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18 janeiro 2018

Dassault-Breguet / Dornier Alpha Jet (quarta parte)

Ver  Dassault-Breguet / Dornier Alpha Jet (primeira parte)



(continuação)

Imagem 16

A despedida do Alpha Jet português:
    No dia 13 de Janeiro de 2018 a Base Aérea nº 11, em Beja, foi o palco do último voo desta aeronave. O Dornier Alpha-Jet voou pela última vez, 25 anos depois da sua chegada a Portugal para a formação de jovens pilotos de caça. O evento da despedida contou com a presença de várias gerações de pilotos, técnicos de manutenção das várias especialidades e diversos outros militares e civis que, de alguma forma, contribuíram para o sucesso desta aeronave e que, durante vários anos, passaram pela Esquadra 103, "Caracóis", e não quiseram perder a oportunidade de ver esta magnífica aeronave em voo pela última vez.

Imagem 17: Emblema da
Base Aérea nº 11, Beja

Além de mais de meia centena de fotógrafos aficionados da aviação, convidados pela FAP para participar neste "Spotters Event", onde tiveram a oportunidade de captar as últimas imagens do Alpha-Jet em voo, estiveram igualmente presentes o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, General Manuel Teixeira Rolo, o Comandante Aéreo, Tenente-General Joaquim Borrego e várias altas entidades militares e civis.

Imagem 18: Emblema da Esquadra 103 "Caracóis"



Imagem 19


Imagem 20

    
Fontes (quarta parte):

28 março 2015

Lockheed Martin P-3C CUP +


Imagem 1: Lockheed P-3C CUP +


LOCKHEED MARTIN P-3C CUP +

Quantidade: 5
Utilizador: Força Aérea
Entrada ao serviço: 6 de Outubro de 2010
Data de abate: Em serviço



Dados técnicos:

a)       Tipo de Aeronave
Avião quadrimotor turbohélice terrestre, de trem de aterragem triciclo retráctil, monoplano de asa baixa, revestimento metálico, cabina integrada na fuselagem, destinado a missões de patrulhamento marítimo, luta naval e luta anti-submarino.
Tripulação (depende do tipo de missão): 11 a 13 tripulantes (piloto, co-piloto, mecânico de voo, coordenador táctico, navegador, operador de comunicações, dois operadores de sensores acústicos, especialista de armamento, 2º mecânico, dois operadores de radar e um técnico de voo).
b)       Construtor
Lockheed Aircraft Company / USA.
Sob licença: Kawasaki Heavy Industries / Japão.
c)       Motopropulsor
Motores: 4 motores Allison T56-A-14, turbo propulsores, de 4.910 hp cada.
Hélices: Metálicos, de quatro pás, de passo variável, reversível e posição de bandeira.
d)       Dimensões
                Envergadura …………...........30,4 m
                Comprimento…..…………....35,61 m
                Altura………….……………..10,30 m
                Diâmetro da fuselagem ……….3,45 m
                Diâmetro da hélice…………….4,11 m
                Área alar ……….……............120,77 m²
e)       Pesos
                Peso vazio……………..…….27.890 kg
                Peso máximo……………….64.410 kg
f)        Performances
                Velocidade máxima ……….761 Km/h
                Velocidade de cruzeiro …….607 Km/h
                Velocidade de patrulha……...381 Km/h
                Tecto de serviço …………8.900 m
                Raio de acção ……….....…3.830 Km
                Autonomia (2 motores)...........17 horas e 12 minutos
                Autonomia (4 motores)………12 horas e 20 minutos
                Combustível………………….34.822 L
g)      Armamento
Diverso, até cerca de 9.000 Kg de carga interna e externa, com várias combinações de armamento (torpedos, cargas de profundidade, minas, mísseis e foguetes).
h)      Capacidade de transporte
11 a 13 tripulantes em missão de serviço.



Ver Resumo histórico em Lockheed P-3P Orion


Imagem 2


Percurso em Portugal:

     Os antecessores do Lockheed Martin, os P-3P Orion, foram adquiridos em segunda mão. Sabia-se que o seu potencial de vida se iria esgotar, de forma sequencial, entre 2004 e 2011. Por este motivo, a FAP iniciou em 1999 o processo de avaliação da necessidade de manutenção da capacidade de patrulhamento marítimo e das alternativas que se colocavam à modernização ou substituição da frota de P-3P.
     A solução que merecia maior consenso contemplava a modernização das aeronaves P-3P. O respectivo programa de modernização, designado por LECIP (Life Extension and Capabilities Improvement Program), chegou a ser incluído na Lei de Programação Militar, mas, devido a inúmeros impedimentos negociais, contratuais e financeiros, foi sendo sucessivamente adiado.
     Em 2004, após se ter tornado público a intenção da Holanda de vender a sua frota de 13 P-3C, Portugal estuda a hipótese de abandonar o programa LECIP e optar pela compra de uma parte dessas aeronaves.

