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02 outubro 2016

Malta

Repubblika ta' Malta
Republic of Malta
República de Malta


Bandeira
Brasão de Armas









































Localização:
Europa, Europa Ocidental, Europa Meridional.
Micro-estado, Nação Transcontinental.



Origem / Pequeno resumo histórico:
Etimologia - A origem do termo "Malta" é incerta, e a variação moderna deriva do próprio maltês. A razão etimológica mais comum deriva da palavra grega μέλι (meli). Os gregos chamavam a de ilha Μελίτη (Melitē), que significa "mel doce", possivelmente devido à produção exclusiva de mel em Malta, por uma espécie endémica de abelha que vive na ilha, dando-lhe o apelido popular de "terra do mel". Os romanos chamaram-lhe ilha Melita. Outra etimologia é que a palavra venha do fenício Maleth, que significa "paraíso", em referência às muitas baías enseadas de Malta.

A Ilha de Cominotto e a sua Lagoa Azul


História - Malta é habitada, aproximadamente, desde 5200 a.C.. O país é composto por 11 ilhas e ilhotas, algumas sem população. Os primeiros achados arqueológicos datam aproximadamente de 3800 a.C. Existiu nas ilhas uma civilização pré-histórica significativa antes da chegada dos fenícios, que baptizaram a ilha principal de Malat, que significa "refúgio seguro". 
A ilha de Malta, assim como outras ilhas do Mediterrâneo, possui uma história rica, passando por muitas invasões e domínios desde a pré-história até à idade contemporânea.
Ao longo da sua história, a localização de Malta proporcionou grande importância estratégica a uma sucessão de potências, incluindo fenícios, gregos, romanos, árabes, normandos, aragoneses, Espanha dos Habsburgos, Cavaleiros de São João, franceses e britânicos. Malta ganhou a sua independência do Reino Unido em 1964 e tornou-se uma república em 1974, mantendo a sua associação na Commonwealth.



Ilhota de Filfla

Cultura:
A cultura de Malta reflecte as influências variadas das várias culturas que a dominaram até 1964, particularmente da Itália e do Reino Unido.
Na catedral de São João, construída em 1577, pode apreciar-se a tela "A Decapitação de São João", de Caravaggio, que viveu alguns meses na ilha, sendo expulso sob a acusação de homicídio.
Na sede do Governo, localizado no antigo Palácio do Grão-Mestre do Armoria, podem-se apreciar mais de 5 mil quadros da Ordem Soberana e Militar de Malta. Na capital, Valeta, localiza-se o Museu de Belas Artes, o Museu de Arqueologia, o Forte de Santo Elmo e o Museu da Inquisição.
O Museu Marítimo e o Museu do Grande Sítio, de 1565, revelam o passado turbulento das pequenas ilhas. O Museu Nacional da Guerra e do Refúgio apresenta passagens e recordações da Segunda Guerra Mundial.
Literatura - Calcula-se que a literatura maltesa tenha quase dois séculos de existência. Durante um longo período a literatura maltesa teve grande tradição, atingindo o seu apogeu com os trabalhos do sacerdote Dun Karm Psaila, um artista com grande domínio na sua arte, que mais tarde foi declarado poeta nacional.
Gastronomia - A cozinha maltesa nasceu da relação de longo prazo entre malteses e espanhóis, que governaram o arquipélago. A fusão de sabores deu à cozinha de Malta um sabor distinto dentro da cozinha mediterrânica. Embora tenha muitos pratos originais, muitas receitas também possuem uma forte influência da culinária italiana (especialmente da Sicília) e turca. Alguns pratos típicamete malteses são o biz-fiir zejt, gbejniet pastizzi e Ross il-Forn.



Praia na Ilha de Gozo


Principais recursos naturais:
Calcário e sal.


Datas comemorativas:
Dia da Liberdade31 de Março – Celebra-se o aniversário da retirada do Exército e da Marinha Real britânica de Malta, em 1979;



Dia Nacional 21 de Setembro – Celebra a data da independência, do Reino Unido, em 1964;



Dia da República13 de Dezembro – Celebra a data em que a Constituição de Malta foi alterada, transformando a antiga colónia britânica numa república dentro da Commonwealth.

Símbolos nacionais:
Bandeira Nacional;
Brasão de Armas;
Hino NacionalL-Innu Malti;
Insígnia da Força Aérea de Malta.

Insígnia da Força Aérea de Malta


Capital:                                                           Língua oficial:
Valeta                                                              Maltês e Inglês


Imagens de Valeta, capital de Malta


Moeda oficial:                                                 Tipo de Governo:
Euro (EUR)                                                       República parlamentarista


Data de admissão como membro da ONU (Organização das Nações Unidas):
1 de Dezembro de 1964


Data de admissão como membro da União Europeia (EU):
1 de Maio de 2004


Data de admissão na União Monetária Europeia (Zona Euro):
1 de Janeiro de 2008


Organizações / Relações internacionais:
  • ONU – Organização das Nações Unidas;
  • EU – União Europeia;
  • AG – Grupo Austrália;
  • AOSIS – Aliança dos Pequenos Estados Insulares;
  • APCE – Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa;
  • CoE – Conselho da Europa;
  • COI – Comité Olímpico Internacional;
  • Commonwealth of Nations – Comunidade de Nações;
  • ICDO – Organização Internacional de Protecção Civil (membro observador);
  • ICO – Organização Internacional do Café;
  • INTERPOL – Organização Internacional de Polícia Criminal;
  • IPU – União Inter-Parlamentar;
  • IRENA – Agência Internacional para as Energias Renováveis;
  • IRU – União Internacional de Transportes Rodoviários;
  • MIGA – Agência Multilateral de Garantia de Investimentos;
  • MNA – Movimento dos Países Não-Alinhados;
  • OIM – Organização Internacional para as Migrações;
  • OIV – Organização Internacional da Vinha e do Vinho;
  • OMC – Organização Mundial do Comércio;
  • OPCW – Organização para a Proibição de Armas Químicas;
  • OSCE – Organização para a Segurança e Cooperação na Europa;
  • PCA – Tribunal Permanente de Arbitragem;
  • PSIWMD – Iniciativa de Segurança contra a Proliferação de Armas de Destruição Maciça;
  • RAMSAR – Convenção sobre as Zonas Húmidas de Importância Internacional;
  • TPI – Tribunal Penal Internacional;
  • UME – União Monetária Europeia;
  • UPM – União para o Mediterrâneo;
  • WCO – Organização Mundial das Alfândegas;
  • WIPO – Organização Mundial da Propriedade Intelectual.


