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02 novembro 2016

Marrocos

المملكة المغربية
al-Mamlakah al-Maġribiyya
Tageldit n Umerruk
Royaume du Maroc
Reino de Marrocos



Bandeira
Brasão de Armas























Localização:
África, Norte de África
Magrebe árabe (parte mais ocidental do mundo árabe).


Origem / Pequeno resumo histórico:
Etimologia – O nome completo do país em árabe pode traduzir-se como “Reino Ocidental de Al-Magrib, o que significa "oeste", nome usado com frequência. O termo “Marrocos” tem origem no nome da antiga capital imperial, Marraquexe, a partir da expressão berbere que significa “Terra de Deus”.

Rei Mohammed VI de Marrocos, desde 1999.

História Marrocos é um país do Norte da África cujo nome é derivado de Marraquexe (cidade imperial e capital de 1062 a 1269, e depois de 1524 a 1659). Habitado desde a Pré-história por populações berberes, Marrocos passou por vários povoamentos, nomeadamente de fenícios, cartagineses, romanos, vândalos e bizantinos antes de ser islamizado pelos árabes. Foi no ano de 788 que Idris I, fugindo às perseguições do Califado Abássida, e exilado nesta região, deu origem ao nascimento de um estado no Maghreb el-Aqça ("Magrebe extremo" ou "extremo poente").
     A fundação de Marrocos, país que se considera árabe, berbere, africano e muçulmano, faz-se com os Idríssidas, que ganharam para a sua causa várias tribos que controlavam pequenos reinos e territórios independentes do governo central. À medida que as alianças se desenvolviam, os Idríssidas estenderam a sua influência territorial aos povos indígenas, estabelecendo as bases para a organização de um Estado, recuperado pelas dinastias seguintes. Se os Idríssidas vão começar a desenhar as bases do estado e das fronteiras de Marrocos, serão os Almorávidas que, ao criarem a sua capital, Marraquexe, darão o nome ao país.
     Em 1415, Portugal vira os olhos para a África e empreende a conquista de Ceuta. No Século XVI a maior parte do litoral marroquino estava nas mãos de portugueses e espanhóis. Ceuta continuaria sob a soberania espanhola até aos dias de hoje.
     Em 1472 os sultões de Fez perderam todos os seus territórios estratégicos e já não têm o controle do Estreito de Gibraltar. Em 471 os Portugueses apoderam-se de Tânger que, mais tarde, em 1661, cedem a Inglaterra, como dote da Rainha Catarina de Bragança e de seu marido, o Rei Carlos II de Inglaterra.

Cisterna manuelina construída pelos portugueses em El Jadida (Mazagão), em 1514.

     Durante o governo português (1471-1661), Tânger é a capital do Algarve, em África, porque existiam dois Algarves; o da Europa e o de África. Os dois Algarves eram considerados territórios da Dinastia de Avis e, mais tarde, da Dinastia de Bragança (o Rei de Portugal também detinha o título de Rei dos Algarves). Sob os reinados sucessivos de D. Afonso V, D. João II e D. Manuel I (período que marca o apogeu da expansão portuguesa) o Algarve africano abrange quase toda a costa atlântica de Marrocos, com a excepção de Rabat e Salé. Os portugueses controlam a parte costeira que se estende desde Ceuta até Agadir (Fortaleza de Santa Cruz do Cabo de Gué), tendo como marcos as praças-fortes de Alcácer-Ceguer, Tânger, Arzila, Azamor, Mazagão, Safim e Castelo Real de Mogador. Estas possessões formam as fronteiras, sendo usadas como paragens na rota das naus portuguesas para o Brasil e para o Estado Português da Índia.
     A maioria das possessões portuguesas em Marrocos são conquistadas pelos Saadianos em 1541. A última fronteira é a de Mazagão, recuperada pelos marroquinos em 1769. Os espanhóis dominavam grande parte da costa do Mediterrâneo, com os presídios de Melilla e o Ilhote de Vélez de la Gomera, assim como a região de Tarfaya em frente às ilhas Canárias. Também conservaram o controlo de Ceuta, após a Restauração da Independência de Portugal, em 1640. Os Wattássidas enfraquecidos, finalmente, cedem o poder a uma dinastia que reivindicava uma origem árabe Xerifiana, os Saadianos, em 1554.



Sala de estar tradicional marroquina


Cultura:
Azulejaria - Os mouros foram responsáveis por um dos maiores tesouros do Marrocos: o zellige. É uma espécie de azulejo, um ladrilho com padrões geométricos que surgiu no Século X, tornando-se um ícone da arquitectura marroquina. O uso de formas geométricas foi a forma encontrada pelos artistas islâmicos para evitar a representação de seres vivos, proibida pela religião. Os elementos da escrita cúfica também são usados como ornamentos.

Artesanato - A cultura marroquina é também transposta para outros tipos de artesanato: Dentro dos mercados e souks, os artesãos podem estar a trabalhar mesmo à frente das pessoas: o couro, os metais, a joalharia, podendo mesmo ir assistir ao tratamento dos curtumes.

A negociação - Faz parte da cultura marroquina negociar. O que quer que queira comprar, deve-se sempre negociar. Sempre muito simpáticos, os comerciantes marroquinos começam a negociação sempre com valores elevados para manter a conversa. Vá apontando para um valor baixo e diga sempre que é muito caro o que oferecem. Claro que se tem de ser correcto na negociação, procurando não insistir num valor ridículo por uma peça que sabe que vale mais. É de bom negociante tentar chegar a um meio termo.

Mercado de especiarias em Marraquexe

Gastronomia: A cozinha marroquina é rica em sabores, aromas e cores. Alguns dos pratos mais tradicionais são os cuscos, que podem ser combinados com carne ou vegetais; a pastilha, uma tarte com pombo picado, salsa, ovo cozido, amêndoas, mel e polvilhada com canela e açúcar; a Harira, com uma base de lentilhas e grão-de-bico e a Tagine, um guisado de carne, frango ou peixe, acompanhado com vegetais e frutas, sendo tradicionalmente cozinhado num prato de barro, que lhe dá o nome.

O tradicional prato marroquino cuscos.


