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31 janeiro 2015

Lockheed Martin F-16 MLU (terceira parte)

(continuação)

Ver  Lockheed Martin F-16 MLU (primeira parte)


Imagem 11



Percurso em Portugal (continuação):

     Em 1996 Portugal efectuou um pedido adicional de 21 F-16A e 4 F-16B (totalizando 25 F-16). Este segundo lote de F-16 em segunda mão destinava-se à substituição directa do A-7P Corsair na função de ataque ao solo e seriam capacitados para ataque diurno e nocturno pela actualização MLU (Mid-Life-Update). A 20 de Novembro de 1997 o Departamento de Defesa dos Estados Unidos anuncia a disponibilidade de 25 F-16A/B Block 15 usados e a custo zero, sendo Portugal responsável pelo seu transporte.
     A carta de intenções é assinada a 30 de Novembro de 1998 e inclui as 25 aeronaves usadas a custo zero, com novos motores F100-PW-220E, transporte, apoio logístico e 20 kits de modernização MLU, pelo valor de 268 milhões de dólares (preços de 1998) pagos em prestações até ao ano de 2004. Os Kits comprados inicialmente eram modelo 2, entretanto foram actualizados ao nível do F-16C/D Block 50/52, equiparando-os aos dos restantes parceiros Europeus da NATO.
     Os aviões actualizados são oficialmente designados F-16AM (monolugar) e F-16BM (bilugar). A este programa foi dado o nome de código «Peace Atlantis II». Destas 25 aeronaves, cinco serão armazenadas para fornecimento de peças. Mais tarde foram adquiridos mais 18 Kits, elevando para 38 as unidades actualizadas ou em fase de actualização, ou seja, a totalidade dos F-16 operacionais.

Imagem 12: Emblema de pano da Base Aérea nº 5

     Estes 25 F-16 foram recebidos pela FAP entre 12 de Maio de 1999 e 15 de Junho de 1999. Receberam os números de matrícula FAP de 15121 a 15146.
     A actualização de todas as aeronaves F-16 foi realizada pelas Oficinas gerais de Material Aeronáutico (OGMA), em Alverca, a uma média de uma aeronave a cada dois meses. Os primeiros pacotes MLU M2 foram feitos na Bélgica e o primeiro F-16 modernizado foi apresentado em 2003.
     A decisão de colocar o segundo lote de F-16 na versão MLU veio evidenciar que os primeiros F-16 também teriam que sofrer a mesma actualização, pois seria desajustado a FAP operar duas frotas distintas, agravado pelo facto de uma delas já se encontrar desactualizada. Esta constatação foi por demais evidente no envolvimento Nacional no conflito da ex-Jugoslávia em 1999 e na participação no exercício Red Flag em 2000, expondo as limitações operacionais do F-16 OCU, em termos de armamento ar-ar e ar-solo e na qualidade dos sensores, os quais impediram os pilotos nacionais de assumirem preponderância ofensiva e um posicionamento táctico de relevo. Foram então canalizados todos os esforços na viabilização da modificação de todos os 40 F-16 OCU para o padrão MLU.

     No ano 2000 Portugal aderiu ao Multi-National Fighter Program (MNFP), acontecimento com a maior relevância para a operacionalidade continuada dos F-16 MLU. Esta adesão apenas foi possível devido à versão do F-16 MLU português ser exactamente igual à dos Países Europeus (EPAF - European Participating Air Forces), do OFP (Operational Flight Program - software operacional do avião) ter a mesma base programática para todos os países, incluindo nos aviões dos Estados Unidos, e de Portugal ter conquistado o estatuto e ser reconhecido como um parceiro “credível”. 14 anos após a adesão, o F-16 dos países do MNFP já sofreu cinco actualizações de OFP.

Imagem 13: Emblema da
Esquadra 301 «Jaguares»



     Em Outubro de 2004  a Esquadra 301- «Jaguares», foi equipada com a aeronave F-16, na sua versão modernizada MLU.
     A partir de 21 de Novembro de 2005 a Esquadra 301 - «Jaguares» deixa definitivamente os Alpha Jet e a Base Aérea Nº 11 (BA11), em Beja, e é transferida para a BA5, a fim de receber os novos F-16 MLU, juntando-se assim à Esquadra 201 - «Falcões».