Património Mundial (UNESCO):
  • Hipogeu de Hal Saflieni (1980) - É o único templo subterrâneo pré-histórico conhecido. Foi escavado cerca de 2500 a.C., tendo como primeira finalidade a de servir de santuário. Mais tarde serviu como necrópole.

Câmara do santuário do Hipogeu de Hal Saflieni (UNESCO)


  • Templos Megalíticos de Malta (1980, 1992) - Os Templos Megalíticos de Malta são um vasto conjunto de templos espalhados por todo o país num total de 23, construídos em distintos períodos de tempo, entre 3600 a.C. e 700 a.C.


Templo megalítico de Buġibba (UNESCO)


  • Cidade antiga de Valeta (1980).

Cidade antiga de Valeta (UNESCO)


Fonte:
Wikipedia, a enciclopédia livre

02 julho 2016

Malásia

Malaysia
Malásia



Bandeira

Brasão de Armas




















Localização:
Ásia, Sudeste Asiático, Península da Malásia.
Nação Transcontinental; País Mega-diverso (faz parte do conjunto de países que albergam o maior índice de biodiversidade do planeta).

Tigre malaio, espécie protegida e em perigo, existente somente na Malásia e Tailândia.
Faz parte do Brasão de Armas do país


Origem / Pequeno resumo histórico:
Etimologia O nome Malásia é uma combinação da palavra "malaio" e do sufixo greco-latino "-σία/-sia". A palavra melayu, do idioma malaio, pode derivar das palavras em tâmil malai e ur, que significam "montanha" e "cidade, terra", respectivamente. Malayadvipa era a palavra usada por comerciantes indianos antigos para se referir à península malaia. Além dessa hipóteses, a palavra melayu (ou mlayu) pode ter sido usada no antigo malaio/javanês para se referir a "acelerar ou correr de forma constante". Este termo foi criado para descrever a forte correnteza do Rio Melayu, em Sumatra. Mais tarde, possivelmente, o nome foi adoptado pelo Reino Melayu, que existiu no Século VII, em Sumatra.

História – A história da Malásia é condicionada pela posição estratégica do país no estreito de Malaca, entre os oceanos Índico e Pacífico. Tal localização atraiu comerciantes e conquistadores desde o Século VII - de início, siameses de Funan, indonésios de Srivijaya e Majapahit, muçulmanos de Malabar, da Pérsia e da Arábia; posteriormente, portugueses, no Século XVI, holandeses, no Século XVII, e britânicos, no Século XVIII.
Os portugueses, comandados por Afonso de Albuquerque, conquistaram Malaca em 1511, erguendo  ali uma igreja e uma fortaleza (a "Famosa"), formando assim a colónia de Malaca Portuguesa. São Francisco Xavier pregou ali, e Tomé Pires registou a vida local na sua "Suma oriental".

Porta de Santiago da Fortaleza de Malaca ou "A Famosa", forte português do Séc. XVI
(foto de Scumgrief78)

Em 1641, Malaca foi tomada pelos holandeses. Começou então uma rivalidade comercial entre Malaca, Achém, Johor, Celebes e Riau.
Em 1786 os britânicos estabeleceram uma base em Penang, tomando Malaca em 1795 e fundando Singapura em 1819.
Entre 1942 e 1945, durante a Segunda Guerra Mundial, a região esteve sob o controlo do Japão, que devolveu à Tailândia os quatro estados setentrionais ("não-federados"). Em 1946, após o fim do conflito, os Estabelecimentos dos Estreitos foram dissolvidos e criou-se uma federação de nove Estados malaios os quais, juntamente com Malaca e Penang, receberam o nome de União Malaia, com governo e administração únicos, controlados pelos britânicos. Em 31 de Agosto de 1957 o Reino Unido concedeu a independência à Federação da Malaia, dentro da Commonwealth.
Desde a década de 1960 que a Malásia procura manter um delicado equilíbrio etno-político entre malaios e chineses, por meio de um sistema de governo que combina desenvolvimento económico e políticas que promovem a participação de todas as etnias.
Entre os anos de 1980 e 1990, a Malásia cresceu a altas taxas e sua economia deixou de ser baseada na agricultura para se industrializar em diversas áreas, principalmente na informática e produtos electrónicos. 



Torres Petronas em Kuala Lumpur, as maiores torres gémeas do mundo,
sede da companhia nacional de petróleo, a "Petronas".



Cultura:
A Malásia tem uma sociedade multi-étnica, multi-cultural e multilingue. A cultura original da área resultou de tribos nativas que habitavam o território junto com os malaios. Influência substancial existe das culturas chinesa e indiana, que remonta a quando o comércio exterior começou na região. Outras influências culturais incluem a persa, a árabe e a britânica. Devido à estrutura do governo, juntamente com a teoria do contrato social, tem havido assimilação cultural mínima das minorias étnicas.

Belas Artes A artes tradicionais da Malásia centram-se principalmente nas áreas de tecelagem e ourivesaria. Estas artes variam de região para região, de cestas artesanais em áreas rurais, para a prataria, presente nos tribunais malaios. Obras de arte comuns incluem elementos ornamentais, tais como o kris e artefactos produzidos com noz de areca, além de tecidos como o batik e o songket. Indígenas do leste do país são conhecidos por suas máscaras de madeira. Cada grupo étnico tem artes distintas umas das outras, com pouca sobreposição entre elas. No entanto, a arte malaia mostra alguma influência do norte da Índia, devido à influência histórica daquela sobre a região. Outras formas artísticas incluem o wayang kulit (fantoches de sombras), o silat (uma arte marcial estilizada) e artesanato como o batik, a tecelagem, e trabalhos em prata e latão.

Artesão malaio executa o batik, técnica de tingimento em tecido artesanal,
sendo geralmente usado em estampas florais.


Música e Dança – A música tradicional malaia é fortemente influenciada por formas chinesas e islâmicas. A música baseia-se grandemente no gendang (tambor), mas inclui instrumentos de percussão (alguns feitos de conchas), o rebab (um instrumento de cordas com arco), o serunai (um instrumento de dupla palheta, semelhante a um oboé), flautas e trombetas. O país tem uma forte tradição de dança e de tambores de dança, algumas de origem tailandesa, indiana e portuguesa.