     Através da assinatura de uma carta de intenções, em 17 de Setembro de 2004 e acordo final em 21 de Fevereiro de 2005, Portugal decide comprar 5 aeronaves holandesas: duas na versão P-3C CUP (Capabilities Upkeeping Program) e três na versão original, P-3C Update II½.
     A primeira aeronave CUP, versão Coast Guard, foi entregue à FAP em 19 de Janeiro de 2006 nas instalações da Lockheed em Greenville (USA), proveniente da Marinha Real Holandesa.  As restantes aeronaves foram entregues à Esquadra 601 até meados de 2007.
     Em 2007 foi celebrado com a companhia norte-americana Lockheed Martin um programa de modernização, designado P-3C/CUP+, destinado a colocar as cinco aeronaves com a mesma configuração táctica e, simultaneamente, a introduzir alguns requisitos considerados essenciais para Portugal, que não estavam incluídos no programa CUP holandês.

Imagem 3

     Em 26 de Agosto de 2010 foi entregue o primeiro P-3C/CUP+ à Esquadra 601, cuja cerimónia oficial de apresentação decorreu no dia 6 de Outubro do mesmo ano na Base Aérea nº 11 (BA11), Beja. Esta primeira aeronave tem o número de matrícula 14810.
     O P-3C CUP+ iniciou a sua operação a 1 de Janeiro de 2011, tendo efectuado o seu "Baptismo de Fogo" na Operação "Ocean Shield" ao serviço da NATO no Oceano Índico, em missões de combate à pirataria, com excelentes resultados e uma prontidão de 100%.

A segunda aeronave foi entregue em Fevereiro de 2011.
     Em 10 de Outubro de 2012 aterrou na BA11 o quinto P-3C/CUP+  (número 14808).


Imagem 4: Brasão da Base Aérea nº 11
(BA11)





          Imagem 5: Emblema da
          Esquadra 601, original.


















Imagem 6: Emblema da
Esquadra 601, definitivo.
     A frota de cinco P-3C CUP+ ficou sediada na Esquadra 601 - "Lobos"- integrada na BA11. Receberam os números de matrícula de 14807 a 14811. As correspondências entre estes, os números de construção e as datas de fabrico, são as seguintes:
  • Matrícula 14807, número de construção 5733, data de fabrico: 5 de Novembro de 1981;
  • 14808, 5750, 7 de Outubro de 1982;
  • 14809, 5158, 2 de Maio de 1983;
  • 14810, 5762, 13 de Agosto de 1983;
  • 14811, 5773, 8 de Abril de 1984.

    As principais diferenças (em relação ao antigo P-3P Orion) na fuselagem passam pela cauda, que acolhe o equipamento MAD, as hélices, o nariz de maiores dimensões para acolher a antena de radar, a ausência das janelas e a fuselagem mais curta em 2,13 metros.

     A plataforma P-3C CUP+, dotada com sensores modernos e um sistema de missão integrado, permite a realização de um largo espectro de missões em ambiente marítimo, que vão desde o patrulhamento à busca e salvamento, passando pela ISR (Intelligence, Surveillance and Reconaissance).
     O P-3C CUP+ mantém todas as capacidades de patrulhamento marítimo herdadas do P-3P, nomeadamente Luta Anti-Submarina (ASW), Luta Anti-Superfície (ASuW), e Busca e Salvamento (SAR). Além disso, um conjunto de sensores modernos associados a um sistema táctico de missão, completamente integrado, capacita o P-3C CUP+ a operar também em diversas missões em ambiente terrestre. Ficou também equipado com um sistema de auto-protecção MLWS (Missile and Laser Warning System), que permite a detecção de ameaças e o disparo de contra medidas.

Imagem 8


     Em relação ao seu antecessor, o P-3C CUP+ apresenta melhorias importantes ao nível da transmissão de dados em tempo real (sistema link 16), mais seguro e compatível com outras aeronaves e vasos de superfície, bem como novo radar (ELTA 2022 Alpha V3), novo computador, novos sensores acústicos (AN/USQ-78B) e ópticos (L-3 Wescam MX15 HDi), entre outros. Estas melhorias tornam os P-3C CUP+ numa das frotas mais avançadas do mundo e permitem desempenhar com qualidade funções de vigilância marítima no âmbito de actividades de pesca, poluição marítima, actividades ilícitas e tráfego marítimo, operações de busca e salvamento, guerra anti-superfície, guerra anti-submarina, guerra anti-minas, apoio a forças de reacção rápida, apoio a operações anfíbias, apoio a operações especiais e ataque de precisão contra alvos terrestres (novidade em relação à versão P-3P).
     O P-3 é ainda a aeronave da FAP com maior autonomia, podendo realizar facilmente missões de 12 horas. É simultaneamente um dos aviões operacionais propulsionado por hélices mais rápido, chegando aos 760 km/h.

