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23 março 2014

Cessna T-37C Tweety Bird (terceira parte)

Ver  Cessna T-37 Tweety Bird (segunda parte)


(continuação)


Imagem 9


Percurso em Portugal: (continuação)

     A patrulha “Os Panchos” reapareceu novamente em 1973, dez anos após as primeiras exibições, nas festividades do centenário do nascimento de Santos Dumont.
     Em 1976, por força da vontade de alguns pilotos foram retomadas as exibições aéreas. A primeira ocorreu em Abril desse ano, durante a cerimónia de um Juramento de Bandeira na Base Aérea nº 2 (BA2), Ota. Seguiram-se outras exibições: a 14 de Maio de 1976, no dia da BA2, e em 4 de Julho de 1976, na consagração do Dia da Força Aérea, na BA1.

     Premiando a qualidade e o desempenho da equipa “Os Panchos”, a organização International Air Tatoo de 1977 convida a FAP a participar com a sua patrulha acrobática no festival em Greenham Common, Grã-Bretanha (26 de Junho de 1977), integrada nas comemorações do Jubileu de Prata da Rainha Isabel II.
     O convite foi aceite a daí nasceu a Patrulha Acrobática Asas de Portugal, oficializada como representante da FAP pela Ordem de Serviço do Estado-Maior da Força Aérea N° 46, de 31 de Dezembro de 1976.
     A primeira exibição teve lugar no dia 11 de Maio de 1977 num festival na Base Aérea nº 3 (BA3), Tancos, actuando com seis aviões T-37C, mantendo três de reserva. Actuaram em vários certames aeronáuticos nacionais e estrangeiros, merecendo sempre os maiores elogios e causando a admiração geral pelo que os pilotos conseguiam fazer com aviões antigos e de tão fraca potência. Ainda em 1977, além da sua actuação em Inglaterra, já referida, os "Asas de Portugal" actuaram em Thonon-Les-Bains (França) e em Portugal (Guarda e Porto).

Imagem 10: Emblema de pano
dos "Asas de Portugal"



Imagem 11: "Asas de Portugal" (1980)
   


     A partir da remodelação da estrutura operacional da FAP levada a efeito em 1977, a EIBP 2 passou a ser designada por Esquadra 102, ao mesmo tempo que se tornava a única subunidade a ministrar a instrução básica de pilotagem.
     Em 5 de Novembro de 1986 ocorreu um acidente com o 2418 que se despenhou em Beringel, perto de Beja, vitimando os dois pilotos.
     Em 9 de Dezembro de 1990 ocorre um acidente com um avião dos "Asas de Portugal", o 2415, num voo de treino, provocando a morte do piloto.


Imagem 12: Formação de T-37C, "Asas de Portugal" durante uma exibição (1981)


     Os T-37C foram recebidos inteiramente pintados de branco, passando depois a apresentar o estabilizador vertical em dayglo. Mais tarde apresentaram-se em metal polido, com o conjunto estabilizador da cauda, as pontas das asas e grande parte do nariz em dayglo. As áreas de ligação das asas à fuselagem estavam pintadas em cinzento metalizado e a secção da fuselagem em frente da cabina era pintada em preto anti-reflexo.
     Ostentavam a Cruz de Cristo, sobre círculo branco, no extra dorso da asa esquerda, no intradorso da asa direita e nos lados da fuselagem. As cores nacionais, sem escudo, estavam colocadas dentro de um rectângulo nos lados do estabilizador vertical. Os números de matrícula encontravam-se a preto em ambos os lados das asas, alternando com as insígnias, e também sobre os rectângulos com as cores nacionais no estabilizador vertical.

