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19 julho 2014

Sud-Aviation SA-330 Puma (terceira parte)

Ver  Sud-Aviation SA-330 Puma (primeira parte)



(continuação)


Imagem 14


Percurso em Portugal (continuação):

       Outro papel com algum relevo com o qual a frota SA-330 Puma esteve identificada foi com o transporte de altas individualidades, desde logo as entidades nacionais, Presidentes da República e membros do Governo, mas também algumas estrangeiras, uma delas em particular, S.S. o Papa João Paulo II, o qual transportou nas diferentes visitas que este efectuou a Portugal, a Fátima e a diversas outras localidades do país.
     Em anos mais recentes, a Esquadra 751 foi a precursora da criação da missão CSAR (“Combat Search and Rescue” – Busca e Salvamento de Combate), para a qual se manteve qualificada. Esta missão embora prevista na tipologia de missões e especificidade de capacidades de alguns dos EH-101 recebidos, tem vindo a ser adiada, fruto das dificuldades existentes na operacionalidade dos meios, aliás à semelhança do que sucede com as missões relacionadas com o SIFICAP (Sistema Integrado de Fiscalização e Controle de Actividades de Pesca), entre outras.

Imagem 15

     O  SA-330H Puma foi retirado oficialmente do serviço, no território continental de Portugal a 3 de Fevereiro de 2006, no mesmo dia em que as primeiras unidades do seu sucessor (Agusta -Westland EH-101 Merlin) entraram ao serviço em missões de Busca e Salvamento, ao serviço da Esquadra 751 da BA6.
     Até final de Novembro de 2006 alguns dos Puma continuaram ao serviço na BA4,  Lajes, altura a partir da qual os EH-101 Merlin os substituíram em missões operacionais.
     É, portanto, o ano de 2006 aquele em que se conclui o processo de “phase-out” da frota SA-330 Puma, que termina a 30 de Novembro, com a cerimónia de “passagem de testemunho” e fim de operação da frota SA-330 Puma, na BA4, nas Lajes.
     Durante 30 anos de operação nos Açores, até 30 de Novembro de 2006, os Puma não registaram qualquer acidente ou perdas de vida, registando-se 369 pessoas resgatadas e, entre 1993 e 2006, 18 nascimentos a bordo.

     Operação Fénix, o renascer das cinzas: - Dois anos após a retirada de serviço da frota SA-330 Puma, alguns destes aparelhos voltaram ao serviço efectivo, em resultado da baixa operacionalidade da frota EH-101 Merlin, motivada pela falta de sobressalentes e pela ausência de contrato de manutenção.
     Sendo assim, durante seis meses, entre Março e Agosto de 2008, foram recuperados quatro helicópteros SA-330 Puma que já estavam retirados de serviço e armazenados na Base Aérea Nº 11 (BA11), Beja. Os helicópteros seleccionados foram os números 19503, 19504, 19505 e 19509. Um quinto helicóptero (nº 19502), armazenado na BA4 desde o “phase-out”, foi incluído no conjunto, mas a sua recuperação só teve início por volta de Março de 2009, destinando-se a  substituir o aparelho com menos tempo de vida útil (nº 19505), o que ainda aconteceu até ao final de 2009.

Imagem 16: Emblema akusivo
à Operação Fénix
     As quatro aeronaves voaram em conjunto para as Lajes, num voo com algumas escalas, entre 10 e 11 de Setembro de 2008. Numa primeira escala entre Beja e Porto Santo, passando pela Ponta de Sagres e, no dia seguinte, entre Porto Santo e as Lajes, passando por Santa Maria, de onde foram escoltadas por um EH-101 Merlin.
     Alguns dias depois do seu regresso, a Esquadra 752 é reactivada, a 24 de Setembro de 2008, altura em que se concluiu a Operação Fénix e em que o SA-330 Puma entra oficialmente ao serviço. Com este renascer das cinzas, justamente designado por Operação Fénix, a FAP pretendeu solucionar a necessidade operacional de um meio aéreo para as missões de Busca e Salvamento e também para reforçar a capacidade da frota EH-101 Merlin, operada pelo Destacamento Aéreo dos Açores, na BA4 pela Esquadra 751.
     A reactivação da Esquadra 752 e a reintrodução do SA-330 Puma, desde Setembro até Dezembro de 2008, registou 21 missões, totalizando 56 horas de voo e 23 doentes evacuados. De salientar que, para esta reactivação, houve a respectiva requalificação de tripulantes.

