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29 janeiro 2014

Lockheed P2V-5 Neptune (segunda parte)

Ver  Lockheed P2V-5 Neptune (primeira parte)

(continuação)

Imagem 3


Resumo histórico (continuação)

     Tendo sido concebidos para a luta anti-submarino, os Neptune desempenharam inúmeras outras tarefas, algumas sob novas designações, especialmente a partir de 1962. Os P2V-7, sob a designação de AP-2H, estiveram na Guerra do Vietname, usados em missões de interdição nocturnas e de más condições meteorológicas contra a Rota Ho Chi Minh.
     Estavam equipados com sensores de visão frontal de raios infravermelhos (FLIR), televisão de visão lateral para baixos níveis de iluminação (LLLTV), assim como um sistema digitalizado de ataque próximo e navegação. Mas o seu real valor operacional residia na enorme bateria de mini-guns de diversos calibres, ocasionalmente completada com lança-granadas de 40 mm e metralhadoras, transportadas em contentores instalados sob as asas. Para além do Vietname, operaram no Cambodja e no Laos, onde se mantiveram até Junho de 1969.

     Os misteriosos aviões espiões Lockheed RB-69 eram P2V-6 (mais tarde P-2F) convertidos para missões de guerra electrónica e reconhecimento. O equipamento de reconhecimento óptico estava instalado internamente, no compartimento das bombas. Mais tarde tomaram a designação de P2-E e OP2-E. A Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) utilizou-os nas versões RB-69 e AP-2E.

     Em 1959 a fábrica japonesa Kawasaki foi licenciada para construir os P2V-7 e, mais tarde, os     P-2H. No verão de 1965 os japoneses tomaram a arrojada decisão de construir os P2-H com propulsores turbo-hélice. O protótipo voou pela primeira vez em 21 de Julho de 1966, sob a designação Kawasaki P-2J Neptune. Foram construídos 82 exemplares.

     Os Neptune, que na sua época foram os “Reis do Mar” na luta anti-submarino, executaram com sucesso a função de bombardeiros nucleares, missões de ataque ao solo, espionagem electrónica, transporte, instrução e treino, vigilância de fogos florestais e muitas outras, testemunhando a versatilidade e a durabilidade tradicionais dos aviões fabricados pela Lockheed.
     Para além das forças armadas dos Estados Unidos, os P2V-5 serviram nas forças armadas da Argentina, Austrália, Brasil, Grã-Bretanha, Holanda e Portugal.
No total dos modelos e variantes foram construídos cerca de 1.200 Lockheed P2V Neptune.

Imagem 4

Percurso em Portugal:
     Os Lockheed P2V-5 Neptune começaram a chegar à Força Aérea Portuguesa (FAP) em Abril de 1960, processo que se prolongou por todo o ano seguinte, até totalizar 12 aviões. Provenientes da Marinha Real Holandesa, estavam equipados com sofisticados meios electrónicos de detecção e combate a submarinos.
     Foram colocados na Esquadra 61 da Base Aérea N° 6 (BA6), Montijo, onde substituíram os Lockheed PV-2 Harpoon. Mais tarde foram-lhes retiradas as torres de tiro dorsais, conservando intacta a capacidade de combate anti-submarino. Mantiveram como missão a vigilância das águas territoriais portuguesas, tendo participado em diversos exercícios no âmbito da NATO / OTAN.

     Quando a Rodésia (hoje Zimbabwé) declarou uniteralmente a independência (11 de Novembro de 1965), facto que levou a ONU a determinar o bloqueio ao porto da Beira, foram destacados dois Lockheed P2V-5 Neptune para a Base Aérea N° 10 (BA10), Beira, Moçambique, onde se mantiveram de Novembro de 1965 a meados de 1966.

Imagem 5: Emblema da
Esquadra 61, BA6.
     Também estiveram destacados na Ilha de S. Tomé aquando do conflito do Biafra (1967-1970), vigiando a presença de navios suspeitos de transportar armamento para as partes envolvidas. Operaram a partir da Base Aérea N° 9 (BA9), Luanda, Angola, e da Base Aérea N° 12 (BA12), Bissau, Guiné, executando missões de bombardeamento e patrulhamento costeiro, assim como mantiveram destacamentos na Ilha do Sal, no Arquipélago de Cabo Verde.
     Estas deslocações foram sempre efectuadas em regime de destacamento de curta duração, mantendo os aviões a sua colocação, permanentemente, na BA6.
Para evitar problemas com a NATO – à qual os P2V-5 estavam atribuídos – procedia-se segundo um esquema de rotação entre os destacamentos e a BA6, de forma a que os aviões não ultrapassassem, fora da BA6, o tempo estipulado pela NATO.

     Em 1968 o P2V-5 número 4710 foi modificado nas Oficinas Gerais de Material Aeronáutico (OGMA), Alverca, de modo a receber uma câmara para fotografia vertical, sendo realizadas algumas missões de aerofotogrametria sobre o Arquipélago da Madeira durante 1969.