O tradicional chá de menta
   

Alguns doces, como panquecas com mel e sementes de sésamo, bolos de amêndoa ou passas, são acompanhados pelo famoso chá de menta.
     Os marroquinos têm por tradição beber chá com hortelã (atāy ou thé à la menthe; chá verde com hortelã-verde e açúcar) antes e depois da refeição. Agradecem a Deus dizendo “bismillah”. Comem primeiro de um prato comunitário, com a mão direita, o polegar e os dois primeiros dedos. No fim das refeições, agradecem novamente dizendo “all hamdu Lillah”, que quer dizer: "Graças a Deus", repetindo o ritual de lavar as mãos.










Principais recursos naturais:
Fosfato, fósforo, carvão, ferro, petróleo, manganés, chumbo, zinco, peixe e sal.


Baía de Agadir. O porto desta cidade é o maior centro mundial
de distribuição de sardinha.



Datas comemorativas:
Apresentação do Manifesto da Independência11 de Janeiro – Celebra a data da apresentação do Manifesto, em 1944;



Festa do Trono30 de Julho – Dia Nacional e o mais importante feriado civil. É celebrado em todo o Reino com muitas actividades e várias festas. Comemora a coroação do Rei, em 1999;



Aniversário do Rei21 de Agosto – Celebra o aniversário do actual Rei Mohammed VI, nascido em 1963.



Aniversário da Marcha Verde6 de Novembro – Celebra a invasão marroquina do Sahara espanhol, em 1975;



Dia da Independência 18 de Novembro – Celebra o regresso do exílio forçado em Madagascar, pelos franceses, do Rei Mohamed V, em 1956.
Símbolos nacionais:
Bandeira nacional;
Brasão de Armas;
Hino Nacional – Hymne Chérifien (Hino Cherifiano) – (النشيد الشريف Al-nashid al-sharif)
Insígnia da Real Força Aérea de Marrocos;
Argania spinosa (UNESCO);
Leão do Atlas - Também conhecido como leão-berbere, foi uma sub-espécie de leão existente na Cordilheira do Atlas e que foi considerado extinto na natureza no Século XX.

Insígnia da Real Força Aérea de Marrocos


Árvore de Argão (Argania Spinosa) (UNESCO)


Leão do Atlas



Lema:
Allāh, al-Watan, al-Malik
(Árabe: «Deus, Pátria, Rei»)
(Berbere: «Yakuc, Tamurt, Agellid»)


Capital:                                                           Línguas oficiais:
Rabat                                                              Árabe e Línguas Berberes


Avenida Mohammed V em Rabat


Reconhecida como língua nacional:
FrancêsO árabe e o amazighe (berbere) são as duas únicas línguas mencionadas na constituição como "oficiais do Estado", mas o francês é amplamente utilizado em textos oficiais do Governo e pela comunidade empresarial.


Moeda oficial:                                                   Tipo de Governo:
Dirham marroquino (MAD)                             Monarquia constitucional


Avenida de Mohammed V, em Rabat.


Data de admissão como membro da ONU (Organização das Nações Unidas):
12 de Novembro de 1956


Organizações / Relações internacionais:
  • ONU – Organização das Nações Unidas;
  • AP – Aliança do Pacífico (observador);
  • BAFD – Banco Africano de Desenvolvimento;
  • BIRD – Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento;
  • CD – Comunidade das Democracias;
  • CEN-SAD – Comunidade dos Estados Sahelo-Saharianos;
  • COI – Comité Olímpico Internacional;
  • FMA – Fundo Monetário Árabe;
  • Grupo dos 77 – Nações em desenvolvimento;
  • ICDO – Organização Internacional de Protecção Civil;
  • INTERPOL – Organização Internacional de Polícia Criminal;
  • IPU – União Inter-Parlamentar;
  • IRU – União Internacional de Transportes Rodoviários;
  • IUCN – União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais;
  • LEA – Liga dos Estados Árabes;
  • MIGA – Agência Multilateral de Garantia de Investimentos;
  • MNA – Movimento dos Países Não-Alinhados;
  • OCI – Organização para a Cooperação Islâmica;
  • OIF – Organização Internacional da Francofonia;
  • OIM – Organização Internacional para as Migrações;
  • OIV – Organização Internacional da Vinha e do Vinho;
  • OMC – Organização Mundial do Comércio;
  • OPCW Organização para a Proibição de Armas Químicas;
  • PCA Tribunal Permanente de Arbitragem;
  • PEV – Política Europeia de Vizinhança;
  • PSIWMD Iniciativa de Segurança contra a Proliferação de Armas de Destruição Maciça;
  • RAMSAR Convenção sobre as Zonas Húmidas de Importância Internacional;
  • WNBR – Rede Mundial de Reservas da Biosfera da Unesco; 
  • UIC – União Internacional dos Caminhos-de-Ferro;
  • UMA – União do Magrebe Árabe;
  • UPM – União para o Mediterrâneo;
  • WCO – Organização Mundial das Alfândegas;
  • WIPO – Organização Mundial da Propriedade Intelectual.


Património Mundial (UNESCO):
Almedina de Fez  (1981)  Fundada no Século IX e local da mais antiga universidade do mundo, Fez atingiu o seu apogeu nos Séculos XIII e XIV, sobre o controlo dos Merínidas, quando substituiu Marraquexe como capital do reino. O planeamento urbano e a maior parte dos monumentos — madraçais, fondouks, palácios, residências, mesquitas e fontes — datam desse período. Embora a capital política de Marrocos se tenha transferido para Rabat em 1912, Fez permanece a sua capital cultural e espiritual.
Embora seja frequentemente referida como "Almedina de Fez", Fez tem duas almedinas: Fès El Bali e Fès Jdid. A Almedina de Fez é a parte mais antiga e muralhada da cidade, tendo sido fundada por Idris II em 809.

Vista geral de Fez (UNESCO)


Almedina de Marraquexe – (1981, 1985)  Fundada em 1070/72 pelos Almorávidas, Marraquexe permaneceu um importante centro cultural, económico e político por um grande período de tempo. A sua influência espalhou-se por todo o mundo islâmico, desde o Norte de África a Andaluzia. Possui vários monumentos impressionantes datando desse período: a Mesquita de Koutoubia, o Kasbah, jardins, portas monumentais, etc. Mais tarde surgiram monumentos mais impressionantes: o madraçal de Ben Youssef, o Palácio de Bahia, os Túmulos Saadi, várias residências monumentais e a Praça Jemaa El Fna.