     No dia 5 de Abril de 2011 às 10 horas da manhã, terminou o último Alerta SAR de um Puma, com a rendição a cargo do EH-101 Merlin da Esquadra 751, do Destacamento Aéreo dos Açores, na Base Aérea Nº 4, nas Lajes.
     No dia 14 de Abril de 2011, naquela que foi a derradeira missão da Esquadra 752, e também da frota SA-330 Puma ao serviço da Força Aérea Portuguesa, concluiu-se a viagem de regresso dos últimos três aparelhos, da BA4 para a Base Aérea Nº 11 (BA11), Beja, efectuada por etapas.
     Os três últimos Pumas a efectuar esta viagem foram os números 19502 (o SA-330 Puma de produção mais antiga ainda a voar no Mundo!) tripulado pelos Capitão Pedro Pinho (Comandante), Tenente Miguel Gaspar (Co-piloto), Sargento-Ajudante Paulo Figueiras (Mecânico de Voo) e Sargento-Ajudante Fernando Ramos (Recuperador-Salvador); 19503, tripulado pelos Tenente João Martinho (Comandante), Tenente Acácio Ferreira (Co-piloto), Sargento-Ajudante Pedro Carmo (Mecânico de Voo) e Sargento-Ajudante Silva (Operador de Guincho); e 19504, tripulado pelos Tenente André Araújo (Comandante), Tenente Rodolfo Gouveia (Co-piloto), Primeiro-Sargento Ângelo Diez (Mecânico de Voo) e Sargento-Ajudante Nuno Castanheira (Operador de Guincho).
     Durante as etapas da missão foram apoiados de perto por dois C-295M da Esquadra 502, um a partir do Porto Santo e outro desde o Montijo.
     De destacar, neste regresso ao Continente, a homenagem prestada pela Câmara Municipal de Vila do Porto, em Santa Maria, em reconhecimento do trabalho feito em prol da população dos Açores. O último voo no céu dos Açores foi realizado a partir do Aeroporto de Santa Maria onde as aeronaves realizaram uma escala técnica antes do voo de ligação para a Base Aérea de Beja. Note-se que este foi também o ponto de chegada destas aeronaves aquando do seu envio para o Arquipélago, naquela que recebeu então o nome de “Operação Atlântida”.

Pinturas comemorativas: Já perto do final do “phase out” da frota Puma, em 2006, foi aplicado à aeronave nº.19513, o esquema alusivo ao final da operação da frota e à sua operação pelas Esquadras 752 e 711. Esta aeronave veio para o Continente, sendo armazenada na BA11 em Beja, onde ainda se encontra, já que não foi englobada no conjunto de aeronaves que integraram a Operação Fénix.

     Em Setembro de 2009, atingida a marca dos 40 Anos / 70.000 Horas de voo da frota, aplicou-se à aeronave nº.19504 um esquema alusivo à marca atingida, destacando o regresso ao activo após a Operação Fénix .
     O SA-330 Puma, operado pela FAP desde 1969, contabiliza na sua história, e de acordo com números oficiais, 4.280 vidas salvas, 2.482 das quais no Arquipélago dos Açores

     O desempenho dos Puma - e respectivas tripulações - particularmente nas missões de apoio humanitário às populações e nas missões de salvamento marítimo na vasta região de responsabilidade de Busca e Salvamento atribuída a Portugal, coincidente com a FIR (Flight Information Region) de Lisboa e Santa Maria, representando a maior área de responsabilidade da Europa, tem sido reconhecido através de  muitas e muitas citações, louvores e condecorações atribuídas às Esquadras e respectivo pessoal interveniente.
     O SA-330 Puma19512 encontra-se em exposição estática no Museu do Ar, na Base Aérea Nº 1 (BA1), desde 2006.