     Com a final da Guerra do Ultramar (1974) e a independência das antigas colónias, os P2V-5 Neptune cessaram os destacamentos e foram abatidos gradualmente.
     O último voo operacional de um Lockheed P2V-5 Neptune em Portugal foi registado no dia 15 de Junho de 1977, ainda que os P2V-5 número 4707 e 4711 tenham voado até 1978.

Imagem 6


     Os Neptune receberam as matrículas da FAP 4701 a 4712. Tinham os números de construção de 426-5273 a 426-5284 e os números de série da Marinha Real Holandesa de 19-21 a 19-32, respectivamente.
     Mantiveram a pintura original, com o dorso da fuselagem, os lados superiores das asas e dos estabilizadores em cinzento azulado e o restante a branco.
     A insígnia da Cruz de Cristo, sobre círculo branco limitado por anel em azul, estava pintada lateralmente na fuselagem, no extra-dorso da asa esquerda e no intradorso da asa direita, onde alternavam com os números de matrícula, pintados a preto. Os lados do estabilizador vertical apresentavam o rectângulo com as cores nacionais, sem escudo, encimados pelo número de matrícula em pequenos algarismos pretos.
O Museu do Ar  é detentor do Lockheed P2V-5 Neptune número 4711.




Fontes:
Imagem 3: FAP / AHFA - Força Aérea Portuguesa / Arquivo Histórico da Força Aérea;
Imagem 4: © Carlos Pedro - Blog Altimagem;
Imagem 5: Colecção Altimagem;
Imagem 6: Cortesia de Paulo Alegria - Blog DIGITAL HANGAR
Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.

27 janeiro 2014

Lockheed P2V-5 Neptune (primeira parte)

Imagem 1

LOCKHEED P2V-5 NEPTUNE

Quantidade: 12
Utilizador: Força Aérea
Entrada ao serviço: Abril de 1960
Data de abate: Junho de 1978


Dados Técnicos:
a.       Tipo de Aeronave
Avião bimotor terrestre, de trem de aterragem triciclo retráctil, asa média, revestimento metálico, cabina integrada na fuselagem, destinado a missões de reconhecimento e luta anti-submarino.
Tripulação: 8 a 10 elementos.
b.       Construtor
Lockheed Aircraft Corp. / USA.
Sob licença: Kawasaki / Japão.
c.       Motopropulsor
Motores: 2 motores Wright 3350-32W Cyclone turbo-compound, de 18 cilindros radiais em dupla estrela, arrefecidos por ar, de 3.500 hp. Hélices: metálicos, de quatro pás, de passo variável, posição de bandeira e reversível.
d.       Dimensões
Envergadura..........................31,64 m
Comprimento….....................27,93 m
Altura………….…....................8,94 m
Área alar........................ …...92,00 m²
e.       Pesos
Peso vazio……………..…....22.650 Kg
Peso máximo.....................36.238 Kg
f.        Performances
Velocidade máxima ……..…...572 Km/h
Velocidade de cruzeiro...........332 Km/h
Tecto de serviço …………..desconhecido
Raio de acção……………....5.993 Km
g.       Armamento
Defensivo: Uma torre dorsal com duas metralhadoras calibre 12,7 mm.
Ofensivo: Bombas, minas, torpedos e cargas de profundidade,
transportadas internamente; foguetes suspensos nas asas.
h.       Capacidade de transporte
Nenhuma.


Imagem 2

Resumo histórico:
     O Lockheed P2V Neptune foi um dos mais versáteis e duráveis aviões da sua época. Inicialmente, a Lockheed não depositava muitas esperanças no projecto da equipa dirigida por Jack Wassal, cujo objectivo era a substituição do Lockheed PV-2 Harpoon por um aparelho moderno e de grande autonomia.
     Em 1944 foi substituído o contrato com o Governo dos Estados Unidos para a construção de dois protótipos e 13 aviões bombardeiros de patrulha, designados por P2V-1, para avaliação operacional.

     Quando no dia 17 de Maio de 1945 os pilotos de testes da Lockheed, Joe Towle e Harold Johnson, realizaram o primeiro voo do protótipo Lockheed XP2V-1, estavam longe de admitir que seria utilizado por uma dezena de forças aéreas, fabricados por dois países e produzido em oito versões, num total de 1.181 exemplares.
     O XP2V-1 era propulsionado por dois motores Wright Cyclone de 2.150 hp. Com uma tripulação de sete elementos, dispunha como armamento defensivo, de três torres de tiro: uma instalada no nariz, outra dorsal e uma terceira na cauda, cada uma com duas metralhadoras de calibre 12,7 mm. Como armamento de ataque, podia transportar sob as asas 16 foguetes de cinco polegadas ou ou quatro foguetes de 11,75 polegadas. No interior da fuselagem podia transportar 8.200 Kg de bombas, minas ou cargas de profundidade, ou, em alternativa, dois torpedos de 1.000 Kg. O protótipo operou com um peso máximo de 24.800 Kg.

