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14 maio 2014

100 anos da Aviação Militar em Portugal (1914-2014)

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Centenário da Aviação Militar Portuguesa


     Passados 100 anos da publicação da Lei 162 de 14 de maio de 1914, que criou a Escola de Aeronáutica Militar (compreendia os Serviços de Aviação e Aeroestação do Exército e uma Secção de Marinha anexa à escola para instrução e serviço de hidroplanos) é o momento para refletir sobre as origens da componente militar da aviação e comemorar o êxito do esforço de muitas gerações de Homens que acreditaram na Causa do Ar e ajudaram a construir a Força Aérea Portuguesa, hoje herdeira das tradições da Aviação Militar.
     A imensa vontade de conquistar os espaços, a curiosidade e o grande interesse demonstrados por muitos particulares e pela população portuguesa em geral relativamente aos “aeroplanos” conduziram a inúmeras atividades que, numa primeira fase, foram desenvolvidas exclusivamente com objetivos meramente comerciais e lúdicos de demonstração das novas possibilidades de locomoção aérea.
     No entanto, simultaneamente, no seio militar surgiu um movimento aglutinador organizado e direcionado para a formação de uma entidade que se ocupasse dos assuntos da aviação então emergente. Neste sentido, à semelhança do que sucedeu em diversos outros países, concretamente em França, foi constituído em 1909, o Aeroclube de Portugal, o qual através de diversas iniciativas permitiu que a aviação desportiva fosse divulgada e estimulada com as primeiras demonstrações aéreas em Lisboa e na Amadora.

     Assim, em 27 de outubro de 1909 no hipódromo de Belém, em Lisboa, o francês Armand Zipfel efetuou um voo de poucos metros, que embora tenha sido o primeiro em Portugal, pela reduzida duração não foi considerado como tal. Seguiram-se outras iniciativas e em 1910, no mesmo local, um acontecimento relevante ficou para a História da Aeronáutica, os aviadores Amadeo Taddéoli e Julian Mamet apresentaram a grande novidade da época o avião Blériot XI, que no ano anterior se tinha tornando internacionalmente conhecido pela travessia do Canal da Mancha entre França e Inglaterra. Com esta aeronave Julian Mamet realizou em 27 de abril, o primeiro voo registado oficialmente em Portugal.
     O primeiro piloto português a obter a licença de voo foi Óscar Blank, residente em Paris, tendo efectuado o seu primeiro voo no aeródromo de Juvisy em 1909. Também Alberto Sanches e Castro, em setembro de 1912, descolou do Mouchão da Póvoa para o primeiro voo em Portugal tripulado por um português.

     A forte adesão popular às demonstrações aéreas foi também estimulada pela imprensa como os jornais “O Século”, que através de várias subscrições públicas para compra de aeronaves, veio a adquirir um Deperdussin e dois Voisin, e o “Comércio do Porto”, tendo este último adquirido um Maurice Farman que voou na cidade do Porto, em setembro de 1912. O Deperdussin e o Maurice Farman vieram posteriormente a ser integrados na Aviação Militar.

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     Este encadeamento de acontecimentos e a previsível utilização do “aeroplano” como arma aérea teve como resultado a preparação de um projeto de lei para a criação de um “Instituto de Aviação Militar” apresentado na Câmara dos Deputados em 1912, pelo Dr. António José de Almeida. Embora este diploma não tenha sido aprovado, pela sua profundidade e abrangência impulsionou a criação de uma Comissão de Aeronáutica Militar que se veio a ocupar dos estudos subsequentes, definitivamente marcantes na evolução da Aviação em Portugal.
     A Comissão, formada por um grupo de precursores estudiosos da problemática da aeronáutica, defenderam que seria fundamental prosseguir um caminho construtivo, mas faseado, assumindo como prioridade a edificação de uma escola com áreas de descolagem e aterragem que obedecessem a critérios e requisitos que permitissem a operação das aeronaves e o respeito pelas condições que pudessem garantir uma atividade aérea tão segura quanto possível para a época.
     Igualmente, para além das infraestruturas, preconizavam a formação de pilotos que após a respetiva preparação se constituiriam como instrutores da escola e assim pudessem desenvolver e formar militares para esta nova área de especialização profissional.

     Por último, pretendiam que as aeronaves fossem adquiridas para estarem disponíveis o mais tarde possível relativamente à data requerida para início da instrução de pilotagem, e assim, não se perder o retorno dos últimos avanços técnicos que de dia para dia evoluíam sem cessar.
     A Aviação Militar seguiu nestas circunstâncias um conceito evolutivo de criação e desenvolvimento que acabou por se refletir num período de cerca de dois anos entre a publicação da legislação e o primeiro voo da Escola de Aeronáutica Militar de Vila Nova da Rainha efetuado por um piloto militar português numa aeronave do Ministério da Guerra.

     É por este motivo que as comemorações do centenário da Aviação Militar se vão desenvolver ao longo de dois anos, o biénio 2014 a 16, correspondente ao período do levantamento das infraestruturas, estrutura organizativa, formação dos pilotos no estrangeiro e criação das condições necessárias e suficientes ao funcionamento da escola, ou seja, a realização de cursos de pilotagem.
     A publicação da referida Lei nº 162 de 14 de maio de 1914, que criou a Escola de Aeronáutica em Vila Nova da Rainha, “Berço da Aviação Militar Portuguesa”, permite-nos hoje comemorar 100 anos, valorando justamente a memória de todos os que ao longo de décadas cumpriram a sua missão com dedicação, rigor e entusiasmo e contribuíram para a Força Aérea que hoje orgulhosamente somos.

     No dia 14 de Maio de 2014 realizou-se a cerimónia de Abertura Solene das Comemorações do Centenário da Aviação Militar. O evento teve lugar no Auditório da Academia da Força Aérea, em Sintra, e foi presidido pelo Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, General Artur Pina Monteiro. Contou ainda com a presença da Secretária de Estado Adjunta e da Defesa Nacional, Berta Cabral, do Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, do Chefe do Estado-Maior da Armada e do Vice-Chefe do Estado-Maior do Exército.

Imagem 3: Inauguração do Monumento alusivo ao Centenário da
Aviação Militar Portuguesa. Cortesia de  emfa.pt


     Após a cerimónia, os presentes foram convidados a assistir à inauguração de um monumento alusivo ao Centenário da Aviação Militar, na Base Aérea N.º 1 (Sintra) (ver imagem 3). De seguida, decorreu uma visita ao Museu do Ar, onde está patente a exposição fotográfica “Génese da Aviação Militar”.
     As comemorações do Centenário da Aviação Militar estendem-se até 2016, com várias actividades previstas.
     É possível consultar mais informação no website Oficial do Centenário - criado para o efeito – e que está também associado aos 62 anos que a Força Aérea Portuguesa completa em 2014.