     Em 22 e 26 de Julho de 2009 tiveram lugar as comemorações do 50º Aniversário da Base Aérea nº 5, em Monte Real, com o Spotter's Day e a abertura da Base ao público (imagens 14 e 15).

Imagem 14: Patch comemorativo dos 50 anos da BA5

Imagem 15: Pintura comemorativa dos 50 anos da Base Aérea nº 5
numa aeronave F-16A Block 15AW OCU



     O último voo de um F-16 OCU para as OGMA, a fim de receber a actualização MLU, foi realizado pelo número 15119 em 19 de Janeiro de 2011.
     De um modo generalizado, as principais modificações da actualização MLU  (Mid-Life-Updatesão as seguintes:
  •         Novo computador de combate / missão (MMC - Modular Mission Computer), substitui os anteriores três componentes, que equipavam as versões antigas, computador de controlo de tiro (XFCC), unidade de controlo da dados apresentado no HUD (Head up display)e a unidade de controlo e gestão do armamento transportado. Deriva do computador do F-22 Raptor e possui uma capacidade de processar 155 milhões de operações por segundo. Existe a possibilidade de acrescentar módulos para aumento da capacidade, ou de substituição de módulos em face da natureza da missão a executar. Permite ainda a utilização de armamento de última geração;
  •         Modernização do radar substituindo o AN/APG66 pelo APG-66(V)2A tornando-o equivalente ao que equipa os aviões do bloco 50. Com uma capacidade 25% superior em rastreio e detenção de alvos em relação ao anterior modelo, possui um alcance de 90 Km, permite monitorizar até dez alvos e disparar contra seis simultâneamente, com contra medidas electrónicas (EECM) melhoradas, capacidade de rastreio e mapeamento terrestre melhoradas e apresentação de dados em monitor a cores;
  •         Substituição do sistema IFF (interrogador amigo-inimigo), pelo AIFF (interrogador amigo-inimigo avançado) com um alcance superior a 150 Km, permitindo a utilização de mísseis ar-ar para além das possibilidades do radar;
  •         DTSDigital Terrain System, sistema que fornece ao piloto dados audíveis, sobre os obstáculos no terreno à sua frente quando voa de noite a baixa altitude, obtendo dados do radar e do altímetro. pode ser ligado ao piloto automático se o sistema de navegação do avião for digital;
  •         Data-Modem, sistema que permite a comunicação entre vários F-16 e entre os F-16 e as estações terrestres ou com tropas no terreno permitindo uma maior integração das forças.

     No dia 14 de Novembro de 2013, cerca de 10 anos após o voo do primeiro avião F-16 MLU (26 de Junho de 2003), foi realizado na BA5 o voo de ensaio ao último avião transformado em Portugal para o padrão F-16 MLU. Terminava, assim, este complexo programa, que só foi possível devido ao esforço de tantos e tão bons profissionais da Força Aérea Portuguesa.

Imagem 16: F-16 com pintura comemorativa dos 20 anos de operações do F-16 em Portugal



Imagem 17: F-16 com a pintura comemorativa dos 20 anos do Fighting Falcon


     No dia 13 de Julho de 2014 tiveram lugar na BA5 as comemorações dos 20 anos do Lockheed Martin F-16 Fighting Falcon em Portugal e na FAP.
     As duas Esquadras de F-16, «Falcões» e «Tigres», mantêm por missão a Luta Aérea Ofensiva e Defensiva e as Operações contra alvos de superfície. Diariamente, as Esquadras 201 e 301 mantêm um elevado estado de prontidão na protecção do espaço aéreo nacional, contribuindo para a manutenção da soberania nacional, utilizando um total de 39 aviões-caça F-16: 33 monolugares e 6 bi-lugares na versão MLU (1 F-16A OCU e 1 F-16 MLU foram destruídos em acidentes; 5 F-16 foram retirados ou armazenados para fornecimento de peças). Destes 39 F-16 operacionais, 12 estão já "reservados" para a Força Aérea Romena. 


Imagem 18: F-16 em pedestal na Base Aérea nº 5, Monte Real.