Mesquita de Kutubia, em Marraquexe (UNESCO)


Ksar de Aït-Ben-Haddou – (1987)  É uma cidade fortificada, ou ksar (alcácer), na região de Souss-Massa-Drâa, Marrocos, na antiga rota de caravanas entre o Saara e Marrakech. Situa-se numa colina do sopé do Alto Atlas, à beira do Rio Ounila, afluente do Rio Ouarzazate que, por sua vez, é  afluente do Rio Drá. A cidade é constituída por um grupo de várias pequenas fortalezas, ou casbás (kasbahs), chegando a ter dez metros de altura cada uma. A maioria dos habitantes da cidade vive agora numa aldeia mais moderna, no outro lado do rio; no entanto, oito famílias ainda vivem no ksar.
Ali foram filmados vários filmes famosos, incluindo Lawrence da Arábia (1962), Jesus de Nazaré (1977), A Jóia do Nilo (1985), A Última Tentação de Cristo (1988), A Múmia (1999), O Gladiador (2000), Alexandre Magno (2004), Sahara (2005) e Príncipe da Pérsia (2010), entre outros.
O ksar foi fundado no ano de 757, começando apenas como a casa de uma família. No entanto a povoação foi crescendo até à dimensão actual. O túmulo do seu fundador, Ben-Haddou, encontra-se na base da colina, por trás da povoação.

Vista geral de Äit-Ben-Haddou (UNESCO)


Cidade Histórica de Meknès – (1996)  É uma cidade do centro-norte de Marrocos, fundada para fins militares no Século XI pelos Almorávidas.
É uma das maiores cidades do país e uma das mais importantes a nível histórico, sendo uma das chamadas "Cidades Imperiais", juntamente com Fez, Marraquexe e Rabat, por ter sido a capital durante o reinado do proeminente sultão alauita Moulay Ismail, entre 1672 e 1727. A cidade está rodeada por uma cintura tripla de muralhas que abriga o palácio do sultão e uma cidadela do Califado Almóada. Ao norte, encontram-se as ruínas romanas de Volubilis e a cidade santa de Moulay-Idriss, fundada em 788.

Bab Mansour, em Meknés (UNESCO), construída em 1732.


Almedina de Tetuão – (1997) – Antiga Titawin. A Almedina de Tetuão é o centro histórico islâmico da cidade de Tetuão, Marrocos. É muito característica e tradicional. As casas da almedina são quase todas baixas e brancas. Em toda a almedina existem artesãos, como tecelões, joalheiros, curtidores de peles, etc. Existem também muitos vendedores de rua, que vendem tapetes a turistas.
Tétouan (Tetuão) teve muita importância no período islâmico, pois serviu como principal ponto de contacto entre Marrocos e o Al-Andalus. Depois da Reconquista, a cidade foi reconstruída por refugiados andaluzes que haviam sido expulsos pelos espanhóis. Isto é bem demonstrado pela sua arquitectura, que revela influência andaluza. Embora seja uma das mais pequenas almedinas marroquinas, Tetuão apresenta-se como a mais completa, mantendo-se praticamente intocável ao longo do tempo.

Palácio Real de Tetuão (UNESCO)


Sítio arqueológico e cidade romana de Volubilis – (1997) – Volubilis (em árabe: وليلي‎; transl.: Oualili ou Walila) foi uma cidade romana, cujas ruínas constituem actualmente um dos principais destinos turísticos arqueológicos, situado no norte de Marrocos, nos arredores da cidade santa de Moulay Idriss, a norte de Meknès.

Ruínas romanas de Volubilis: Zona do Fórum, com a Basílica no
centro da imagem (UNESCO)


Almedina de Essaouira (antiga Mogador) – (2001)  Al-Suwayra, "a bem desenhada"; Amogdul ou Mugadur) antigamente chamada Mogador, é uma cidade da costa sudoeste de Marrocos, capital da província homónima, que faz parte da região de Marrakech-Tensift-Al Haouz. A cidade é considerada por muitos como a estância de praia mais agradável de Marrocos, pelos seus extensos areais, dunas e pelo centro histórico. É uma mistura de cidade do Século XVIII com um povoado medieval, cercado de muralhas que, por sua vez, estão rodeadas de canteiros de flores e pelo Oceano Atlântico. É conhecida pelos amantes do windsurf pelos seus ventos, o que está na origem da epíteto turístico "Wind City, Afrika".

Vista da muralha da Almedina de Essaouira (UNESCO)


Cidadela Portuguesa de Mazagão – (2004) – Mazagão foi, entre o início do Século XV e meados do Século XVIII, uma possessão portuguesa em Marrocos, tendo dado origem à actual cidade de El Jadida, situada 90 km a sudoeste de Casablanca.
Os monumentos portugueses que chegaram até aos nossos dias são a cisterna manuelina, a antiga fortificação com suas muralhas e baluartes — exemplo precoce da arquitectura militar portuguesa do Renascimento — e a Igreja de Nossa Senhora da Assunção, em estilo manuelino. Esse conjunto oferece um exemplo excepcional das influências recíprocas entre a cultura europeia e a marroquina. Em 1769 a ocupação de Mazagão, então a última das fortificações portuguesas em Marrocos, chegou ao fim, após a assinatura de um Tratado de Paz com o sultão Maomé III de Marrocos (r. 1757–1790). O Marquês de Pombal, ministro do Rei D. José I de Portugal, decidiu que a população de Mazagão seria transferida para a Amazónia, no Brasil, outra região sob controle português que necessitava da garantia de soberania. Desse modo, foi fundada a vila de Nova Mazagão (actualmente apenas Mazagão, no actual estado brasileiro do Amapá).

Fortaleza portuguesa de Mazagão (UNESCO)


Rabat, Capital moderna e Cidade histórica, um Património Partilhado – (2012)


Rabat: Mausoléu de Mohamed V (UNESCO)


Torre Hassan, em Rabat (UNESCO). Minarete construído no Séc. XII.