Para ver todas as informações sobre o Centenário da Aviação Militar em Portugal, pode ver o

Website oficial do Centenário da Aviação Militar em Portugal


Fontes:
Imagem 1: Logótipo vencedor do concurso do Logótipo do Centenário da Aviação Militar em Portugal, da autoria de Rafael Filipe Fernandes, de Mirandela. Ver mais em Estado-Maior da Força Aérea;
Imagem 2: EMFA / AHFA - Estado- Maior da Força Aérea / Arquivo Histórico da Força Aérea;
Imagem 3 e texto: Cortesia de Estado-Maior da Força Aérea.(texto original)

01 janeiro 2014

100 anos da Aviação Comercial - Cronologia Ilustrada





Imagens e texto recolhidos de:
Wikipedia, a enciclopédia livre;
Cortesia de  The Aviation History Online Museum

100 anos da Aviação Comercial



     O ano de 2014 será marcado pelo centenário da aviação comercial. A Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA - International Air Transport Association) marcará o acontecimento com um conjunto de eventos ao longo dos 12 meses de 2014.


A aviação civil está de parabéns!


Foi a 1 de Janeiro de 1914 que a St. Petersburg-Tampa Air Boat Line, a primeira companhia aérea da história, realizou o seu primeiro voo comercial, ligando St. Petersburg a Tampa, na Flórida, Estados Unidos (Imagem 3). Realizou-se, assim, a primeira viagem comercial da História da Aviação.



     Thomas Wesley Benoist (1874 - 1917) (Imagem 1), foi um fabricante de aeronaves e aviador norte-americano. Com uma carreira em aviação de apenas dez anos, fundou a primeira empresa de distribuição de peças de aeronaves, estabeleceu uma das principais empresas fabricantes de aviões americanos e abriu uma escola de voo bem sucedida. Fabricou o hidroavião Benoist XIV (Imagem 2), que pertenceu à companhia aérea St. Petersburg-Tampa Air Boat Line, propriedade de  Percival Elliott Fansler (Imagem 3), um vendedor de motores diesel para barcos de pesca, na Florida, que ajudou Thomas Benoist a impulsionar o negócio da primeira linha da aviação comercial existente no mundo.


Imagem 1 - Thomas Wesley Benoist


Imagem 2 - Benoist XIV, a primeira aeronave a fazer
a primeira viagem comercial St. Petersburg-Tampa

















Imagem 3 - 1 de Janeiro de 1914. Da esquerda para a direita:  Percival Elliott Fansler, director-geral
da St. Petersburg-Tampa Air Boat Line; o Mayor de St. Petersburg, Abram.C. Phiel;  e Tony Jannus, piloto.


     O então Mayor de St. Petersburg, Abram C. Phiel, o primeiro passageiro comercial da história da aviação, pagou 400 dólares pelo leilão da viagem de 23 minutos entre St. Petersburg e Tampa.

     Estes pioneiros não poderiam imaginar, na altura, as transformações que se seguiriam. Hoje em dia, a indústria da aviação fornece ligações sem precedentes, com um impacto positivo directo e indirecto nas pessoas em todos os cantos do mundo.

Algumas estatísticas:
  • Em média, mais de 8 milhões de pessoas voam diariamente. Em 2013 o número total de passageiros foi de 3,1 biliões, superando a marca dos 3 biliões pela primeira vez na história. Este número deve crescer para 3,3 biliões durante o ano de 2014 (equivalente a 44% da população mundial);
  • Cerca de 50 milhões de toneladas de carga são transportadas por via aérea todos os anos (cerca de 140.000 toneladas por dia). O valor anual dos bens transportados é equivalente a 6,4 triliões de dólares ou 35% de todos os bens comercializados internacionalmente;
  • A indústria da Aviação suporta mais de 57 milhões de postos de trabalho e gera 2,2 triliões de dólares em actividade económica. A contribuição económica directa da indústria da aviação é de cerca de 540.000.000.000 dólares. Se este valor fizesse parte do ranking do PIB dos países, colocaria esta indústria na posição 19;
  • O volume de negócios global da indústria aeronáutica deverá ser de 743 biliões de dólares em 2014, com uma margem de lucro líquido médio de 2,6%.


     Neste dia, 1 de Janeiro de 2014, foi lançado pela IATA o site  http://www.flying100years.com/ , a fim de centralizar as comemorações do centenário da aviação comercial. Juntamente com materias de referência histórica e económica, o site terá igualmente um Centro de Informações Interactivo, mostrando o valor que a aviação comercial oferece a partir das perspectivas pessoais, económicas e outras.

     A IATA (International Air Transport Association) é um dos patrocinadores do Voo 2014, que está planeado para se realizar hoje, 1 de Janeiro de 2014, repetindo o primeiro voo comercial de passageiros, utilizando um Hoffman X-4 "Mullet Skiff", um barco voador anfíbio, semelhante em muitos aspectos ao barco voador Benoist original, que realizou o primeiro voo. O Hoffman vai descolar de St Petersburg, Florida e voar em toda a baía de Tampa, às 10h00 EUA Eastern Standard Time, repetindo o caminho exacto feito por Jannus e Pheil 100 anos atrás.


Imagem de  Flight 2014


Em  Flight 2014  pode ver a recriação deste voo histórico.


Em  Tamba Bay Times  pode ler toda a história do primeiro voo, integrada na celebração dos cem anos da aviação comercial.

Fontes: 
Imagens 1e 2: Wikipédia, a enciclopédia livre;
Texto: Cortesia de IATA -  Associação Internacional do Transporte Aéreo 

27 setembro 2012

Viagem Lisboa - Timor - Macau - Índia - Lisboa


Imagem 1
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a. Tripulação
     Capitão Humberto da Cruz (piloto)
     1º Sargento António Lobato (mecânico)

b. Datas:
    Saída da Amadora em 25 de Outubro de 1934.
    Chegada à Amadora em 21 de Dezembro de 1934.


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c. Aeronave
    De Havilland DH-85 Leopard-Moth


d. Tempo de voo
    268 horas e 25 minutos.

e. Distância total percorrida
    42.670 Km

f. Viagem e escalas
   Voo de ida:
    Saída da Amadora a 25 de Outubro, atravessando a África do Norte, com paragens em Argel, Tripoli, Bengasi e Tobruk.

    O Médio Oriente, com passagem por Gaza e Basra.
    Passagem pelo actual Paquistão e Índia, com as etapas a terminarem em Jask, Karachi e Allahabad.

   Rumo ao Sudeste Asiático e às Índias Orientais Holandesas, com paragem em Akyab, Banguecoque, Prachuab, Singapura, Soerabaia, Rambang e Dili, onde foram recebidos com grande entusiasmo, a 7 de Novembro de 1934.

    Foi em Timor que o De Havilland DH-85 Leopard-Moth recebeu, solenemente, o nome de baptismo «Dilly» 
    "Os indígenas de Timor são mais dóceis e subordinados do que geralmente se acredita ( ... ) Não existia já um português em Timor há tantos anos que a nossa força naquelas ilhas é nula, pois a força que existe é tirada deles mesmos", comenta Humberto da Cruz.


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Voo de volta:

    Saída de Dili a 13 de Novembro, passando por Bobonaro, Lantem, Dili, Soerabaia, Batávia, Singapura, Taiping, Banguecoque, Hanoi e Macau, onde chegaram a 18 de Novembro.