      Em 2016 a FAP terá ao seu dispor 30 caças F-16 – já incluindo as 3 novas células que virão dos EUA – por forma a concretizar o contemplado na Lei de Programação Militar que prevê 30 caças F-16 a operar pelas duas Esquadras da BA5.



Fontes (terceira parte):
Imagens 11, 16, 17 e 18: Cortesia de  EMFA - Estado Maior da Força Aérea;
Imagens 12 a 14: Colecção Altimagem;
Imagem 15: Cortesia de CAVFA - Centro de Audiovisuais da Força Aérea (Saj Élio Domingos);

Texto:
- Cortesia de MAIS ALTO - Revista da Força Aérea Portuguesa: - Revistas números 350, 393, 402 e 407, de Julho/Agosto de 2004, Setembro/Outubro de 2011, Março/Abril de 2013 e Janeiro/Fevereiro de 2014, respectivamente;
- Cortesia de Operações - Arquivo de Imprensa do Pássaro de Ferro;
- Cortesia de Pássaro de Ferro - Crónicas da Aviação.

24 janeiro 2015

Lockheed Martin F-16 MLU (segunda parte)

(continuação)

Ver  Lockheed Martin F-16 MLU (primeira parte)

Imagem 4: F-16 da Força Aérea Portuguesa



Resumo histórico (continuação):
     Dos aviões F-16 deslocados para a Guerra do Golfo (Operação "Tempestade no Deserto", Janeiro de 1991), muitos estavam optimizados para missões de ataque ao solo. O seu desempenho no ataque às viaturas blindadas iraquianas foi surpreendente, suplantando os Fairchild A-10 Thunderbold II, de cuja experiência resultou o estudo de nova versão, ou “bloco”, equipada com iluminador laser, visão nocturna e outros melhoramentos operacionais.
     A sua capacidade de resposta às múltiplas solicitações operacionais a que tem sido sujeito, motivaram o estudo de um novo programa em 1991, similar e, talvez, a continuação do MSIP de 1980, designado por MLU (Mid-Life-Update), que tem em vista o prolongamento da vida operacional dos F-16A e F-16B, uma vez que o conjunto célula-motor tem uma perspectiva de vida útil até 2010 e poderá ser prolongada para além de 2020.
     Outra justificação para a implementação do MLU reside nas cerca de 1.500 aeronaves F-16A e F-16B das séries iniciais de produção, serem potencialmente elegíveis para o programa.
     À data do lançamento, o novo programa envolvia 130 aviões americanos e cerca de 400 dos restantes utilizadores (EPG - European Participating Governments). Os sucessivos cortes orçamentais decretados pelo Congresso norte-americano impediram a modernização dos aviões dos EUA no âmbito do MLU. A USAF intervém na gestão, acompanhamento e financiamento do programa, cedendo um F-16 como plataforma experimental dos sistemas a instalar.
     Os números de meados de 1996, no que diz respeito aos F-16 a modificar, compreendem 136 holandeses, 61 dinamarqueses, 56 noruegueses e 48 belgas, estes últimos com possibilidade de totalizarem 90.
     Adicionalmente, Taiwan encomendou a actualização de 120 a 150 aviões de uma versão híbrida, o F-16T, que já dispõe de alguns dos “blocos” previstos no âmbito do MLU.
     Sendo o F-16 originariamente concebido como avião de combate aéreo a curta distância, uma das intenções do programa MLU consiste precisamente em dotá-los de capacidade efectiva de combate “para além do alcance visual” (BVR - Beyond Visual Range), que vem sendo progressivamente introduzida nas séries de produção mais recentes.

     As modificações são propostas numa forma global, podendo os países, segundo as suas necessidades, utilizar apenas algumas das capacidades disponíveis. Mais de 20 anos depois do voo do primeiro protótipo, o F-16 continua a ser dos aviões de combate mais sofisticados desta época.
Com estes projectos e os que, naturalmente, se seguirão, é imprevisível o que será o F-16 dos próximos anos, sendo igualmente imprevisível quando terminará a sua vida operacional. Em Fevereiro de 2010 o total de F-16 construídos englobando todas as versões e variantes atinge o número 4.426, utilizados em 26 países.