     O P-3C CUP+ tem a capacidade de lançar o seguinte armamento: AGM-84 HARPOON, AGM-65F/G MAVERICK, Torpedo MK-46 A(s), Bombas MK-82/83/84 e Minas MK 36.


Imagem 8: Pintura comemorativa dos 25 anos da Esq. 601




Imagem 9: Patch dos 25 anos da Esq. 601



Em Março de 2011 a Esquadra 601 comemorou os seus 25 anos de existência.


     Em Abril de 2014, a Esquadra 601 - "Lobos" qualificou mais um Piloto Comandante (PC). O que, sendo sempre um momento especial, ainda o foi mais por se tratar da primeira PC feminina da aeronave P-3C Cup+.

     O P-3C CUP+ apresenta-se totalmente pintado num esquema de cor cinzento claro, denominado Light Gull Gray (FS 16440). A Cruz de Cristo, sobre círculo branco, encontra-se pintada em ambos os lados da fuselagem, no seguimento do bordo de fuga das asas, no extra-dorso da asa esquerda e no intradorso da asa direita. As cores da bandeira nacional, sem escudo, encontra-se em cada um dos lados da cauda. O número de matrícula, a preto, situa-se nas asas, alternando com a Cruz de Cristo e em cada um dos lados da cauda, por cima da bandeira nacional.

Imagem 10

     A Esquadra 601 está colocada na Base Aérea nº 11, em Beja, desde o dia 19 de Fevereiro de 2008. Conta com cerca de 100 militares responsáveis pelo cumprimento das várias missões atribuídas aos "Lobos", com a garantia de que continuarão a honrar o lema:

"Ser-lhe-á todo o oceano obediente"



Fontes:
Imagens 1, 3, 4, 7, 8, 9 e 10: Cortesia de EMFA - Estado Maior da Força Aérea Portuguesa;
Imagem 2: Cortesia de Spotter jpa no ar;
Imagens 5 e 6: Colecção Altimagem.

Texto:
Cortesia de EMFA - Estado Maior da Força Aérea Portuguesa;
Cortesia de Esquadra 601 "Lobos";
Cortesia de MAIS ALTO - Revista da Força Aérea Portuguesa, números 397 e 400, de Maio/Junho e Novembro/Dezembro de 2012, respectivamente.

21 março 2015

EADS C-295M (terceira parte)


(continuação)


Imagem 14


Percurso em Portugal (continuação):

     Os 12 C-295 receberam as matrículas FAP de 16701 a 16712. A correspondência entre as matrículas e os números de série de fabrico, entre parêntesis, é a seguinte: 16701 (S-041), 16702 (S-042), 16703 (S-047), 16704 (S-048), 16705 (S-057), 16706 (S-059), 16707 (S-061), 16708 (S-052), 16709 (S-055), 16710 (S-063), 16711 (S-064) e 16712 (S-065).
     As matrículas 16701 a 16707 correspondem à versão C-295M, e as matrículas restantes à versão C-295MPA Persuader.

Imagem 15: Brasão da Base Aérea nº 4
(BA4), Lajes, Terceira, Açores

     A 12 de Março de 2010, após a desactivação do Destacamento Aéreo dos Açores (DAA) do C-212 AVIOCAR, foi activado o Destacamento Aéreo dos Açores do C-295M (DAA-C295M), situado na Base Aérea nº 4 (BA4), nas Lajes, Ilha Terceira, Açores.
Com uma reacção inferior a 45 minutos, a Esquadra 502 garante o DAA de forma permanente, 24 horas por dia, sete dias da semana, com uma aeronave C-295M e respectiva tripulação onde se destacam as missões de apoio à população, como evacuações médicas, realizadas em conjunto com aeronave EH-101, e busca e salvamento. Os 45 minutos referidos é o tempo que os militares dispõem para aprontar a aeronave para a missão pedida, preparar e planear o voo e colocar a aeronave no ar.




Imagem 16: Brasão do Aeródromo
de Manobra nº 3 (AM3), 
Porto Santo.