    Saída a 19 de Novembro para Taipa, Coloane, Macau, Hong Kong, Macau (sobrevoo), Hanoi, Banguecoque, Akyab, Calcutá, Allahabad e Goa, onde chegam a 1 de Dezembro, dia de grande significado patriótico, o da Restauração Nacional.

    Saída para Bombaim, Diu, Karachi, Jask, Ziarat, Bushire, Brasa, Bagdad, Cairo, Bengazi, Tripoli, Tunis, Oran e Amadora, onde chegaram a 21 de Dezembro, ainda antes do Natal, tal como tinha previsto Humberto da Cruz.


    A viagem foi transposta para o livro «A Viagem do "Dilly" : Lisboa, Timor, Macau, India, Lisboa, 25 de Outubro 1934, 21 de Dezembro 1934», escrito pelo Tenente-Aviador Humberto da Cruz.


     O Tenente-Aviador Humberto da Cruz dedica um capítulo à passagem por Macau que inclui fotografias aéreas. Fala da "recepção entusiástica" por parte da população e autoridades. Viram um jogo de hóckey em campo "entre o team de Macau e o team de Hong Kong", visitaram 2 quartéis, "o da artelharia e o das metralhadoras". Andaram de riquexó e repararam nos "guardas de trânsito e polícias de rua que são mouros mas usam uma farda igual à da metróple mas têm um turbante com faixas verdes e encarnadas." Já nas Portas do Cerco "os soldados são landins" (negros). Asssitiram à dança do Leão e passaram pela casa de Lara Reis, O Sol Poente. Destacaram ainda, incluindo os pormenores da cerimónia e a fotografia, o facto da comunidade chinesa lhes ter oferecido um repasto de chá.


f. Os Aviadores


Capitão-Aviador da Aeronáutica Militar, Humberto da Cruz



Imagem 5 - Humberto da Cruz
    Nasceu em 13 de Julho de 1900 em Coimbra. Viveu na Figueira da Foz quando jovem. Estava no último ano do Curso de Artilharia de Campanha da Escola do Exército, quando em 1919 rebentou uma revolução monárquica em Portugal. Fugiu então da escola, com um grupo de cadetes, para lutar em Monsanto (Lisboa) em defesa do regime republicano vigente desde 1910.
     Em 1927 concorreu à Aviação Militar, tendo obtido o seu brevet de piloto-aviador em 14 de Julho de 1928. Quando ingressou na aeronáutica, antecessora da actual Força Aérea, estava-se em plena fase das viagens aéreas. Esta viagem granjeou-lhe a sua segunda condecoração da Torre e Espada, como piloto excepcional. 
     
Humberto da Cruz possuía o dom de falar com notável fluência e quase sempre de improviso. De destacar os seus discursos mais importantes: na Sociedade de Geografia de Lisboa, na ampla Sala de Portugal, na presença do Chefe de Estado, General Óscar Carmona; na Universidade de Coimbra, em plena Sala dos Capelos, perante o Reitor e todo o Corpo Docente; na Universidade do Porto; no Colégio Militar, onde não foi aluno, mas fez questão de distinguir os «Meninos da Luz».
    
Em tudo quanto fez, o Capitão Humberto da Cruz, no capítulo aeronáutico, mostrou a sua destreza de piloto fora de serviço, de oficial culto, competente e sabedor e, sobretudo, a grandeza e a verticalidade do seu carácter. Das suas proezas aeronáuticas não auferiu quaisquer proventos ou benesses, antes só serviram para dignificar e engrandecer o próprio país. 
   
Mas, infelizmente, mais tarde as decisões governamentais - em virtude duma questão entre Humberto da Cruz, comandante da aeronáutica nos Açores e o comandante militar do arquipélago, General Ramires - degradaram o assunto a favor das hierarquias e não democraticamente em prol da verdade e da justiça, obrigando Humberto da Cruz a pedir a passagem à reforma.
      Foram «asas cortadas», com glacial ingratidão, a alguém que deu tanto a Portugal!
     Publicou diversas obras sobre aviação, tendo falecido a 10 de Junho de 1981, no posto de Major-Aviador.

Viagens efectuadas por Humberto da Cruz:
-  Lisboa, Guiné, Angola, Lisboa (30 de Dezembro de 1930 a 21 de Fevereiro de 1931);
-  Cruzeiro Aéreo a Espanha e Marrocos (4 a 21 de Maio de 1934);
-  Viagem Lisboa, Timor, Macau, Índia, Lisboa (25 de Outubro a 21 de Dezembro de 1934);
-  Cruzeiro às Colónias.


Primeiro Sargento Mecânico da Aeronáutica Militar, António José Gonçalves Lobato



Imagem 6 - António Lobato
    De seu nome completo, António José Gonçalves Lobato, nasceu em Lisboa a 5 de Abril de 1909. Era um óptimo profissional com uma cultura fora do vulgar em indivíduos da sua especialidade, tinha preparação liceal e, por isso mesmo, cedo obteve a promoção a sargento. As suas qualidades foram notadas pelo comandante do GEAR da Amadora, o então tenente-coronel Ribeiro da Fonseca, que o escolheu para seu mecânico.
    Em 1932, com 23 anos, o 2º sargento António Lobato passou a mecânico do capitão Plácido de Abreu. Esse facto levou-o a Clevelland, quando o nosso grande ás da acrobacia ali realizou uma das suas famosas exibições. Com a morte trágica de Plácido de Abreu, Lobato passaria a mecânico de Humberto da Cruz e conquistaria a invejável condecoração da «Torre e Espada», com o grau de Cavaleiro. Foi escolhido como companheiro de viagem por Humberto Cruz, devido à sua competência, carácter alegre, correcção, aprumo e camaradagem.


     Humberto da Cruz estabelecera um curioso decálogo de obrigações para o seu mecânico de voo a Timor, que o brioso Lobato levou a rigor: desde «não ser preguiçoso e levantar-se à alvorada às 4h 30m da madrugada, até não ultrapassar o tempo de 15 minutos para tomar ar em frente ao hotel», de onde não saía senão no dia imediato para outro voo, sem nada ver ou visitar na localidade onde se encontrava.

   
     Faleceu em 6 de Junho de 1935, com apenas 26 anos, seis meses depois da sua hora de glória, vítima de um acidente com um "Tiger-Moth" no aeródromo de Viseu, no decorrer de uma das etapas do «II Rally Nacional Aéreo», organizado pelo Aero Club de Portugal, e quando seguia num avião pilotado pelo tenente João Tovar Faro, que sobreviveu ao acidente. Em sua memória, o aeródromo de Viseu passou a designar-se por "Aeródromo Municipal Gonçalves Lobato".
    Está sepultado em Lisboa, no cemitério dos Prazeres, num mausoléu da autoria do arquitecto e aviador civil Almeida Araújo, obtido por subscrição pública por iniciativa de Humberto da Cruz e com o patrocínio do jornal «O Século».