Imagem 5: Países que utilizam o F-16 Fighting Falcon


Percurso em Portugal:
     Portugal iniciou a Era F-16 com o processo de aquisição de 17 aviões General Dynamics F-16A Fighting Falcon (monolugar) e 3 General Dynamics F-16B Fighting Falcon (bilugar) para a Força Aérea Portuguesa (FAP), foi iniciado em Agosto de 1990, com a assinatura da “carta de oferta e aceitação” (Letter of Offer and Acceptance) que implementou o programa «Peace Atlantis I». Além do fornecimento de 17 F-16A e 3 F-16B, previa peças de substituição, equipamento de suporte e apoio, manuais de pilotagem e manutenção, instrução de pilotos e equipes de manutenção, participação da FAP no Grupo de Coordenação Técnica do F-16, e no Programa Integrado da Estrutura do Avião. Os aviões eram de construção nova no padrão block 15OCU, o que os tornava quase idênticos ao F-16ADF, a única coisa que os diferencia é a inexistência das antenas AIFF (Advanced Indentication Friend or Foe) na frente da canopy. Acrescenta-se que a versão Portuguesa possui algumas melhorias, entre as quais um giroscópio laser Wide-Angle HUD, motores Pratt & Whitney F100-PW-220E e capacidade de disparo do míssil AIM-120 AMRAAM.

Imagem 6: F-16A da FAP a preparar-se para um reabastecimento em voo


 A escolha de Portugal recaiu nos F-16A/B Fighting Falcon, pertencentes ao chamado “Bloco 15” Fighting Falcon, com capacidade OCU (Operational Capability Upgrade), como mais tarde passaram a ser conhecidos que, de forma definitiva, viriam a “revolucionar” a operação e gestão de meios aéreos na FAP, possibilitando de forma inovadora e até então nunca antes conseguida, elevados níveis de eficiência, fiabilidade e segurança, de um meio aéreo sofisticado e exigente como o F-16.

Imagem 7: Lockheed Martin F-16B Block 15AT OCU, da Esquadra 201 da
BaseAérea nº 5 (Cortesia de http://digitalhangar.blogspot.pt/ )



     Os primeiros F-16 Fighting Falcon foram recebidos no dia 18 de Julho de 1994, nas instalações da Lockheed Forth Worth Company (ex-General Dynamics).
     A entrega oficial dos 20 F-16 à FAP aconteceu em 21 de Fevereiro de 1995, na Base Aérea Nº 5 (BA5), Monte Real, passando a equipar a Esquadra de Caça 201 - “Falcões”, que se assume como a herdeira do espírito e tradições da extinta Esquadra 51, equipada com os F-86F Sabre, adoptando o distintivo, com pequenas alterações, e o lema «Guerra ou Paz, tanto nos faz». A sua missão primária é a defesa do espaço aéreo nacional, através de missões de caça e intercepção. Além disso, a Esquadra 201 está atribuída à NATO como uma unidade IRF (Immediate Reaction Force).


Imagem 8: Brasão da
Base Aérea nº 5 (BA5)
Imagem 9: Emblema da Esquadra 201 da BA5
















     Devido à crise do Kosovo, em 21 de Janeiro de 1999 o Governo Português autorizou a deslocação de três F-16 para a Base Aérea de Aviano, Itália, para integrarem a Operação Allied Force. Ao destacamento, apelidado de «Falcão Peregrino», foram, essencialmente, atribuídas missões de CAP (Combat Air Patrol), muitas delas com uma duração superior a sete horas de voo, nas quais se chegaram a efectuar vários reabastecimentos em voo. O destacamento terminou em 5 de Julho de 1999, tendo realizado 281 missões, num total de 1.050 horas de voo.

     Os F-16A receberam a numeração de 15101 a 15117 e os F-16B de 15118 a 15120. Estão pintados no esquema característico destes aviões, com as superfícies superiores em dois tons de cinzento e as inferiores em cinzento azulado.

Imagem 10: F-16 da FAP equipado com mísseis AIM-9 Sidewinder e
tanques de combustível externos.