     Em 05 de Novembro de 2010, o C-212 Aviocar foi substituído pelo C-295 passando o DAM, situado no Aeródromo de Manobra nº 3 (AM3), Porto Santo, Madeira, a ser constituído também pelo EH-101 MERLIN, 
Com uma reacção inferior a 45 minutos, a Esquadra 502 garante o DAM de forma permanente, 24 horas por dia, sete dias da semana, com uma aeronave C-295M e respectiva tripulação onde se destacam as missões de apoio à população, como evacuações médicas, realizadas em conjunto com aeronave EH-101 e de busca e salvamento. Os 45 minutos referidos é o tempo que os militares dispõem para aprontar a aeronave para a missão pedida, preparar e planear o voo e colocar a aeronave no ar.





Das missões referidas, a frota C-295M operada no DAM contabiliza, até Novembro de 2012, 156 horas de voo em mais de 249 missões de evacuação médica ou transporte de doentes, tendo ajudado 297 vidas.


Imagem 17
Em 19 de Abril de 2011, na Base Aérea N.º 6 no Montijo, foi declarado o início da capacidade operacional do C-295M VIMAR - versão Vigilância Marítima desta nova aeronave da Força Aérea Portuguesa.
O C-295M VIMAR está configurado para missões de Vigilância Marítima, nomeadamente, na monitorização e controlo das Actividades de Pesca, Actividades Ilícitas, Poluição Marítima, e monitorização e controlo do Tráfego Marítimo. As características do C-295 tornam-no numa plataforma de elevado potencial na execução de missões de Vigilância Marítima em território nacional e, mais recentemente, em operações internacionais, na operação conjunta “Hermes Extension 2011” onde já completou 190:45 horas de voo.

A Força Aérea tem ao seu serviço doze aeronaves C-295M, cujas características, consoante as diversas configurações que pode adquirir, garantem uma extensão de aplicabilidade em todas as áreas do Apoio Aéreo: Transporte Aéreo, Busca e Salvamento, Inteligência, Vigilância e Reconhecimento.


     Entre 9 e 15 de Julho de 2012, a convite da Airbus Military, a FAP participou no Farnborough International Airshow 2012, a maior Feira Internacional de Aviação, que decorreu em Farborough, Inglaterra, com uma aeronave C-295M na sua configuração de Vigilância Marítima (VIMAR).

     No dia 25 de Outubro de 2012, aterrou na Base Aérea nº 6 (BA6) o primeiro C-295M com o número de cauda 16704, com a inscrição "Força Aérea Portuguesa" pintada na fuselagem, após uma acção de manutenção programada efectuada na Airbus Military, em Sevilha. Esta aeronave é a primeira a ter aquela inscrição seguindo-se de forma gradual as restantes da frota C-295M. (ver imagem 17)


     
Imagem 18: C-295M com a inscrição "Força Aérea Portuguesa" e com a pintura
comemorativa das 10.000 horas de voo da frota C-295


     Em 5 de Dezembro de 2012, a menos de quatro anos de operações, o EADS C-295M comemorou as 10.000 horas de voo, tendo sido decorada uma aeronave com o símbolo dos Elefantes e alusão às 10.000 horas de voo, com grafismo de Miguel Amaral, autor de vários outros trabalhos em aeronaves da Força Aérea. 

     E se 10.000 horas são motivo para comemoração, dentro delas cabem muitos mais números, como aquele que tão honrosamente representa as mais de 500 vidas salvas, mais de 4.400 missões realizadas, mais de 20.000 passageiros transportados, e quase 1.000 toneladas de carga, sem esquecer também a participação em oito diferentes exercícios: Real Thaw, Sea Border, Lusíada, Zarco, Morsa, Hot Blade, Xavega e Renegade.
A integração na Operação Frontex, de controlo de imigração ilegal e actividades ilícitas nas fronteiras meridionais da União Europeia, na qual a Esquadra 502 operou com um C-295 a partir de sete bases distintas em Espanha, Itália e Grécia, em 2011 e 2012, também não pode ser esquecida. Se dúvidas ainda houvesse, na Operação Frontex, todas as capacidades de vigilância marítima do C-295 ficaram bem patentes, com a monitorização, apenas em 2012, de 11.736 embarcações, 27 das quais viriam a ser alvo de intercepção por forças de superfície devido a indícios de actividades ilegais.
Após estas 10.000 horas de operações aéreas, comprovado é o acerto da decisão da aquisição do C-295, que se transformou num dos programas com maior sucesso da Força Aérea Portuguesa. Não será por isso de estranhar, se dentro de pouco tempo a Esquadra 502 estiver já a comemorar as 20.000 horas de voo, “sobre as asas ínclitas da fama” do C-295

Imagem 19: Imagem alusiva à comemoração das 10.000 horas de voo
dos C-295 na Esquadra 502 "Elefantes"