Culinária – A culinária da Malásia é influenciada por vários culturas de todo o mundo. A população da Malásia é composta de três etnias principais, malaios, chineses e indianos, com uma série de outros grupos étnicos. Como resultado das migrações históricas e da vantagem geográfica, o estilo de culinária da Malásia é uma mistura das culinárias malaia, chinesa, indiana, tailandesa e árabe, para citar apenas algumas. Um prato popular baseado no arroz é o nasi lemak, consistindo de arroz cozido com leite de coco, e servido com anchovas fritas, amendoim, pepino fatiado, ovos cozidos e uma pasta de malagueta picante conhecida como sambal. Para uma refeição mais substancial, o nasi também pode ser servido com uma variedade de molhos, ou um guisado de carne picante chamado rendang. De origem malaia, o nasi lemak é muitas vezes chamado o prato nacional.

Nasi lemak, um dos pratos mais tradicionais da Malásia


Desporto Os desportos mais populares na Malásia são o futebol, o badminton, o hóquei em campo, os lawn bowls, ténis, o squash, as artes marciais, o hipismo e desportos náuticos. O futebol é o desporto mais praticado e o país está actualmente estudando a possibilidade de licitação como um anfitrião para a Copa do Mundo FIFA de 2034. O país compete nos Jogos da Commonwealth desde 1950 como "Malaya" e, a partir de 1966, como "Malásia". A cidade de Kuala Lumpur foi a sede dos jogos de 1998.



Principais recursos naturais:
Gás natural, petróleo, estanho e madeira.


Datas comemorativas:
Dia Nacional (Hari Merdeka) – 31 de Agosto – Comemora a data da independência, do Reino Unido, em 1957.




Símbolos nacionais:
Bandeira Nacional;
Brasão de Armas;
Hino NacionalNegaraku ou Negara Ku - ("Meu País");
Insígnia da Força Aérea Real da Malásia.

Insígnia da Força Aérea Real da Malásia


Lema:
"Bersekutu Bertambah Mutu" – ("A unidade é a força").


Capital:                                                             Línguas oficiais:
Kuala Lumpur                                                 Malaio e inglês


Imagem de Kuala Lumpur, capital da Malásia


Moeda oficial: 
Ringgit (MYR)


Tipo de Governo:
Democracia Parlamentar Federal ao abrigo de uma Monarquia Constitucional Federal Electiva.


Data de admissão como membro da ONU (Organização das Nações Unidas):
17 de Setembro de 1957


Organizações / Relações internacionais:
  • ONU – Organização das Nações Unidas;
  • APEC – Cooperação Económica Ásia-Pacífico;
  • ASEAN – Associação de Nações do Sudeste Asiático;
  • ACFTA – Área Livre de Comércio entre a Associação de Nações do Sudeste Asiático e a China;
  • BIRD – Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento;
  • BasD – Banco Asiático de Desenvolvimento;
  • COI – Comité Olímpico Internacional;
  • Commonwealth of Nations – Comunidade de Nações;
  • FMI – Fundo Monetário Internacional;
  • Grupo dos 77 – Nações em desenvolvimento;
  • ICDO – Organização Internacional de Protecção Civil;
  • INTERPOL – Organização Internacional de Polícia Criminal;
  • IPU – União Inter-Parlamentar;
  • IRENA – Agência Internacional para as Energias Renováveis;
  • IUCN – União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais;
  • MIGA – Agência Multilateral de Garantia de Investimentos;
  • MNA – Movimento dos Países Não-Alinhados;
  • OCI – Organização para a Cooperação Islâmica;
  • OMC – Organização Mundial do Comércio;
  • PCA Tribunal Permanente de Arbitragem;
  • PSIWMD Iniciativa de Segurança contra a Proliferação de Armas de Destruição Maciça;
  • RAMSAR Convenção sobre as Zonas Húmidas de Importância Internacional;
  • UIC – União Internacional dos Caminhos-de-Ferro;
  • WCO – Organização Mundial das Alfândegas;
  • WIPO – Organização Mundial da Propriedade Intelectual.

Flor da espécie Rfflesia arnoldii, a maior do mundo. Pode atingir
os 106 cm de diâmetro e pesar até 11 Kg.


Património Mundial (UNESCO):
  • Parque de Kinabalu (2000);
  • Parque Nacional de Gunung Mulu (2000);
Pináculos de calcário do monte Api, no Parque Nacional de  Gunung Mulu (UNESCO)

  • Malaca e George Town, as cidades históricas do Estreito de Malaca (2008);
  • Património Arqueológico do Vale de Lenggong (2012).



Património Cultural e Imaterial da Humanidade (UNESCO):
Teatro de Mak Yong (2008) – Forma antiga de teatro criada pela comunidade malaia da Malásia. Combina interpretação, música vocal e instrumental, gestos e trajes sofisticados. Característico dos povos de Kelantan, no noroeste da Malásia, onde tem origem esta tradição, o Mak Yong é representado principalmente como uma diversão ou com fins rituais relacionados com práticas curativas.


Fonte:
Wikipedia, a enciclopédia livre.

29 abril 2015

Islândia

Ísland

Islândia


Bandeira


Brasão de Armas

























Localização da Islândia na Europa
















Localização:
Europa, Europa Setentrional, Europa Ocidental, Escandinávia, Nação transcontinental.


Origem / Pequeno resumo histórico:
     Uma das teorias sobre a origem do actual povoamento do território islandês afirma que os primeiros habitantes desta ilha chegaram por volta do Século IX d.C., eram membros de uma missão de monges eremitas, também conhecidos como papar, provenientes da Escócia e da República da Irlanda, embora não existam sítios arqueológicos que comprovem essas hipóteses.
     Presume-se que os monges abandonaram a ilha com a chegada dos escandinavos, que se fixaram no período compreendido entre os anos 870 e 930. Um artigo da publicação Skirnir, onde são mostrados os resultados de investigações realizadas com radio-carbono, afirma que o país foi habitado desde a segunda metade do Século VII d.C..