Fontes (terceira parte):
  • Imagens 14 e 15: © Carlos Pedro Blog Altimagem;
  • Imagem 16: Cortesia de Estado-Maior da Força Aérea www.emfa.pt;
  • Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.
  • Extractos de texto: Cortesia de  Blog Walkarounds-ccadf - Texto de Rui Ferreira e Luís Neves.

12 julho 2014

Sud-Aviation SA-330 Puma (segunda parte)

(continuação)

Ver  Sud-Aviation SA-330 Puma (primeira parte)


Imagem 4


Percurso em Portugal:
     A evolução da Guerra do Ultramar conduziu à necessidade da Força Aérea Portuguesa (FAP) dispor de helicópteros com maior capacidade de transporte que a dos Alouette III. Assim sendo, optou pela aquisição de 13 helicópteros Sud-Aviation SA-330C Puma, mantendo a frota de helicópteros no fabricante francês Sud-Aviation / Aerospatiale, que tão boas provas estava a dar com os Alouette II e Alouette III.
     Os treze Pumas foram recebidos entre 1969 e 1971, ficando com as matrículas FAP de 9501 a 9513. No segundo trimestre de 1969 chegaram os números 9501 (número de construção 1001) e o 9502 (nc 1002), que começaram a operar na Base Aérea Nº 3 (BA3), Tancos, a partir de 2 de Agosto de 1969. O 9503 (nc1009) chegou no trimestre seguinte.
     No quarto trimestre de 1969 foram recebidos os 9504 (nc 1004), 9505 (nc 1011) e o 9506 (nc1019).
     Durante o primeiro semestre de 1970 foram recebidos os 9507 (1035), 9508 (1040), 9509 (1046) e o 9510 (1050). No último trimestre de 1970 chegaram os 9511 (1059) e o 9512 (1065). Finalmente, em 1975, foi recebido o último da frota, com o número de construção 1270, que recebeu a matrícula da FAP 9513.
     Em 1970, cinco destes SA-330 Puma foram integrados na Esquadra 94, "Moscas", da Base Aérea Nº 9 (BA9), Luanda, Angola,  onde operaram em missões de transporte aéreo táctico, evacuação médica, apoio logístico e transporte aéreo geral.
     No mesmo ano foram colocados seis SA-330 Puma na Esquadra 703, "Vampiros", do Aeródromo Base Nº 7 (AB7), Tete, Moçambique, com a mesmas missões dos colocados em Luanda, mantendo-se um reduzido número na BA3, Tancos, para missões de transporte e adaptação de pilotos.
    O primeiro voo operacional do Puma no Ultramar foi a 23 de Outubro de 1970, em missão de transporte de manobra (TMAN), em Santa Eulália, no norte de Angola.

Imagem 5: Emblema da
Esquadra 94, BA9.
Imagem 6: Emblema da
Esquadra 703, AB7.

















     A primeira baixa da frota foi motivada por sabotagem ocorrida na BA3, em Março de 1971, da qual resultou a destruição do 9507. Durante a Guerra do Ultramar desempenharam satisfatoriamente as suas tarefas de transporte de ligação, de abastecimento logístico, de transporte táctico e de evacuação sanitária, a par dos incansáveis Alouette III.

     Os SA-330C Puma portugueses foram os primeiros no mundo a enfrentar situações reais de combate. Terminada a Guerra do Ultramar, regressaram à Metrópole em finais de 1974 e início de 1975, excepto o 9510, destruído no AB7 em 18 de Dezembro de 1973.