     Para finalizar, temos como dado adquirido que o C-295 introduziu / introduzirá novos conceitos de apoio logístico e apoio às missões, numa tendência clara para aligeirar processos, seja das operações em si, seja da sua manutenção electromecânica. Também no sempre complexo processo de adaptação das tripulações ao voo e exploração do potencial de uma nova aeronave, passa esta a ser feita através do (inovador) conceito e-learning, que de certo modo dispensa a presença tutorial de um instrutor, sendo por isso vantajosa em termos da gestão dos recursos humanos, sempre complicados de gerir e rentabilizar.
     No final do ano de 2009 estavam já operacionais na Base Aérea nº 6 do Montijo, as aeronaves 16702, 16703, 16704, 16705, 16706 e 16707. No final de Janeiro de 2010 foi também entregue, com número de cauda 16709, o primeiro C-295M VIMAR/RFOT,

Imagem 20


     A Esquadra 502Elefantes, prepara-se assim para liderar novos conceitos e procedimentos com a operação de um meio aéreo que representa, de facto, um enorme salto qualitativo e operacional, de extrema importância para a Força Aérea Portuguesa no Século XXI, mantendo-se como o seu lema «Sobre as asas ínclitas da fama».

No dia 24 de Janeiro de 2015 a Esquadra 502 comemorou os seus 60 anos de história.


Fontes (terceira parte):
Imagens 14, 17 e 20: © Carlos Pedro - Altimagem;
Imagens 15 e 16: Colecção Altimagem;
Imagem 18: Foto de Nuno Freitas, Esquadra 502;
Imagens 17 e 18: Cortesia de  EMFA - Estado Maior da Força Aérea, Esquadra 502.
Texto:
- Cortesia de EMFA - Estado Maior da Força Aérea Portuguesa, Esquadra 502;
- Cortesia de OPERAÇÕES - Arquivo de Imprensa do PÁSSARO DE FERRO;
- Cortesia de  MAIS ALTO - Revista da Força Aérea Portuguesa, número 400, de Novembro/Dezembro de 2012.

14 março 2015

EADS C-295M (segunda parte)

(continuação)

Ver  EADS C-295M (primeira parte)

EADS C-295M, Altimagem, Carlos Pedro, FAP
Imagem 5


Percurso em Portugal:

        A 17 de Fevereiro de 2006 o Governo português assina um contrato em regime de Operational Leasing para aquisição de 12 aeronaves EADS C-295, em três versões distintas (ver imagem 6). As aeronaves, fabricadas pelo braço espanhol da empresa CASA, entretanto absorvida pela EADS, destinaram-se a substituir o velhinho CASA C-212 Aviocar.
     A aquisição deste tipo de aeronave tornou-se prioritária face à urgência em dispor de um meio aéreo que conjugasse uma série de valências que permitissem responder com eficácia e apuro técnico-táctico às missões de vigilância marítima (VIMAR). Este tipo de missão inclui tipologias tão diversas como fiscalização de actividades ilícitas (imigração ilegal, tráfico de droga), controlo de pescas e monitorização de poluição.


EADS C-295M, EMFA, FAP, Força Aérea Portuguesa
Imagem 6

     Partindo de uma base comum, versão PG01, qualquer das aeronaves adquiridas permite cumprir um alargado leque de missões, bastando para isso modificar o seu interior através de “kits” aplicáveis num curto espaço de tempo, que adaptam a aeronave aos fins pretendidos: Busca e Salvamento (SAR), Transporte VIP, Evacuações Médicas (MEDEVAC) e Carga Aérea Geral, entre outros. 
     Temos depois a versão PG02 com capacidade acrescida para realizar missões de Vigilância Marítima e a versão PG03 que acumula com todas as anteriores a Fotografia Aérea (RFOT).

     Das 12 aeronaves adquiridas, sete são na versão PG01, três na versão PG02 e duas na versão PG03, de modo a permitir, em permanência, aeronaves disponíveis para todas as missões. Por outras palavras, do total das 12 aeronaves, 7 são da versão de Transporte Táctico (Versão PG01C-295M) e as restantes 5 estarão vocacionados para missões de Vigilância Marítima (Versão PG02 VIMARC-295MPA Persuader), sendo que deste grupo, 2 estarão equipadas com o Sistema de Reconhecimento Fotográfico (Versão PG03RFOT). As 12 aeronaves terão, todas, capacidade SAR (Search And Rescue) e TA (Transporte Aéreo), como já foi referido.