Pintura representando Ingólfur Arnarson quando estabeleceu
a cidade de Reiquiavique (870). (Pintura de Johan Peter Raadsig, 1850)

     O primeiro colono nórdico permanente foi Ingólfur Arnarson, que construiu uma granja na zona da actual capital, Reiquiavique, no ano 870. Ingólfur foi seguido por muitos outros colonos imigrantes, a maior parte deles nórdicos, com escravos vindos da Irlanda. Em 930, a maior parte do terreno islandês cultivável já tinha sido ocupado. Com isso, foi fundado o Althing, um parlamento legislativo e judicial, como centro político da Comunidade Islandesa. Por volta do ano 1000, o cristianismo foi adoptado na Islândia. A comunidade islandesa permaneceu até 1262, quando o sistema político idealizado pelos colonos originais se tornou incapaz de enfrentar o poder crescente dos caciques islandeses.
     As lutas internas e civis da Era de Sturlungaöld levaram o país a assinar o Pacto Antigo em 1262, tratado que colocou a Islândia sob o domínio da Coroa Norueguesa. A posse da Islândia passou para o Reino da Dinamarca e Noruega até finais do Século XIV, quando os reinos da Noruega, Dinamarca e Suécia se uniram, formando a União de Kalmar. Nos séculos posteriores, a Islândia passou a ser um dos países mais pobres da Europa. Os solos estéreis, as erupções vulcânicas e o tipo de clima tornaram a vida da sociedade mais difícil, cuja subsistência era quase totalmente dependente da agricultura. A peste negra afectou quase toda a população entre 1402 e 1404 e novamente entre 1494 e 1495, matando cerca de metade dos habitantes.
     Em meados do Século XVI, Cristiano III da Dinamarca e Noruega começou a impor o luteranismo a todos os seus súbditos. O último bispo católico do país (antes de 1968) foi Jon Arason, decapitado em 1550 juntamente com seus filhos. Posteriormente, quase toda a população islandesa aderiu ao luteranismo, que desde então é a religião predominante.
     Nos Séculos XVII e XVIII, a Dinamarca impôs à Islândia uma série de restrições ao comércio, enquanto piratas ingleses, espanhóis e argelinos invadiam a sua costa. Uma epidemia de varíola registada no Século XVIII causou a morte de, aproximadamente, um terço da população. Em 1783, a erupção do vulcão Laki teve efeitos devastadores. Nos anos seguintes à erupção, época conhecida como Aflição na névoa (em islandês: Móðuharðindin), mais da metade das espécies de animais no país morreram e mais de um quarto da população morreu de fome.
     Em 1874, a Dinamarca concedeu à Islândia uma constituição e um governo limitado, expandido em 1904.
     O Acto de União, acordo firmado com a Dinamarca em 1 de Dezembro de 1918 e válido durante 25 anos, concedeu à Islândia o total reconhecimento como um Estado soberano, numa união pessoal com o Rei da Dinamarca. Isso significava que o rei exercia a mesma função tratando-se de assuntos internacionais, mas essa união terminaria após 25 anos.
     Durante a Segunda Guerra Mundial, a Islândia uniu-se à Dinamarca mantendo a sua postura neutra. Entretanto, após a ocupação alemã da Dinamarca em 9 de Abril de 1940, o parlamento decidiu que a Islândia deveria assumir os poderes do rei dinamarquês e substituí-lo por um regente. Declarou que que seria feita a implantação da política externa independente, além de outras questões previamente agendadas pela Dinamarca à petição islandesa. Um mês mais tarde as Forças Armadas do Reino Unido invadiram a Islândia, violando sua neutralidade. Em 1941, o país passou a ser dominado pelos Estados Unidos, para que o Reino Unido pudesse implantar as suas tropas noutros locais.
     Em 31 de Dezembro de 1943 o Acto de União expirou, após 25 anos. A partir de 20 de Maio de 1944, os islandeses votaram num referendo de quatro dias para determinar o futuro da união pessoal com o Rei da Dinamarca e a possível implantação de uma república. No resultado, 97% dos votos puseram fim a essa união e 95% votaram a favor de uma nova constituição republicana.
     Finalmente, a Islândia converteu-se numa República em 20 de Junho de 1944, tendo Sveinn Björnsson como primeiro presidente.

Típicos telhados coloridos de Reiquiavique

Cultura:
     A cultura da Islândia possui as suas raízes nas tradições nórdicas e a sua literatura é reconhecida principalmente por suas sagas e eddas, que foram escritas durante a Idade Média.

Arquitectura - A arquitectura islandesa foi historicamente influenciada pela cultura escandinava e pela falta de árvores no território. Por isso, as primeiras casas feitas no país eram cobertas externamente com erva ou turfa. Influenciadas pela cultura viking, as casas de turfa islandesas tinham um formato alongado, feitas com estrutura de madeira e depois cobertas com material vegetal. Com o tempo, novos modelos desse tipo de construção foram surgindo, como a introdução de gabletes na frente das casas, graças à influência dinamarquesa, além da construção de alpendres na frente das construções. Hoje em dia esse tipo de construção já não é executada, e as casas que ainda existem são, na maioria das vezes, abertas ao público como se fossem museus.

Tradicionais casas de turfa islandesas (foto de Stefan Schafft)

     A partir do Século XX, o estilo dos chalés suíços chegou indirectamente ao país, por meio da influência norueguesa, trazendo um modelo diferente, com janelas mais largas e construções maiores. Nesse período ainda foi proibido o uso de madeira nas construções das cidades, por causas dos grandes incêndios que atingiram a capital do país nessa época. Então, com os movimentos de independência, a chegada da utilização de concreto e a crescente urbanização, houve uma mudança significativa no rumo da arquitectura do país, com a construção de prédios maiores e mais elaborados, como a Igreja de Hallgrímskirkja.
     Nos anos recentes, muitos projectos em grande escala surgiram por todo o país, com a construção de grandes arranha-céus, que contrastam com as construções antigas que ainda existem, além de outros projectos como a Sala de Concertos de Reiquiavique.

Literatura – A literatura islandesa começou a ser criada pelos habitantes a partir do Século IX, com as primeiras povoações. Como a língua islandesa e a norueguesa nos tempos medievais eram a mesma, as obras produzidas no país são incluídas na literatura medieval da Escandinávia. As obras mais famosas neste período são as sagas medievais, escritas entre os Séculos XII e XIV, cujos autores são, na maioria das vezes, desconhecidos.
     Durante o Século XX muitas obras de poesias e novelas foram produzidas, destacando-se vários autores:  Johann Sigurdsson, Indridi G. Thorsteinsson, Gudbergur Bergsson, David Stefansson  e Halldór Laxnes, Prémio Nobel de Literatura em 1955.

Desporto – Na Islândia são vários os desportos praticados pela população. Os mais comuns são o futebol, handebol e golfe. O futebol é o mais popular do país, graças ao desempenho da selecção islandesa nas competições internacionais.
     Outro desporto popular no país é o esqui, praticado nas áreas em redor da capital durante o inverno, quando as colinas ficam cobertas de neve. O snowboarding, um desporto relativamente novo, está a tornar-se um desporto popular entre os islandeses. Noutras actividades desportivas incluem-se a equitação, principalmente com o cavalo islandês, adaptado às condições climáticas do país, e a natação, realizada nas piscinas aquecidas pela energia geotérmica.