Fontes:
Fotos: 
- Imagens 1, 5 e 6: "História da Força Aérea Portuguesa", Volume II - Edgar Pereira da Costa Cardoso, Coronel Piloto Aviador - Edição Cromocolor, Ldª, Lisboa, 1981;
- Imagem 2 e 4: Cortesia de  Blog Macau Antigo
- Imagem 3: FAP / AHFA - Força Aérea Portuguesa / Arquivo Histórico da Força Aérea;
Texto: 
- "História da Força Aérea Portuguesa", Volume II - Edgar Pereira da Costa Cardoso, Coronel Piloto Aviador - Edição Cromocolor, Ldª, Lisboa, 1981; 
- "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.

30 março 2012

Primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul



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Viagem Lisboa - Rio de Janeiro

a. Tripulação:
    Piloto - capitão-tenente Sacadura Cabral
    Navegador - capitão-de-mar-e-guerra Gago Coutinho
b. Data:
    Inicial - 30 de Março de 1922
    Final - 17 de Junho de 1922
c. Aeronaves:
    - De 30 de Março a 18 de Abril: Hidroavião monomotor «Fairey III-D Transatlantic» de 350 hp, baptizado de «Lusitânia»;
    - 11 de Maio: Hidroavião monomotor «Fairey III-D», (baptizado de «Pátria», «Portugal» ou
 «Lusitânia II», segundo diversas fontes);
    - De 5 de Junho a 17 de Junho: Hidroavião monomotor «Fairey III-D», baptizado de «Santa Cruz».
c. Tempo voado:
    62h 26m
d. Distância:
    4.527 milhas marítimas ou 8.383 Km
e. Escalas:
    Las Palmas - Gando - S. Vicente - S. Tiago - Penedos de S. Pedro e S. Paulo - Fernando de Noronha -  
    Recife - Baía - Porto Seguro - Vitória - Rio de Janeiro.

f. O «Lusitânia»
     -Hidroavião de flutuadores, biplano, de revestimento misto (fuselagem em contraplacado e planos em tela, bilugar na versão Transatlantic, concebido para missões de bombardeamento e reconhecimento aéreo.
    - Motor Rolls-Royce Eagle VII de 12 cilindros em V arrefecidos por líquido com 2 grandes radiadores colocados em ambos os lados da fuselagem, de 350hp.
    - Hélice de madeira, de duas pás, de passo fixo.
    - Envergadura: 19,17m            Comprimento: 11,25m             Altura: 3,98m         Área alar: 65,10m2
    - Peso vazio: 1.861 Kg            Peso máximo: 3.242 Kg
    - Velocidade máxima: 176 Km/h         Velocidade de cruzeiro: 127 Km/h
    - Razão de subida: 240 m/min.             Tecto de serviço: 4570 m           Raio de acção: 2.027 km
    - Fabricante: Fairey Aviation Co. Ltd. / Grã-Bretanha       
 

g. Os Pioneiros:


Capitão-Tenente da Aviação Naval,  Arthur de Sacadura Freire Cabral


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Nasceu em Celorico da Beira em 23 de Abril de 1881. Após os estudos primários e secundários assentou praça em 10 de Novembro de 1897 como aspirante de marinha e frequentou a Escola Naval, onde foi o primeiro classificado do seu curso. Terminado o curso seguiu, em 1901, a bordo do São Gabriel, para a Divisão Naval de Moçambique, onde conheceu Gago Coutinho e onde ambos fizeram levantamentos geográficos. 

Em 1915 foi enviado para França para tirar o brevet de piloto, que concluiu no ano seguinte. Na companhia de gago Coutinho e Ortins de Bettencourt fez a ligação Lisboa-Funchal em 1921. Serviu nas colónias ultramarinas no decurso da Primeira Guerra Mundial. Foi um dos primeiros instrutores da Escola Militar de Aviação, director dos serviços de Aeronáutica Naval e comandante de esquadrilha na Base Naval de Lisboa.

Unanimemente considerado um aviador distintíssimo pelas suas qualidades de coragem e inteligência, notabilizou-se a nível mundial, ultrapassando as insuficiências técnicas e materiais que na época se faziam sentir. Quando conheceu, em África, Gago Coutinho, incentivou-o a dedicar-se ao problema da navegação aérea, o que levou ao desenvolvimento do sextante de bolha artificial. Juntos inventaram um "corrector de rumos" para compensar o desvio causado pelo vento. Foi promovido a segundo-tenente em 27 de Abril de 1903, a primeiro-tenente a 30 de Setembro de 1911, a capitão-tenente em 25 de Abril de 1918 e, por distinção, a Capitão-de-Fragata em 1922.
Faleceu a 15 de Novembro de 1924 num acidente aéreo durante um voo de Amesterdão (Holanda) para Lisboa, pilotando um dos hidroaviões Fokker T.III W destinado à volta ao mundo, que ele pensava tentar na companhia de Gago Coutinho. O seu corpo nunca foi encontrado.


Capitão-de-Mar-e-Guerra da Aviação Naval,  Carlos Viegas Gago Coutinho


Imagem 3

Nasceu em Belém, Lisboa,  em 17 de Fevereiro de 1869. De família humilde, não pôde frequentar, como desejava, o curso de Engenharia na Alemanha e ingressou, aos 17 anos, na Marinha Portuguesa, tendo terminado o curso da Escola Naval em 1888. Cedo se distinguiu como cartógrafo, geógrafo e astrónomo, tendo efectuado várias missões nas colónias portuguesas de África e Ásia.

Distinguiu-se como cartógrafo e geógrafo a partir de 1898, aquando de sua primeira comissão em Timor. Até 1920 levantou e cartografou não apenas aquele território, mas também o de Niassa (1900), Congo (1901), Zambézia (1904-1905), Barotze (1912-1914), São Tomé e Príncipe (1916), estabelecendo vértices geodésicos e determinando coordenadas em missões científicas onde conseguia precisões notáveis, devido ao seu rigor e dedicação à missão que lhe fora confiada. Respondeu igualmente pela delimitação definitiva da parte norte da fronteira entre Angola e Zaire.

No decurso destes trabalhos fez a pé a travessia da África, onde conheceu Sacadura Cabral. Este incentivou-o a dedicar-se ao problema da navegação aérea, o que levou ao desenvolvimento do sextante de bolha artificial, posteriormente comercializado pela empresa alemã Plath com o nome "Sistema Gago Coutinho". Juntos inventaram ainda um "corrector de rumos" (o "plaqué de abatimento") para compensar o desvio causado pelo vento. Para testar essas ferramentas de navegação aérea, realizaram em 1921 a travessia aérea entre Lisboa e Funchal.
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Última foto de G. Coutinho

Assim preparados, em 1922, no contexto das comemorações do centenário da Independência do Brasil, os dois aviadores realizaram aprimeira travessia aérea do Atlântico Sul, sendo recebidos entusiasticamente em várias cidades do Brasil (Rio de Janeiro, São Paulo,Recife), bem como no regresso a Portugal.
Gago Coutinho recebeu largo reconhecimento devido a este feito, tendo sido promovido a contra-almirante e condecorado com as mais altas e prestigiosas distinções do Estado Português, além de ter recebido várias outras condecorações estrangeiras. Retirou-se da vida militar em 1939.
Em 31 de Março de 1955, a convite da TAP, fez parte de um voo experimental ao Rio de Janeiro num DC-4, antecipando a futura linha regular que se estabeleceria em 1961.