A par da Defesa Aérea e das Missões de Apoio, a Força Aérea apresenta hoje uma capacidade única de ISR (Intelligence, Surveillance and Reconnaissance - Reconhecimento, Vigilância e Informações) no âmbito das Operações Aéreas Anti-Superfície em ambiente marítimo e terrestre, contribuindo simultaneamente para melhorar a Capacidade Militar Nacional de Comando, Controlo e Vigilância, através das aeronaves C-295M e P-3C/CUP+. 
     Exclusivo das duas aeronaves VIMAR / RFOT é o sistema de infra-vermelhos STAR SAFIRE IV HD-FLIR que permite a disponibilização de uma imagem de alta resolução obtida através do sensor electro-óptico, muito útil nas missões SARVIMAR e RFOT.(ver imagem 7).

EADS C-295 MPA Persuader, FAP, Força Aérea Portuguesa
Imagem 7: C-295M com o Sistema Electro-óptico STAR SAFIRE IV HD-FLIR,
exclusivo dos C-295 MPA Persuader (VIMAR/RFOT) 


De salientar, ainda, a função de Formação de Navegadores (SIFNAV), cujo kit de equipamentos foi criado pela Força Aérea Portuguesa (FAP), já numa fase avançada de aquisição do C-295

     O primeiro voo em território nacional e a apresentação em solo português realizou-se por ocasião das comemorações do 56º aniversário da Força Aérea, na Base Aérea nº 4 (BA4), Lajes, Açores, em Julho de 2008. 

     No dia 18 de Novembro de 2008, em Madrid, na Base Aérea de Getafe, teve lugar a entrega oficial, pela firma EADS à DEFAERLOC, do primeiro C-295M que Portugal encomendou em Fevereiro de 2006. A DEFAERLOC, Locação de Aeronaves Militares, SA, empresa do grupo EMPORDEF (Empresa Portuguesa de Defesa SGPS), comprou os aparelhos com o financiamento de instituições bancárias para os colocar à disposição da Força Aérea pelo sistema de “leasing operacional”, ou seja, mediante o pagamento de uma determinada importância anual. Segundo a Lei de Programação Militar a verba autorizada para este programa é da ordem dos 400 milhões de euros, a pagar até 2021.

     A entrega das primeiras duas aeronaves à Esquadra 502 ocorreria, contudo, apenas a 26 de Fevereiro de 2009, na Base Aérea nº 6 (BA6), Montijo, para onde, na mesma data, foi transferida a Esquadra 502 «Elefantes». A partir de então, os Elefantes empenhar-se-iam em adquirir a capacidade operacional na nova aeronave, para as diferentes missões atribuídas, tendo assumido as importantes missões de MedEvac e SAR a 02 de Outubro de 2009.

Imagem 8: Brasão da Base Aérea nº 6 (BA6)



Imagem 9: Emblema da
Esquadra 502, original
Imagem 10: Emblema da
Esquadra 502, definitivo

















     A origem da Esquadra 502 remonta ao ano de 1937, altura em que foi capacitada com os aviões JUNKER JU52, que realizavam um vasto leque de missões desde transporte aéreo-geral a bombardeamento nocturno. Com a criação da Força Aérea Portuguesa como ramo independente das Forças Armadas surgiu a Esquadra 32. No ano de 1971 recebe os primeiros Nord "Noratlas", continuando os Junkers a voar até 1972. Com o desenvolvimento do conflito nos territórios ultramarinos, a Esquadra 32 desempenhou um importante papel no apoio à missão da Força Aérea.

     Actualmente, a Esquadra 502 realiza missões de Transporte Aéreo, Transporte Aéreo-táctico, Apoio Logístico, Vigilância Marítima, Busca e Salvamento, Evacuações Aero-médicas, Lançamento de Tropas Aerotransportadas, lançamento de carga aérea e Transporte de Altas Entidades.


EADS C-295M, Altimagem, Carlos Pedro, FAP
Imagem 11: Interior do C-295M


No dia 5 de Novembro de 2010, mais uma indelével página da história da aviação militar em Portugal se escreveu.

Depois de 34 anos de leais serviços em prol da vida humana, o CASA C-212 Aviocar despede-se dos céus da Região Autónoma da Madeira (RAM) e do respectivo DAM (Destacamento Aéreo da Madeira) cedendo o seu lugar ao EADS C-295M Persuader.







EADS C-295M, Altimagem, Carlos Pedro, FAP
Imagem 12: Interior do C-295M
     A Base Aérea nº 4 (BA4) Lajes – Açores será a FOB 1 , onde ficarão estacionados 2 aviões, um VIMAR e um táctico.
No DAM, sedeado no Aeródromo de Manobra nº3  (AM3), Porto Santo, Madeira será a FOB 2, onde ficará estacionado 1 avião com capacidade VIMAR/Táctico.
Tanto na BA4 como no AM3, será igualmente mantido um alerta H24 para as missões SAR/MedEvac.




