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06 setembro 2014

Reims-Cessna FTB-337G (segunda parte)

Ver  Reims Cessna FTB-337 G (primeira parte)

(continuação)

Imagem 4: FTB 337-G na BA2.


Percurso em Portugal:
     O esforço a que os Dornier Do-27 estavam a ser sujeitos na Guerra do Ultramar, muitos a operar desde 1961, deixava prever que não aguentariam por muito mais tempo tão intensa actividade. Nesta perspectiva, a Força Aérea Portuguesa (FAP), em 1973, começou a procurar um avião para os substituir, num mercado praticamente limitado a franceses, alemães e espanhóis, devido às restrições levantadas pela ONU à venda de armamento a Portugal.
     Neste panorama, a França acedeu à venda de 32 aviões Reims-Cessna FTB-337G a Portugal. Os primeiros exemplares chegaram a Portugal em Dezembro de 1974, portanto já depois de terminada a Guerra do Ultramar. Foram transportados de França para Portugal em voo, por tripulações portuguesas, chegando em pequenas quantidades, num processo que decorreu durante quase um ano e meio.
     Indicam-se a seguir as datas de recepção, as matrículas FAP atribuídas e, entre parêntesis, os números de construção correspondentes:
1974:
- 10 Dezembro: 3701 (0002), 3702 (0003) e 3703 (0004);
1975:
- 16 Janeiro: 3704 (0005), 3705 (0006) e 3706 (0007);
- 6 Fevereiro: 3707 (0008), 3708 (0009) e 3709 (0010);
- 11 Março: 3710 (0011), 3711 (0012) e 3712 (0013);
- 8 Abril: 3713 (0014), 3714 (0015), e 3715 (0016);
- 16 Maio: 3716 (0017), 3717 (0018) e 3718 (0019);
- 11 Junho: 3719 (0020), 3720 (0021) e 3721 (0022);
- 10 Julho: 3722 (0023), 3723 (0024), 3724 (0025), 3725 (0026), 3726 (0027) e 3727 (0028);
- 19 Novembro: 3728 (0029), 3729 (0030) e 3730 (0031);
1976:
- 11 Março: 3731 (0032) e 3732 (0033).

     Os Reims-Cessna FTB-337G foram recebidos na Base Aérea N° 3 (BA3), Tancos, mas depressa foram distribuídos por outras bases.
     Em 1975 é constituída a Esquadra 22 na Base Aérea N° 2 (BA2), Ota, que é equipada com 16 FTB-337G. Em 1976 é formada a Esquadra 72 na Base Aérea N° 7 (BA7), S. Jacinto, equipada com 8 FTB-337G.
Os restantes aviões receberam tratamento anti-corrosão e foram armazenados.


Imagem 5: Emblema da Esquadra 702, original e definitivo, respectivamente.

     Da reestruturação da FAP, ocorrida entre 1977 e 1978 resultou a “despromoção” da BA7 para Aeródromo de Manobra N° 2 (AM2), passando a Esquadra 72 a ser designada por Esquadra 702, tendo como missão primária a ligação e transporte, reconhecimento visual e fotográfico e evacuação sanitária. Como missão secundária tinha a manutenção do treino mínimo de voo aos pilotos em funções fora das esquadras de voo.

Imagem 6: Linha da Frente dos FTB-337G, BA2.

     Na BA2, a Esquadra 22 recebeu a nova designação de Esquadra 701, sendo-lhe atribuídas as mesmas missões da Esquadra 702. Em 1979 é-lhe retirado um reduzido número de aviões, que são entregues à Esquadra 101 da mesma Unidade, equipada com Chipmunk, que tinha a seu cargo a instrução elementar de pilotagem. A utilização dos FTB na instrução básica de pilotos foi uma solução temporária, a fim de aliviar os Cessna T-37C da BA1 durante um pequeno período, findo o qual os aviões regressaram novamente à Esquadra 701.


