  Fiat G-91 (quinta parte)


Fontes (primeira parte):
  • Imagem 1: FAP / AHFA - Força Aérea Portuguesa / Arquivo Histórico da Força Aérea;
  • Imagem 2: Cortesia de  Richard Ferriere - 3 vues;
  • Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.