Culinária – A culinária islandesa é conhecida pela utilização de produtos frescos, livres de agro-tóxicos e de outras substâncias químicas. Seus peixes são famosos pela pesca responsável e pelos elevados padrões de qualidade.
     Entre alguns produtos populares no país, destacam-se a carne de cordeiro, famosa por ser macia e saborosa, e o Skyr, um lacticínio parecido com o iogurte. Como em diversos outros países, lanches rápidos tornaram-se populares na Islândia. Um dos pratos mais populares e baratos é o pylsa, uma espécie de cachorro quente.
     Alguns alimentos peculiares islandeses incluem salsichas feitas com fígado e sangue de carneiro e peixes desidratados que são usados em refeições leves.

Þorramatur (thorramatur). (foto de The blanz)
     Num certo período do ano, denominado Þorrablót (lê-se thorrablot) entre Janeiro e Fevereiro, é de tradição o consumo de alimentos que os antigos islandeses comiam. Esse tipo de comida, denominada Þorramatur (thorramatur), possui diversos ingredientes de origem animal, como cabeça de ovelha chamuscada, cordeiro defumado, chouriço de fígado e várias carnes curadas, como testículos de carneiro, peito de cordeiro e nadadeiras de focas.

Música – Historicamente, a música islandesa esteve sempre associada com a religião. Por isso era muito comum a apresentação de corais em escolas, igrejas e reuniões da comunidade. Essa tradição ainda hoje existe, mesmo sem estar tão ligada às crenças religiosas como no passado.
     As canções cantadas por corais têm origem nas obras produzidas nos Séculos XIII e XIV, com os tradicionais poemas rimados, conhecidos como rímur. Essa relação com o passado representa uma importância cultural simbólica para os islandeses até à actualidade. Até ao início do Século XX praticamente não existiam instrumentos musicais no país, por isso a história musical do país é tão diferente e peculiar em relação a outros países, com as canções folclóricas e religiosas originadas de outros países nórdicos sendo cantadas à capella.
     O mundo começou a conhecer a nova música vibrante que começava a surgir no Século XX com a banda de rock alternativo Sugarcubes, liderada pela cantora Björk, que viria a tornar-se a cantora mais famosa do país com reconhecimento internacional.
     Um dos festivais de músicas mais importantes da Islândia é o Iceland Airwaves, criado em 1999, com edições anuais em Outubro.


Principais recursos naturais:
Alumínio, ferro, silício, diatomite, energia geotérmica.


Datas comemorativas:
Dia da Independência – 17 de Junho – Celebra a data da Independência, da Dinamarca, em 1944.

Símbolos nacionais:
Bandeira Nacional;
Brasão de Armas;
Hino Nacional; Lofsöngur ("Canção de Louvor"), também conhecido como Ó Guð vors lands ("Ó Deus da nossa terra");
Insígnia da Guarda Costeira da Islândia.

Insígnia da Guarda Costeira da Islândia


Capital:                                                             Língua oficial:
Reiquiavique                                                   Islandês


Vista parcial de Reiquiavique, capital da Islândia


Moeda oficial:                                                   Tipo de Governo:
Coroa islandesa (ISK)                                     República parlamentarista


Alþingi, o Parlamento da Islândia, o mais
antigo do mundo (ano de 930)


Data de admissão como membro da ONU (Organização das Nações Unidas):
19 de Novembro de 1946.


Organizações / Relações internacionais:
  • ONU - Organização das Nações Unidas;
  • AG - Grupo Austrália;
  • APCE - Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa;
  • COI - Comité Olímpico Internacional;
  • EFTA - Associação Europeia de Livre Comércio;
  • GFN - Grupo de Fornecedores Nucleares;
  • IHO - Organização Hidrográfica Internacional;
  • INTERPOL - Organização Internacional de Polícia Criminal;
  • IPU - União Inter-Parlamentar;
  • IRENA - Agência Internacional para as Energias Renováveis;
  • IUCN - União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais;
  • MIGA - Agência Multilateral de Garantia de Investimentos;
  • NATO / OTAN - Organização do Tratado do Atlântico Norte;
  • OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico;
  • OIM - Organização Internacional para as Migrações;
  • OMC - Organização Mundial do Comércio;
  • OPCW - Organização para a Proibição de Armas Químicas;
  • OSCE - Organização para a Segurança e Cooperação na Europa;
  • PCA - Tribunal Permanente de Arbitragem;
  • PSIWMD - Iniciativa de Segurança contra a Proliferação de Armas de Destruição Maciça;
  • RAMSAR - Convenção sobre as Zonas Húmidas de Importância Internacional;
  • TEDH - Tribunal Europeu dos Direitos Humanos;
  • TPI - Tribunal Penal Internacional;
  • WCO - Organização Mundial das Alfândegas.



Património Mundial (UNESCO):

  • Parque Nacional Þingvellir (2004);
  • Ilha Vulcânica de Surtsey (2008).


Parque Nacional Þingvellir, onde, em 930, foi
fundado o Parlamento da Islândia (UNESCO)

Ilha vulcânica de Surtsey (UNESCO)


Fonte:
Wikipedia, a enciclopédia livre

01 abril 2015

Indonésia

Republik Indonésia

República da Indonésia



Bandeira

Brasão de Armas





















Localização:
Ásia, Sudeste Asiático, Nação transcontinental.
País mega-diverso (faz parte do conjunto de países que albergam o maior índice de biodiversidade da Terra).


Origem / Pequeno resumo histórico:
Etimologia - O nome "Indonésia" deriva da junção das palavras gregas “indós” e “nesus”, que significam "ilha".O nome data do Século XVIII, precedendo a formação de uma Indonésia independente. Em 1850, George Earl, etnólogo inglês, propôs os termos Indunesians, ou também Malayunesians, para se referir aos habitantes do "arquipélago indiano" ou "arquipélago malaio". Na mesma publicação, um dos estudantes de Earl, James Richardson Logan, utiliza a palavra "Indonésia" como sinónimo de "arquipélago indiano".