     Os aviões da patrulha “Asas de Portugal” foram pintados num bonito esquema com as cores nacionais: encarnado (FS 11.136) e verde ( FS 14.109) sobre base branca (FS 17.875).
     As insígnias – sobre círculo branco contornado a azul – da fuselagem tinham um diâmetro de 63 cm e as das asas 45 cm. Os algarismos das matrículas das asas tinham 40 cm de altura e os dos estabilizadores com 10 cm, todos a preto (FS 17.038). O anti-reflexo em frente da cabina (FS 37.038) foi mantido. Este esquema de pintura foi progressivamente aplicado a toda a frota de T-37, para maior flexibilidade de operação dos “Asas de Portugal”.

     Os Cessna T-37C foram oficialmente retirados de serviço em 8 de Agosto de 1992 com quase 30 anos de excelentes serviços, durante os quais formaram centenas de pilotos da FAP e levaram o nome de Portugal além fronteiras.
     Em consequência, a Patrulha Acrobática Asas de Portugal foi extinta com o abate dos T-37C.

     Renasceu oficialmente em Abril de 1997, na Esquadra 103 da Base Aérea nº 11 (BA11), Beja, com os aviões Dassault-Breguet / Dornier Alpha Jet.


Imagem 13: Patch comemorativo dos 50 anos
da EIBP2 "Os Panchos", na BA1.


     As comemorações dos 50 anos dos “Panchos” decorreram no dia 14 de Dezembro de 2013, na Base Aérea Nº 1, Sintra.
     Foram vários os antigos elementos da Esquadra de Instrução Básica de Pilotagem Nº 2, “Os Panchos”, que se reuniram e tiveram a oportunidade de recordar e partilhar tempos em que o T-37 servia de “formação para pilotos militares portugueses” e ao mesmo tempo era visto como um inesgotável instrumento de divulgação a nível Nacional e Internacional.
     Na parede do edifício onde já tinha sido perpetuada a presença dos “Panchos” foi inaugurada uma nova placa, com o intuito de marcar simbolicamente os 50 anos da Esquadra.

     Por fim, no Monumento de Homenagem aos Mortos, foi ainda prestada uma homenagem aos antigos pilotos que morreram ao serviço da Força Aérea, pilotando a aeronave T-37.


Imagem 14 - Cessna T-37C dos Asas de Portugal exposto em pedestal na Base do Lumiar, Lisboa

     A Força Aérea Portuguesa mantém exposto ao público, no Museu do Ar em Sintra, um destes aviões na sua pintura original e um outro com a pintura dos Asas de Portugal.

Fontes (terceira parte):
Imagens 9 e 12: © Carlos Pedro - Blog Altimagem;
Imagem 14: Cortesia de Wikipedia, a enciclopédia livre;
Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000;
Texto em Itálico: Cortesia de EMFA - Estado-Maior da Força Aérea.

22 março 2014

Cessna T-37C Tweety Bird (segunda parte)

Ver  Cessna T-37 Tweety Bird (primeira parte)

(continuação)

Imagem 4


Percurso em Portugal:
     A Força Aérea Portuguesa (FAP) recebeu os primeiros doze Cessna T-37C Tweety Bird em Dezembro de 1962, vindos dos Estados Unidos por via marítima e montados nas Oficinas Gerais de Material Aeronáutico (OGMA), em Alverca em Fevereiro de 1963.
     Em Março de 1964 recebeu mais seis, outros seis em Junho e os últimos seis em Janeiro de 1965, perfazendo um total de 30 unidades.
     Receberam a numeração FAP de 2401 a 2430, repetindo alguns números que tinham sido atribuídos aos Grumman G-44 Widgeon, entretanto abatidos.
     A correspondência entre as matrículas da FAP e os números de série da USAF, entre parêntesis, era a seguinte: 2401 a 2424 (62-5926 a 62-5949 respectivamente), 2425 a 2430 (62-12496 a 62-12501 respectivamente).

Imagem 5: Emblema de pano da EIBP2 "Os Panchos"


     Foram colocados na Base Aérea N° 1 (BA1), Sintra, formando a Esquadra de Instrução Básica de Pilotagem N° 2 (EIBP 2), conhecida como “Os Panchos”. Para melhorar o rendimento operacional, a EIB2 foi dividida em duas esquadrilhas: Esquadrilha n° 1, os “Feras”, e a Esquadrilha n° 2, os “Águias”.


