Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Mostrar mensagens com a etiqueta Sud-Aviation SE-3160 Alouette III. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sud-Aviation SE-3160 Alouette III. Mostrar todas as mensagens

06 abril 2014

Sud-Aviation SE-3160 Alouette III (quarta parte)

Ver  Sud Aviation SE-3160 Alouette III (terceira parte)



(continuação)






Imagens 28, 29 e 30 - Alouette III com a pintura comemorativa dos 50 anos
de operação na Força Aérea Portuguesa. Projecto e execução de autoria de
Miguel Amaral com a Esquadra 552.


Percurso em Portugal (continuação)

     No dia 20 de Abril de 2013 realizou-se nas instalações da Esquadra 552 “ZANGÕES”, sediada na Base Aérea Nº11 (BA11), em Beja, o evento comemorativo dos 50 anos de operação do helicóptero ALOUETTE III (ALIII).
     Este evento, que teve como objectivo assinalar este marco histórico, reuniu várias gerações de militares que trabalharam e trabalham com o sistema de armas ALIII e que recordaram vários momentos, histórias e tradições vividos no cumprimento das suas funções.

Imagem 31 - Logotipo comemorativo dos 50 anos do Alouette III

     Por ocasião deste dia foram efectuadas várias actividades, a destacar a apresentação do helicóptero comemorativo com uma pintura alusiva à efeméride; uma exposição estática com os helicópteros nas versões “canhão”, “evacuação médica” e “busca e salvamento”; a pré-apresentação do livro sobre os 50 anos do ALIII e o visionamento de um trailer do vídeo comemorativo.

     Ao longo das cinco décadas a frota ALOUETTE III já totalizou mais de 300.000 horas de voo distribuídas em várias missões operacionais e de instrução, sendo desde 1978 operada pela Esquadra 552, a fiel depositária de todas as tradições das Esquadras de Helicópteros Ligeiros existentes em Portugal.
     Os inúmeros feitos e contributos deste helicóptero ao serviço da Força Aérea e de Portugal, desde o início da sua operação até aos dias de hoje, permanecem na memória de muitos portugueses, quer pelas missões realizadas durante a Guerra Colonial e na manutenção de paz em Timor, quer pelas missões de interesse público, transporte táctico e formação de pilotos de helicópteros no nosso país.

     Em 18 de Junho de 2013, data em que se assinalou o aniversário da realização do primeiro voo do ALOUETTE III (ALIII) em território português, arrancaram oficialmente as comemorações dos 50 anos de operação deste helicóptero na Força Aérea Portuguesa.
     Em sessão solene presidida pelo Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, General José Pinheiro, na qual estiveram presentes várias gerações de militares que fazem parte da longa história de sucesso do ALIII, foram destacados os momentos mais marcantes do percurso histórico desta “máquina”, realçada a sua importância e focadas as áreas de missão que, de forma tão nobre, eficiente e segura continua a desempenhar na Força Aérea.

Imagem 32 - Capa da revista "Mais Alto" nº 404,
alusiva ao 61º Aniversário da Força Aérea e ao
50º Aniversário do Alouette III.

     No dia 10 de Dezembro de 2013, a sessão de lançamento do livro “50 Anos ALOUETTE III na Força Aérea”, da autoria de Alexandre Coutinho e André Garcez (imagem 33), assinalou o encerramento das comemorações do 50º aniversário deste helicóptero ao serviço da Força Aérea.


Imagem 33 - Capa do Livro da autoria de
Alexandre Coutinho e André Garcez.


(**) Durante 50 anos, o Alouette III foi um meio aéreo fundamental para o cumprimento das missões atribuídas à Força Aérea portuguesa. Não poderemos deixar de referir, também aqui, as mais de cinco centenas de pilotos formados nesta aeronave e todo o pessoal de apoio e manutenção que deram corpo e foram a razão de ser, cada um ao seu nível de execução, do êxito da sua operação. Dignificaram assim, de forma exemplar, a Instituição e o País que serviram, em tempo de Guerra e de Paz, revelando enorme dedicação, sacrifício e competência, colocando a "Cotovia" num dos lugares de maior destaque da História da Força Aérea Portuguesa. (**)