     Ostentam a Cruz de Cristo, sobre círculo branco, no extra-dorso da asa esquerda, no intradorso da asa direita e nos lados da fuselagem, em tamanho reduzido. As cores nacionais, sem escudo, estão colocadas dentro de um rectângulo nos lados do estabilizador vertical. Os números de matrícula encontram-se a preto no extra-dorso da asa direita e no intradorso da asa esquerda, alternando com a insígnia, e também sobre os rectângulos com as cores nacionais do estabilizador vertical.

(continua)


Fontes (segunda parte):
Imagem 4 e 8: Cortesia de EMFA - Estado-Maior da Força Aérea;
Imagens 5, 6 e 10: Cortesia de Wikipedia, a enciclopédia livre;
Imagem 7: Cortesia de Paulo Alegria - digitalhangar.blogspot.pt

Texto:
- "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000;
- Cortesia de MAIS ALTO - Revista da Força Aérea Portuguesa: - Revistas números 350, 393, 398, 399 e 406, de Julho/Agosto de 2004, Setembro/Outubro de 2011, Julho/Agosto de 2012, Setembro Outubro de 2012 e Novembro/Dezembro de 2013, respectivamente;
- Cortesia de OPERAÇÕES - Arquivo de Imprensa do Pássaro de Ferro.

17 janeiro 2015

Lockheed Martin F-16 MLU (primeira parte)

Carlos G. Pedro, F-16 MLU, FAP, Altimagem
Imagem 1: F-16 da Força Aérea Portuguesa, 1996

GENERAL DYNAMICS F-16 FIGHTING FALCON
LOCKHEED MARTIN F-16 OCU FIGHTING FALCON
LOCKHEED MARTIN F-16 MLU FIGHTING FALCON


                     Quantidades:    F-16A OCU: 17 (convertidos para MLU)
                                            F-16B OCU: 3 (convertidos para MLU)
  F-16AM: 21
F-16BM: 4
Total: 45

Utilizador: Força Aérea
Entrada ao serviço: 18 de Julho de 1994
Data de abate: Janeiro de 2011 (convertidos para MLU)
Início da entrada ao serviço na versão MLU: 1999


Dados técnicos:
a)       Tipo de Aeronave  (Versão F-16 MLU)
Avião mono-reactor supersónico, de trem de aterragem triciclo retráctil, mono-plano de asa média em flecha, revestimento metálico, monolugar ou bilugar,  cabina coberta por canopy em bolha, concebido para missões diversificadas de combate, defesa aérea e ataque.
Tripulação: 1 (piloto).
b)       Construtor
Inicial: General Dynamics Corporation / USA;
Actual: Lockheed Martin Tactical Aircraft Systems / USA.
Sob licença:          Consórcio Europeu (Bélgica, Dinamarca, Noruega e Países Baixos);
                                Turquia;
                                Coreia do Sul.
c)       Motopropulsor
Motor: 1 motor Pratt & Whitney F-100-PW-220E, em várias versões, com pós-combustão, de 10.800 Kgf de impulsão, ou General Electric F-110, também em várias versões.
d)       Dimensões
                Envergadura …………............9,45 m
                Comprimento…..…………....15,03 m
                Altura………….……………...5,09 m
                Área alar ……….……............27,90 m²
e)       Pesos
                Peso vazio……………..…….7.400 kg
                Peso máximo Take-off…….16.100 kg
                Peso máximo carga………….3.800 Kg
f)        Performances
                Velocidade máxima até 30.000 pés ……..1.480 Km/h (800 Kt)
                Acima de 30.000 pés……………………  2.160 Km/h (Mach 2.05)
                Velocidade de cruzeiro …………………….980 Km/h
                Tecto de serviço ………………………..15.240 m
                Raio de acção normal.............................…1.450 Km
                Raio de acção com depósitos auxiliares.......3.890 Km
                Autonomia ……………………………........……03H00
                Combustível...........................................,........7.160 lbs + 6.730 lbs
g)      Armamento
1 canhão rotativo Vulcan de 20 mm;
5.638 Kg suspensos em seis estações sob as asas (3+3) e duas nas pontas das asas (1+1), que podem utilizar diversos sistemas de armas, como bombas, mísseis ou foguetes.
h)      Capacidade de transporte
Nenhuma.