A partir de 1925 dedicou-se à História Náutica, tendo desenvolvido vasta obra de investigação científica, publicando significativa variedade de trabalhos geográficos e históricos, principalmente acerca das navegações portuguesas, como, por exemplo, "O Roteiro da Viagem de Vasco da Gama" e a sua versão de "Os Lusíadas". Vários de seus trabalhos encontram-se compilados na "Náutica dos Descobrimentos".

Em 1958 recebe a última homenagem: Por proposta da Assembleia Nacional foi promovido de Vice-Almirante a Almirante, patente que nenhum outro oficial da Armada havia alcançado nos tempos modernos. Faleceu a 18 de Fevereiro de 1959, com 90 anos de idade.

h. A viagem:

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No dia 30 de Março de 1922 saíram de Lisboa, junto à Torre Belém. Depois de um voo sem incidentes, os aviadores avistam a ponta Norte de Tenerife (Ilhas Canárias) às 14h e 57m TMG e amaram em Las Palmas, no Porto de La Cruz. Estava vencida a 1ª etapa, num percurso de 703 milhas feito em 8h e 37m de voo. Dadas as más condições do porto de La Cruz para levantar voo no hidro carregado, resolveram os aviadores escolher a Baía de Gando para a largada da próxima etapa.

Assim, numa curta 2ª etapa, saíram de Las Palmas no dia 2 de Abril para a Baía de Gando, percorrendo 15 milhas em 21 minutos.
Depois das  necessárias reparações ao «Lusitânia», partiram no dia 5 de Abril para a 3ª etapa no percurso Gando - São Vicente de Cabo Verde, percorrendo 849 milhas em 10h e 43m de voo, à velocidade média de 150 Km/h.

Aí permaneceram até 17 de Abril para beneficiação do aparelho. Nesse dia partiram da Ilha de São Vicente rumo à Ilha de Santiago (Cabo Verde) numa curta 4ª etapa de 170 milhas com a duração de 2h e 15m.
No dia seguinte, a 18 de Abril às 5 horas e 55 minutos, com 255 galões de gasolina e previsão de 12h de voo, partem de Santiago rumo aos Penedos de S. Pedro e S. Paulo (Brasil), iniciando assim a
5ª etapa, onde percorreram 908 milhas em 11h e 20m. À chegada aos Penedos esperava-os o cruzador «República»,  para dar o respectivo apoio. Ao fazerem a aproximação ao barco a crista de uma vaga com cerca de 15m de altura parte um dos flutuadores do «Lusitânia». Recolhidos pelo vaso de guerra, viram perder-se no fundo do mar o «Lusitânia», de pois de se ter partido o 2º flutuador.

Devido ao entusiasmo despertado pela viagem, o Ministro da Marinha, comandante Vítor Hugo de Azevedo Coutinho decidiu prosseguir com a expedição, com a concordância total do Governo. Assim, foi enviado um hidroavião idêntico, o «Pátria», que seguiu a bordo do paquete brasileiro «Bagé», acompanhado pelo tenente aviador Ortins Bettencourt e pessoal mecânico, com destino à Ilha Fernando de Noronha, para onde seguiram, de barco, os aviadores.

Em 11 de Maio iniciam a 6ª etapa. Partem no «Pátria» de regresso aos Penedos a fim de seguirem viagem no ponto onde tinham amarado. Depois de sobrevoar os Penedos para reiniciar a viagem interrompida, foi obrigado a uma amaragem de emergência depois de percorrer 480 milhas em 6h e 34m. Depois de naufragarem durante 9 horas, os aviadores foram resgatados pelo cargueiro inglês «Paris City». Deste último hidroavião, já muito danificado pela ondulação, só se conseguiu salvar o motor.
Seguiu-se um período de espera até 5 de Junho, data em que a bordo do navio «Carvalho Araújo» foi enviado outro Fairey III D, este baptizado de «Santa Cruz».

No dia 5 de Junho iniciam a 7ª etapa, rumo ao Recife, numa distância de 300 milhas e 4h e 32m de voo.
No dia 8 de Junho iniciam a 8ª etapa rumo à Baía, numa distância de 380 milhas e 5h e 30m de voo.
No dia 13 de Junho saem da baía rumo a Porto Seguro para cumprir a 9ª etapa, num total de 212 milhas e 4h e 03m de voo.
No dia 15 de Junho saem de Porto Seguro com destino a Vitória, cumprindo 10ª etapa, num total de 260 milhas e 3h e 40m de voo. 

Imagem 6
     Finalmente, no dia 17 de Junho de 1922 fazem a derradeira 11ª e última etapa, ligando Vitória ao Rio de Janeiro. Depois de percorrerem uma distância de 250 milhas, com 4h e 50m de voo, amararam no Guanabara, em frente da Ilha das Enxadas, onde estavam os hangares da Aviação Marítima Brasileira, às 14 horas e 22 minutos de um dia chuvoso.

A bordo da aeronave, já desamarrados e de pé, Sacadura Cabral e Gago Coutinho içaram uma bandeira do Brasil e deram uma salva de 21 tiros da ordenança, com a pistola de sinais luminosos, alternando entre as cores verde e vermelho.
Naquela tarde o Atlântico deixou de existir, abolindo as fronteiras naturais de água viva e revolta entre Portugal e Brasil.

(De destacar que o Relatório de Gago Coutinho, sobre esta viagem, está registado na Memória do Mundo da UNESCO, como Património da Humanidade, desde 2011).

Fontes:
Imagens 1, 5 e 6: EMFA / AHFA - Estado Maior da Força Aérea / Arquivo Histórico da Força Aérea;
Imagem 2: Blog Centro Cultural Luso Brasileiro
Imagem 3: Blog Fernando Machado
Imagem 4: "História da Força Aérea Portuguesa", de Edgar Pereira da Costa Cardoso, coronel piloto aviador,  volume II, página 125, Edição Cromocolor, 1981.
Texto: Idem, "História da Força Aérea Portuguesa";
          "Aeronaves militares portuguesas no século XX", de Adelino Cardoso, Edição Essencial, 2000;
          Revista "Domingo", edição "Correio da Manhã" número 11.978, de 25 de Março de 2012. 

16 março 2012

Primeira Travessia Aérea Nocturna do Atlântico Sul


Imagem 1

Primeira Travessia Aérea Nocturna do Atlântico Sul


a. Tripulação

  • Piloto: Major Sarmento de Beires;
  • Navegador: Capitão Jorge de Castilho;
  • Mecânico e 2º Piloto: Alferes Manuel Gouveia.
b. Data
  • Noite de 16 para 17 de Março de 1927.
c. Aeronave
  • Hidroavião bimotor Dornier Do J Wal, com dois motores de 450 hp cada, baptizado de «Argos». (Ver  Dados Técnicos da Aeronave ).
d. Tempo de voo
  • Tempo total de 18 horas e 12 minutos, dos quais 13 horas de voo nocturno.
e. Escalas e distância
  • Partida de Bubaque (Guiné) - Chegada à Ilha de Fernando de Noronha (Brasil), numa distância de 2.595 Km.