História - A História da Indonésia foi moldada por sua posição geográfica, seus recursos naturais, a série de migrações humanas, contactos, economia e comércio, conquistas e política. A Indonésia é um país-arquipélago de 17.508 ilhas (6.000 habitadas) que se estende ao longo da linha do Equador, no Sudeste Asiático. A posição estratégica do país promoveu o comércio internacional, que tem moldado a história da Indonésia. A área da Indonésia é habitada por povos de várias migrações, criando uma diversidade de culturas, etnias e idiomas. Os acidentes geográficos do arquipélago e o clima influenciaram significativamente a agricultura e o comércio, assim como a formação dos Estados.

Réplica do Crânio do Homem de Java, originalmente descoberto em
 Sangiran, Java Central (Património Mundial da UNESCO) (foto de Gerbil)

     O arquipélago indonésio tem sido uma região de grande importância para o comércio desde os Séculos VI e VII, quando Srivijaya, o antigo Reino Malaio da Ilha da Sumatra,  começou a comercializar com a China e com a Índia. Apesar de sua grande população e regiões densamente povoadas, a Indonésia possui vastas áreas desabitadas e é um dos países com mais biodiversidade do mundo. Desde os primeiros séculos da era cristã, os governantes locais absorveram gradualmente os modelos culturais, políticos e religiosos estrangeiros, enquanto floresciam os reinos hindus e budistas.
     A História da Indonésia tem sido igualmente influenciada por poderes estrangeiros, atraídos pelos seus vastos recursos naturais.
     Comerciantes árabes e muçulmanos trouxeram o islamismo, actualmente a religião dominante no país. As potências europeias trouxeram o cristianismo e lutaram entre si para monopolizar o comércio de especiarias nas ilhas Molucas durante a Era dos Descobrimentos.
     Depois de três séculos e meio de colonialismo holandês, a Indonésia conquistou a sua independência após a Segunda Guerra Mundial. A história do país desde então tem sido turbulenta, com desafios colocados por catástrofes naturais, corrupção política, movimentos separatistas, processo de democratização e períodos de rápidas mudanças económicas. Actualmente, a Indonésia é uma República Presidencialista composta por trinta e três províncias.
     Com mais de 230 milhões de habitantes, a Indonésia é o quarto país mais populoso do mundo e o maior país islâmico do mundo. Através das suas várias ilhas, o povo indonésio está distribuído por distintos grupos étnicos, linguísticos e religiosos. O lema nacional Bhinneka Tunggal Ika ("Unidade na diversidade") articula a diversidade que há na nação. A Indonésia é um país rico em recursos naturais, contrastando com sua população, que é, na sua maioria, pobre.

Os Portugueses na Indonésia - Os portugueses foram os primeiros europeus a chegar às ilhas da Indonésia, em 1512. A sua demanda para dominar as fontes do lucrativo comércio das especiarias, nos princípios do Século XVI, e os seus esforços missionários católicos simultâneos, resultaram no estabelecimento de fortalezas e entrepostos comerciais, e de um forte elemento cultural português que permanece na Indonésia até aos nossos dias.
     Os avanços tecnológicos dos portugueses no início do Século XVI - designadamente na construção de navios e no fabrico de armas - permitiram-lhes empreender expedições de exploração e expansão bem longe da sua terra natal. Começando com as primeiras expedições enviadas da recém-conquistada Malaca em 1512, os portugueses foram os primeiros europeus a chegar à actual Indonésia, procurando dominar as valiosas fontes de especiarias e aumentar os seus esforços missionários.

A planta da noz-moscada é nativa das Ilhas Banda, na Indonésia.
Outrora uma das mercadorias mais valiosas do mundo, atraiu as primeiras potências europeias à Indonésia
(imagem de Franz Eugen Köhler)

     As tentativas iniciais dos portugueses para estabelecer uma coligação e um tratado de paz em 1512 com o Reino de Sunda de Java Ocidental, falharam devido à hostilidade entre os reinos indígenas de Java. Os portugueses deslocaram-se, então, mais para Leste, para as Ilhas Molucas, que eram constituídas por um conjunto de principados e reinos que estavam ocasionalmente em guerra uns com os outros, mas que mantinham um comércio inter-ilhas e internacional. Através, quer de conquistas militares quer de alianças com os governantes locais, os portugueses estabeleceram entrepostos, fortes e missões na Indonésia oriental, nomeadamente nas ilhas de Ternate, Amboina e Solor.
     A segunda metade do Século XVI marca o culminar das actividades missionárias portuguesas, numa época em que as conquistas militares no arquipélago já haviam terminado e em que os seus interesses na Ásia Oriental começam a deslocar-se para o Japão, Macau e a China. O açúcar do Brasil e o comércio de escravos no Atlântico, por sua vez, contribuem, também, para desviar as atenções da Indonésia.
     Os portugueses foram, também, os primeiros europeus a aportar às Celebes do Norte. São Francisco Xavier visitou e apoiou a missão de Tolo, na ilha de Halmaera, a primeira missão católica nas Molucas. A missão foi criada em 1534, quando alguns chefes de Morotia vieram a Ternate pedindo o baptismo. Simão Vaz, padre de Ternate, deslocou-se a Tolo fundando a missão que acabou por se tornar objecto de conflito com os espanhóis. Mais tarde, Simão Vaz acabou por ser assassinado.
     Ao contrário da ambição inicial de dominar o comércio asiático, o legado português na cultura indonésia parece hoje algo modesto: o akeroncong, um instrumento de cordas semelhante ao cavaquinho; um vasto número de palavras indonésias de origem portuguesa, recordação do tempo em que o idioma de Camões era a língua franca do arquipélago; e muitos apelidos familiares, especialmente na zona oriental da Indonésia, tais como da Costa, Dias, de Freitas, Gonsalves, etc.
     Persistem no arquipélago até aos dias de hoje várias comunidades cristãs, reforçando os laços de afinidade com os europeus, principalmente entre os ambonenses (habitantes da Ilha de Amboina, no Arquipélago das Molucas, Indonésia, descoberta em 1512 pelos portugueses António Abreu e Francisco Abreu, tendo sido evangelizada por São Francisco Xavier em meados do Século XVI.)

Os Grupos Étnicos na Indonésia (Autor: Gunawan Kartapranata)

Cultura:
     A Indonésia possui cerca de 300 grupos étnicos, cada um com identidades culturais desenvolvidas ao longo de séculos e influenciados por culturas como a indiana, árabe, chinesa e europeia.
     A Indonésia localiza-se numa região atravessada por rotas comerciais entre o Médio Oriente, a Ásia Meridional e o Extremo Oriente, o que contribuiu para a difusão de diversas religiões na região, incluindo o Hinduísmo, o Budismo, o Confucionismo, o Islamismo e o Cristianismo, todas elas amplamente praticadas nas cidades mercantis indonésias até aos dias actuais. O resultado desta interacção multi-cultural definiu o carácter complexo da cultura do país, assim como deu origem a inúmeros conflitos na sua história (nomeadamente a ocupação e a repressão em Timor-Leste e na Papua Ocidental).