Imagem 7: Emblema da
Esquadra 101.

Imagem 8: Emblema da Esquadra 701,
original e definitivo, respectivamente.
















     Em Abril de 1990 é extinta a Esquadra 702 e a Esquadra 701 é transferida para a BA1, Sintra, passando a dispor de 12 aviões.
     Uma Portaria de 1994 determina que a Esquadra 701 passe a ser designada por Esquadrilha 505, intitulada de “Jacarés”, alargando o âmbito da missão de transporte aéreo geral aos outros ramos das forças armadas. Compete-lhe também a formação e treino dos Observadores Aéreos do Exército. Mantém-se na BA1 com 12 aviões Reims-Cessna FTB-337G no seu efectivo.

Imagem 9: Emblema da
Esquadra 505.

     É também em 1994 que as matrículas são alteradas, cabendo-lhes a numeração de 13701 a 13732.
     A originalidade da propulsão por um hélice dianteiro, “que puxa” e outro traseiro, “que empurra”, é motivo para serem conhecidos na gíria do pessoal da FAP pelos “puxa-empurra”. Outros, mais sofisticados, chamam-lhe “monomotores de duplo efeito”.
     Alguns dos Reims-Cessna excedentes foram vendidos e outros cedidos a aero-clubes.
     Em meados de 1997 a Esquadrilha 505 passa a designar-se por Esquadra 505.




Quanto às pinturas e insígnias:
- Até 1980 estavam pintados em verde-azeitona, com a secção em frente à cabina em preto anti-reflexo e as superfícies inferiores em cinzento azulado. Apresentavam a Cruz de Cristo, sobre círculo branco, no extra-dorso da asa esquerda, no intradorso da asa direita e nos lados da fuselagem, em dimensão muito reduzida. As cores nacionais, sem escudo, estavam colocados dentro de um rectângulo, nos lados exteriores dos estabilizadores verticais. O número de matrícula encontrava-se a preto em ambos os lados das asas, alternando com a insígnia, e também sobre o rectângulo com as cores nacionais no estabilizador vertical;

- A partir de 1981 passaram a usar a pintura em camuflado, em castanho (FS 30.219) e verde de duas tonalidades (FS 34.079 e FS 34.102), com as superfícies inferiores em cinzento claro (FS 36.622). A área pintada em cinzento é limitada em linha ondeada e, na zona central da fuselagem, estende-se até às janelas.
     A Cruz de Cristo, sobre círculo branco com 37 cm de diâmetro, está colocada nos lados da fuselagem. A bandeira nacional, sem escudo e com 30 cm de comprimento encontrava-se nas faces superiores dos estabilizadores verticais. O número de matrícula encontra-se sobre a bandeira nacional em algarismos pretos com 15 cm de altura. As extremidades das pás dos hélices apresentam faixas amarelas (FS 33.538), em ambos os lados, com 10 cm de largura. Apresentam ainda, nos fusos, duas estreitas faixas vermelhas colocadas na direcção do hélice da retaguarda, chamando a atenção para o perigo que representa.

Imagem 10: Pormenor da cauda de um FTB-337G,
com o emblema da Esquadra 505, BA1.

     Os Reims-Cessna FTB-337G foram abatidos ao serviço da FAP em 2007.

     No âmbito da cooperação militar entre Portugal e Moçambique foi iniciado um projecto de recuperação de dois Reims-Cessna FTB-337G ( números 13729 e 13713) na BA1. Foi efectuado o IRAN (Inspect And Repair As Necessary) completo, pintura integral com nova pintura original, manutenção e voos de experiência, até à aprovação final. Foram cumpridas 50 Ordens Técnicas da Cessna e da Continental e executadas mais de 100 cartas de trabalhos adicionais, totalizando mais de 2000 horas / homem de trabalho. Este tipo de intervenção permite iniciar um segundo ciclo de vida nestas aeronaves, totalmente reabilitadas, prontas para desempenhar missões com garantias de fiabilidade, qualidade e segurança.
     O FTB número 13729 foi entregue à Força Aérea de Moçambique em Janeiro de 2011, e o número 13713 em 29 de Maio de 2012, transportados para Moçambique a bordo de um C-130 da FAP.