Imagem 6: Da esquerda para a direita: Emblema da Esquadrilha 1, "Feras",
e da Esquadrilha 2 "Águias", ambas da Esquadra 102.


A EIBP 2 iniciou a actividade ministrando tirocínios de pilotagem aos alunos dos cursos de pilotagem aeronáutica da Academia Militar. Depois, passou a ministrar também os Cursos Básicos de Pilotagem, numa primeira fase como tarefa repartida com a EIBP 1 da Base Aérea N° 7 (BA7), S. Jacinto, que operava os North-American T-6.

Imagem 7: Autocolante dos
"Asas de Portugal", 1982

     O primeiro acidente com um T-37 ocorreu em 3 de Fevereiro de 1964, com o avião 2409, que se despenhou no mar, vitimando os pilotos.
     No início de 1964, retomando a tradição da existência de uma patrulha acrobática portuguesa, dado que as patrulhas acrobáticas “Dragões” e “S. Jorge” foram desactivadas, a EIBP 2 começou por formar uma patrulha acrobática a que deu o nome da própria Esquadra - “Panchos” – com a finalidade de participar no festival a realizar em Alverca, em Julho desse ano. No entanto, a participação foi cancelada na sequência de um acidente ocorrido durantes os treinos, de que resultou a destruição de um avião e a morte do piloto.

     Em 10 de Novembro de 1964, o 2413 despenhou-se nos arredores da BA1, ficando destruído e vitimando o piloto. Outro acidente ocorreu em 19 de Maio de 1965, causando a destruição do avião 2408 e a morte do piloto.
     Em 1965 os “Panchos” retomaram os treinos, mantendo uma actividade algo irregular durante vários anos. As exigências relacionadas com a formação de pilotos e a necessidade de transferir alguns instrutores para o Ultramar impediam que os treinos e as exibições tivessem a desejada regularidade.
Em 17 de Maio de 1968, o T-37 número 2405 despenhou-se no mar, junto à Lagoa de Albufeira, vitimando o piloto.

Imagem 8


Em 1969 o nome da patrulha acrobática foi mudado para “Diabos Vermelhos” e o ritmo de treinos e de exibições foi sensivelmente aumentado. Em finais de 1970 as necessidades do Ultramar sobrepuseram-se, mais uma vez, às de acrobacia e a patrulha cessou a sua actividade.

(continua)

Fontes (segunda parte):
Imagens 4 e 8: © Carlos Pedro - Blog Altimagem;
Imagens 5 e 7: Colecção Altimagem;
Imagem 6 e Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.

17 março 2014

Cessna T-37C Tweety Bird (primeira parte)

Imagem 1

CESSNA T-37C  TWEETY BIRD

Quantidade: 30
Utilizador: Força Aérea
Entrada ao serviço: Dezembro de 1962
Data de abate: 8 de Agosto de 1992


Dados técnicos:
a.       Tipo de Aeronave (versão T-37C)
Avião birreactor terrestre, com os reactores instalados no interior da fuselagem e entradas de ar na junção das asas com a fuselagem, de trem de aterragem triciclo retráctil, asa média, revestimento metálico, bilugar lado-a-lado, com cadeiras e cobertura da cabina ejectáveis, concebido para instrução básica de pilotos. Tripulação:2 (piloto-instrutor e aluno).
b.       Construtor
Cessna Aircraft Co. / USA.
c.       Motopropulsor
Motores: 2 motores turbo-reactor Continental J69-T-25, de 425 Kgf de impulsão estática.
d.       Dimensões
Envergadura.........................11  m
Imagem 2
Comprimento…......................9,60 m
Altura………….…....................3,05 m
Área alar...........................…16,92 m²
e.       Pesos
Peso vazio…………...…....1.755 Kg
Peso máximo ..................3.030 Kg
f.        Performances
Velocidade máxima …........…..856 Km/h
Veloc. de cruzeiro...................580 Km/h
                Tecto de serviço ...............8.000 m
Tecto máximo …….............11.500 m
Raio de acção (Ra)……….…..1.400 Km
             (Ra) com depósitos externos.....1.775 Km
             Autonomia ...............................1H45
g.       Armamento
Sem armamento.
h.       Capacidade de transporte
Nenhuma.