Património Cultural e Imaterial da Humanidade (UNESCO):
A Moussem (festividades) de Tan-Tan – ( 2008 ) – Moussem (ou mussem; em árabe: الموسم;), ou waada, na Argélia, é o termo usado no Magrebe, principalmente em Marrocos e no oeste argelino, para designar uma festa regional anual, em que geralmente se junta a celebração religiosa de um marabuto (santo) adorado localmente, e actividades festivas e comerciais. São eventos muito concorridos, aonde ocorrem pessoas de locais muito distantes. O Moussem de Tan-Tan tem lugar entre Maio e Junho de cada ano, sendo um encontro anual de povos nómadas do Sahara, agrupando mais de 30 tribos do sul de Marrocos e de outros locais do noroeste de África.
O Moussem é um acontecimento económico, cultural e social. Originalmente uma manifestação espontânea, tomou forma organizada em 1963. Ali se reúnem mais de trinta tribos nómadas do noroeste de África para convívio, comprar, vender e trocar todo o tipo de artigos, competições de criação de camelos e cavalos, celebrar casamentos, consultar especialistas em ervas e plantas, cantar, declamar poesia, e participar em outras tradições orais e jogos.

Moussem de Tan-Tan (UNESCO)


Espaço Cultural da Praça de Jemaa el-Fna – (2008)  Jemaa el-Fna ou Djemaa el Fna é a principal e mais célebre praça da cidade de Marraquexe. O nome pode ser traduzido como “Assembleia dos Mortos”, pois no passado a praça era o local onde eram executados criminosos, cujas cabeças ficavam expostas para servir de exemplo. No entanto, como a palavra djemaa também significa mesquita, o nome do local pode ser traduzido como "lugar da mesquita desaparecida", como referência a uma mesquita almorávida destruída.
A praça é a mais movimentada de Marraquexe, com vários espectáculos como saltimbancos, acrobatas, encantadores de serpentes, faquires, engolidores de espadas, curandeiros, músicos, dançarinos, contadores de histórias, etc. À noite, as barracas de comida típica dominam a praça, juntamente com centenas de turistas e locais.
Jamaa el Fna é um símbolo da cidade de Marraquexe desde a sua fundação, no Século XI. A Praça é o local de representação para diversos artistas, entre os quais músicos, dançarinos, comedores de vidro, encantadores de serpentes, contadores de histórias típicos marroquinos, e também local de outras actividades como restaurantes, tatuadores com henna, médicos tradicionais e pregadores.

Praça Jamaa el-Fna (UNESCO)

Dieta Mediterrânica – (2010/2013) – Partilhado com mais seis países. A Dieta Mediterrânica é uma recomendação nutricional moderna inspirada originalmente nos padrões de dieta da Grécia, do Sul de Itália, da Espanha e Portugal. Os principais aspectos desta dieta consiste no consumo elevado e em proporção de azeite, legumes, cereais não refinados, frutas e vegetais, o consumo moderado a elevado de peixe, consumo moderado de lacticínios (queijo e iogurte na sua maior parte), consumo moderado de vinho, e baixo consumo de carnes e seus derivados.


A Falcoaria, uma herança e um património humano vivo – (2011/2012) – Partilhado com mais doze países.


Festa das Cerejas de Sefrú – (2012)  Anualmente, durante o mês de Junho, os moradores da cidade de Sefrú celebram durante três dias a beleza natural e a riqueza cultural da região, simbolizada pela cereja e pela eleição da nova Rainha das Cerejas, eleita depois de um concurso que atrai numerosas candidatas da região e de todo o país.

Bandeira da Província de Sefrú


Conhecimentos, técnicas e práticas veiculadas à Argania (Argania Spinosa) – ( 2014 )  Argania spinosa (sinónimo "A. sideroxylon Roem & Schult") é uma espécie de planta endémica dos desertos calcários do sudoeste de Marrocos, na região histórica do Souss. É a única espécie do género Argania (em português designado como "argão", "argânia", argan ou " argã"), sendo muito apreciado o seu óleo, que é extraído do fruto, que tem uso medicinal, cosmético e culinário.

Folhagem e fruto da árvore de Argão (Argania Spinosa) (UNESCO)



Rede Mundial de Reservas da Biosfera da UNESCO:
Argania spinosa – (1998)  Planta endémica dos desertos calcários do Sudoeste de Marrocos, conhecida usualmente por Árvore de Argão. É a única espécie do género "Argania". Do seu fruto é extraído o óleo de Argão, muito apreciado a nível culinário, cosmético e medicinal;


Oásis do Sul de Marrocos – (2000);


Reserva da Biosfera Intercontinental do Mediterrâneo – (2006) - Partilhado com Espanha;


Cedro do Atlas – (2016) – É uma espécie de cedro nativa das montanhas do Atlas da Argélia (Atlas do Tell) e de Marrocos (Rife, Médio Atlas e alguns locais do Alto Atlas). A maioria das fontes modernas consideram-na uma uma espécie distinta.


Cedro do Atlas (UNESCO)


Pinha do cedro do Atlas











15 janeiro 2016

Líbia

ليبيا
Líbia




Bandeira
Brasão de Armas





















Localização:
África, Norte de África.
Magrebe árabe (parte mais ocidental do mundo árabe).


Origem / Pequeno resumo histórico:
     O território que hoje corresponde à Líbia já foi dominado por diversos povos, tais como fenícios, gregos, romanos, egípcios, vândalos, bizantinos e berberes, até à invasão árabe de 643 d.C., que trouxe o islamismo e a língua árabe ao país. O nome Líbia foi dado pelos colonos gregos no Século II antes da era cristã.
     No Século XIII a.C. os habitantes da região, denominados "líbios" pelos gregos, participaram nas invasões dos povos do mar no Egipto. Fenícios e gregos chegaram ao país no Século VII a.C. e estabeleceram colónias e cidades. Os fenícios fixaram-se na Tripolitânia e os gregos na Cirenaica, onde fundaram as cinco colónias da Pentápole. No Século V a.C., os cartagineses, herdeiros das colónias fenícias, fundaram na Tripolitânia uma província. No Século I a.C. (106 - 119 a.C.), toda a região foi conquistada e dominada pelo Império Romano, que deixou monumentos admiráveis.
     A Líbia permaneceu como província romana até ser conquistada pelos vândalos em 455 d.C. Após ser reconquistada pelo Império Bizantino, sucessor do Império Romano, a região passou a ser dominada pelos árabes a partir do ano 643. Os árabes estenderam a área cultivada em direcção ao interior do deserto.
     Durante pouco mais de três séculos, o Califado Almóada manteve o domínio sobre a região tripolitana, enquanto a Cirenaica esteve sob o controle egípcio.
Rei Idris I, o primeiro líder que deu a
independência à Líbia
     Em 1 de Janeiro de 1952 a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a independência da Líbia, data a partir da qual adoptou o nome de Reino Unido da Líbia. O líder religioso dos sanusis, o Emir Sayyd Idris al-Sanusi foi coroado rei, com o nome de Idris I (1951 - 1969).