Imagem 7: Emblema do GAH,
Grupo Aéreo de Helicópteros

     Foram, então, colocados no Grupo Aéreo de Helicópteros (GAH) da Base Aérea Nº 6 (BA6), Montijo, e na Esquadra 42, de Busca e Salvamento, da Base Aérea Nº 4 (BA4), Lajes, Terceira, Açores.
     A reorganização efectuada na FAP, em 1978, introduziu algumas alterações: O GAH da BA6 passa a designar-se Grupo Operacional 61 (GO61), ficando os SA-330 Puma colocados na Esquadra 751, criada em 28 de Abril de 1978 e dedicada à busca e salvamento e ao transporte táctico.

     Ao mesmo tempo, a BA4 passa a ter o Grupo Operacional 41. A sua Esquadra 42 passa a designar-se Esquadra 752, equipada com Puma e com a mesma missão da Esquadra 751 da BA6. A partir de Outubro de 1993 sofre nova alteração, passando a Esquadra 752 a ser designada por Esquadra 711, "Albatrozes", que vai operar os SA-330 Puma até ao "phase out" da frota, em 30 de Novembro de 2006. 

Imagem 8: Emblema do GO61 - Grupo
Operacional 61, BA6.
Imagem 9: Emblema da
Esquadra 751, BA6.














Imagem 10: Emblema da
Esquadra 752, BA4.
Imagem 11: Emblema da
Esquadra 711, BA4.

















     Todas estas Esquadras têm como lema «Para que outros vivam», devido à missão de busca e salvamento.
     A partir de 1979 os SA-330C Puma foram modernizados segundo a versão SA-330H, aparelho SAR, trabalho realizado nas Oficinas Gerais de Material Aeronáutico (OGMA), em Alverca, com a instalação de flutuadores insufláveis, de moderno equipamento de navegação e de voo por instrumentos, entre os quais se destacam o radar OMERA ORB-31, a plataforma de inércia Litton LTN-72R e o Doppler Marconi AN / APN 208V, indispensáveis para as operações de busca e salvamento.

Imagem 12: Emblema dos
Recuperadores-Salvadores,
Esquadra 751, BA6 (1998)

     Em 1988 procedeu-se à nova motorização dos Puma: As turbinas Turbómeca Turmo IV de 1.400 hp foram substituídas pelas Turbómeca Makila A1A, de 1.990 hp. Receberam igualmente novas pás em material compósito. Com estas alterações os Sud-Aviation SA-330H Puma da FAP passam a ser designados como Aerospatiale SA-330S-1 Puma, designação esta que não é reconhecida pelo fabricante. 
     Em 1994 foram alteradas as matrículas das aeronaves da FAP, cabendo aos SA-330 a numeração compreendida entre as matrículas 19501 e 19513.

     A pintura dos SA-330C Puma sofreu diversas alterações. Inicialmente, apresentavam-se inteiramente em verde-azeitona, com a Cruz de Cristo, sobre círculo branco, nos  lados da fuselagem, perto da ligação com o cone de cauda e por baixo da cabina de pilotagem. Os rectângulos com as cores nacionais, sem escudo, estavam colocados em ambos os lados do estabilizador vertical, no enfiamento do cone da cauda. Os números de matrícula, em algarismos pretos, encontravam-se na parte lateral inferior da fuselagem, entre as portas das cabinas de pilotagem e de passageiros, e também no estabilizador vertical, sobre os rectângulos com as cores nacionais. As pás do rotor principal apresentavam-se com as superfícies superiores em verde-azeitona com as pontas em amarelo claro, bem como as do rotor de cauda, estas com as pontas em vermelho.
     Em 1973, ano em que apareceram os mísseis terra-ar nos teatros de operação da Guiné e Moçambique, foram inteiramente pintados em verde-azeitona anti-radiação, com uma faixa vermelha no dorso, desde a cauda à base do rotor principal.
     Com o fim da Guerra do Ultramar, em 1974, regressaram à Metrópole e foram especialmente equipados para SAR, missões de busca e salvamento marítimo, conforme referido acima. Ao último esquema de pintura foram acrescentadas pinturas vermelho dayglo, que cobriam a cabina de pilotagem e as carenagens de recolha do trem principal.
     Com a aplicação da Portaria 101/80, a partir de 1981 passaram  a ser pintados de camuflado de dois tons de verde ( FS 34.079 e FS 34.102) e castanho (FS 30.219), com as superfícies inferiores em cinzento claro (FS 36.662), com a linha de contacto ondeada. As pás dos dois rotores foram pintadas num dos tons verde da camuflagem. Os porões e as pernas do trem de aterragem foram pintadas em cinzento (FS 36.663 e FS 36.662, respectivamente) e  a cobertura da antena do radar a preto (FS 37.083). Uma faixa amarela (FS 33.538) passou a envolver o cone de cauda (ou fuselagem posterior) junto do estabilizador vertical, sobre a qual foi pintada uma seta vermelha, chamando a atenção para o perigo do rotor de cauda.