    (***) As características do Alouette III associadas à bravura e coragem dos seus tripulantes e pessoal de apoio, demonstrados ao longo dos anos através de um inexcedível patriotismo, coragem, valor, espírito de sacrifício e sentido das mais elevadas virtudes militares, espelhados em serviços prestados de raro exemplo de abnegação, heroísmo e coragem de que resultaram excepcional honra e glória para a Pátria, ditaram o agraciamento da Esquadra 552 com as seguintes Condecorações e Louvor:

Medalha de Ouro de Valor Militar, por SExa o Presidente da República Dr. Mário Soares a 5 de Fevereiro de 1992;
Membro Honorário da Ordem do Infante D. Henrique, por SExa o Presidente da República Dr. Jorge Sampaio a 9 de Junho de 2004;
Louvor à Esquadra 552, por SExa o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, General Luís Evangelista Esteves de Araújo, a 15 de Novembro de 2010.

     Actualmente, a Esquadra 552 é responsável pela formação de Pilotos de Helicópteros para a Força Aérea e Marinha, garantindo um destacamento permanente no Aeródromo de Manobra Nº1 (AM1), em Ovar, para Busca e Salvamento (SAR) e Evacuações Médicas (MEDEVAC).


Imagem 34

     Bem revelador de todas as qualidades anteriormente referidas, é o lema pelo qual se continuam a reger todos os que ainda mantêm operacional o Alouette III...


"...Em Perigos e Guerras Esforçados..."   (***)



Observação: 
     Ao executar estes quatro artigos (posts) sobre a história do Sud-Aviation SE-3160 Alouette III ao serviço da Força Aérea Portuguesa, não pretendi, de forma alguma, fazer uma descrição histórica exaustiva.
     Estes artigos salientam as fases ou períodos principais desta aeronave. Para uma leitura mais pormenorizada e exaustiva sobre a história do Alouette III em Portugal, recomendo a leitura do livro acima referido (Imagem 33), assim como os números 404 e 405 da revista "Mais Alto", de Julho / Agosto e Setembro / Outubro de 2013, respectivamente. (o autor



Fontes (quarta parte):
- Imagens 28, 29, 30, 33 e 34: Cortesia de  EMFA - Estado-Maior da Força Aérea;
- Imagens 31 e 32: "Mais Alto" - Revista da Força Aérea Portuguesa, nº 404, Julho / Agosto de 2013, EMFA, Alfragide;
Texto: Cortesia de  EMFA - Estado-Maior da Força Aérea - Esquadra 552; - Entre (**): Mário Diniz e Dr. Luís Proença no artigo sob o título "ALOUETTE III, Período pós-Guerra do Ultramar, 1976-2103", publicado na "Mais Alto", Revista da Força Aérea Portuguesa nº 405, de Setembro / Outubro de 2013, EMFA, Alfragide; - Entre (***): Cortesia de  EMFA / Esquadra 552 "Zangões".

05 abril 2014

Sud-Aviation SE-3160 Alouette III (terceira parte)

Ver  Sud-Aviation SE-3160 Alouette III (segunda parte)


(continuação)

Imagem 17: Alouette III equipado com foguetes de 2.75".


Percurso em Portugal (continuação)

  • "Rotores de Portugal":

     Em Abril de 1976 foi constituída na BA3 uma patrulha de quatro Alouette III da Esquadra 33, destinada a demonstrações aéreas, denominada “Rotores de Portugal”, que actuaram pela primeira vez a 4 de Julho desse ano, no festival aeronáutico comemorativo do 24º Aniversário da Força Aérea Portuguesa, que se realizou na Base Aérea Nº 1 (BA1), em Sintra, numa exibição com quatro helicópteros. A última exibição com quatro helicópteros foi em Outubro de 1980.

Imagem 18 - Patrulha inicial dos "Rotores de Portugal"
com quatro Alouette III.


     Em Julho de 1982, a patrulha "Rotores de Portugal" reapareceu com dois helicópteros, em Évora, integrada na Esquadra 552. Foi depois integrada na Esquadra 111, da Base Aérea Nº 3 (BA3), composta por três aeronaves. Os helicópteros desta patrulha não apresentaram pintura especial. As actuações dos “Rotores de Portugal” foram alvo de elogiosas referências, constituindo um importante elemento de divulgação da FAP.

Imagem 19 - Emblema dos "Rotores de Portugal", original.