     Em 1966, Muammar al-Khaddafi, filho de beduínos nómadas que se tinha incorporado no exército, enquanto estudava em Londres, fundou a União dos Oficiais Livres, e, após o retorno à sua terra natal, continuou o trabalho de conspiração política dentro do exército. Em 1 de Setembro de 1969 teve início, em Sabha, uma insurreição liderada por um grupo de cerca de 70 oficiais do exército líbio, que derrubou a monarquia rapidamente e sem derramamento de sangue.
     Os "oficiais livres" eram um grupo de oficiais radicais islâmicos, que após a tomada do poder num Golpe de Estado, criaram um governo militarizado exercido por meio do Conselho do Comando Revolucionário, com 13 integrantes, liderado pelo coronel Muammar al-Khaddafi, então com 27 anos de idade, proclamou-se islâmico, nasserista e socialista, encerrou as bases militares norte-americanas e britânicas, e impôs severos controles sobre a actividade de empresas multinacionais petrolíferas instaladas na década de 1960.
Muammar al-Khadafi tomou o controle da Líbia
em 1969, governando até à guerra civil de 2011

     O regime de Muammar Khaddafi, chefe de Estado a partir de 1970, decretou a nacionalização das empresas, dos bancos e dos recursos petrolíferos do país. A exploração das riquezas do petróleo deu meios ao governo líbio para melhorar as condições de vida da população do país, ainda que a custo de alianças empresariais sombrias e de privilégios para a família do líder nacional.
     Khaddafi lançou um projecto ambicioso de desenvolvimento, com ênfase na agricultura. Cada família rural recebeu aproximadamente dez hectares de terra, um tractor, habitação, ferramentas e irrigação. Foram perfurados mais de 1.500 poços e 2 milhões de hectares do deserto começaram a receber irrigação artificial.
     Devido ao rápido crescimento, a Líbia recebeu imigrantes de outros países árabes e trabalhadores qualificados de todo o mundo. Nas cidades, Khaddafi criou um sistema de previdência social, assistência médica gratuita e incentivos às famílias numerosas. Os trabalhadores da indústria tiveram direito à participação de 25% nos lucros das empresas. Em cinco anos, a Líbia deixou de ser o país mais pobre do norte da África e passou a ter a maior renda per capita do continente: US$ 4.000 por ano.
     Como resultado da guerra civil, entre Fevereiro e Outubro de 2011, e do colapso do regime político de Kaddafi, que estava no poder há mais de 40 anos, a Líbia está a ser, actualmente, administrada por um governo interino, conhecido como Conselho Nacional de Transição.



Cultura:
     A cultura da Líbia é semelhante à de outras nações do Magrebe. Os líbios consideram-se parte da comunidade muçulmana e grande parte  das suas tradições e costumes regem-se através da religião islâmica. 82,6% da população líbia sabe ler e escrever, e os jovens estudam durante uma média de 17 anos.
     Devido à ditadura de Kadaffi, durante muitos anos não houve teatros públicos, e só poucas salas de cinema projectavam longas-metragens estrangeiras. As tradições nativas ainda estão vivas e profundamente enraizadas na população, por isso existem muitos grupos que executam a música e danças folclóricas em festivais nacionais e  internacionais. Os documentos e arquivos oficiais do país estão na capital, Trípoli, onde também se encontra a Biblioteca Nacional. A maior biblioteca do país, contendo 300.000 volumes, está localizada na cidade de Benghazi, na Universidade de Garyounis. A maioria dos museus do país encontram-se em Trípoli, com destaque para o Museu de Leptis Magna, na cidade de Al-Khums.
Gastronomia –  A cozinha da Líbia possui as suas raízes nas tradições do Mediterrâneo e Norte da África, com influência italiana, um legado dos dias em que a Líbia foi uma colónia italiana.
     Um dos pratos líbios mais populares, fortemente temperado, é uma sopa grossa chamada Sharba Libiya ou sopa líbia. A Sharba contém muitos ingredientes de muitos outros pratos líbios, tais como a cebola, tomate, cordeiro ou frango, pimentos, pimenta de caiena, açafrão, ervilhas, hortelã, coentros e salsa.
Música - Vários tipos de música são populares na Líbia, nomeadamente a música Andalusi, conhecida localmente como Ma'luf, Chabi e música clássica árabe. No sul do país, os Tuaregues possuem a sua própria e distinta música folclórica, onde são as mulheres que tocam, tocando um violino com uma corda, chamado anzad, bem como uma grande variedade de tambores.
     Dois dos mais famoso músicos líbios são Ahmed Fakroun e Mohammed Hassan.
Entre os árabes da Líbia, os instrumentos musicais incluem o zokra (gaita de foles), a flauta (feita de bambu), a pandeireta, o out (um instrumento de cordas em forma de pêra ou gota, similar ao alaúde) e o darbuka, instrumento de percussão de membrana, semelhante ao tambor.
Out, instrumento musical tradicional
entre os árabes da Líbia



Darbuka libanesa













Principais recursos naturais:
Petróleo, gás natural, potássio, sal marinho e gesso.


Datas comemorativas:
Dia da Independência – 24 de Dezembro – Celebra a data da independência, da Itália, em 1951.


Símbolos nacionais:
Bandeira Nacional;
Brasão de Armas;
Hino Nacional - "Líbia, Líbia, Líbia" (em árabe: ليبيا ليبيا ليبيا, também conhecida como Ya Beladi, ou "Oh, meu país";
Insígnia da Força Aérea da Líbia.

Insígnia da Força Aérea da Líbia


Lema:
الحرية والعدالة والديمقراطية  (“Liberdade, Justiça e Democracia”).