A Esquadra 502 manterá, como já é tradição, capacidade para uma FOB 3, algures no mundo, sempre que for chamada a isso.

Imagem 13: Pacth da Esquadra 502, C-295M


Missão da Esquadra 502:
  • Executar operações de Transporte Aéreo, Busca e Salvamento, Vigilância Marítima, Reconhecimento e Fotografia Aérea e Instrução de Navegadores.

Elementos de Missão:
  • Operações de transporte aéreo logístico intra teatro e inter teatro;
  • Operações aerotransportadas;
  • Operações aéreas especiais;
  • Operações de evacuação sanitária;
  • Operações de busca e salvamento;
  • Operações de reconhecimento e fotografia aérea;
  • Operações de vigilância marítima.

(continua)



Fontes (segunda parte):
Imagens 5, 11 e 12: © Carlos Pedro - Altimagem;
Imagens 6, 7 e 13: Cortesia de  EMFA - Estado Maior da Força Aérea, Esquadra 502;
Imagens 8, 9 e 10: Colecção Altimagem.
Texto:
- Cortesia de EMFA - Estado maior da Força Aérea, Esquadra 502;
- Cortesia de OPERAÇÕES - Arquivo de Imprensa do PÁSSARO DE FERRO;
- Cortesia de  MAIS ALTO - Revista da Força Aérea Portuguesa, número 400, de Novembro/Dezembro de 2012.

07 março 2015

EADS C-295M (primeira parte)


Imagem 1

EADS C-295M
EADS C-295MPA PERSUADER

Quantidade: 12
Versão EADS C-295M: 7
Versão EADS C-295 Persuader: 5
Utilizador: Força Aérea
Entrada ao serviço: 18 de Novembro de 2008
Data de abate: Em serviço



Dados técnicos:

a)       Tipo de Aeronave
Avião bimotor turbohélice terrestre, de trem de aterragem triciclo retráctil, monoplano de asa alta, de construção metálica, com fuselagem e cabine de voo pressurizadas. Possui a parte traseira da fuselagem equipada com uma rampa/porta hidráulica, destinado a missões de transporte militar de médio e curto alcance, patrulhamento marítimo, luta naval e luta anti-submarino.
Tripulação: 2 + 2.
b)       Construtores
Até Julho de 2000: CASA - Construcciones Aeronáuricas S.A. / Espanha;
Entre Julho de 2000 e Abril de 2009: EADS- European Aeronautic Defence and Space Company / Alemanha, França e Espanha;
Entre Abril de 2009 e Dezembro de 2013: EADS-Airbus Military / Espanha;
A partir de Janeiro de 2014: Airbus Defence and Space / Alemanha, Espanha, França, Estados-Unidos e Reino Unido.
c)       Motopropulsor
Motores: 2 motores turbo-propulsores (turbo-hélices) Pratt & Witney Canada PW-127G, de 2.645 hp cada.
Hélices: Metálicos, de seis pás, com 3,89 m de diâmetro, com auto-revestimento e sincronização de fases.
d)       Dimensões
                Envergadura ………….............25,81 m
                Comprimento…..…………......24,50 m
                Altura………….……………....…8,60 m
                Diâmetro da hélice…………….3,89 m
                Área alar ……….……...............59 m²
e)       Pesos
                Peso vazio……………..…....….13.000 kg
                Peso máximo……………...…..23.200 kg
                Peso máximo de carga……….9.250 kg
f)        Performances
                Velocidade máxima ……...….470 Km/h
                Velocidade de cruzeiro ……...410 Km/h
                Velocidade mínima….…….....175 Km/h
                Velocidade de manobra……..350 Km/h
                Tecto máximo…………....….9.900 m
                Tecto de serviço ………...….7.620 m
                Raio de acção ………...........4.500 Km
                Alcance máximo………...…..3.900 Km
                Alcance máximo com o peso máximo de carga…..1.300 Km
                Autonomia…………............10 horas
                Combustível…………………7.700 L
g)      Armamento
Os pontos fixos para transporte de armas debaixo das asas são opcionais e têm capacidade para 300Kg, o mais afastado, 500Kg o central e 800Kg o mais próximo do eixo do avião.
h)      Capacidade de transporte
66 passageiros; ou 68 tropas de infantaria; ou 66 / 45 para-quedistas totalmente equipados; ou 24 macas e 6 médicos; ou 57 m³ de volume, correspondentes a (até) 5 paletes de 2,24m x 2,74m; ou 5 veículos utilitários leves.




