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18 novembro 2012

Junkers Ju-52 / 3m (terceira parte)

(Continuação: terceira parte)

Ver  Junkers Ju-52/3m (primeira parte)


Imagem 6
  1. Força Aérea
      Em 1952, os Junkers Ju-52/3m ge e Ju-52/3m g8e são absorvidos pela Força Aérea Portuguesa (FAP) e quase todos reunidos na Base Aérea Nº 3 (B.A.3), Tancos, tendo em vista a colaboração com os pára-quedistas, na altura em formação.
     A Base Aérea Nº 1 (B.A.1), Sintra, operou dois Ju-52, equipados para instrução de navegadores e de radio-telegrafistas, enquanto que a Base Aérea Nº 2 (B.A.2), Ota, manteve outros dois, para missões de transporte. Mantiveram as matrículas de quatro dígitos e a camuflagem original. Passaram a ostentar a insígnia da Cruz de Cristo, sobre círculo branco, no intradorso da asa esquerda e no extra-dorso da asa direita, alternando com a matrícula, esta em algarismos pretos. Sendo o algarismo da mesma cor que a superfície inferior das asas, foram colocados sobre um rectângulo cinzento. A Cruz de Cristo, sobre círculo branco, foi aplicada também nos lados da fuselagem. A bandeira nacional, sem escudo, foi colocada num pequeno rectângulo em ambos os lados do estabilizador vertical, encimada pelos algarismos pretos da matrícula. 
   
Imagem 8: Emblema da BA2

Imagem 7: O Galgo, símbolo
da BA3



      Os aviões da B.A.3 ostentavam, sob a janela da cabina de pilotagem, o tradicional galgo amarelo (Imagem 7), enquanto que os da B.A.2 ostentavam, na mesma posição, o distintivo da Unidade (Imagem 8).

     Em meados dos anos 50 a manutenção da frota Junkers Ju-52/3m debatia-se com grandes dificuldades para assegurar a operacionalidade dos motores BMW 132A-2, dada a falta de sobressalentes. Os engenheiros das Oficinas Gerais de Material Aeronáutico (OGMA), em Alverca, estudaram a instalação dos motores americanos Pratt & Whitney R-1340-AN-1 Wasp, excedentes dos North-American T-6. Este empreendimento - pensa-se que, até então, único no Mundo - obteve êxito e, em 1959, começaram a chegar à B.A.3 os primeiros aviões com os motores modificados.
Imagem 9: Emblema da BA3

      A partir de 1960 foi-lhes aplicado o esquema de pintura da FAP para os aviões de transporte, em alumínio com o dorso em branco, mantendo as insígnias e as matrículas nas posições anteriores.


Os Ju-52/3m colocados na B.A.3 ostentavam, sob a janela da cabina de pilotagem, o distintivo da Base no formato completo, com fundo azul, substituindo o tradicional galgo amarelo. (Imagem 9)

      Com a formação do Batalhão de Caçadores Pára-quedistas (BCP), em Maio de 1955, que ficou instalado no Polígono Militar de Tancos, junto da B.A.3, os Ju-52/3m encetaram uma nova actividade.
No dia 15 de Outubro de 1955, elementos do BCP realizaram os primeiros saltos em Portugal, transportados em dois Junkers Ju-52/3m da B.A.3.

      Em 1961 foram adquiridos à Força Aérea Francesa 15 aviões Amiot A.A.C. 1 Toucan, a designação dos Junkers Ju-52/3m construídos em França nos Ateliers Aéronautiques de Colombes (A.A.C.). Foram transportados em voo da Argélia para a B.A.3, onde chegaram em Novembro e Dezembro de 1960. (Imagem 10)

Imagem 10

      Foram aumentados à carga da FAP com data de 27 de Fevereiro de 1961 e receberam a numeração de 6310 a 6324. Os Toucan não apresentavam alterações significativas em relação aos Ju-52/3m de origem alemã. No entanto, tinham as rodas do trem de aterragem com jantes de menor diâmetro e pneus mais largos, apropriados para pistas de terreno macio e porta de carga no lado direito da fuselagem, tal como os Ju-52/3m g8e, ainda que de menores dimensões.
     Estavam equipados com os motores BMW 132T, de 600 hp, que a FAP nunca substituiu. A pintura que possuíam, em alumínio com o dorso a branco, não foi alterada. Receberam as insígnias portuguesas. Os Amiot Toucan foram baptizados pelo pessoal de «Ju argelino».
      Em 1964, a distribuição dos Ju-52/3m e Toucan era a seguinte:

  • B.A. 1: 6304, 6307, 6315, 6316 e 6319;
  • B.A. 2: 6309 e 6320;
  • B.A. 3: 6300 a 6303, 6305, 6306, 6310, 6312 a 6314, 6317, 6318, 6321 a 6324;
  • B.A. 5: 6311.
       O 6308 da B.A.3, acidentado em 1956, foi abatido ao efectivo no ano seguinte. Da reduzida lista de acidentes com estes aviões, consta um pouco vulgar: -  No dia 31 de Agosto de 1969, os Ju-52/3m 6300 e 6310 colidiram no ar durante um voo de formação, do qual não resultaram estragos maiores que chapas ligeiramente amolgadas.
      Em 1955, os Ju-52/3m da B.A.3 estavam colocados na Esquadra de Ligação e Treino (ELT), que mudou sucessivamente de designação: em 1957 passou para Esquadra de Transporte de Pára-quedistas (ETP), em 1959 para Esquadra de Instrução Complementar de Pilotagem e Navegação em Aviões Pesados (EICPNAP), em fins de 1963 era a Esquadra de Treino e Transporte de Tropas Pára-quedistas (ETTTP) e, a partir de 1971, foi designada por Esquadra 32. A sucessora foi a Esquadra 502, transferida para a BA1 quando a BA3 foi encerrada em 1993.

      O abate da frota dos JU-52/3m foi um processo lento que demorou seis anos, sendo concluído em 1972.
      Ainda que surpreendente, o certo é que estes valiosos aviões, depois de concluídos os processos de abate, foram desmantelados. Salvaram-se muito poucos, alguns deles oferecidos a municípios que os colocaram em exposição. Muitos destes aviões acabaram por ser novamente adquiridos pelo Museu do Ar, por troca com outras aeronaves. Salvaram-se também o 6316, que se encontra no Imperial War Museum de Duxford, na Grã-Bretanha, em exposição ao ar livre, pintado com as cores e as insígnias da Luftwaffe. O 6309, que se encontra no Musée de l’Armée, em Bruxelas-Bélgica. E o 6320, propriedade da Luftwaffe, que se encontra na Base Aérea de Hohn, Alemanha.
      O Museu do Ar é detentor dos 6300, 6301, 6304, 6311 e 6315. Ainda que pareça inacreditável, todos estes Junkers J-52/3m foram desmantelados antes de se tornarem propriedade do Museu do Ar. Nem um ficou em condições de ser exposto ao público. Para remediar esta situação, o Museu do Ar mandou recuperar o 6304 na Bodo Aviation Historical Society, Noruega, com a finalidade de ser exposto, mas o trabalho é de molde a que o avião tenha de permanecer em recinto fechado. Como contrapartida, os noruegueses receberam o 6306.
      O Ju-52 é recordado com saudade, mercê da sua extraordinária segurança e durabilidade.

Ver  Junkers Ju-52/3m (primeira parte)


Fontes (terceira parte):
Imagens 6 e 10: FAP / AHFA - Força Aérea Portuguesa / Arquivo Histórico da Força Aérea;
Imagens 7, 8 e 9: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.
Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000; - "História da Força Aérea Portuguesa", Volume III, Coronel Piloto-Aviador Edgar Pereira da Costa Cardoso, Edição Cromocolor, Lda, Lisboa, 1984.