     Entre 1982 e 1989, os "Rotores de Portugal" marcaram presença em todos os festivais aéreos promovidos pela Força Aérea, totalizando 12 exibições em locais como Portimão, Vila Real, Covilhã e Coimbra.
     Seguiram-se dois anos de interregno. Foi na BA3, em Junho de 1991, que os Rotores regressaram à actividade, estando a Patrulha já integrada na Esquadra 111 e composta por dois helicópteros. Em 1991 e 1992 efectuaram oito exibições.
     A partir de 1993, novamente integrados na Esquadra 552, passaram a apresentar-se com três helicópteros, formação que mantiveram até à última exibição, em Novembro de 1994.

     Depois de um interregno de cerca de dez anos, os "Rotores de Portugal" foram oficialmente reactivados em 2005, evoluindo com dois Alouette III. Entre 2006 e 2009 apresentaram uma formação de três helicópteros, regressando ao formato de parelha em 2010.


Imagem 20 - Emblema dos
"Rotores de Portugal"
Imagem 21: Formação dos "Rotores de Portugal".

















     Novas mudanças estavam, contudo, previstas para breve com a reorganização do dispositivo da Força Aérea, a ditar a extinção da Esquadra 551, na BA6, em Setembro de 1986.

     Em 30 de Setembro de 1986, a Esquadra 552 da BA3 recebe os helicópteros da então extinta Esquadra 551, da BA6.

     Em 1978 o efectivo de Alouette III da FAP era de 36 unidades, quantidade reduzida para 26 em 1988. Entretanto, alguns Alouette III foram vendidos para o estrangeiro e outros receberam tratamento anti-corrosão, aguardando comprador.

    
     Em 1993 a Esquadra 552 absorve a Esquadra 111, tornando-se a fiel depositária dos valores e tradições de todas as unidades anteriores que operaram o Alouette III na Força Aérea, com a responsabilidade que isso acarreta.
     Em 18 de Novembro de 1993 os Alouette III deixaram Tancos e foram todos reunidos na Esquadra 552, entretanto transferida para a Base Aérea N° 11 (BA11), Beja, onde se mantém até à actualidade.
     Entretanto, a Base Aérea Nº 3 (BA3) em Tancos, foi desactivada em 29 de Dezembro de 1993.


Imagem 22 - Brasão da
Base Aérea nº 11 (BA11), Beja
Imagem 23 - Emblema da
Esquadra 552, BA3 e BA11.
















     Na Base Aérea Nº 11 (BA11), em Beja, a Esquadra 552 assume para lá da sua missão primária de transporte aéreo, apoio táctico e instrução básica e avançada de helicópteros, as missões complementares de busca e salvamento costeiro, evacuações médicas, apoio no combate aos incêndios e outras missões no âmbito do apoio às populações. A instrução básica e complementar de pilotos de helicópteros continua a ser uma das suas principais missões.
     Ali são formados todos os pilotos de helicópteros da Força Aérea e da Marinha Portuguesa e, ocasionalmente, pilotos para o Exército.
     A Esquadra 552 continua hoje a ser a única escola militar de formação de pilotos de helicópteros das Forças Armadas, honrando as tradições da Esquadra 33.

     Mantém um destacamento permanente de um helicóptero no Aeródromo de Manobra Nº1 (AM1), Ovar, em alerta do nascer ao pôr do sol.


Imagem 24 - Alouette III em operação em Timor-Leste (2002)



Imagem 25 - Emblema do
destacamento da Esquadra 552
em Timor Leste.
     Entre Fevereiro de 2000 e Julho de 2002 a Esquadra 552 foi chamada a constituir um destacamento em Timor Leste, com quatro helicópteros Alouette III (matrículas FAP 19314, 19376, 19383 e 19401) e 31 militares, a fim de cumprir uma missão de apoio à Paz das Nações Unidas (imagens 24, 25 e 26).

     Rapidamente se juntaram esforços e se prepararam militares e máquinas para executar tão nobre missão. Durante a missão em Timor foram efectuados 5 destacamentos, empenhando um total de 127 militares. Foram efectuadas 2.700 horas de voo onde se transportaram mais de 10.000 passageiros e 131 feridos, deixando uma marca de elevado profissionalismo e espírito de missão superiormente reconhecida pelos vários louvores públicos atribuídos.