Resumo histórico:
     O Cessna T-37 foi projectado pela Cessna em 1950 sob a designação de Cessna 318, sendo o primeiro avião a reacção especificamente construído para instrução básica de pilotagem.
     Os três protótipos iniciais, designados XT-37, iniciaram os voos de provas em 2 de Outubro de 1954. Estavam equipados com dois motores a reacção Continental / Teledyne J69-T-9, de 417 Kg de impulsão estática, a versão americana do reactor francês Marboré, construído sob licença da Turbomeca.
     A Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) encomendou onze T-37, entregues em 1954 e utilizados em testes.
     Finalmente em 1955, a USAF aprovou os Cessna T-37 Tweety Bird como avião de instrução básica. Entre 1954 e 1958, a USAF recebeu e utilizou na instrução básica de pilotagem 523 aviões da versão T-37A, com a cabina modificada para a configuração definitiva.

     Em 1959 apareceram os T-37B, com motores J69-T-25 de 465 Kg de impulsão estática, possibilidade de instalação de depósitos de combustível auxiliares nas pontas das asas, cada um com capacidade para 245 litros e novos equipamentos de navegação e comunicações.
     Foram construídos 400 para a USAF, 15 para o Peru e 47 para a República Federal da Alemanha. Grande parte dos aviões das versões T-37 e T-37A foram convertidos nesta versão.

     Em 1962 apareceu a última versão destes aviões, o T-37C. Eram, básicamente, o T-37B com uma pequena capacidade de instalação de armamento para fins de instrução, que consistia em dois apoios na parte inferior de cada asa que podiam suportar, no conjunto, 115 Kg de carga. Esta instalação previa a utilização de bombas de deflagração, ou napalm, ou casulos, contendo cada um uma metralhadora de 12,7 mm com 200 munições ou dois foguetes. A utilização do armamento penalizava o desempenho do avião, limitando a velocidade máxima a 580 Km/h e aumentando a corrida de descolagem de 610 para 840 metros.
     Foram construídos 269 aviões da versão T-37C, dos quais 65 para o Brasil, 10 para a Colômbia e 194 para cedência a diversos países, ao abrigo do Pacto de Assistência Mútua.

Imagem 3

     O T-37 Tweety Bird foi, para muitas gerações de pilotos, o primeiro avião a reacção que voaram. A boa prestação dos T-37 e a necessidade urgente de um avião anti-guerrilha para operar nas pistas curtas e não pavimentadas do Vietname, levaram os Estados Unidos, em 1963, a transformar algumas dezenas de T-37 em aviões de apoio próximo, designados de A-37 Dragonfly. Mantendo a configuração geral, a estrutura foi reforçada, receberam reactores General Electric J85-GE-4, de 1.090 Kg de impulso estático, a capacidade de transporte de armamento foi aumentada e foram dotados de um sistema de reabastecimento em voo.
     Ainda que em menor quantidade, foram também transformados para missões de controlo aéreo avançado com a designação de OA-37.

(continua)

Ver  Cessna T-37 Tweety Bird (terceira parte)


Fontes (primeira parte):
  • Imagem 1: FAP / AHFA - Força Aérea Portuguesa / Arquivo Histórico da Força Aérea;
  • Imagem 2: Cortesia de Richard Ferriere - 3 vues;
  • Imagem 3: Colecção Altimagem - Carlos Pedro;
  • Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.