Junkers Ju-52 / 3m (segunda parte)

(Continuação - segunda parte)

Ver  Junkers Ju-52/3m (primeira parte)

Imagem 3


Percurso em Portugal:

  1. Aeronáutica Militar
      No dia 23 de Dezembro de 1936 chegaram a Portugal dez Junkers Ju-52/3m g3e, versão de transporte com adaptação para missões de bombardeamento, adquiridos na Alemanha, a fim de serem operados pela Aeronáutica Militar (A.M.).
      Ainda os aviões se encontravam na Alemanha e já a A.M. lhes tinha atribuído os números de matrícula de 101 a 110, o que foi uma anomalia no sistema de matrículas que a A.M. vinha mantendo desde 1934, uma vez que esses números já pertenciam aos DH-82 Tiger Moth. Sabe-se que tinham os números de construção 5653 a 5655, 5661, 5662, 5664, 5667, 5669 a 5671, mas ignora-se a relação de todos estes números com as matrículas da A.M.. Só podem ser confirmadas as seguintes: 103 (número de construção 5655), 105 (5661), 107 (5667), 108 (5669) e 109 (5671).      A partir de Junho de 1938, as matrículas das Ju-52/3m foram alteradas para 201 a 210, numa relação directa com as anteriores.

Imagem 4: Junkers Ju 52/3m g3e - Emissão especial dos CTT CORREIOS (BPC-219)
comemorativa dos 75 anos da Arma da Aeronáutica, 1 de Julho de 1999.
Desenho de M. Rodrigues Costa.

       Os dez Ju-52/3m foram mantidos na Base de Sintra, com actividade muito reduzida. Em Junho de 1937, com a chegada de instrutores alemães, dois pilotos e alguns mecânicos, a actividade melhorou significativamente. Por essa altura, com a Guerra Civil de Espanha em grande força, o Governo português solicitou ao Governo espanhol autorização para a participação de aviadores portugueses em missões de bombardeamento nocturno realizadas em Ju-52/3m. A autorização foi concedida e dois pilotos portugueses efectuaram missões de bombardeamento nocturno nos dias 13 e 27 de Julho de 1937.

Imagem 5: Emblema do GIAB
      Entre Julho e Agosto de 1937, os dez Ju-52/3m transitaram da Base de Sintra para o Grupo Independente de Aviação de Bombardeamento (GIAB), instalado em Alverca, onde ficaram aguardando que os trabalhos de construção da Base da Ota fossem concluídos, pois estavam destinados a esta Unidade.
      Em 26 de Março de 1939 tem início a colocação de pessoal e material na Base Aérea da Ota, inaugurada oficialmente em 14 de Abril de 1940. É por esta altura que os Ju-52/3m são transferidos para a Ota e colocados no Grupo de Bombardeamento Nocturno, constituído por duas Esquadrilhas, cada uma dispondo de cinco aviões.
      Em 1940 a Base Aérea Nº1 (BA1), Sintra (ex-Base Aérea de Sintra) operava o Junkers Ju-52/3m número 207. Em Setembro desse ano foi substituído pelo número 201, que ficou muito danificado quando o ciclone que assolou a região no dia 2 de Fevereiro de 1941 fez ruir o hangar onde estava recolhido, juntamente com toda a frota dos Breda Ba 65, que ficou destruída de forma irrecuperável. Por certo que o 201 ficou destruído também de forma irrecuperável, dado que só em Outubro de 1951 é que se encontram registos referentes a esta matrícula, após a recepção de dois Ju-52/3m adquiridos na Noruega.

      Em 1942, os Ju-52/3m da Base Aérea nº 2 (BA2), Ota (ex-Base Aérea da Ota), com os números 204, 205, 207, 208 e 210 foram transferidos para o Aeródromo de Rabo de Peixe, Ilha de S. Miguel, Açores, onde constituíram a Esquadrilha de Bombardeamento do Grupo de Esquadrilhas Expedicionárias Nº 1. Ainda que sob a aparente justificação de reforçar os meios aéreos existentes no arquipélago, com aviões pesados de bombardeamento, na realidade o objectivo foi aproveitar a considerável capacidade de transporte destes aviões. Transportados por via marítima, três chegaram em Fevereiro de 1942 e os dois restantes em Junho do mesmo ano.