Imagem 13: Pumas na placa de estacionamento da BA6, Montijo, 1995.

     A insígnia da Cruz de Cristo, sobre círculo branco com 37 cm de diâmetro, passou para a estrutura do cone de cauda, perto da ligação à fuselagem. A matrícula encontra-se unicamente nos lados da fuselagem, entre as portas da cabina de pilotagem e de passageiros, em algarismos pretos (FS 37.038), com 15 cm de altura.
     Durante o decorrer das décadas de 70 a 90, os SA-330 Puma assumem um papel importante no cumprimento da missão primária atribuída às Esquadras 751 e 752, mas também, e sobretudo nas diferentes missões de âmbito civil, como por exemplo, nas situações de catástrofe natural. Neste sentido refira-se aqui entre outros o papel da Esquadra 751 que, em 1979, aquando das inundações no Rio Tejo, executa 163 missões, nas quais foram transportadas ou evacuadas 1386 pessoas.

     Igualmente em 1980, aquando de um grande terremoto nos Açores, a Esquadra 752, integrada em todo o dispositivo da BA4, executa um trabalho muito importante no apoio às populações, em acções diversas, funcionando como elo de ligação para as necessidades mais básicas como cuidados de saúde e de alimentação.

(continua)


Fontes (segunda parte):
  • Imagens 4 e 13: © Carlos Pedro - Blog Altimagem;
  • Imagens 5, 6, 7, 10 e 11: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000;
  • Imagens 8, 9 e 12: Colecção Altimagem;
  • Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000;
  • Alguns extractos de texto: Cortesia de Blog Walkarounds-ccadf - Texto de Rui Ferreira e Nuno Martins.

05 julho 2014

Sud-Aviation SA-330 Puma (primeira parte)

Imagem 1

SUD-AVIATION SA-330C PUMA
SUD-AVIATION SA-330H PUMA
AEROSPATIALE SA-330S-1 PUMA

Quantidade: 13
Utilizador: Força Aérea
Entrada ao serviço: 2 de Agosto de 1969
                 Data de abate: 3 de Fevereiro de 2006 (Continente);
                                                                        30 de Novembro de 2006 (Arquipélago dos Açores).
Reentrada ao serviço: 24 de Setembro de 2008 (Arquipélago dos Açores)
                                Saída de serviço:  14 de Abril de 2011 (Arquipélago dos Açores)