     Até 1973 a pintura dos Alouette III foi inteiramente em verde-azeitona. Ostentavam a Cruz de Cristo, sobre círculo branco, nos lados da fuselagem sob o motor, e também na parte inferior da fuselagem. As cores nacionais, sem escudo, encontravam-se num rectângulo colocado nas faces exteriores dos estabilizadores verticais. Os números de matrícula encontravam-se nos lados da fuselagem, sob a porta da retaguarda, a preto. Algum tempo depois foi retirada a insígnia da parte inferior da fuselagem. A protecção da cauda estava pintada a amarelo. O rotor pincipal encontrava-se pintado em cinzento escuro com as pontas em dayglo, e o rotor de cauda listado de vermelho e amarelo.

Imagem 26 - Alouette III em Timor Leste (2002)

     De 1973 a 1981 foi adicionada a esta pintura uma faixa vermelha ao longo do dorso do helicóptero, desde a cauda ao motor, enquanto que a insígnias passaram para dimensão reduzida.
     A partir de 1981, por força da Portaria 101/80, as superfícies superiores passaram para camuflado em castanho (FS 30.219) e duas tonalidades de verde (FS 34.079 e 34.102), com as superfícies inferiores em cinzento claro (FS 36.622) e com a linha de separação ondeada. Apresentavam uma faixa amarela (FS 33.538) a meio do fuso do rotor de cauda. A protecção da cauda é da mesma cor.

     A insígnia da Cruz de Cristo, sobre círculo branco com 37 cm de diâmetro, encontrava-se colocada nos lados da fuselagem, sob o motor, e ainda na parte inferior da fuselagem, perto da roda do nariz. As cores nacionais, sem escudo, estão inseridas em rectângulos com 30 cm de comprimento, colocados nas faces exteriores dos estabilizadores verticais.
     As matrículas, em algarismos pretos (FS 37.038), com 15 cm de altura, foram pintados nos lados da fuselagem, sob as corrediças inferiores das portas traseiras, junto às pernas do trem de aterragem, bem como nos estabilizadores verticais, por cima das cores nacionais. Os Alouette III da Esquadra 402 apresentavam nos lados da fuselagem o respectivo distintivo.

     Em 1994 foi-lhes atribuída nova numeração, que consistiu na junção do algarismo 1 na casa das dezenas de milhar. Desta forma, ficaram com as séries de matrículas de 19251 a 19316, de 19332 a 19401 e de 19412 a 19417.

Imagem 27 - Alouette III na BA6, Montijo


     De salientar a grande versatilidade do Sud-Aviation SE-3160 Aloutte III, comprovada através das mais variadas utilizações que, ao longo de mais de 50 anos ao serviço da Força Aérea Portuguesa permitem granjear grande popularidade e estima entre todos os que têm o prazer e orgulho de trabalhar com esta aeronave. Além das actividades em que o Alouette III foi empenhado, principalmente durante a Guerra do Ultramar, salientam-se as áreas em que, actualmente, é empenhado: instrução básica, busca e salvamento, vigilância e reconhecimento, instrução complementar, conversão operacional, combate a incêndios, transporte aéreo e, claro, acrobacia aérea.

(continua)

Fontes (terceira parte):
- Imagens 17, 24, 26 e 27: © Carlos PedroBlog Altimagem;
- Imagem 18: FAP / AHFA - Força Aérea Portuguesa / Arquivo Histórico da Força Aérea;
- Imagens 20, 21 e 22: Cortesia de  EMFA - Estado-Maior da Força Aérea;
- Imagens 19, 23 e 25: Cortesia de  EMFA - Esquadra 552;
- Texto:  "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000;  "Mais Alto" - Revista da Força Aérea Portuguesa, nº 405, Setembro / Outubro de 2013; Carlos Pedro - Altimagem;  Cortesia de EMFA - Estado-Maior da Força Aérea;  Cortesia de  FAP - Rotores de Portugal.

04 abril 2014

Sud-Aviation SE-3160 Alouette III (segunda parte)

Ver  Sud-Aviation SE-3160 Alouette III (primeira parte)

(continuação)

Imagem 3


Percurso em Portugal:

     No início de 1963 o Governo Português encomendou à Sud-Aviation (mais tarde Aerospatiale) helicópteros do modelo SE-3160 Alouette III, recebendo um total de 142 unidades entre Abril de 1963 e Fevereiro de 1975 e destinados à Força Aérea Portuguesa (FAP).
     Receberam a numeração dividida em três séries. A primeira de 9251 a 9316, a segunda de 9332 a 9401 e a terceira de 9412 a 9417, inclusive.
A numeração de 9401 a 9412 já tinha sido atribuída aos Grumman G-21, abatidos em 1956.