O Museu do Ar possui esta aeronave no seu espólio.


Fontes (segunda parte):
  • Imagens 4, 6 e 10: © Carlos PedroBlog Altimagem;
  • Imagens 5, 7, 8 e 9 e Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000;
  • Texto em itálico (resumido): Revista da Força Aérea Portuguesa "Mais Alto" número 398, de Julho / Agosto de 2012, Estado-Maior da Força Aérea, Alfragide.

30 agosto 2014

Reims-Cessna FTB-337G (primeira parte)

Imagem 1

REIMS-CESSNA FTB-337G

Quantidade: 32
Utilizador: Força Aérea
Entrada ao serviço: Dezembro de 1974
Data de abate: 2007


Dados técnicos:
a)       Tipo de Aeronave
Avião bimotor com motores em tandem, terrestre, de trem de aterragem triciclo retráctil, mono-plano de asa alta, com dois fusos de cauda e duplo estabilizador vertical, revestimento metálico, cabina integrada na fuselagem, concebido para operações militares de apoio táctico e transporte ligeiro. Tripulação: 1 (piloto).
b)       Construtor
Cessna Aircraft Corp. / USA.
Sob licença: Reims-Aviation / França.
c)       Motopropulsor
Motores: 2 motores Continental (ou Rolls-Royce) IO-360-D, de 6 cilindros opostos arrefecidos por ar, sobrealimentado, de 225 hp. Hélices: Metálicos, de duas pás, de passo variável e posição de bandeira. O hélice posterior é de menor diâmetro em relação ao hélice anterior.
d)       Dimensões
                Envergadura …………..........12,10 m
                Comprimento…..…………......9,07 m
                Altura………….…………….....2,34 m
                Área alar ……….……...........18,81 m²
e)       Pesos
                Peso vazio……………..…….1.454 kg
                Peso máximo………………..2.100 kg
f)        Performances
                Velocidade máxima ……..……..360 Km/h
                Velocidade de cruzeiro ……......277 Km/h
                Tecto de serviço ………….…..7.260 m
                Raio de acção ………………..1.577 Km
                Raio de acção a baixo regime..2.398 Km
g)      Armamento
Suspenso nas asas, em alternativa:
4 calhas lança-foguetes;
4 metralhadoras ligeiras;
4 bombas.
h)      Capacidade de transporte
4 passageiros; ou 2 macas e 1 assistente.



Imagem 2
Resumo histórico:
     Durante muitos anos a Cessna desenvolveu estudos no sentido de obter um avião ligeiro simples de operar, de baixo custo, seguro e confortável, de quatro a seis lugares e que oferecesse a reconhecida vantagem dos bimotores.
     Na sequência do estudo, optou por aplicar o “conceito CLT” (Center-Line Thrust), que consiste na colocação dos dois motores na fuselagem, um à frente e outro atrás, eliminando os problemas de torque.
     Como corolário do trabalho, surgiu um pequeno avião bi-fuselado, com dois motores em tandem e trem fixo, que foi designado por Cessna Model 336 – Skymaster, cujo protótipo voou pela primeira vez no dia 28 de Fevereiro de 1961.
     Aprovado oficialmente em Maio de 1962, os aviões de produção de série começaram a sair da fábrica em Maio de 1963. Não obtiveram grande sucesso, particularmente pelo antiquado trem de aterragem fixo. As vendas foram modestas. Até Janeiro de 1965 produziram-se somente 195 unidades.
     No mês seguinte foi apresentado o Cessna Model 337 Super Skymaster, com as asas modificadas, novo formato da fuselagem, seis lugares, trem retráctil, melhores performances e outras alterações que o tornaram num avião diferente.
     Este modelo foi bem aceite e em breve surgiram algumas variantes, entre elas o Cessna 337 Turbo System Super Skymaster, com motores sobrealimentados e cabina pressurizada.
     A Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) interessou-se pelo avião, por ser de operação semelhante aos pequenos mono-motores e usufruir da segurança dos bimotores.
     A versão militar foi designada por Cessna O-2A, com seis lugares, duplo comando, destinada a missões de reconhecimento e posto de controlo aéreo, com capacidade para transportar diverso armamento ligeiro ofensivo suspenso em quatro suportes instalados sob as asas, estas necessariamente reforçadas. A USAF adquiriu 299 aviões O-2A, que substituíram os mono-motores O-I Dog Bird.
     Os O-2A actuaram em larga escala na Guerra do Vietname, executando missões de controlo aéreo avançado, reconhecimento aero-fotográfico e visual, detecção e sinalização de objectivos para os aviões de ataque ao solo, busca de tripulantes, evacuação de feridos, transporte de ligação e muitas mais, algumas de alto risco, como as missões de detecção de anti-aéreas, voando baixo para servir de alvo e informando das suas localizações os aviões encarregados da sua supressão.