Literatura - Pramoedya Ananta Toer (1925-2006) é o autor indonésio de maior celebridade fora do país, tendo sido contemplado com o Prémio Magsaysay. Outra figura central da literatura indonésia do início do século é Chairil Anwar, um poeta e membro da chamada "Geração de 45", grupo de intelectuais activo no movimento de Independência Indonésia. A forte censura do longo período da presidência de Suharto (1967 a 1998) impediu a veiculação e desenvolvimento de novas tendências literárias no país, sobretudo as voltadas para as questões sociais. Pramoedya Ananta Toer, por exemplo, passou boa parte da sua vida preso, e ditava os seus livros para outros prisioneiros através das paredes da cela que, por sua vez, os passavam para fontes externas, que os publicavam no exterior.
     Nos anos 60 e 70, os escritores Günter Grass e Jean-Paul Sartre organizaram na Europa campanhas a favor da libertação de Toer; Sartre chegou a enviar uma máquina de escrever para a Indonésia como presente para Toer, cuja obra, e também as obras dos maiores poetas locais, só podiam ser adquiridas no mercado negro até meados de 2000.

Imagem com símbolos culturais da Indonésia

Poesia - A Indonésia possui uma rica tradição de poesia oral chamada pantun, caracterizada pelo seu carácter interactivo e improvisado. A chamada poesia dos antigos poetas (Pujangga Lama) foi dividida em cinco modalidades principais: além dos mencionados pantun, enquadram-se nela os poemas narrativos tradicionais (syair, análogos às epopeias ocidentais), aforismos (gurindam), contos e fábulas (hikayat) e crónicas históricas (babad). A geração do pujangga lama é geralmente enquadrada no período prévio a 1900; poetas posteriores misturaram a prática da tradição com influências estrangeiras diversas. Alguns dos poetas contemporâneos mais notáveis são Sutardji Calzoum Bachri, Rendra, Taufiq Ismail, Afrizal Malna, Binhad Nurrohmat, Joko Pinurbo e Sapardi Djoko Damono.

Flor da espécie Rafflesia arnoldii, a maior flor do mundo, nativa das ilhas de Sumatra e Bornéu.
Pode atingir 106 cm de diâmetro e pesar até 11 Kg

Culinária - O arroz é a base da alimentação dos indonésios, com excepção dos “malukus” e dos residentes em Papua Ocidental (a parte indonésia da Nova Guiné), onde a base é a farinha da palmeira-sago, a batata-doce e a mandioca, estes últimos trazidos das “índias ocidentais”.
     As preparações de carne, peixe e vegetais são consumidos em pequenas quantidades e sempre bastante condimentadas, ao contrário dos ocidentais que, por essa razão, sofrem com o picante da culinária indonésia.
     Uma selecção de comida indonésia, incluindo ikan bakar (peixe assado), ayam goreng (frango frito), nasi timbel (arroz envolto em folha de bananeira), sambal, tempeh frito e tofu, e sayur asem, pode ser vista na imagem seguinte:

Uma selecção de comida indonésia, incluindo ikan bakar (peixe assado), 
Ayam goreng (frango frito), nasi timbel (arroz envolto em folha de bananeira), 
sambal, tempeh frito e tofu, e sayur asem.

Religião - Quase 88 por cento dos indonésios se declarou muçulmano no censos de 2000, fazendo da Indonésia a nação com a maior percentagem de muçulmanos no mundo. Outros grupos religiosos do país são cristãos (9% do país, 2/3 deles protestantes e o restante católicos), hindus (2%) e budistas (1%). Muitos indonésios acreditam em espíritos, e combinam o ritual dos antepassados e da natureza comum a outras nações asiáticas com elementos do islamismo e cristianismo.

Mesquita Istiqlal, no centro de Jacarta

     A Constituição Indonésia garante a liberdade de profissão religiosa, embora apenas seis religiões oficiais sejam reconhecidas: Islão, Protestantismo, Catolicismo, Hinduísmo, Budismo e Confucionismo. A lei local obriga os cidadãos a serem portadores de documentos de identidade em que uma dessas seis religiões deve constar, embora seja possível que os cidadãos requeiram que esse campo seja deixado em branco. O governo indonésio não reconhece o agnosticismo ou o ateísmo. A profissão de descrença numa divindade, assim como a blasfémia, constituem práticas ilegais.
     Os povos de Bali e Lombok ocidental seguem uma religião chamada Bali-Hinduísmo. É baseada no hinduísmo, mas inclui antigas crenças da tradição de Bali e de Java. Os bali-hindus cultivam o espírito da natureza incluindo montanhas e grandes árvores. Honram também os espíritos dos antepassados que eles acreditam que virão visitá-los. Bali possui milhares de templos Bali-Hindu onde muitos feriados religiosos são comemorados. As cerimónias incluem danças e encenações dramáticas. O budismo e o hinduísmo eram religiões importantes na região há cerca de cem anos, tendo perdido praticantes para a religião monoteísta.


Principais recursos naturais:
Petróleo, gás natural, estanho, borracha, cobre e ouro.


Datas comemorativas:
Dia da Independência - 17 de Agosto - Celebra a data da Declaração da Independência da Indonésia, em 1945.


Símbolos nacionais:
Bandeira Nacional;
Brasão de Armas;
Hino Nacional - "Indonesia Raya" - ("Grande Indonésia")
Insígnia da Força Aérea da Indonésia;
Insígnia da Força Aérea do Exército;
Insígnia da Aviação Naval.



Insígnia da Força Aérea
Insígnia da Aeronáutica Militar
(Exército)
















Insígnia da Aviação Naval


Lema:
"Bhinneka Tunggal Ika" – ("Unidade na Diversidade")

 
Imagens de Jacarta, capital da Indonésia


Capital:                                                           Língua oficial:
Jacarta                                                            Língua indonésia (Bahasa indonésio)


Moeda oficial:                                                 Tipo de Governo:
Rupia indonésia (IDR)                                     República presidencialista


Data de admissão como membro da ONU (Organização das Nações Unidas):
28 de Setembro de 1950.