     Os primeiros 12 Alouette III recebidos pela FAP foram enviados directamente de França para Angola, Luanda, onde chegaram no dia 25 de Abril de 1963. Foram colocados na Base Aérea N° 9 (BA9), Luanda, onde se realizou o primeiro voo do um Alouette III com matrícula portuguesa, no dia 18 de Junho de 1963.

     Conforme iam sendo disponibilizados pelo fabricante, os Alouette III eram enviados para as Unidades do Ultramar, ficando alguns na Base Aérea N° 3 (BA3), Tancos, essencialmente para instrução e adaptação de pilotos.

Imagem 4
Imagem 5
     Em Angola foram colocados na Esquadra 94 da BA9, cujo lema era “Do Miconge à Luiana” (imagens 4 e 5). Embora actuando em todo o território, foi principalmente na zona norte que foram inicialmente utilizados, por as operações militares estarem mais activas nessa área. Mais tarde foram constituídos destacamentos permanentes em Cuito Canavale, Cabinda, Cazombo e Gago Coutinho. A Esquadra 94 manteve-se activa até ao fim do conflito.

     Quando dispôs de maior quantidade de Alouette III, a FAP activou o Aeródromo de Recurso do Luso, onde instalou a Esquadra 402 – “Os Saltimbancos” -  do Aeródromo-Base N° 4 (AB4), de Henrique de Carvalho, Angola. (imagem 6)

Imagem 6 - Emblema da Esquadra 402,
"Os Saltimbancos", do AB4,
Henrique de Carvalho.

     Os Alouette III começaram a operar em Moçambique a partir de 1967. As suas bases de apoio eram o Aeródromo-Base N° 5 (AB5) em Nacala e o Aeródromo-Base N° 7 (AB7), em Tete.


      A Esquadra 503 do AB5 intitulava-se “Os Índios”, que esteve alguns anos estacionada em Nampula (imagem 7).
   

Mantinha destacamentos permanentes no Aeródromo de Manobra N° 51 (AM51) em Mueda, com cinco Alouette III, e no AM61 em Vila Cabral, com dois Alouette III.

     A Esquadra 703 do AB7, em Tete, Moçambique, cujo lema era “Os Vampiros” (imagem 8), mantinha destacamentos provisórios em Furancungo e Mutarara. Com o início da construção da Barragem de Cahora Bassa, a agressividade das hostilidades cresceram, passando a manter um destacamento permanente em Estima.

 
Imagem 7: Emblema da Esquadra 503,
"Os Índios", do AB5, Nampula.
Imagem 8 - Emblema da Esquadra 703,
"Os Vampiros", do AB7, Tete.














   

Imagem 9 - Emblemas das Esquadrilhas "Canibais" e
Lobo Mau" da Esquadra 122, da BA12, Bissalanca.


     O primeiro voo operacional de um Alouette III na Guiné ocorreu no dia 3 de Novembro de 1965. Colocados na Base Aérea Nº 12 (BA12), Bissalanca, foram integrados na Esquadra 122 do Grupo Operacional 1201, operando com duas esquadrilhas que se intitulavam “Canibais” e “Lobo mau” (imagem 9). Actuando por toda a Guiné - um território com características naturais que tornavam muito difíceis os transportes de superfície - suportaram um enorme esforço operacional, acrescido de elevada perigosidade.

     Os Alouette III fizeram o seu “baptismo de guerra” sob as cores portuguesas, na Guerra do Ultramar, executando todo o tipo de missões possíveis: transporte geral, transporte de tropas nos chamados heli-assaltos, transporte de feridos, apoio táctico na configuração designada por heli-canhão, etc.
     Para a execução das missões de heli-assalto, o banco do lado esquerdo da fila da frente era voltado para trás, a fim de permitir a rápida saída do seu ocupante pela porta traseira. Na versão de heli-canhão tinha montado atrás das cadeiras do piloto e do mecânico um canhão MG-151, de calibre 20 mm, que disparava através da porta do lado esquerdo.

     Uma pesquisa não exaustiva indica que nas operações levadas a efeito durante a Guerra do Ultramar (1963 / 1974), cerca de 30 helicópteros Alouette III foram destruídos, onde cerca de 30 tripulantes perderam a vida, para além de cerca de 10 passageiros mortos.