      No dia 2 de Maio de 1942, um Junkers Ju-52/3m descolou de Rabo de Peixe, Ilha de S. Miguel, e aterrou nas Lajes, Ilha Terceira, inaugurando a carreira aérea semanal entre as ilhas. No dia 6 de Junho de 1942, o avião 210 lançou pára-quedistas sobre o aeródromo das Lajes, sendo provável que tenha sido o primeiro lançamento de pára-quedistas realizado em Portugal por um avião militar.
      De uma forma geral, os Ju-52/3m estacionados nos Açores realizavam missões de reconhecimento visual e fotográfico, treino de tiro e bombardeamento real (utilizando uma carreira de tiro muito rudimentar instalada no Ilhéu das Formigas), e executam voos em altitude para crianças com tosse convulsa.
      Em 1943 o Ju-52/3m número 210 incendiou-se ao aterrar em Rabo de Peixe, ficando completamente destruído, devido à inexistência de meios para extinção de incêndios.
      Em 12 de Janeiro de 1944 foi extinta a Esquadrilha de Bombardeamento, e os quatro JU-52/3m regressaram ao Continente. Foram colocados três na B.A.2 e um na B.A.1.
     Foi-lhes retirado o armamento, assim como as coberturas metálicas das rodas. Foi por esta época que deixaram de ser considerados bombardeiros, passando para a categoria de aviões de transporte.

      Em 1951 foram adquiridos dois Ju-52/3m g7e à Noruega. Receberam as matrículas da A.M. números 200 e 201. Distinguiam-se dos já existentes pela grande porta de carga do lado direito da fuselagem, e também pelo bordo de ataque das asas, em chapa não corrugada, contendo câmaras de ar aquecido por gases de escape, integradas no sistema de degelo. Eram aviões com bastante uso, apreendidos aos alemães no fim da II Guerra Mundial e utilizados pela Real Força Aérea Norueguesa.

      Foi ainda sob a égide da A.M. que os Ju-52/3m alteraram as matrículas para quatro dígitos, cabendo-lhes o bloco 6300. Tratou-se de um processo que tem merecido a atenção dos investigadores, sem resultados satisfatórios. Embora tenham sido recebidos doze aviões JU-52/3m, só foram atribuídas matrículas de quatro dígitos a dez, de 6300 a 6309. Assim, tanto o 201 original como o 210 - este destruído no acidente de Rabo de Peixe em 1943 - foram retirados da relação das matrículas, acabando a 201 por ser recuperada para um dos Ju-52/3m que veio da Noruega, ficando o 210 por preencher.
      Todos os Ju-52/3m se encontravam pintados em camuflado, segundo o esquema tradicional alemão, em verde, castanho e cinzento-escuro, separados por linhas rectas quebradas, com a superfície inferior a preto. Ostentavam, em ambos os lados das asas, a Cruz de Cristo, sobre círculo branco. No leme de direcção, a bandeira nacional, com escudo. Na fuselagem, os três algarismos pretos da matrícula. Fotografias da época mostram que, enquanto colocados no GIAB, ostentaram, sob a janela da cabina de pilotagem, o respectivo distintivo.

Fontes (segunda parte):
Imagem 3: FAP / AHFA - Força Aérea Portuguesa / Arquivo Histórico da Força Aérea;
Imagens 4 e 5: Colecção Altimagem;
Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000; - "História da Força Aérea Portuguesa", Volume III, Coronel Piloto-Aviador Edgar Pereira da Costa Cardoso, Edição Cromocolor, Lda, Lisboa, 1984.

Junkers Ju-52 / 3m (primeira parte)

Imagem 1

JUNKERS Ju-52 / 3m

Quantidade: 27
Utilizador: Aeronáutica Militar e Força Aérea
Entrada ao serviço: Janeiro de 1937
Data de abate: 1972


Dados técnicos: (versão Ju-52/3m ge)

a.      Tipo de Aeronave

        Avião trimotor terrestre, de trem de aterragem convencional fixo, asa baixa com lemes e flaps destacados, revestimento totalmente metálico em chapa corrugada, cabina integrada na fuselagem , destinado a  transporte comercial e militar. Tripulação: 5 (2 pilotos, navegador-bombardeiro, rádio-operador-metralhador e mecânico-metralhador.)

