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15 novembro 2013

Boeing B-17 Flying Fortress (primeira parte)

Imagem 1

BOEING B-17F FLYING FORTRESS
BOEING B-17G FLYING FORTRESS
BOEING SB-17G FLYING FORTRESS

Quantidade: 5
Utilizadores: Aeronáutica Militar e Força Aérea
Entrada ao serviço: Março de 1947
Data de abate: 1960


Dados técnicos:  (Versão B-17G)
a.       Tipo de Aeronave
Avião quadrimotor  terrestre, de trem de aterragem convencional  retráctil, mono-plano de asa baixa, revestimento metálico, cabina integrada na fuselagem,  concebido como bombardeiro pesado de grande altitude. Tripulação: 6 a 10 elementos.
b.       Construtor
Boeing Aircraft Corp. / USA.
Outros construtores: Vega Aircraft Corp. / USA;
                                     Douglas Aircraft Co. / USA.
c.       Motopropulsor
Motores: 4 motores Wright Cyclone GR-1820-97, com  turbo-compressor, de 9 cilindros radiais arrefecidos  por ar, de 1.200  hp de potência.
Hélices: metálicos, de três pás, de passo variável e posição de bandeira.
d.       Dimensões
Envergadura ………….............................31,64 m     
Comprimento…..……....….................…...22,26 m
Altura………….……………..........................5,81 m
Área alar ……….…….............................141,92 m²
e.       Pesos
Peso vazio……………..….......................….23.000 kg
Peso máximo………….......................……..29.710 kg
f.        Performances
Velocidade máxima ……..….............................….462  Km/h
Velocidade de cruzeiro ……..................................293 Km/h
Tecto de serviço …………...........................….10.850 m
Raio de acção com 2.720 Kg de bombas……....…3.220 Km
g.       Armamento
B-17G: Defensivo: 13 metralhadoras calibre 12,7 mm, móveis com comando à distância, assim distribuídas:
- 2 na torre sob o nariz (operadas por controlo remoto);
- 2 na torre dorsal;
- 2 no posto da cauda;
- 2 (1+1) na secção lateral dianteira da fuselagem;
- 2 (1+1) na secção lateral traseira da fuselagem.
              Nas últimas séries desta versão foi retirada a metralhadora montada lateralmente na fuselagem, junto ao posto de rádio.
                              Ofensivo: Até 7.985 Kg de bombas em missões a curta distância e 1.800 Kg em missões a longa distância.
                SB-17G: Sem armamento.
h.       Capacidade de transporte
Equivalente ao peso das bombas.


Imagem 2

Resumo histórico:
     Em Maio de 1934 o Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC) emitiu especificações para a construção de um bombardeiro com vários motores para atacar navios, tendo em vista a defesa dos Estados Unidos. A Boeing Aircraft Corp. apresentou a proposta de um quadrimotor grande, rápido e com razoável capacidade para transporte de bombas.
     A construção de um gigante entre os outros aviões de combate da época, com quatro motores de 750 hp, uma tripulação de oito elementos e capacidade para transportar internamente 2.200 Kg de bombas, foi um enorme risco financeiro que acabou por ser bem sucedido.

     O protótipo foi denominado Boeing Model 299, que efectuou o primeiro voo em 28 de Julho de 1935. Este avião acabou destruído num acidente à descolagem, ocorrido em 1 de Março de 1937. Foi construído um segundo protótipo, designado por XB-17.

     O avião tornou-se interessante para a USAAC, que encomendou 13 exemplares de uma pré-série designada por Y1F17. Foram construídos e aperfeiçoados de 2 de Dezembro de 1936 a 5 de Agosto de 1937.
     A produção em série, com a designação definitiva de Boeing B-17 Flying Fortress iniciou-se em 1938, com a encomenda de 39 aviões B-17B, equipados com motores mais potentes e nariz com novo desenho. Entraram ao serviço da USAAF em Março de 1940.
     Em 1939 foram encomendados mais 38 aviões de uma nova versão, a B-17C, com maior capacidade defensiva, placas de blindagem, depósitos de combustível auto-obturantes e motores Wright Cyclone mais potentes.

     Com a II Guerra Mundial a alastrar na Europa desde meados de 1939, os americanos – ainda neutros – forneceram 20 aviões B-17C aos britânicos a troco de informações sobre o comportamento deste avião em combate. As informações referiram que a mira de bombardeamento falhava com alguma frequência, as metralhadoras Browning congelavam a grandes altitudes e ainda que os caças inimigos atacavam pela cauda, beneficiando da falta de defesa dessa zona do avião. Concluiu-se que o avião era vulnerável, necessitando de maior poder de fogo defensivo.
     A versão B-17D pouco se diferenciava da anterior. Foram construídos 42 exemplares, que entraram em operações em 1941 no Pacífico, onde suportaram a dureza dos combates iniciais com os japoneses, enquanto que os aviões das versões anteriores operavam na Guarda Costeira e no Médio Oriente.
     Foi ainda em 1941 que se deu o grande salto qualitativo dos bombardeiros B-17, com a entrada ao serviço da versão B-17E, que apresentou a secção da cauda remodelada, de forma a possibilitar maior estabilidade a grandes altitudes e, consequentemente, maior precisão de bombardeamento. Apresentava as metralhadoras das torres de tiro accionadas electricamente, instalação de novas torres de tiro no ventre e na cauda, reduzindo drasticamente os ângulos mortos de defesa, bem como a instalação de mais e melhor blindagem.