Dados técnicos:
a.       Tipo de Aeronave
Helicóptero bi-turbina terrestre, de trem de aterragem triciclo de rodas duplas, retráctil, podendo usar flutuadores insufláveis, revestimento metálico, concebido para missões de transporte táctico.
Tripulação: 3 (2 pilotos e mecânico); 4 (versão SAR:  2 pilotos, 1 mecânico / operador de guincho, 1 recuperador-salvador).
b.       Construtor
Sud-Aviation / Aerospatiale / França.
Sob licença:          Westland Helicopters / Grã-Bretanha;
                              Empresa de Construções Aeronáuticas (ICA) / Roménia;
                              Nurtanio (IPTN) / Indonésia.
c.       Motopropulsor
Motores: 2 motores Turbina Turboméca Makila A1A, de 1.990 hp.
Rotor principal: De quatro pás.
Rotor de cauda: De cinco pás.
d.       Dimensões
Diâmetro do rotor principal..........15,00 m
Comprimento…..........................18,15 m
Altura (inclui rotor de cauda)……...5,14 m
Área do círculo rotórico.............177,00 m²
e.       Pesos
Peso vazio……………....3.615 Kg
               Carga útil...........................1.560 Kg
Peso máximo...................7.400 Kg
f.        Performances
Velocidade máxima ……...273 Km/h
Velocidade de cruzeiro......258 Km/h
Tecto de serviço ………..6.000 m
Altitude máxima para descolagem…..4.800 m
Raio de acção....................580 Km
Alcance máximo …….........980 Km (com depósitos suplementares de combustível)
Autonomia……………....……..5 horas
g.       Armamento
Sem armamento.
h.       Combustível
2.250 litros.
i.        Capacidade de transporte
16 passageiros em bancos;
            ou 8 passageiros em configuração VIP; 
ou 20 militares equipados; 
            ou 6 macas e 4 passageiros; 
            ou 2.300 Kg de carga interior; 
            ou 2.500 Kg de carga suspensa.



Imagem 2
Resumo histórico:
     O projecto do helicóptero Sud-Aviation SA-330 Puma iniciou-se no início da década de 1960, quando o Exército Francês requisitou o estudo de um helicóptero para missões tácticas, capaz de operar de dia e de noite e em quaisquer condições meteorológicas e climáticas.
     Inicialmente projectado para usar um motor de turbina de 1.900 hp, acabou por utilizar duas turbinas. Em 1963, a Sud-Aviation (Aérospatiale a partir de 1970) recebeu um contrato para a construção de oito protótipos. O primeiro voou, pela primeira vez, em 13 de Abril de 1965. A falta de radar e a pouca potência dos motores obstaram a que preenchesse cabalmente todos os requisitos, o que foi remediado nos protótipos seguintes.
     O último protótipo voou em 30 de Julho de 1968 e satisfez todos os requisitos. A produção em série iniciou-se em Setembro de 1969.
     Ainda em 1967, a Real Força Aérea Britânica (RAF) seleccionou os Sud-Aviation SA-330 Puma para o seu Programa de Transporte Aéreo Táctico. Com base num acordo franco-britânico estabelecido em Abril de 1968, a fábrica britânica Westland Aircraft (mais tarde Westland Helicopters) passou a participar na produção e montagem de helicópteros Gazelle e Puma, o mesmo sucedendo aos franceses em relação aos helicópteros britânicos Westland LynxA Westland Helicopters ficou a produzir 23% dos componentes dos SA-330 Puma.
     O fabrico dos motores também foi repartido entre a Turbómeca e a Rolls-Royce. Os motores de turbina inicialmente utilizados, os Turbómeca Turmo IIIC, desenvolviam, cada um, 1.320 hp. Montados lado-a-lado, por cima da cabina, as duas turbinas permitiam que a versão inicial dos SA-330 Puma descolasse com o peso máximo de 6.400 Kg e que atingisse a velocidade máxima de 280 Km/h.
     Foi este o padrão das primeiras variantes, os SA-330B para o Exército de França, os SA-330C em versão militar para exportação, os SA-330E para a RAF e os SA-330F para operação civil.
     Entretanto, a Aerospatiale foi recolhendo e analisando os dados obtidos pela actuação dos Puma em combate, especialmente os que operaram sob a bandeira portuguesa em Angola e Moçambique, a partir de 1969 / 1970.
     Assim, em 1974 apresentou as variantes civil SA-330G e militar SA-330H, com turbinas Turmo IVC mais potentes, de 1.575 hp, o que permitiu aumentar uma tonelada ao peso máximo para descolagem, que passou para 7.400 Kg, assim como a velocidade máxima aumentou para 294 Km/h.
     Estas novas variantes tornaram-se mais interessantes para os compradores, fazendo crescer espectacularmente as encomendas.
     Explorando este sucesso, e num esforço para aumentar a lista de compradores, a Aerospatiale começou em 1974 a estudar a modernização do SA-330. Na sequência, o protótipo do Aerospatiale SA-332 Super Puma efectuou o primeiro voo em 13 de Setembro de 1978.