b.      Construtor

        Junkers Flugzeug und Motorenwerke A. G. / Alemanha.
        Sob licença:          Ateliers Aéronautiques de Colombes (A.A.C.) / França;
                                       Construcciones Aeronáuticas, S. A. (CASA) / Espanha ;
                                       Desconhecido / Noruega.

c.       Motopropulsor

        Motor: 3 motores BMW 132A-1 de 9 cilindros radiais arrefecidos por ar, desenvolvendo 660 hp (estes motores eram Pratt & Witney Hornet S4-D2 fabricados na Alemanha sob licença dos Estados Unidos).
        Hélices: Metálicos, de duas pás, de passo ajustável no solo.

d.      Dimensões

        Envergadura …………....29,31 m
        Comprimento…..…….….18,90 m
        Altura………….……...……4,52 m
        Área alar ……….….……110,55 m²

e.      Pesos

        Peso vazio……………..…5.700 kg
        Peso máximo……………..9.510 kg

f.        Performances

        Velocidade máxima ……..290 Km/h
        Velocidade de cruzeiro .…250 Km/h
        Tecto de serviço ……...6.000 m
        Raio de acção …………1.770 Km

g.      Armamento

        Defensivo: 1 metralhadora 7,92 mm instalada no posto dorsal;
        1 metralhadora 7,92 mm instalada no posto ventral retráctil;
        Ofensivo: 1.500 Kg de bombas.

h.      Capacidade de transporte

        17 passageiros ou pára-quedistas;
        ou 1.500 Kg de carga.



Imagem 2

Resumo histórico:
            Muitos dos grandes aviões militares usados na II Guerra Mundial tiveram a sua origem em aviões de transporte comercial dos primeiros anos da década de 1930. É o caso do célebre Junkers Ju-52/3m, desenhado pelo engenheiro alemão Ernst Zindel (1897-1978).
            Em 13 de Outubro de 1930 voou pela primeira vez o protótipo do mono-motor Junkers Ju-52, destinado a transporte comercial. Era um avião de grandes dimensões, que se mostrou inadequado para voar com um único motor. Construíram-se apenas cinco exemplares.

          O projecto continuou com a aplicação de três motores, de que resultou o Junkers Ju-52/3m. O protótipo, utilizando a fuselagem do Ju-52 com o número de construção 4007, realizou o primeiro voo nos primeiros dias de Abril de 1931, com sucesso, começando imediatamente a produção, na versão de transporte comercial. Os dois primeiros aviões produzidos receberam a designação de Ju-52/3m, tinham os números de construção 4008 e 4009 e foram entregues em 1932 à empresa de transporte aéreo Lloyd Aéreo Boliviano.
            O Ju-52/3m era um avião tri-motor revestido com a característica chapa corrugada da Junkers, anguloso, lento e feio, mas muito seguro, que acabaria por se tornar famoso. Sendo essencialmente um avião terrestre, permitia a adaptação a hidroavião de flutuadores e ao uso de skis.
            Entre 1932 e 1934 foram construídos cerca de 200 aviões na versão civil, que equiparam as principais companhias de aviação comercial da Europa. A Deutsche Lufthansa começou a operá-los em 1932. Bateu vários recordes mundiais, tais como o transporte de maior quantidade de carga a maior distância, o voo a maior altitude para o tipo de aeronave, etc, etc.

          Dado que o Tratado de Armistício da I Guerra Mundial proibia que a Alemanha construísse qualquer tipo de material de guerra, incluindo aviões, os alemães instalaram uma fábrica na Suécia onde, secretamente, desenvolveram os estudos para adaptar o Ju-52/3m a bombardeiro, cujo protótipo realizou o primeiro voo em Maio de 1932. A produção destinada a fins militares teve início em 1934. Das diversas versões foram produzidas 4.835 unidades.