Viagem total: Alverca - Rio de Janeiro

a. Tripulação

  • Piloto: Major Sarmento de Beires;
  • Co-Piloto: Capitão Dovalle Portugal (ofereceu-se para abandonar a missão em Bubaque, Guiné);
  • Navegador: Capitão Jorge de Castilho;
  • Mecânico: Alferes Manuel Gouveia.
b. Datas
  • Inicial: 2 de Março de 1927 (saída de Alverca);
  • Final: 10 de Abril de 1927 (chegada ao Rio de Janeiro).
c. Aeronave
  • Hidroavião bimotor Dornier Do J Wal, com dois motores de 450 hp cada, baptizado de «Argos». (Ver Dados Técnicos da Aeronave).
d. Tempo de voo
  • Tempo total de 58 horas e 5 minutos.
e. Escalas e Distância
  • Alverca, Casablanca, Vila Cisneros (actual Ad Dakhala, no Sara Ocidental), Bolama, Bubaque, Ilha de Fernando Noronha, Natal, Recife, Baía e Rio de Janeiro, numa distância total de 9.025 Km.

f. Os Aviadores

Major piloto aviador da Aeronáutica Militar, José Manuel Sarmento de Beires


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Nasceu em Lisboa, freguesia da Lapa, a 4 de Setembro de 1892, sendo baptizado na Basílica da Estrela. Seu pai era o major de Artilharia e engenheiro civil José de Beires, que faleceu em 1909, com 52 anos, e a sua mãe a Senhora Dona Maria do Patrocínio de Castro Ferreira Sarmento de Beires, falecida apenas com 26 anos, em 1895, após o nascimento do seu segundo filho, Rodrigo.
Em 1903 ingressou no Colégio Militar, onde tinha o nº 36. Assentou praça como 1º Sargento-cadete em Setembro de 1909, num Regimento do Porto. Foi nesta cidade, durante a sua infância, que viria a conhecer Santos Dumont, o célebre brasileiro conhecido pelo «Pai da Aviação». Como ele próprio diz: "Foi talvez esse o momento decisivo do meu destino. Foi talvez naquele instante que se radicou em mim o anseio de ser piloto-aviador, para um dia, crente, como era já, no futuro da Aviação, poder voar outros continentes e singrar os céus dos oceanos, que os nossos nautas de Quinhentos haviam desvendado". E, na realidade, assim viria a acontecer. 
Depois de frequentar a universidade para obter os preparatórios para engenharia militar, ingressou na Escola de Guerra, onde tirou o curso dessa Arma (1914-1916). Foi promovido a Alferes em 20 de Maio de 1916 e colocado no Batalhão de Pontoneiros, em Tancos. Em 15 de Setembro apresentou-se na Escola de Aeronáutica Militar, em Vila Nova da Rainha, a fim de frequentar o primeiro curso realizado no nosso país para pilotos militares. Em 2 de Outubro desse ano efectua o seu primeiro voo, com o então tenente Santos Leite, num Farman MF4. A 17 de Abril de 1917 recebe o brevet de piloto civil, que tem o nº 2 do Aero Club de Portugal. Em Julho do mesmo ano segue para França, Escola de Aviação Militar de Chartres, onde foi classificado como piloto-aviador militar. Ingressou depois nas escolas de Chateauroux e Avord, a fim de se especializar em aviões de caça, tornando-se um piloto exímio. Regressa a Portugal em Março de 1919 e é colocado no recém criado Grupo de Esquadrilhas de Aviação «República», na Amadora.
Imagem 3 - Beires no seu regresso do
exílio, como Major reformado
Foi o primeiro aviador militar (e civil) a efectuar um voo nocturno em Portugal, em 22 de Janeiro de 1920, durante 1 hora, no campo de aviação da Amadora, sem luz de pista.
Com Brito Pais efectuou a primeira tentativa de viagem Lisboa-Madeira em 1920. Em 1924 efectuou a viagem de Vila Nova de Milfontes a Macau. Foi promovido a Major em 7 de Abril de 1924 e foi comandante do Grupo Independente de Avião de Bombardeamento, em Alverca.
Com esta viagem de Alverca ao Rio de Janeiro, a sua pretensão era realizar a viagem que Gago Coutinho tinha em mente e que não conseguiu realizar: a Volta ao Mundo. Mas as dificuldades surgidas com o hidroavião «Argos», transformou-se na 1ª Travessia Aérea Nocturna do Atlântico.
Por esta viagem, é agraciado com a segunda condecoração da Ordem da Torre e Espada de Valor, Lealdade e Mérito. 
Fiel aos seu ideais democráticos, não podia alhear-se da vida do povo português, submetida a um regime contrário aos seu ideais políticos. Um ano depois desta viagem chefia um movimento revolucionário, de 20 para 21 de Julho de 1928, que seria malogrado à nascença. Conseguiu evadir-se para França, a fim de continuar a luta, e onde esteve a viver durante algum tempo. Este facto levou-o a perder a condição de oficial e o posto de major, sendo igualmente demitido da Aeronáutica Militar.
Imagem 4
Regressou a Portugal para ser um dos elementos preponderantes no movimento de 26 de Agosto de 1931, que teve como alvo o Batalhão de Caçadores nº 7, situado mas imediações do Castelo de S. Jorge, em Lisboa. Mas, mais uma vez, o movimento fracassou. Sarmento de Beires passou a viver na clandestinidade até ser preso e encarcerado na Prisão do Aljube, em 1934. Em Junho desse ano foi julgado e condenado a 7 anos de desterro e perda de todos os direitos cívicos durante 10 anos. Começou assim a sua vida errante. Esteve sucessivamente em Espanha e França, seguindo depois para a Indochina (Hanoi), onde procedeu à montagem de aviões Potez 32 ao serviço do marechal Liu-Siang, governador da província de Sze-Tchouen (China). 
Em Março de 1935 resolveu fixar-se no Brasil, tendo passado por Macau e Moçambique. Passou cerca de 16 anos no Brasil, onde foi jornalista, escritor, tradutor, cronista de guerra em várias estações de rádio durante a Segunda Guerra Mundial, além de outras actividades. Tendo sido amnistiado em 1951, após um exílio que lhe depauperou as forças mas não o seu lúcido espírito nem o seu credo ideológico, regressou a Portugal.
Em 1972, graças ao interesse dos seus camaradas da Força Aérea, o Conselho de Ministros, presidido pelo Prof. Marcelo Caetano, resolve, finalmente, repor o bom nome de Sarmento de Beires, integrando-o no Ramo e promovendo-o a Coronel, por distinção. 
Em Fevereiro de 1973, durante as comemorações do cinquentenário da I Travessia Aérea do Atlântico Sul, já bastante debilitado pela doença, foi homenageado na sua residência, em Vila Nova de Gaia. Conseguiu, contudo, sobreviver para ver o movimento triunfante do 25 de Abril, porque aspirara há cerca de 50 anos! Faleceu no Porto em 8 de Junho de 1974.