Capital:                                                           Língua oficial:
Trípoli                                                             Árabe


Vista parcial do centro de Trípoli, capital da Líbia


Moeda oficial:                                                 Tipo de Governo:
Dinar líbio (LYD)                                             Governo provisório


Data de admissão como membro da ONU (Organização das Nações Unidas):
14 de Dezembro de 1955


Organizações / Relações internacionais:
  • ONU - Organização das Nações Unidas;
  • ANWFZ - Tratado Africano para a Formação de uma Zona Livre de Armas Nucleares;
  • BAFD – Banco Africano de Desenvolvimento;
  • BIRD – Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento;
  • CEN-SAD - Comunidade dos Estados Sahelo-Saharianos;
  • COI - Comité Olímpico Internacional;
  • COMESA - Mercado Comum da África Oriental e Austral;
  • FMA - Fundo Monetário Árabe;
  • Grupo dos 77 - Nações em desenvolvimento;
  • ICDO – Organização Internacional de Protecção Civil;
  • INTERPOL – Organização Internacional de Polícia Criminal;
  • IPU - União Inter-Parlamentar;
  • LEA - Liga dos Estados Árabes;
  • MIGA – Agência Multilateral de Garantia de Investimentos;
  • MNA - Movimento dos Países Não-Alinhados;
  • OCI - Organização da Conferência Islâmica;
  • OIM – Organização Internacional para as Migrações;
  • OMC – Organização Mundial do Comércio (observador);
  • OPAEP - Organização dos Países Árabes Exportadores de Petróleo;
  • OPEP - Organização dos Países Exportadores de Petróleo;
  • OPCW - Organização para a Proibição de Armas Químicas;
  • PCA - Tribunal Permanente de Arbitragem;
  • PEV – Política Europeia de Vizinhança;
  • PSIWMD - Iniciativa de Segurança contra a Proliferação de Armas de Destruição Maciça;
  • RAMSAR - Convenção sobre as Zonas Húmidas de Importância Internacional;
  • UA - União Africana;
  • UIC - União Internacional dos Caminhos-de-Ferro;
  • UMA - União do Magrebe Árabe;
  • WCO - Organização Mundial das Alfândegas;
  • WIPO – Organização Mundial da Propriedade Intelectual;
  • UPM – União para o Mediterrâneo (observador).


Património Mundial (UNESCO):

  • Sítio arqueológico de Leptis Magna (1982);


Antigo Teatro Romano de Leptis Magna (UNESCO)  (foto de David Gunn)


  • Sítio arqueológico de Sabratha (1982);


Mosaico romano do sítio arqueológico de Sabratha (UNESCO)


  • Sítio arqueológico de Cirene (1982);


Sítio arqueológico de Cirene (UNESCO)


  • Sítio rupestre de Tadrart Acacus, (datado de entre 12.000 a.C. e 100 d. C.), (1985);


Pinturas rupestres de Tadrart Acacus (UNESCO) (foto de Luca Galuzzi)


  • Cidade Velha de Ghadames (1986);


Aspecto da cidade velha de Ghadames (UNESCO)


Fonte:
Wikipedia, a enciclopédia livre

27 agosto 2014

Egipto

جمهورية مصر العربية
(Gumhūriyyat Miṣr al-ʿArabiyyah)

República Árabe do Egipto


Bandeira
Brasão de Armas






















Localização:
África, Norte de África, Médio Oriente, Ásia, Sudoeste Asiático, Nação transcontinental.


Origem / Pequeno resumo histórico:
Etimologia - Um dos antigos nomes egípcios para o país, Kemet (kt), ou "terra negra" (dekem, "negro"), advém do solo fértil negro depositado pelas cheias do Nilo, distinto da "terra vermelha" (dechret, dšt) do deserto. O nome passou às formas kīmi ekīmə na fase copta da língua egípcia e aparece no grego primitivo como Χημία (Khēmía). Outro nome era t3-mry ("terra da ribeira").
     O termo português "Egipto" deriva do grego antigo Αίγυπτος (Aígyptos), por meio do latim Aegyptus, e já era registado no vernáculo no Século XIII. A forma grega, por sua vez, advém do egípcio Ha-K-Phtah, "morada de Ptá", denominação de Ménfis, capital do Antigo Império.

História - A História do Egipto corresponde a uma das mais longas histórias de um território do mundo. Os vestígios de ocupação humana no vale do Nilo desde o paleolítico assumem a forma de artefactos e arte rupestre em formações rochosas ao longo do rio e nos oásis. Cerca de 10.000 a.C., uma cultura de caçadores-recolectores e de pescadores substituiu outra, de moagem de grãos. Em torno de 8.000 a.C., mudanças climáticas ou o abuso de pastagens começou a secar as terras de pasto do Egipto,  formando o Saara. Povos tribais migraram para o Vale do Nilo, onde desenvolveram uma economia agrícola sedentária e uma sociedade mais centralizada.
     Cerca de 3.150 a.C., o Rei Menés (ou Narmer) fundou um reino unificado e estabeleceu a primeira de uma sequência de dinastias que governaria o Egipto durante os três milénios seguintes.
     O cristianismo foi introduzido no Egipto por São Marcos no primeiro século da era cristã. O reinado de Diocleciano marcou a transição entre os Impérios Romano e Bizantino no país, quando um grande número de cristãos foi perseguido. Naquela altura, o Novo Testamento foi traduzido para a língua egípcia. Após o Concílio de Calcedónia, em 451, uma Igreja Copta Egípcia foi firmemente estabelecida.
     Os bizantinos recuperaram o controlo do país após uma breve invasão persa no início do Século VII, mantendo-o até 639, quando o Egipto foi tomado pelos árabes muçulmanos sunitas. Os egípcios começaram então a misturar a sua nova fé com crenças e práticas locais que sobreviveram através do cristianismo copta, o que deu origem a diversas ordens sufistas que existem até hoje.