Imagem 2

Resumo histórico:
     O avião General Dynamics F-16 Fighting Falcon tem a sua origem num concurso lançado pela Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) em 1972, para a construção de um caça diurno ligeiro (LWF - Lightweight Fighter).
     A General Dynamics Corporation iniciou os estudos do F-16 em Fevereiro de 1972, competindo com outros fabricantes, dos quais se destacava o Northrop YF-17. Deste estudo resultou o mais popular e dos mais avançados aviões de combate da actualidade.
     O primeiro protótipo, denominado YF-16, iniciou os voos de experiência em 20 de Janeiro de 1974. A realização deste voo é indicada com datas diferentes pelos vários autores do historial do F-16: para uns foi a 20 de Janeiro de 1974 e para outros a 2 de Fevereiro de 1974.
     Talvez a explicação destes desencontros resida no facto de o primeiro voo (20 de Janeiro) se ter realizado de forma imprevista. Durante os testes de rolagem a alta velocidade, o piloto de ensaios Phil Oesticher, ainda pouco familiarizado com as novas técnicas introduzidas na aeronave, de que se destacam a excessiva sensibilidade do controlo FBW (Fly-By-Wire) accionado por uma pequena alavanca (joy-stick) colocada lateralmente, e a elevada razão peso / impulso proporcionada pelo potente motor, levou-o a um voo não programado, como solução para evitar sérios danos no aparelho. No dia 2 de Fevereiro realizou, então, o primeiro voo programado.
O segundo protótipo voou em 9 de Maio de 1974.
O ciclo de ensaios e consequentes aperfeiçoamentos foram prosseguindo, até que, em 13 de Janeiro de 1975, a USAF anuncia que o General Dynamics F-16 Fighting Falcon tinha satisfeito todos os requisitos, tendo sido seleccionado para equipar as suas unidades de combate.
     Entretanto, os requisitos iniciais para a construção do caça diurno de superioridade aérea foram expandidos, dando-se igual ênfase à capacidade de ataque ao solo e também para operar em todas as condições meteorológicas, utilizando equipamentos de radar e de navegação adequados.
     Em Julho de 1975 iniciou-se a construção de oito aviões de pré-produção para a USAF, dos quais seis monolugares F-16A e dois bi-lugares F-16B.
     A primeira encomenda da USAF, de produção, previa o fornecimento de 650 unidades, que logo foi aumentada para 1.388, dos quais 204 bi-lugares, tendo em vista a modernização da Air Force Reserve e da Air National Guard.
     O primeiro F-16A de produção fez o voo de ensaio em 8 de Dezembro de 1976, e o primeiro F-16B em 8 de Agosto de 1977. A produção dos F-16 nos Estados Unidos envolveu 67 empresas e mais de 4.000 empresas sub-contratadas.
     Este extraordinário avião da nova geração despertou o interesse de vários países europeus integrados na NATO. Em 7 de Junho de 1975, a Bélgica, a Dinamarca, a Noruega e os Países Baixos, que pretendiam substituir os F-104 Starfighter, optaram pelos F-16, numa operação comercial que ficou conhecida pelo “contrato do século” e que, desde logo, garantiu o sucesso do projecto. A Turquia também optou por adquirir os F-16. Inerente ao contrato estabelecido com a General Dynamics, os F-16 destinados a estes países foram montados na Bélgica, Países Baixos e Turquia.
     Até 1992 foram construídos nos Estados Unidos 3.650  F-16 de todas as versões, sendo que 460 saíram das linhas de montagem instaladas na Bélgica, Países Baixos e Turquia. Foi também instalada uma linha de montagem na Coreia do Sul.
     Desde a entrada em serviço, em finais de 1976, os F-16 Fighting Falcon, graças à sua imensa versatilidade, têm sido sujeitos a inúmeras modificações e adaptações, das quais têm resultado diversas variantes.