     Os primeiros Boeing B-17E, dos 512 construídos, foram enviados para a frente de batalha do Pacífico no início de 1942. Ainda durante este ano entraram ao serviço os aviões do modelo B-17F, melhor armados e destinados a operar na Europa, tendo sido construídos 3.400 exemplares. Apresentavam equipamentos mais aperfeiçoados, maior potência de fogo defensivo e a secção do nariz alongada.
     Nos finais de 1942 apareceu mais uma versão, a B-17G. Desta versão foram produzidos 8.680 aviões ( 4.035 pela Boeing, 2.395 pela Douglas e 2.250 pela Vega) que, para além de outros aperfeiçoamentos, apresentavam novas torres de tiro accionadas por controlo à distância e radar de antena telescópica.
     Nos primeiros tempos da sua intervenção na Europa, graças aos motores com compressores de grande eficiência, voavam a altitudes superiores às que os caças germânicos podiam alcançar, para grande desespero dos pilotos, que nada mais podiam fazer que observar as enormes quantidades de rastos de condensação dos motores dos B-17 passando por cima das suas cabeças, em direcção à Alemanha.
     O nome das Fortalezas Voadoras (Flying Fortress) ficou historicamente ligado aos enormes bombardeamentos diurnos sobre a Alemanha. Oitenta e sete B-17 Flying Fortress e sete B-24 Liberator efectuaram no dia 7 de Janeiro de 1943 o primeiro bombardeamento diurno no interior da Alemanha.
     A robustez da Fortaleza Voadora é lendária, sendo conhecidos relatos, fotografias e filmes de B-17 que, com motores a arder, grandes pedaços das asas e da cauda arrancados pelo fogo inimigo, conseguiram regressar aos seus aeródromos ou, pelo menos, alcançar aeródromos em território amigo.
     Para além das versões básicas de bombardeamento, foram convertidos para missões específicas e participaram em muitas experiências, como veremos a seguir.

     Alguns B-17 foram modificados em XB-40, com armas defensivas adicionais, autênticos “ouriços de metralhadoras”, que eram integrados nas formações dos bombardeiros com a finalidade de os defender dos caças inimigos. Pelo menos 25 foram convertidos em BQ-7 Afrodite que, sem tripulação e conduzidos por controlo à distância, transportavam 5.400 Kg de carga explosiva, para serem usados contra os abrigos dos submarinos alemães, e os QB-17, também controlados à distância, serviram de aviões-alvo.
     Outros foram convertidos em F-9C, para reconhecimento fotográfico, YC-108 para transporte de chefias, XC-108 para transporte de combustíveis, CB-17 para transporte de carga e PB-1W, equipados com radar de detecção a longa distância.
     Os SB-17G, inicialmente designados por PB-1G, foram equipados para missões de busca e salvamento no mar, transportando sob a fuselagem um barco salva-vidas que era largado em caso de necessidade.

     Uma unidade da Luftwaffe (I/KG 200) utilizou B-17G capturados, pintados com insígnias alemãs, para transportar, largar e abastecer agentes secretos alemães. Como medida de decepção, estes aviões receberam a designação de Dornier Do-200.

     Os Boeing B-17 Flying Fortress foram dos mais úteis, seguros, robustos e populares aviões bombardeiros de grande altitude que combateram na II Guerra Mundial.
     O total de B-17 construídos é difícil de estabelecer com exactidão, mas deve aproximar-se dos 18.000. À sua conta, a Boeing construiu na fábrica de Seattle 12.731 aviões, chegando a produzir 16 por dia. Para além destes, saíram vários milhares das linhas de fabrico da Vega Aircraft Corp. e da Douglas Aircraft Co.

(Continua)
Fontes (primeira parte):
Imagem 1: FAP / AHFA - Força Aérea Portuguesa / Arquivo Histórico da Força Aérea;
Imagem 2: Cortesia de  Richard Ferriere - 3 vues;
Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.

Boeing B-17 Flying Fortress (segunda parte)

Ver  Boeing B-17 Flying Fortress (primeira parte)

(continuação)

Imagem 3

Percurso em Portugal:


a.                  Aeronáutica Militar
     No início de Março de 1947 chegaram à Base Aérea N° 4 (BA4), Lajes, Açores, vindos dos Estados Unidos, quatro aviões Boeing B-17 Flying Fortress, originalmente um da versão B-17F e três da versão B-17G, agora uniformizados na versão SB-17G, equipados para missões de busca e salvamento marítimo, podendo transportar um barco salva-vidas sob a fuselagem.