O Rio Nilo em Assuão

     A breve invasão francesa do Egipto em 1798, chefiada por Napoleão Bonaparte, resultou num grande impacto no país e em sua cultura. Os egípcios foram expostos aos princípios da Revolução Francesa e tiveram a oportunidade de exercitar o auto-governo. À retirada francesa seguiu-se uma série de guerras civis entre os turcos otomanos, os mamelucos e mercenários albaneses, até que Mehmet Ali, de origem albanesa, tomou o controlo do país e foi nomeado vice-rei do Egipto, pelos otomanos, em 1805. Mehmet Ali promoveu uma campanha de obras públicas modernas, como projectos de irrigação e reformas agrícolas, bem como uma maior industrialização do país, tarefa continuada e ampliada pelo seu neto e sucessor, Ismail Paxá.
Embora vivesse um período de modernização, a má administração financeira de Ismail Paxá e os enormes empréstimos contraídos com credores europeus - especialmente para a construção Canal do Suez - deixaram o Egipto à beira da falência e o pretexto ideal para constantes ingerências dos governos do Reino Unido e da França no quedivato. Em 1879, pressionado interna e externamente Ismael renunciou e seu filho, Tewfik Paxá, assumiu o poder local. 
     Em 1880, foi declarada a moratória nacional e, no ano seguinte, credores europeus assumiram a tutela do fisco e das finanças egípcias. A situação humilhante ampliou o descontentamento e a oposição ao regime Tawfik, e o desejo de se livrar da dominação estrangeira culminou na Revolucão Urabista, liderada pelo coronel nacionalista Ahmed Urabi. A revolta foi esmagada em 1882 pelas forças britânicas, que intervieram a pedido do próprio quediva colaboracionista. Embora o Império Britânico tivesse prometido uma evacuação rápida das suas tropas, elas permaneceriam durante 72 anos no Egipto.
     Após a a deposição de Faruk I, a monarquia egípcia continuou existindo formalmente, com Fuad II no trono, embora a Junta Militar tenha esvaziado de todos os poderes. O monarca ficou no trono por 18 meses até a república ser proclamada em 18 de Junho de 1953, com o general Muhammad Nagib - número 1 do Conselho do Comando Revolucionário - tornando-se o primeiro presidente do Egipto moderno.
     Em 23 de Junho de 1956, Gamal Abdel Nasser assumiu oficialmente o poder como presidente do Egipto, após um referendo sobre uma nova constituição e sobre a sua eleição presidencial. Com sua personalidade carismática que, junto às suas reformas sociais e económicas bem sucedidas, proporcionaram-lhe grande apoio popular. O seu governo aboliu os partidos políticos, procedeu à reforma das estruturas agrárias, combateu o fundamentalismo islâmico e colocou em prática um processo de industrialização, como a construção da grande represa de Assuã, que era um dos projectos mais significativos. Para isso, nacionalizou o Canal de Suez, o que provocou uma grave crise internacional.
     Sucedeu-o Anwar Al Sadat, que distanciou o seu país da União Soviética, aproximando-se dos Estados Unidos. Promoveu uma reforma económica chamada "Infitá" e suprimiu de maneira violenta tanto a oposição política quanto a religiosa. Em 1973, aproveitando um feriado religioso judaico, forças do Egipto e da Síria atacaram de surpresa Israel, na chamada Guerra de Outubro (ou do Yom Kippur). Embora os israelitas conservem em seu poder os territórios ocupados desde 1967, tanto o Egipto quanto Israel consideravam-se vencedores do conflito de 19 dias. Em negociações secretas, Sadat buscava selar a paz com o governo israelita. Pressionado, o então primeiro-ministro israelita, Menachem Begin, convidou o dirigente egípcio para uma visita surpresa a Jerusalém em Novembro de 1977, um gesto que abriu definitivamente o caminho para os Acordos de Paz de Camp David, mediado pelo então presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter
     O tratado gerou a saída israelita da península do Sinai, em troca do Egipto reconhecer o Estado de Israel. A iniciativa provocou enorme controvérsia no mundo árabe e provocou a expulsão do Egipto da Liga Árabe. Sadat nem sequer chegou a ver completada a retirada das tropas israelitas do Sinai, pois foi assassinado em Outubro de 1981 por fundamentalistas muçulmanos que o acusavam de "trair o mundo árabe com o acordo de paz". Israel devolveu o Sinai aos egípcios em 1982 e os dois estados estabeleceram relações diplomáticas.

Vista panorâmica da cidade do Cairo, capital do Egipto

     Com o assassinato de Anwar Sadat, assumiu o comando do Egipto o vice-presidente Hosni Mubarak em 14 de Novembro de 1981. Mubarak havia-se destacado na Força Aérea egípcia pelo seu desempenho na guerra de Yom Kippur. Em 1995, ele sobreviveu a uma tentativa de assassinato durante uma visita à Etiópia. Durante quase 24 anos sempre se reelegeu por via de referendo popular como candidato único. Essa situação perdurou até 2005, quando houve a primeira eleição sob seu regime disputada por diversos candidatos. Mesmo assim, o ditador saiu vitorioso. Inspirados nas manifestações insurreccionais ocorridas na Tunísia, milhares de egípcios foram para as ruas em diversas cidades no país no dia 25 de Janeiro de 2011 e iniciaram uma onda de protestos pedindo a saída do ditador do poder. 
     A Praça Tahrir, no Cairo, transformou-se em um dos principais palco dos protestos, com milhares de pessoas desafiando o toque de recolher imposto pelo regime. Em 11 de Fevereiro, Mubarak renunciou à presidência e passou o poder ao Exército, encerrando três décadas de governo autocrático.
     Em 23 de Junho de 2012, Mohamed Morsi, candidato da Irmandade Muçulmana, venceu o primeiro pleito presidencial pós-Mubarak, derrotando o opositor vinculado ao antigo ditador e se tornando o primeiro presidente civil eleito democraticamente no Egipto. Mas o seu governo foi marcado por muitas polémicas com a oposição, que o acusou de impor uma nova Constituição sectária e forçar à "islamização" do Egipto. Depois de novas manifestações pró e anti-Morsi, no começo de Julho, a oposição deu um ultimato de 24 horas a Morsi para que renunciasse, e o movimento Tamarod (rebelião, em árabe) pedia que o Exército tomasse uma posição clara "ao lado da vontade popular". Os militares estipularam 48 horas para a classe política entrar em acordo. Em 03 de Julho depuseram Mohamed Morsi e suspenderam a Constituição. Violentos protestos contra o golpe se seguiram e tomaram conta das principais cidades do país, incluindo a capital, Cairo.

A grande Esfinge e as pirâmides de Gizé, erguidas durante o Império Antigo,
Estes são alguns dos monumentos mais enigmáticos do Antigo Egipto.