     Quanto à sua actuação na Metrópole, os Alouette III números 9269, 9270 e 9271 foram os primeiros a ser colocados na Esquadra Mista de Aviões e Helicópteros (EMAH), em 1965. A partir de 1968, a EMAH passou a denominar-se Esquadra de Instrução Complementar de Helicópteros (EICH) nº 33 - "Zangãos" (imagens 10 e 11), da Base Aérea Nº 3 (BA3), em Tancos.

Imagem 11: Emblema da Esquadra 33,
definitivo.



Imagem 10: Emblema da Esquadra 33,
original.














     Com o aumento dos efectivos a nível de pessoal e material, a Esquadra 33 – “Os Zangãos” – subdividiu-se em duas Esquadrilhas: a Esquadrilha 1, os “Hippies” e a Esquadrilha 2, os “Snobs” (imagem 12).

Imagem 12 - Emblemas das Esquadrilhas 1 e 2 da Esquadra 33 da BA3,
"Hippies" e "Snobs".

     A Esquadra 33 registou um grande período de actividade entre 1970 e 1972, voando mais de 5.000 horas anuais e dispondo de 16 pilotos-instrutores, facto nunca sucedido nas esquadras de helicópteros.      Um acto de sabotagem ocorrido em Março de 1971 motivou a deslocação temporária da Esquadra 33 para a Base Aérea Nº 6 (BA6), Montijo.

Imagem 13 - Emblema do Grupo Aéreo
de Helicópteros, da BA6, Montijo.

     Com o fim da Guerra do Ultramar, os Alouette III sobreviventes regressaram à Metrópole, sendo colocados na BA3 e na BA6. Na BA6 foi criado o Grupo Aéreo de Helicópteros (GAH) (imagem 13), com três Esquadras, uma de Alouette III a duas Esquadrilhas, outra de SA-330 Puma e a Esquadra de Manutenção, responsável pela manutenção das aeronaves de ambas.

     (**) A participação dos Alouette III no combate aos fogos iniciou-se nos fins dos anos de 1970. O seu emprego consistia fundamentalmente no transporte das "brigadas" e nas acções de comando e controlo aéreo dos grandes incêndios. As "brigadas" eram constituídas por equipas de cinco bombeiros, devidamente equipados, destinadas ao ataque rápido e imediato aos focos de incêndio. A partir do princípio dos anos de 1980 a solicitação dos Alouette III pela Protecção Civil foi gradualmente diminuindo para um valor quase residual. Hoje, pontualmente a Protecção Civil ainda solicita o Alouette III para o apoio a grandes fogos. (**)


A reestruturação da FAP de Novembro de 1978 introduziu novas alterações:
  • Na BA3, o Grupo 301 passou a Grupo Operacional 31, com duas esquadras: 
     - a Esquadra 111, responsável pela instrução de pilotos de aviões bimotores Aviocar e de helicópteros Alouette III (imagem 14);

       - a Esquadra 552, (antiga Esquadra 33) com o lema “...Em perigos e guerras esforçados...”, responsável pelo transporte aéreo táctico e apoio aéreo ofensivo, equipada com Alouette III;


Imagem 14 - Emblema da
Esquadra 111, BA3, Tancos.

  • Na BA6 foi criado o Grupo Operacional 61 (imagem 15), constituído pela Esquadra 551, com o lema “Onde e quando necessário” (imagem 16), equipada com os Alouette III, responsável pelo transporte aéreo táctico e apoio aéreo ofensivo, acrescida do salvamento marítimo, equipados com guincho e flutuadores. e pela Esquadra 751, equipada com os helicópteros Puma.

Imagem 15 - Emblema do
Grupo Operacional 61, BA6.
Imagem 16 - Emblema da
Esquadra 551, BA6, Montijo.


















(continua)



Fontes (segunda parte):
Imagem 3: © Carlos PedroBlog Altimagem;
Imagens 4 a 8 e 15, 16: Colecção Altimagem;
Imagens 9 a 14 e Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.