Imagem 3: F-16 da USAF sobrevoando o Iraque em 2008

     De uma forma muito resumida, as principais versões em produção, no início da década de noventa, eram as seguintes:

  • A-16 - Versão de ataque ao solo destinada ao USAF Tactical Air Command. Em 1990 / 1991, 146  F-16 foram convertidos nesta versão, embora se designem, igualmente, por F-16;
  • F-16A - Foi a primeira versão de produção, para combate ar-ar e ar-solo. Entraram ao serviço da USAF em 6 de Janeiro de 1979, adquirindo o estatuto de operacionais em Outubro de 1980, tendo então adoptado o nome de Fighting Falcon. Operam também nas forças aéreas da Bélgica, Dinamarca, Egipto, Indonésia, Israel, Malásia, Noruega, Nova Zelândia, Países Baixos, Paquistão, Singapura, Tailândia e Venezuela. A produção para a USAF foi completada em Março de 1985, mas a General Dynamics continuou a produção para outros países;
  • F-16 (ADF) - Em Outubro de 1986, a USAF estabeleceu um contrato com a General Dynamics para a transformação de 270 F-16A e F-16B em caças de defesa aérea (ADF - Air Defence Fighter), para substituírem os F-4 Phantom e F-106 Delta Dart, da Air National Guard;
  • F-16B - É a variante bi-lugar do F-16A, com dois postos de pilotagem em tandem, conservando a capacidade de combate;
  • F-16C / D - Versão com duas variantes: Monolugar (C) e bilugar (D). Esta versão resulta de um programa implementado em Fevereiro de 1980 pela USAF e intitulado Multinational Staged Improvement Programme (MSIP), com a finalidade de expandir a capacidade de combate dos F-16, incorporando sistemas de ataque ao solo e de intercepção aérea diurna e nocturna, em quaisquer condições meteorológicas. Cada fase de expansão constituiu um “bloco” de produção. A primeira fase do MSIP, iniciada em Novembro de 1981, constituiu na  introdução do “bloco 15” em F-16A e F-16B, o que incluía a montagem da rede de integração e processamento de dados e as modificações estruturais necessárias à instalação de outros “blocos”. A segunda fase constituiu na aplicação do “bloco 25”, com novos aviónicos, novo painel de instrumentos e outras modificações, da qual resultaram os primeiros F-16C e F-16D Fighting Falcon, que começaram a ser produzidos a partir de Julho de 1984. A terceira fase foi dedicada à selecção de novos “blocos”. Em resumo, da aplicação do MSIP, os F-16C e F-16D ficaram aptos a executar quase todas as missões possíveis para o tipo de aeronave, bem como usar uma extensa gama de armamento com o máximo de eficiência. Os F-16D equipam os seguintes países: Bahrain, Coreia do Sul, Egipto, Estados Unidos, Israel, Grécia, Turquia e Singapura;
  • F-16N / TF-16N - Versões seleccionadas pela US Navy em Janeiro de 1985, essencialmente para treino de combate em aviões supersónicos. Os F-16N são monolugares semelhantes aos F-16C “bloco 30”, assim como os TF-16N são bil-ugares tal como os F-16D. Foram fornecidos 26 entre 1987 e 1988. Alguns destes aviões foram utilizados como “aviões agressores”, simulando os soviéticos MIG-23 e MIG-29;
  • F-16 Agile Falcon - É a proposta para a sucessão dos F-16C/D, com asas em material compósito, mais leve, aerodinâmica refinada, aviónicos actualizados e motores de melhor rendimento. Foi apresentado aos países europeus da NATO, operadores de F-16A e F-16B. A Turquia demonstrou interesse em participar no programa.
     Outras versões têm sido produzidas em quantidades reduzidas: os F-16 Recce para reconhecimento; os AFTI/F-16, essencialmente F-16A adaptados para experiências de novas tecnologias (AFTI - Advanced Fighter Technology Integration); os F-16XL, protótipos encomendados pela NASA, etc, etc.
     Até Abril de 2012 tinham sido produzidos nos Estados Unidos e nas várias fábricas espalhadas pelo mundo, 4.500 F-16, nas variadas versões conhecidas.

(continua)


Fontes (primeira parte):
Imagem 1: © Carlos Pedro - Blog Altimagem
Imagens 2 e 3: Cortesia de  Wikipedia, a enciclopédia livre;
Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.