Cultura:
     A cultura egípcia tem seis mil anos de história registada. O Antigo Egipto esteve entre as primeiras civilizações complexas a surgirem no planeta e por milénios manteve uma cultura impressionante intrincada e estável que influenciou as culturas posteriores da Europa, Oriente Médio e outros países africanos.
     Depois da era faraónica, o próprio Egipto ficou sob a influência do helenismo, do cristianismo e da cultura islâmica. Actualmente, muitos aspectos da cultura antiga do Egipto existem na interacção com os elementos mais recentes, incluindo a influência da cultura ocidental moderna, em si, com as raízes do Egipto antigo.
     A capital do país, a cidade do Cairo, é a maior cidade da África e é conhecida há séculos como um centro de cultura, formação e comércio. O Egipto tem o maior número de Prémios Nobel na África e no mundo árabe. Alguns políticos egípcios estiveram ou estão no comando de grandes organizações internacionais como Boutros Boutros-Ghali (Nações Unidas) e Mohamed El Baradei (AIEA - Agência Internacional de Energia Atómica).
     O Egipto é reconhecido por ser um criador de tendências culturais no mundo da língua e da cultura árabe contemporânea, influenciados fortemente pela literatura, música, cinema e televisão egípcia. O país ganhou um papel de liderança regional durante os anos de 1950 e 1960, o que deu um novo impulso duradouro para o estatuto da cultura egípcia no mundo árabe.


Principais recursos naturais:
Carvão, petróleo, gás natural, hidroeléctricas.


Datas comemorativas:
Dia da Independência - 28 de Fevereiro - Celebra a data da independência, do Reino Unido, em 1922.



Dia da Revolução - 23 de Julho - Revolução de 1952, golpe militar que levou à queda da monarquia e à dissolução do parlamento egípcio.



Símbolos nacionais:
Bandeira Nacional;
Brasão de Armas;
Hino Nacional - "Bilady, Bilady, Bilady" ("Minha Pátria, Minha Pátria, Minha Pátria");
Insígnia da Força Aérea egípcia.

Insígnia da Força Aérea egípcia.


Capital:                                                                       Língua oficial:
Cairo                                                                          Árabe


Imagens do Cairo, capital do Egipto


Moeda oficial:                                                             Tipo de Governo:
Libra egípcia                                                               Governo provisório


Data de admissão como membro da ONU (Organização das Nações Unidas):
24 de Outubro de 1945


Organizações / Relações internacionais:
  • ONU - Organização das Nações Unidas;
  • CEN-SAD - Comunidade dos Estados Sahelo-Saharianos;
  • COI - Comité Olímpico Internacional;
  • COMESA - Mercado Comum da África Oriental e Austral;
  • AALCO - Associação Jurídica Consultiva Afro-Asiática;
  • FMA - Fundo Monetário Árabe;
  • FMI - Fundo Monetário Internacional;
  • G20 (países em desenvolvimento);
  • IHO - Organização Hidrográfica Internacional;
  • INTERPOL - Organização Internacional de Polícia Criminal;
  • IRENA - Agência Internacional para as Energias Renováveis;
  • IRU - União Internacional de Transportes Rodoviários;
  • IUCN - União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais;
  • ICDO - Organização Internacional de Protecção Civil;
  • LEA - Liga dos Estados Árabes;
  • MIGA - Agência Multilateral de Garantia de Investimentos;
  • MNA - Movimento dos Países Não-Alinhados;
  • OCEMN - Organização de Cooperação Económica do Mar Negro (observador);
  • OCI - Organização da Conferência Islâmica;
  • OIF - Organização Internacional da Francofonia;
  • OIM - Organização Internacional para as Migrações;
  • OMC - Organização Mundial do Comércio;
  • OPAEP - Organização dos Países Árabes Exportadores de Petróleo;
  • PCA - Tribunal Permanente de Arbitragem;
  • PEV - Política Europeia de Vizinhança;
  • UA - União Africana;
  • UIC - União Internacional dos Caminhos-de-Ferro;
  • UPM - União para o Mediterrâneo;
  • UIHJ - União Internacional dos Oficiais de Justiça;
  • WCO - Organização Mundial das Alfândegas;
  • ANWFZ - Tratado Africano para a Formação de uma Zona Livre de Armas Nucleares;
  • Grupo dos 77 - Nações em desenvolvimento;
  • RAMSAR - Convenção sobre as Zonas Húmidas de Importância Internacional;
  • UNIDROIT - Instituto Internacional para a Unificação do Direito Privado;
  • BAD - Banco Africano de Desenvolvimento;
  • WIPO - Organização Mundial da Propriedade Intelectual.


Património Mundial (UNESCO):
  • Ruínas de Abu Mena (1979);
  • Cairo islâmico (1979);
  • Ménfis e a sua necrópole - Complexo de pirâmides de Gize a Dahchur (1979);
  • Monumentos Núbios de Ebu Simbel a Filas (1979);
  • Antiga Tebas e sua necrópole (1979);
  • Área de Santa Catarina - Monte Sinai (2002);
  • Wadi Al-Hitan (“Vale das Baleias”) (2005).




Pirâmides de Gizé (UNESCO)



Cairo islâmico - Portão do Cairo
(UNESCO)











Grande templo de Ramsés II, em Abu Simbel (UNESCO)
























Mosteiro Ortodoxo de Santa Catarina, Monte Sinai (UNESCO)

Wadi Al-Hitan, Vale da Baleias (UNESCO)


Património Oral e Imaterial da Humanidade (UNESCO):
  • Al-Sirah Al-Hilaliyyah épico (2008) - Este poema oral, também conhecido como o épico Hilali, conta a saga da tribo de beduínos Bani Hilal e a sua migração a partir da Península Árabe para o Norte de África, no século décimo. Esta tribo dominou um longo e vasto território no centro norte de África, há mais de um século, antes de ser aniquilada por rivais marroquinos. Considerado um dos principais poemas épicos que se desenvolveram dentro da tradição popular árabe, a Hilali é o único épico ainda realizado na sua forma musical integral. Além disso já foi, em tempos, difundido em todo o Oriente Médio, desaparecendo em todos os lugares excepto no Egipto.


Fonte:
Wikipedia, a enciclopédia livre.