31 março 2014

Sud-Aviation SE-3160 Alouette III (primeira parte)

Imagem 1

SUD-AVIATION SE-3160 ALOUETTE III

Quantidade:  142
Utilizador:  Força Aérea
Entrada ao serviço:  Abril de  1963
Data de abate:  Em serviço


Dados técnicos:

a.       Tipo de Aeronave
Helicóptero mono-turbina terrestre, de trem de aterragem triciclo fixo, podendo usar flutuadores, revestimento metálico, cabina integrada na fuselagem, concebido para missões de transporte militar. Tripulação: 1 (piloto).
b.       Construtor
Sud-Aviation / Aerospatiale / França.
Sob licença:          HAL / Índia;
                             Empresa de Construções Aeronáuticas (ICA) / Roménia.
c.       Motopropulsor
Motor: 1 motor de turbina Turbomeca Artouste III-B, de 880 hp.
Rotores principal e de cauda: de três pás.
d.       Dimensões
Diâmetro do rotor principal.....11,02 m
Comprimento…........................12,84 m
Altura………….…........................2,97 m
Área do círculo rotórico ….......95,03 m²
e.       Pesos
Peso vazio…………….......….1.243 Kg
Peso máximo..........................2.100 Kg
Peso máximo de carga............750 Kg
f.        Performances
Velocidade máxima ……..…...209 Km/h
Velocidade de cruzeiro............167 Km/h
Tecto de serviço …………....3.200 m
Tecto máximo .......................6.500 m
Raio de acção……………......460 Km
Autonomia..............................2H30
g.       Armamento
1 canhão MG151, calibre 20 mm, no interior da fuselagem, disparando através da abertura da porta traseira do lado esquerdo;
 No exterior: 2 lança-foguetes com capacidade para 12 foguetes de 2,75”.
h.       Capacidade de transporte
6 passageiros ou 5 militares equipados;
ou 5 para-quedistas;
ou 2 macas e 2 passageiros;
ou 800 Kg de carga interna;
ou 750 Kg de carga suspensa. 



Imagem 2

Resumo histórico:

     O helicóptero SE-3160 Alouette III foi a evolução natural do Alouette II, com uma cabina maior, fuso da cauda e secção central da fuselagem com revestimento metálico, rotor principal de maior diâmetro, rotor de cauda de três pás, trem de aterragem triciclo fixo, turbo-reactor Artouste III de 550 hp e alguma capacidade para instalação de armamento.
O primeiro voo do protótipo teve lugar no dia 28 de Fevereiro de 1959.

     Em Junho de 1960 um Alouette III realizou a proeza, sem precedentes, de aterrar e descolar com sete pessoas a bordo no cume do Monte Branco, nos Alpes franceses, a 4.810 metros de altitude.
     Em Novembro do mesmo ano realizou uma proeza semelhante no Deo Tibas, no Himalaia, desta vez a 6.004 metros de altitude, com dois pilotos e 550 Kg de carga a bordo.

     Os resultados dos primeiros testes chamaram a atenção dos militares franceses, que necessitavam de um helicóptero rápido e bem armado para enfrentar os guerrilheiros argelinos. Contudo, o conflito terminou antes de os Alouette III estarem aptos para operações de combate.
     As primeiras exportações tiveram lugar em 1961. As aquisições mais expressivas foram feitas pela África do Sul, Rodésia, Peru e Dinamarca. Em breve, Portugal juntou-se ao número dos utilizadores mais importantes, para além de ser o primeiro a usá-los em combate.

     Em 1970 é extinta a Sud-Aviation e criada a Aerospatiale. Nesse ano surgiu a versão SA-316B Alouette III, equipada com um turbo-reactor Artouste III-B, de 880 hp, e com a transmissão do rotor principal reforçada.
     Em 1972 surgiu a versão SA-316C, equipado com um turbo-reactor Artouste III-D de 870 hp e a versão SA-319C, com o turbo-reactor Astazou XIV, de igual potência mas 25% mais económico.

     A versão naval do Alouette III Astazou foi equipada para combater pequenos navios de superfície e luta anti-submarino (ASW) e ainda para salvamentos no mar.
     A Aerospatiale deixou de fabricar os Alouette III em Maio de 1985, depois de ter produzido 1.455 unidades para exportação, utilizados por 74 países a nível civil e militar.

     A Roménia também encerrou a produção dos SA-316B, depois de construir 230 exemplares, que designou por IAR-316.
     A Índia continuou a sua produção por mais alguns anos, designando o seu produto por Chetak.

(continua)





Fontes (primeira parte):
Imagem 1: FAP / AHFA - Força Aérea Portuguesa / Arquivo Histórico da Força Aérea;
Imagem 2: Cortesia de  Richard Ferriere - 3 vues;
Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.