     Semelhantes aos Puma originais, os Aerospatiale SA-332 Super Puma utilizavam dois motores de turbina Makila IA, que desenvolviam 1.780 hp cada, e que, para além de mais potentes, eram 18% mais económicos que os anteriores. As pás do rotor principal passaram a ser construídas com longarinas de fibra de vidro, com recheio de moltoprene e revestimento entelado, com o bordo de ataque em titânio, o que, no caso de serem atingidas por projécteis de calibre 12,7 mm, permitia-lhes trabalhar em segurança durante 40 horas.
     Os helicópteros das versões SA-332B (militar) e SA-332C (civil) começaram a ser entregues em 1981, e os das versões SA-332L e SA-332M, alongados em 79 cm, no ano seguinte.
     Ainda que com fraca capacidade para transporte de armas, os Puma podem ser usados com “helicanhão”, como apoio próximo, com dois ninhos de foguetes ou quatro metralhadoras fixas, na luta anti-navio a média distância, com dois mísseis Exocet, ou para curtas distâncias, com seis mísseis AS 15TT.
     Sendo por excelência um helicóptero de transporte táctico, a sua versatilidade permite que seja equipado e utilizado com êxito em variadas missões, tais como busca e salvamento, evacuação sanitária, luta anti-submarino, guerra electrónica e posto de controlo aéreo avançado, entre outras.

Imagem 3: Aerospatiale Puma HC-1 da Royal Air Force (RAF) com a pintura "tigre",
participante no "Royal International Air Tattoo" de 2005, em Fairford, Grã-Bretanha.


     A produção do Puma atingiu um total de 697 unidades até 1987, altura em que a produção francesa terminou. Neste valor estão incluídos os 5 dos 11 aparelhos construídos na IPTN / Nurtanio, na Indonésia, assim como os 48 aparelhos construídos pela Westland no Reino Unido. A produção continuou na Roménia, onde se estima que tenham sido construídos 165 aparelhos.

     Os Puma e os Super Puma foram distribuídos por todo o mundo, na sua maioria em utilizações militares. A lista de operadores é longa: Abu Dhabi, África do Sul, Argélia, Argentina, Bélgica, Brasil, Camarões, Chade, Chile, China, Costa do Marfim, Equador, Espanha, França, Gabão, Grã-Bretanha, Guiné, Indonésia, Iraque, Kwait, Líbano, Malawi, Marrocos, México, Nepal, Nigéria, Omã, Paquistão, Portugal, Qatar, Quénia, República Democrática do Congo, Roménia, Senegal, Singapura, Togo e, provavelmente, mais alguns.
     Estiveram presentes nos conflitos armados de Angola, Moçambique, Namíbia, Malvinas, Gâmbia, Senegal, Chade e Saara Ocidental.
     Para além da França e da Grã-Bretanha, foram (ou são) também construídos na Indonésia e na Roménia.
Os SA-330 Puma são conhecidos como Sud-Aviation, mas foram desenvolvidos pela Aerospatiale a partir dos anos de 1970.

     Actualmente são desenvolvidos pela Airbus Helicopters, pertencente ao Grupo Airbus, o principal fabricante de helicópteros civis do mundo.  A Airbus Helicopters foi fundada em 1992 com o nome de Eurocopter, a partir da fusão das divisões de helicópteros da empresa francesa Aérospatiale Matra e da alemã Daimler Chrysler Aerospace AG (DASA).
     Em Janeiro de 2014, a Airbus passou por uma reestruturação organizacional. O Grupo EADS (que controlava a Airbus, a Airbus Military e a Eurocopter) foi extinto e a Eurocopter passou a designar-se Airbus Helicopters.
     Alguns operadores têm modernizado os seus SA-330 Puma das versões iniciais, modificando-os para versões mais actualizadas, aplicando kits fornecidos pelo fabricante.

(continua)


Fontes: (primeira parte)