Imagem 2
Resumo histórico:

     O CASA C-295 é um avião de transporte táctico médio, desenhado pela fábrica espanhola CASA - Construcciones Aeronáuticas S.A. na década de 1990, com o desenvolvimento do bem sucedido CASA CN-235.
     O programa de desenvolvimento da aeronave começou em Novembro de 1996, tendo sido oficialmente anunciada no Salão Aeronáutico de Paris, em Junho de 1997.
     O primeiro protótipo foi uma modificação de um CN-235, que recebeu a designação de  EC-295, realizando o seu primeiro voo em 28 de Novembro de 1997.
     Em relação ao CN-235, o EC-295 teve a fuselagem alongada até 24,5 metros e foi equipado com novos motores e sistemas. Os motores escolhidos foram dois turbo-hélices Pratt & Witney Canada PW-127G, com 2.645 hp cada, conferindo a capacidade para transportar uma carga útil máxima de 9.250 Kg a uma velocidade de cruzeiro de 480 Km/h. Estas mudanças permitem transportar uma carga 50% mais pesada e a uma velocidade superior ao CN-235, em distâncias similares. Este primeiro protótipo contribuiu com um programa de provas, num total de 379 voos e 801 horas de voo sendo, posteriormente, utilizado para desenvolver a versão CASA C-295 Persuader.

     O grupo EADS surgiu de uma fusão, em 10 de Julho de 2000, das empresas Daimler Chrysler Aerospace (DASA) da Alemanha, Aérospatiale  da França e Construcciones Aeronáuticas S.A. (CASA) de Espanha. Desde então desenvolveu-se, tornando-se a segunda maior empresa aeroespacial europeia, depois da BAE Systems.
     Em Julho de 2013, a EADS anunciou a sua extinção, com uma reestruturação do grupo em três divisões e a mudança do seu nome para AIRBUS, adoptando uma aparência semelhante à sua rival Boeing, numa aposta para se tornar mais competitiva.

     Em Janeiro de 2014 foi criada a Airbus Defence and Space, divisão da Airbus voltada para os sectores aeroespacial, defesa e aviação militar, formada pela fusão de três das empresas da extinta EADS (Astrium, Cassidian e Airbus Military). Uma outra divisão da EADS, a Eurocopter, passou a ser designada por Airbus Helicopters.

Imagem 3: Painel de instrumentos da cabine de pilotagem do C-295M
   

     A CASA obteve a primeira encomenda do C-295 por parte da Força Aérea Espanhola, que recebeu o primeiro avião em Dezembro de 2000.
  A partir do ano 2000, com a incorporação da CASA no grupo aeronáutico europeu EADS (European Aeronautic Defence and Space), esta aeronave passou a designar-se EADS CASA C-295.

     A CASA possui duas versões do 295: o C-295M, para transporte táctico militar, e o C-295 Persuader, para patrulhamento marítimo. Está previsto, em breve, uma terceira versão, o CASA C-295 AEW,  para controle e alerta aéreo antecipado, equipado com radar activo de varredura electrónica.

Em Outubro de 2013 tiveram início as provas para uma versão de combate a incêndios.
Em Junho de 2014, a Jordânia anunciou a conversão de um dos seus C-295 numa nova versão de artilharia, designada por AC-295.
Outras versões em desenvolvimento, incluem a Inteligência de Sinais (SIGINT) e Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (ISR).
     A CASA desenvolveu ainda o CASA C-295W, uma versão equipada com Winglet, componente aerodinâmico situado na extremidade livre das asas, com a função de diminuir o arrasto induzido relacionado com o vórtice da ponta das asas, a fim de melhorar o seu desempenho na descolagem, subida e velocidade de cruzeiro, aumentando a relação de subida e resistência.

Imagem 4: Países operadores do C-295M:
azul: Operadores do C-295;
verde: operadores do C-295 Persuader;
violeta: operadores de ambas as versões.

     Entre 2004 e 2013 os aviões CASA C-295M e C-295 Persuader passaram a ser operados pelos seguintes países: Argélia, Brasil, Cazaquistão, Chile, Colômbia, Equador, Egipto, Espanha, Filipinas, Finlândia, Gana, Indonésia, Jordânia, México, Omã, Polónia, Portugal, República Checa e Vietname, num total de 151 aeronaves nas duas versões.

(continua)



Fontes (primeira parte):
Imagem 1: Cortesia de EMFA - Estado Maior da Força Aérea Portuguesa;
Imagens 2 e 4: Cortesia de Wikipedia,a enciclopédia livre;
Imagem 3: © Carlos Pedro - Altimagem.
Texto:
- Cortesia de Wikipedia, a enciclopédia livre;
- Cortesia de EMFA - Estado Maior da Força Aérea Portuguesa;
- Cortesia de Air Force Technology.