Organizações / Relações internacionais:
  • ONU - Organização das Nações Unidas;
  • APEC - Cooperação Económica Ásia-Pacífico;
  • ASEAN - Associação de Nações do Sudeste Asiático;
  • AALCO - Associação Jurídica Consultiva Afro-Asiática;
  • ACFTA - Área Livre de Comércio entre a Associação de Nações do Sudeste Asiático e a China;
  • CLA - Cúpula do Leste Asiático;
  • COI - Comité Olímpico Internacional;
  • G20 (países industriais, maiores economias);
  • G-20 - (países em desenvolvimento);
  • Grupo dos 77 - Nações em desenvolvimento;
  • ICO - Organização Internacional do Café;
  • IHO - Organização Hidrográfica Internacional;
  • INTERPOL - Organização Internacional de Polícia Criminal;
  • IPU - União Inter-Parlamentar;
  • IUCN - União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais;
  • MIGA - Agência Multilateral de Garantia de Investimentos;
  • MNA - Movimento dos Países Não-Alinhados;
  • OCI - Organização da Conferência Islâmica;
  • OIM - Organização Internacional para as Migrações (observador);
  • OMC - Organização Mundial do Comércio;
  • OPCW - Organização para a Proibição de Armas Químicas;
  • RAMSAR - Convenção sobre as Zonas Húmidas de Importância Internacional;
  • TACSA - Tratado de Amizade e Cooperação no Sudeste Asiático;
  • UIC - União Internacional dos Caminhos-de-Ferro;
  • WCO - Organização Mundial das Alfândegas.



Património Mundial (UNESCO):
  • Conjunto Monumental de Prambanan (Hinduísmo), Java Central (1991);

Conjunto de Prambanan (UNESCO)

  • Conjunto de Borobudur (Templo Budista), Java Central (1991);


Conjunto de Borobudur (UNESCO), o monumento mais visitado da Indonésia

  • Parque Nacional de Komodo, Nusatenggara Oriental (1991);


Dragão de Komodo, espécie de lagarto do Parque Nacional de Komodo (UNESCO)

  • Parque Nacional de Ujung Kulon, Lampung e Banten (1991);
  • Sítio Arqueológico dos Primeiros Homens de Sangiran, Java Central (1996);
  • Parque Nacional de Lorentz, Papua (1999);
  • Património das Florestas Tropicais Ombrófilas de Sumatra (2004) - Em perigo desde 2011;

Imagem da Floresta Tropical de Sumatra (UNESCO)


  • Paisagem Cultural de Bali (2012).


Panorama de Bali (socalcos de Arroz) (UNESCO)



Património Oral e Imaterial da Humanidade (UNESCO):
  • Kris Indonésio (2008) - O kris ou keris é um punhal assimétrico da Indonésia. Ao mesmo tempo arma e objecto espiritual, são-lhe muitas vezes atribuídos poderes mágicos. Os kris mais antigos datam de 1360, e o seu uso espalhou-se em todo o Sudeste Asiático.

Kris indonésio (UNESCO)

  • Teatro de Marionetas Wayang (2008) - O Wayang é um teatro de marionetas com origem na ilha de Java, hoje espalhado por toda a Indonésia. As marionetas podem ser feitas de madeira, ou serem silhuetasprojectadas numa tela iluminada. A representação é acompanhada com instrumentos de bronze e gamelão. As tradições da narrativa Wayang têm origem não só no arquipélago indonésio, mas também na Índia e na Pérsia.

Teatro de Marionetas Wayang (UNESCO)

  • O Batik Indonésio (2009) - As técnicas, simbolismo e elementos culturais associados ao batik -Tecido de algodão e seda tecido à mão - marcam a existência dos indonésios desde o seu nascimento até à sua morte: as crianças são transportadas em cangurus ornamentado com batik decorado com símbolos destinados a trazer boa sorte, e os mortos são envoltos em mortalhas de batik.

Batik indonésio (UNESCO)

  • O Angklung Indonésio (2010) - O Angklung é um instrumento musical indonésio feito com quatro tubos de bambu suspensos num quadro do mesmo material e amarrados com cordas quebradas. Um mestre artesão talha e corta cuidadosamente os tubos, a fim de emitirem determinadas notas musicais quando se aperta ou se bate na armação de bambu. Cada Angklung emite uma nota ou acorde únicos, de modo que, para executar melodias, é necessário que vários intérpretes toquem juntos.

O Angklung indonésio (UNESCO)

  • A Dança Saman (2011) - (A requerer medidas urgentes de salvaguarda) - A dança Saman é parte da herança cultural do povo Gayo, localizado na província de Aceh, na ilha de Sumatra. Os seus artistas são meninos e rapazes varões que executam a dança de cócoras ou ajoelhados, formando filas apertadas. Todos eles usam um traje preto com motivos bordados com cores típicas da etnia, simbolizando a natureza e os valores nobres. O chefe senta-se no meio de uma fila e canta versos principalmente em língua gayo. Estes versos dão conselhos e podem ser de natureza religiosa, romântica ou humorística. Os dançarinos dão palmadas, batem no peito e nas coxas, batem com os pés no chão, estalam os dedos e balançam ou giram o corpo e a cabeça ritmicamente, quer em uníssono ou a contratempo com os dançarinos que estão à sua frente. Estes movimentos simbolizam a vida diária do povo Gayo e o seu ambiente natural. A Dança Saman, executada em festas e feriados nacionais e religiosos, contribui para fortalecer e estreitar as relações entre os grupos de aldeões, que se convidam mutuamente para os espectáculos. A sua prática e a sua transmissão estão em declínio. Muitos dos líderes que dominam esta estão envelhecendo e não têm sucessores.


Dança Saman (UNESCO)

  • Noken: O bolso multi-funcional feito de nós ou tecido, do artesanato da Papuásia (2012) - (A requerer medidas urgentes de salvaguarda) - O Noken é um saco formado por uma rede de fios atados ou tecidos, que as comunidades das províncias indonésias de Papua e Papua Ocidental extraem de fibras de madeira ou folhas. Homens e mulheres usam-no, não só para transportar produtos das plantações, capturas de pesca de mar ou lago, transporte de lenha, crianças ou animais jovens, mas também para fazer compras em lojas e armazenar artigos domésticos. O Noken é também um elemento de indumentária pessoal, sobretudo nas festas tradicionais, e pode ser oferecido em sinal de paz. O método de preparação do Noken varia de uma comunidade para outra.

Noken (UNESCO)

Fonte:
Wikipedia, a enciclopédia livre.