     Com estes aviões foi constituída a Esquadrilha de Busca e Salvamento, conhecida também por Esquadrilha de Reconhecimento e Socorro. A Aeronáutica Militar (AM) atribuiu-lhes os números de matrícula de 275 a 278 com a seguinte correspondência com os números de série da USAF: 275 (número de série 44-85619), 276 (44-83712), 277 (44-85548) e 278 (44-85519). Foram baptizados de “Faial”, “Flores”, “Pico” e “Graciosa”, em homenagem ao Arquipélago dos Açores.

     Estes aviões desempenharam valiosas missões de carácter humanitário, não só na busca e salvamento em coordenação com as Forças Americanas estacionadas na Base das Lajes, mas também em apoio à população civil. Desempenharam, igualmente com sucesso, missões de reconhecimento meteorológico, conhecidas pelos “voos de tempo”. Eram voos que, do princípio ao fim, se revestiam de condições muito específicas, voando sobre o Oceano Atlântico com a finalidade de determinar a localização dos ciclones.
     A pintura dos B-17 Flying Fortress da AM nunca foi alterada. Manteve-se inteiramente em alumínio, com o dorso e estabilizador vertical em branco. As pontas das asas estavam pintadas em amarelo. Uma cinta amarela orlada a preto envolvia a fuselagem junto à raiz do conjunto estabilizador da cauda. Um rectângulo, também amarelo orlado a preto, encontrava-se em cada lado da secção do nariz.
A Cruz de Cristo, sobre círculo branco, era visível em ambos os lados das asas, bem como as cores nacionais no estabilizador vertical. Os números de matrícula encontravam-se pintados a preto nos lados da fuselagem.


b.                  Força Aérea
     Absorvidos em 1952 pela Força Aérea Portuguesa (FAP), os SB-17G receberam a numeração de 7401 a 7404. Mantiveram-se sempre na Base Aérea N° 4, continuando a executar missões de busca e salvamento e de reconhecimento meteorológico.

     A FAP operou um quinto avião B-17G, que foi obtido de forma pouco vulgar. O destacamento da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) na Base das Lajes recebeu um B-17G (número de série 44-102732) destinado aos voos de reconhecimento meteorológico, bastante mal equipado, sem radar, sem sistema de degelo e sem depósitos de combustível para voos de longa duração. Por estas razões o avião não era utilizado, acabando por estar praticamente, abandonado. Aproveitando-se da situação, os portugueses estabeleceram um pacto informal com os americanos, que lhes permitiu utilizar o avião como fonte de peças sobressalentes. Algum tempo depois, talvez em 1953, a USAF vendeu à FAP este B-17G por um dólar!
     Quando os mecânicos portugueses inspeccionaram o avião, concluíram que se encontrava em bom estado, especialmente as estruturas das asas e da fuselagem, colocando-se, então, a possibilidade de o aprontar para o voo. Na realidade, este B-17G foi colocado a voar e está provado – por depoimentos de pilotos que o voaram – que usava a matrícula 7404 que, logicamente, já estaria atribuída a um dos quatro SB-17G recebidos inicialmente. Também não se dispõe de documentação que garanta ou negue a existência de um avião com a matrícula 7405. Por outro lado, existem depoimentos que referem que uma equipa de técnicos da USAF deslocou-se dos Estados Unidos aos Açores para inspeccionar os quatro SB-17G recebidos em 1947, tendo em vista avaliar se o seu estado de conservação era compatível com a execução de uma grande inspecção de manutenção (IRAN – Inspect and Repair as Necessary). Os técnicos americanos consideraram que um dos aviões apresentava um grau de deterioração que não justificava o IRAN.
     Ainda que não devidamente fundamentada, a hipótese que se afigura mais provável é a de que o avião recusado para o IRAN teria sido o 7404, ex-278 da AM, que terá sido abatido ao efectivo, sendo a sua matrícula atribuída ao B-17 adquirido pela FAP. Esta hipótese é reforçada com outro depoimento, que afirma que o “novo” 7404 foi submetido ao IRAN, efectuado nos Estados Unidos.

     Em 1954, três Boeing SB-17 partiram da Ilha Terceira para Lourenço Marques, Moçambique, fazendo escalas na Ilha do Sal (Cabo Verde), S. Tomé e Luanda (Angola), com regresso pela mesma rota. A viagem foi programada e executada com precisão matemática, passando quase despercebida à maior parte dos historiadores, uma vez que foi considerada como uma missão de rotina.

     Os SB-17 foram progressivamente substituídos pelos Douglas C-54 Skymaster, mais modernos e versáteis, acabando por ser abatidos em 1960.
     Sem qualquer alteração na pintura, passaram a usar a Cruz de Cristo, sobre círculo branco, na parte superior da asa esquerda e inferior da asa direita, alternado com os algarismos da numeração. Também os lados da fuselagem passaram a ostentar a Cruz de Cristo, sobre círculo branco. No estabilizador vertical, a bandeira nacional, sem escudo, estava encimada pelo número de matrícula.




Fontes (segunda parte):
Imagem 3: FAP / AHFA - Força Aérea Portuguesa / Arquivo Histórico da Força Aérea;
Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.