         A primeira versão militar produzida em larga escala foi a designada por Ju-52/3m ge, que entrou ao serviço da Luftwaffe (Força Aérea Alemã) em 1934. Os aviões desta versão, que iniciou com o número de construção 4035, utilizavam motores BMW 132A-1, de 660 hp, estavam equipados para operar com más condições meteorológicas e preparados para missões de transporte diverso (material, entidades, feridos, doentes e largada de tropas).
            Mais tarde, devido à demora na entrada ao serviço do avião bombardeiro Dornier Do-11, os Ju-52/3m foram adaptados para executar missões de “bombardeiro auxiliar”. Para tal, foram construídos no interior da fuselagem seis compartimentos para transporte de bombas, colocadas na vertical. O armamento defensivo resumia-se a duas metralhadoras móveis MG-15 de calibre 7,9 mm, uma na posição dorsal, sem cobertura, e outra num posto ventral retráctil, que assomava por baixo da fuselagem, logo atrás do trem de aterragem - uma espécie de balde - absolutamente ineficaz, acabando por ser retirado nos últimos modelos.

           Em 1937 teve início a produção da versão Ju-52/3m g3e, equipada com motores BMW 132A-3, de 725 hp. Receberam os números de construção 5867 a 6047. Embora alguns investigadores refiram que esta versão foi especialmente concebida para bombardeamento, aparece geralmente referida como sendo uma versão de transporte multifunções, com equipamentos de radiocomunicações e rádio-navegação modernizados e dotada de mecanismo para lançamento de bombas, com capacidade para 1.100 Kg de bombas.
            Seguiram-se os Ju-52/3m g4e, que foram muito utilizados na Guerra Civil de Espanha, quer pelos Nacionalistas como pelos alemães da Legião Condor. Encontram-se raras referências de que alguns aviões desta versão foram equipados com uma torre de tiro dorsal inteiramente em vidro.
            Os Ju-52/3m g5e, de 1939, utilizavam motores BMW 132T-2, de 830hp, possuíam equipamento de degelo com ar aquecido pelos gases de escape e tinham a estrutura preparada para utilizar trem de aterragem de rodas, flutuadores ou skis. Esta versão apresentava-se com posto de tiro inferior - “balde” - retirado, o qual foi substituído por metralhadoras MG-15, de calibre 7,9 mm, montadas nas últimas janelas laterais da fuselagem.
            Paralelamente, foi produzida a versão Ju-52/3m g6e, a primeira que apresentou um painel entre o motor central e a cabina, e dispunha de equipamento de rádio muito simplificado. Ainda que os aviões desta versão se destinassem essencialmente a operações com base terrestre, alguns foram equipados com flutuadores. Das tarefas que lhes foram atribuídas, destaca-se a de detecção e destruição de minas marítimas, através de um enorme aro metálico suspenso na parte inferior do avião, o que lhe dava um aspecto invulgar.
            Em 1941 surgiram os aviões da versão Ju-52/3m g7e, que substituíram os das versões anteriores. Estavam equipados com motores BMW 132T-2, de 830 hp. Alguns destes aviões apresentaram, instalada sobre a cabina de pilotagem, uma torre de tiro em forma de “bolha” transparente, com uma metralhadora MG-15. Possuía uma grande porta de carga no lado direito da fuselagem.
            Os aviões da versão Ju-52/3m g8e, que operaram a partir de 1941, utilizavam motores BMW 132T, de 750 hp, dispunham de melhores instrumentos de voo, maior capacidade de carga e mantendo a grande porta de carga da versão anterior.
            Em meados de 1942 surgiram os aviões da versão Ju-52/3m g9e, com motores BMW de 830 hp, preparados para reboque de planadores.
A derradeira versão foi a dos Ju-52/3m g14e, que surgiram em 1943 e foram construídos até meados do ano seguinte, com placas de blindagem.

          As designações dos Ju-52/3m têm levantado alguma polémica, particularmente no que se refere à aplicação das letras “K” (Krieg -guerra) e “Z” (Zivil - civil). Estas letras eram aplicadas pelo fabricante aos aviões de exportação, diferenciando os aviões de uso militar e de uso civil, sem definir a versão. A própria Luftwaffe aplicou, a seguir à designação da versão, letras entre parêntesis, que identificavam o tipo de equipamento específico: (E) (Kistentransporter)-transporte; (F) (Fallschirmjager und Luftlandertrnsporter)-transporte de pára-quedista e de tropas aerotransportadas; (H) (Horsaalflugzeug)-instrução; (N) (Nachsubtransporter)-transporte de abastecimento; (S) (Sanitatsflugzeug)-transporte sanitário, etc.