Capitão Navegador da Aeronáutica Militar Jorge Vidal de Castilho Barreto e Noronha


Imagem 5 - Jorge de Castilho e
o seu sextante
Nasceu em Lisboa, na freguesia de S. José, a 23 de Maio de 1882. Foi educado no Colégio de Campolide, onde fez a sua aprendizagem liceal. Seguiu depois para a Bélgica, a fim de cursar engenharia, que não chegou a concluir, na Universidade de Louvaina
Regressando a Portugal em 1902, assentou praça como cadete em Cavalaria 2 e depois de tirados os preparatórios na antiga Escola Politécnica de Lisboa, ingressou na Escola do Exército. Em 1906 terminou o curso da Arma de Infantaria, foi promovido a Alferes e foi colocado no Regimento de Infantaria 11, em Setúbal. Posteriormente, é colocado no Regimento de Infantaria 16, em Beja. 
Em Junho de 1908 segue para Moçambique (Lourenço Marques) como ajudante de ordens do Governador Geral, Freire de Andrade. Ainda em Moçambique, passa a trabalhar na Missão de Fronteiras, chefiado pelo então Comandante Gago Coutinho. O destino aproxima estes dois heróis, para depois os celebrizar como navegadores aéreos na mesma rota do Brasil. Ao trabalhar com Gago Coutinho, Castilho utilizou o teodolito e familiarizou-se com o sextante
Regressando a Portugal em 1909, foi colocado no RI 20, em Guimarães. Em Maio de 1910 foi nomeado governador do distrito de Damão, Estado da Índia, de onde regressou, já no posto de Tenente, em Abril de 1914. 
Entretanto, havia sido implantada a República no nosso país, e tal facto levou Jorge de Castilho, como monárquico convicto, a passar à situação de licença ilimitada e domiciliar-se no Brasil, onde se dedicou ao ensino, no Rio de Janeiro. Quando rebentou a guerra com a Alemanha, apresentou-se ao serviço e foi colocado no RI 16. Em Junho de 1916 seguiu para Moçambique, fazendo parte de companhias expedicionárias. Foi promovido a Capitão em Setembro de 1916 e regressou a Lisboa em Dezembro de 1917, para seguir no início de 1918 para França, incorporado no C.E.P., onde permaneceu até Maio de 1919. Aí conquistou a Cruz de Guerra. De regresso ao continente, foi-lhe concedida novamente licença ilimitada, para fazer parte da Comissão de Cartografia do Ministério das Colónias, e assim o encontramos em Huambo, integrado no grupo de Esquadrilhas de Aviação do Huambo (Nova Lisboa).
Em 1920, Jorge de Castilho passa a dirigir a revista «O Automóvel», onde os seus conhecimentos sobre motores e electricidade lhe permitem escrever interessantes artigos da maior utilidade para os automobilistas. Paralelamente, começa a tratar de temas aeronáuticos, escrevendo artigos sobre a 1ª tentativa da viagem aérea à Madeira, levada a efeito em Outubro de 1920 por Brito Pais e Sarmento de Beires. Resolve, a título particular, frequentar o curso de observador aéreo na Escola Militar de Aviação, em Sintra, visto só ingressar oficialmente na Arma de Aeronáutica, no posto de major, em 1928, depois da viagem do «Argos», que o torna conhecido mundialmente no meio aeronáutico, como navegador de classe comprovada.
A partir de 1926 começa a efectuar vários voos com o objectivo de ensaiar os métodos e os instrumentos criados pelos portugueses para a navegação aérea sobre o mar. Assim, no dia 8 de Março de 1926, dois Vickers Napier (em patrulha) pilotados por Sarmento de Beires e Pais de Ramos, e levando Jorge de Castilho e o mecânico Manuel Gouveia, vão da Amadora a Marrocos (Casablanca) e regressam. Castilho passa a ser o discípulo aplicado de Gago Coutinho, na utilização do seu sextante, no qual iria introduzir melhorias para a viagem à volta do Mundo, para que fora convidado por Sarmento de Beires, como navegador do «Argos».
As alterações que Castilho introduziu no sextante foram feitas pela casa Hughes, de Londres, e consistiram:

  1.  Na utilização do sextante para a mão esquerda, libertando deste modo a mão direita, o que permitia a anotação imediata das alturas e da hora. Esta inovação garantia um melhor rendimento do trabalho, uma vez que eliminava o recurso à memória;
  2. Uma luneta especial para observação das estrelas, absolutamente necessária, uma vez que a travessia atlântica se faria de noite;
  3. Modificação do passo do parafuso de ajustamento, por forma a simplificar a operação, uma vez que a pesquisa dos astros e o referido ajustamento se passou a fazer com um mesmo e único parafuso. Imaginou igualmente um transferidor especial para o traçado de rectas de altura.
Salientam-se estes pormenores por serem pouco conhecidos ou divulgados, e para que não se fique com a ideia errada que em Portugal só o eminente almirante Gago Coutinho, o inventor do processo científico, era o único capaz de voar utilizando o sextante.
No seu relatório da viagem do «Argos», Jorge de Castilho escreveu: «Os cálculos a bordo foram feitos segundo processos tão simples e intuitivos, e tão dignos de fé que, muito possivelmente, dispositivos semelhantes serão adoptados por outros aviadores em outras viagens, e bom seria que ficasse bem assente que, na noite de 16 para 17 de Março de 1927, um oficial português, tripulando um avião da aviação militar portuguesa, servindo-se de um sextante, também português, os empregou antes de qualquer aviador de qualquer país, e assim possa na realidade, mais tarde, ao fazer-se a história dos pioneiros da navegação aérea, registar-se aos portugueses as honras de iniciadores a que têm direito, sem a mínima discussão».
Durante a travessia nocturna do Atlântico, Castilho efectuou 28 observações, utilizando 158 rectas de altura, a saber: 12 de estrelas, 2 de planetas, 7 da Lua sobre o horizonte artificial de nível e 7 do Sol, sobre o horizonte visual.
Depois desta viagem, Castilho e os sues companheiros foram condecorados com o colar da Ordem Militar da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito. Em Janeiro de 1928 é promovido a Major e, porque era um geógrafo distinto, foi novamente nomeado para uma comissão de delimitação de fronteiras para Angola. 
Em Setembro de 1929 é promovido a Tenente-coronel. Em 1932 passa para Moçambique, mas já como chefe da Missão de Revisão de Fronteiras. Em Janeiro de 1937 é promovido a Coronel e nomeado chefe dos Serviços Meteorológicos do Exército, passando à situação de Reserva em Setembro de 1943. 
Mais tarde, depois do início da II Guerra Mundial, Castilho segue para Timor, como chefe da Missão Geográfica e Geológica naquela colónia distante.
Quando os japoneses ocupam Timor, Castilho é vítima de atrocidades e, gravemente doente, é evacuado para a Austrália, falecendo em Sidney em Fevereiro de 1943, longe da Pátria.