     Em Março de 1967 começaram a operar 32 aviões da versão Cessna O-2B. Eram da versão civil Cessna 337 Super Skymaster, convertidos para a guerra psicológica, equipados com altifalantes e dispositivos para lançar panfletos.
     A fim de fornecer o mercado europeu, os Cessna 337 Super Skymaster começaram a ser produzidos em França, pela Reims-Aviation, com a designação Reims-Cessna F-337 Super Skymaster.
     Em 1970 a Reims-Aviation construiu uma versão militar com características de aterragem e descolagem em curtas distâncias (STOLShort Take-Off and Landing), designada por FTMA-Milirôle, cujo protótipo efectuou o primeiro voo em 26 de Maio de 1970.
A evolução dos FTMA originou a nova designação de Reims-Cessna FTB-337 Milirôle.

     As versões militares dos Cessna 337 são utilizadas em vários países, principalmente na América Central e Ásia. São referidos como operadores destes aviões a Tailândia, Haiti, Honduras, Nicarágua e Senegal. A partir de 1973, a Rodésia dispôs de duas dezenas de Reims-Cessna FTB-33, que designou de Lynx, que utilizou na luta anti-guerrilha, armados com metralhadoras e foguetes instalados em pods suspensos nas asas. Em 1980 alguns destes aviões eram operados pela Força Aérea do Zimbabué.

Imagem 3

     Esta aeronave tem uma história interessante. Ela foi usada, dentre outras, pela organização não governamental Brothers to the Rescue, que actuaram de 1991 a 2001 em missões de busca e salvamento de cubanos que tentavam fugir do regime de Fidel Castro em botes e pequenas embarcações. Uma vez encontrados, eram jogados salva-vidas e suprimentos e contactada a Guarda Costeira dos Estados Unidos para apoio. Em 1996, duas destas aeronaves foram abatidas pela Força Aérea Cubana, mesmo estando em águas internacionais. Uma terceira escapou do ataque.

     Não são conhecidos os resultados comerciais que a Reims-Aviation obteve com os Reims-Cessna FTB-337 no mercado internacional, para além da venda de 32 aviões a Portugal e 20 à Rodésia. Sabe-se apenas que foram construídas 1859 unidades na versão padrão (Cessna Model 337 Super Skymaster) e 332 unidades na versão pressurizada (Cessna 337 Turbo System Super Skymaster). Da versão militar O-2 foram construídas 513 unidades nas várias versões.

(continua)



Fontes (primeira parte):
  • Imagem 1: FAP / AHFA - Força Aérea Portuguesa / Arquivo Histórico da Força Aérea;
  • Imagem 2: Cortesia de Richard Ferriere - 3 vues;
  • Imagem 3: © Carlos Pedro Blog Altimagem;
  • Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.