          Antes do eclodir da II Guerra Mundial, em 1939, o Ju-52/3m foi testado em operações militares na Bolívia e, de forma muita severa e em quantidade significativa, na Guerra Civil de Espanha (1936 a 1939), como bombardeiro e transportador. Desencadeada a II Guerra Mundial, este lento tri-motor actuou em todas as frentes de combate, sendo considerado um avião “para todo o serviço”.
            A sua acção como “bombardeiro auxiliar”, depois de resolvidos alguns problemas técnicos, tornou-se importante, mas em breve estava ultrapassado por aviões modernos, mais velozes e melhor equipados. Passou então a ser utilizado exclusivamente em missões de transporte, tornando-se o “cordão umbilical” das tropas alemãs. Foi igualmente utilizado como ambulância aérea, rebocador de planadores e no transporte e lançamento de pára-quedistas.
            Os Ju-52/3m estiveram presentes nas invasões levadas a cabo pelos alemães. É muito provável que tenham sido os primeiros aviões a largar tropas pára-quedistas numa frente de batalha real, aquando da invasão da Noruega, no dia 9 de Abril de 1940. Foram muito importantes no abastecimento das tropas de Rommel no norte de África, que muito se ressentiram quando grande parte da frota foi desviada para a frente Russa.
            A guerra não foi fácil para a «Tia Ju» (Tante Ju), como o Ju-52/3m era afectuosamente tratado na Luftwaffe. Na invasão da Ilha de Creta - a primeira invasão do mundo a ser levada a efeito unicamente por tropas aerotransportadas - apesar da aviação alemã desfrutar de absoluta superioridade aérea, foram abatidos 271 Ju-52/3m. Quando, em 1942, a aviação dos Aliados adquiriu superioridade aérea, os Ju-52/3m, lentos e com fraco armamento, sofreram pesadas perdas. Muitos foram, também, destruídos no solo.
            Na Guerra Civil de Espanha tinham demonstrado ser muito vulneráveis à acção dos caças inimigos, pelo que necessitavam de uma boa escolta de caças. Um número apreciável de Ju-52/3m foi abatido pelos caças de fabrico soviético Polikarpov I-15 Super-Chato e I-16 Rata. Na Batalha de Brunete, dois Ju-52/3m em missão de bombardeamento nocturno foram abatidos por pilotos russos, tornando-se nos primeiros derrubes nocturnos da História.
            Durante os anos da ocupação alemã, os Junkers Ju-52/3m foram construídos em alguns dos países ocupados, como a Noruega e a França.

      Após o fim da guerra, os Ju-52/3m continuaram a ser construídos em Espanha pela Construcciones Aeronáuticas, S. A. (CASA), com a designação CASA C-352, que produziu 170 aviões na fábrica de Getafe (Madrid), encerrando o fabrico em Março de 1954.
            Em França foram construídos 400 exemplares pela Ateliers Aéronautiques de Colombes (A.A.C.), com a designação de Amiot A.A.C. 1 - Toucan.
Em 1947, os franceses usaram o Ju-52/3m capturados aos alemães na II Guerra Mundial, na Indochina (Vietname) e, mais tarde, os Toucan, na Argélia.

             Em 1997, a Deutsche Lufthansa executava voos turísticos de curta duração num Ju-52/3m equipado com motores Pratt & Witney R-1340 Wasp, utilizando o aeroporto de Berlim-Tempelhof. O avião encontrava-se pintado como os Ju-52/3m da Lufthansa dos anos trinta e ostentava a falsa matrícula D-AQUI, provavelmente a do primeiro Ju-52/3m da empresa. No entanto, a verdadeira matrícula era D-CDLH.

(continua)



Fontes (primeira parte):
Imagem 1: FAP / AHFA - Força Aérea Portuguesa / Arquivo Histórico da Força Aérea;
Imagem 2: Cortesia de  Richard Ferriere - 3 vues;
Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.