Alferes mecânico e piloto aviador da Aeronáutica Militar Manuel António Gouveia


Imagem 6
Nasceu no Porto, a 4 de Fevereiro de 1890. Assentou praça em 1912 na Companhia de Caminhos de Ferro, na Cova da Moura, aos 22 anos. 
Em 1917 foi mobilizado para França, com o Corpo Expedicionário Português. Foi aí que recebeu o convite do então capitão piloto aviador Norberto de Guimarães, que dirigia os serviços de aviação, para ingressar na Aeronáutica Militar. Frequentou a Escola de Mecânicos de Saint Cyr e as oficinas Gnome-Rhone, passando, finalmente, para a fábrica de aviões Hispano-Suisse, em França. Foi convidado para fazer parte de uma equipa para adquirir material, em França, para a nova unidade Grupo de Esquadrilhas de Aviação «República» (GEAR), na Amadora. 
Regressou a Portugal em Dezembro de 1919 e foi chefe dos mecânicos da Esquadrilha SPAD, na Amadora. Mais tarde foi convidado por Brito Pais e Sarmento de Beires a fazer parte da inesquecível viagem a Macau. Terminada esta viagem, Manuel Gouveia foi justamente promovido a Alferes, o que até então era proibitivo para os mecânicos. Em 1926, aproveitando o facto de ter sido promovido, tirou o curso de pilotagem na Amadora. Em 1927, aquando da viagem do «Argos» ao Brasil, Gouveia já era, além de mecânico, também 2º piloto. 
Mostrando uma coragem excepcional, durante a travessia nocturna chegou a reparar um dos motores em pleno voo, durante a noite, sobre o Atlântico. 
Posteriormente, participou no cruzeiro aéreo às Colónias em 1935, e foi graduado no posto de Tenente no mesmo ano, recebendo novamente a Torre e Espada. 
Terminou a sua carreira militar quando se encontrava na Base Aérea nº 1, na Granja do Marquês, Sintra, onde exerceu, com grande competência técnica, o cargo de director do curso de mecânicos, desde 1937 a 1946. Aquando da sua despedida do serviço activo, por não poder ser promovido a capitão em virtude de uma orgânica obsoleta (que ainda hoje vigora - palavras do autor do blog), teve a honra de ser homenageado pelas figuras mais gradas da Aviação Militar e Naval, numa cerimónia presidida pelo sábio almirante Gago Coutinho.
Fora da carreira militar ainda serviu como director de mecânicos na Companhia de Transportes Aéreos. Mais tarde, depois de criado o monopólio dos TAP, entrou para a companhia Aerolineas Argentinas, onde se manteve até 1959. Faleceu em 1966.


g. A viagem:



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Em 1927 a Aeronáutica Militar (AM) adquiriu um Dornier Do J Wal à CMASA, que viria a ser o único hidroavião desta Arma
A aquisição teve em vista a realização da Primeira Travessia Aérea Nocturna do Atlântico Sul, um empreendimento que inicialmente envolveu aviadores da Aviação Naval (A.N.) e AM. O mentor do projecto foi Sarmento de Beires. Sendo oficial piloto aviador da AM, a sua experiência de voo baseava-se em aviões terrestres. Face à utilização de um hidroavião, convidou o Comandante José Cabral, Oficial piloto da A.N., conhecedor das técnicas de pilotagem de hidroaviões.
A viagem não pôde ser iniciada em 15 de Janeiro de 1927, conforme estava previsto, por serem forçados a aguardar por algumas peças sobressalentes enviadas de Itália. Esta demora teve consequências desastrosas. Na noite de 15 para 16 de Janeiro a região de Lisboa foi assolada por um violento temporal. O hidroavião, que estava ancorado no Rio Tejo, soltou-se das amarras e embateu em obstáculos, sofrendo sérios danos nas asas e nos lemes. Foi reparado no então Parque, hoje Oficinas Gerais de Material Aeronáutico (OGMA), em Alverca, trabalho que se prolongou até ao fim do mês de Fevereiro seguinte.
Nas vésperas da data indicada para a partida, o Comandante José Cabral é nomeado para comandar o Centro de Aviação Naval de Macau, impossibilitando-o de participar na aventura da Travessia. Segundo um historiador «há movimentos de pessoal que a simples razão não pode explicar». Este contratempo foi parcialmente contornado com a integração na tripulação, do piloto da AM, Dovalle Portugal.
Imagem 8 - Baptismo do «Argos» em Alverca
No dia 2 de Março de 1927, o Dornier Do J Wal, baptizado de «Argos», partiu de Alverca rumo ao Brasil. Além dos pilotos Sarmento de Beires e Dovalle Portugal, a tripulação era constituída também pelo navegador Jorge de Castilho, a quem se deveu boa parte do êxito da viagem, e o mecânico Manuel Gouveia. Depois das escalas em Casablanca, Vila Cisneros, Bolama e Bubaque, surgiram problemas técnicos relacionados com o consumo de combustível, impondo-se a necessidade de transportar maior quantidade. Assim, Dovalle Portugal ofereceu-se para abandonar a tripulação, para compensar o aumento do peso do combustível.
Os restantes tripulantes empreenderam a longa viagem de Bubaque (Guiné) à Ilha de Fernando Noronha na noite de 16 para 17 de Março de 1927, levando a cabo a Primeira Travessia Aérea Nocturna do Atlântico Sul, com os imprescindíveis cálculos de Jorge de Castilho.
Após 18h e 12m de voo e percorridos 2.595 km, o «Argos» amarou na Baía de Santo António, na ilha de Fernando Noronha. 

A viagem continuou, e depois de escalarem Natal, Recife e Baía, o «Argos» amarou no Rio de Janeiro em 10 de Abril de 1927, depois de percorrer um total de 9.025 Km em 58h 05m (trajecto Lisboa-Rio de Janeiro). Estas últimas etapas foram sobretudo momentos de consagração, honrando o notável feito do voo nocturno de 16 para 17 de Março entre a Guiné e a Ilha de Fernando Noronha.


Imagem 9 - O Dornier Do J Wal «Argos»

No dia 1 de Junho de 1927 iniciaram o regresso a Lisboa, planeando escalar a Terra Nova e os Açores. Após as escalas em Ilhéus, Natal e Belém, de onde descolaram no dia 7 de Junho, um rombo numa asa ocorrido em pleno voo, obrigou a uma amaragem de emergência. Depois de reparado em pleno mar, fracturou um dos flutuadores na descolagem, provocando o naufrágio e a perda do «Argos». A tripulação foi salva seis horas depois por uma embarcação de pesca.
Não se dispõe de elementos fiáveis sobre a pintura do «Argos». As fotos da época mostram que ostentavam nas asas a Cruz de Cristo sobre círculo branco, a bandeira nacional, com escudo, no leme de direcção, bem como o nome de baptismo - «Argos» - em letras brancas nos lados da secção do nariz.

Fontes:
Fotos: 
- Imagem 7: FAP / AHFA - Força Aérea Portuguesa / Arquivo Histórico da Força Aérea;
- Imagens 1, 2, 3, 4, 5, 6, 8 e 9: "História da Força Aérea Portuguesa", Volume II - Edgar Pereira da Costa Cardoso, Coronel Piloto Aviador - Edição Cromocolor, Ldª, Lisboa, 1981.
Texto: 
- "História da Força Aérea Portuguesa", Volume II - Edgar Pereira da Costa Cardoso, Coronel Piloto Aviador - Edição Cromocolor, Ldª, Lisboa, 1981; 
- "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.