     Exaustivamente testado em 1945 e 1946, foi aprovado pela US Navy como avião de patrulha armado, com designação de Lockheed P2V-1 Neptune Tornou-se o “rei dos mares” na luta anti-submarino (ASW) dos anos cinquenta, equipando 23 Esquadras de primeira linha da US Navy, substituindo os Lockheed PV-2 Harpoon e os Consolidated PB4Y-1 Privateer.

     O P2V-1 com o número de série 89082, baptizado de “The Truculent Turtle” (Tartaruga Truculenta), foi o avião naval de base terrestre seleccionado pela US Navy para um espectacular voo a longa distância. Foi modificado para transportar uma enorme quantidade de combustível e preparado para transportar um peso máximo de 38.745 Kg, cerca de 11.000 Kg mais elevado que o normal. No dia 29 de Setembro de 1946 descolou de Perth, na Austrália. Passadas 55 horas e 17 minutos aterrou a 18.250 Km de distância, em Columbus, Ohio, Estados Unidos, sem qualquer aterragem ou reabastecimento. Este voo constituiu, por muitos anos, um recorde para aviões bimotores da sua classe de peso / sustentação.

     O modelo seguinte, designado P2V-2 Neptune, fez o primeiro voo em 7 de Janeiro de 1945, utilizando motores Wright Cyclone de 2.650 hp e hélices Hamilton Standard de três pás (em vez dos de quatro pás dos P2V-1). Apresentava o nariz inteiramente fechado. Aviões de uma variante designada por P2V-2N, conhecidos pelos “Ursos Polares”, foram equipados com skis retracteis e utilizados na exploração da Antárctida.

     Os modelos seguintes foram designados por P2V-3 e P2V-4, ambos com nariz fechado. Facto interessante – que nunca se tinha verificado com outros aviões – foi a introdução do termo “transporte de combate armado e blindado”, aplicado à variante P2V-3Z, especialmente construída com esse propósito. Aviões desta variante foram utilizados em missões de transporte pessoal do Secretário de Estado da Marinha e do Chefe do Estado-Maior da US Navy, durante o período da Guerra da Coreia (1950-1953). Alguns Neptune estiveram activos na Coreia, utilizando foguetes e canhões no ataque a transportes terrestres.

     Em 1949 foi atribuída aos Neptune uma tarefa fora do âmbito da guerra naval. A Us Navy necessitava de um avião com capacidade para descolar de porta-aviões e com uma autonomia de 2.700 Km, capaz de atingir alvos na União Soviética, transportando uma bomba de plutónio Mk6, com 128 polegadas de diâmetro e 4.500 Kg de peso, concebida à medida do compartimento das bombas do Boeing B-29 Superfortress. Doze P2V-3C, especialmente modificados, foram foram integrados nos planos americanos de guerra nuclear. O conceito da sua utilização operacional assentava na descolagem a partir de porta-aviões, atacar os objectivos e regressar a bases terrestres ou fazer amaragens “de emergência” em locais previamente estabelecidos, onde as tripulações seriam recuperadas.

     Durante 1949 e 1950 os P2V-3C foram embarcados em porta-aviões. Com o peso de 34.000 Kg, nos quais se incluía a bomba nuclear, descolavam com a ajuda de jactos auxiliares (JATO – Jet Assisted Take-Off), operação descrita como “arrepiante”. Os porta-aviões “USS Coral Sea”, “USS Midway” e “USS Franklin D. Roosevelt” foram utilizados nestas missões. Em 1951, os Neptune cederam lugar aos bombardeiros nucleares North-American AJ-1 Savage.

     A “Guerra Fria”, a Guerra da Coreia e a expansão da frota de submarinos soviéticos justificaram um novo modelo, designado por P2V-5, que incorporava dois canhões de 20 mm na torre de tiro do nariz e depósitos de combustível nos extremos das asas (wingtip tank). Este modelo teve modificações constantes ao longo da produção: o nariz passou a ser inteiramente transparente, sem armas, e a torre de tiro da cauda foi retirada, dando lugar à cauda alongada, tão característica deste modelo, para receber um equipamento para detecção de submarinos com a designação de Magnetic Anomaly Detector (MAD).
     O primeiro voo de um P2V-5 ocorreu em 29 de Dezembro de 1950.
A designação P2V-5F foi atribuída a uma variante que se apresentou com dois reactores Westinghouse J-34 sob as asas, providenciando mais potência para a descolagem e manobras de combate.
     Em Outubro de 1952 entraram ao serviço os P2V-6 Neptune, com o nariz ligeiramente mais largo e a cobertura da antena do radar (radome) de menores dimensões.

     O produto final foi o modelo P2V-7 Neptune, que a partir de 1962 tomou a designação de SP-2H Neptune. O seu primeiro voo realizou-se em 26 de Abril de 1954. Apresentava os reactores sob as asas, a cabina de pilotagem com visibilidade melhorada e a cobertura do radar ligeiramente deslocada para a frente.

 (continua)
Fontes (primeira parte):
Imagem 1: FAP / AHFA - Força Aérea Portuguesa / Arquivo Histórico da Força Aérea;
Imagem 2: Cortesia de  Richard Ferriere - 3 vues;
Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.