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01 novembro 2014

Dassault-Breguet Falcon 20 (segunda parte)

Ver  Dassault-Breguet Falcon 20 (primeira parte)

(continuação)

Imagem 4

Percurso em Portugal:
     A Força Aérea Portuguesa (FAP) recebeu três aviões Falcon 20 em Setembro de 1984. Foram colocados na Esquadra 504, tendo em vista o transporte de individualidades. Embora a Esquadra 504 pertença à Base Aérea Nº 6 (BA6), Montijo, encontra-se destacada no Aeródromo de Trânsito Nº 1 (AT1), no Aeroporto de Figo Maduro, Lisboa, a fim de facilitar a deslocação dos utentes habituais.


Imagem 5: Emblema da
Esquadra 504, original.
Imagem 6: Emblema da
Esquadra 504, original
(com os Falcon 50)

















     A FAP atribuiu aos Falcon 20 as matrículas de 8101 a 8103. A partir de 1993 foram alteradas para 17101 a 17103. Estas matrículas correspondiam aos números de construção 211, 215 e 217, respectivamente.
     Mantiveram-se muito activos, especialmente em missões de transporte de membros do Governo para os mais diversos pontos da Europa, até que, com a aquisição dos Dassault-Breguet Falcon 50 em 1989, perderam parte do interesse operacional.
     Não se justificando a existência dos três Falcon 20, a FAP vendeu dois ao Canadá, ficando com um único exemplar.
     Um protocolo estabelecido entre o Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações e a FAP, realizado em Fevereiro de 1983, formalizou o recurso aos meios técnicos e humanos especializados da FAP para a execução de missões de verificação e calibração de ajudas à navegação (VCAN), tarefa que foi atribuída à Esquadra 504.
     Para tal, o Falcon 20 número 8103 - mais tarde 17103 - deslocou-se aos Estados Unidos, onde lhe foi instalado o equipamento adequado à missão. Na fase inicial, a Esquadra 504 contou com a colaboração da Força Aérea Espanhola, que enviou um Falcon 20 equipado para calibração e respectiva tripulação para Portugal, para familiarização das tripulações portuguesas com a nova missão.

Imagem 7

     O Falcon 20 apresentava-se inteiramente pintado de branco (FS 17.875), com uma larga faixa azul (FS 86.076) do nariz à cauda, com cerca de 30 cm de largura. Ostentava a Cruz de Cristo, sobre Força Aérea Portuguesa”, em letras azuis com 15 cm de altura.
Imagem 8: Emblema da
Esquadra 504, definitivo.
círculo branco com 60 cm de diâmetro e coroa circular a azul, no extra-dorso da asa esquerda, no intradorso da asa direita e a meio dos lados dos motores. A bandeira naconal, sem escudo, estava colocada nos lados do estabilizador vertical, com 40 cm de comprimento. Os números de matrícula, a preto (FS 17.038) estavam pintados nos lados do estabilizador vertical, sobre a bandeira, com 15 cm de altura, e nas asas, alternando com a insígnia, aqui em algarismos com 60 cm de altura. Sobre as primeiras três janelas encontrava-se a legenda “



     A Esquadra 504 adoptou a designação de «Linces».
     O último Falcon 20 ao serviço da FAP (matrícula 17103) fez o último voo operacional em 19 de Setembro de 2004, ano em que foi abatido ao serviço.
     Em 20 anos ao serviço da FAP, os Dassault-Breguet Falcon 20 totalizaram 16.990 horas de voo.


Fontes (segunda parte):
  • Imagens 4 e 7: © Carlos Pedro - Blog Altimagem;
  • Imagens 5, 6 e 8: Colecção Altimagem;
  • Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.

25 outubro 2014

Dassault-Breguet Falcon 20 (primeira parte)

Imagem 1

DASSAULT - BREGUET FALCON 20

Quantidade: 3
Utilizador: Força Aérea
Entrada ao serviço: Setembro de 1984
Data de abate: 2004


Dados técnicos:
a)       Tipo de Aeronave
Avião birreactor terrestre, de trem de aterragem triciclo retráctil, mono-plano de asa baixa em flecha, revestimento metálico, cabina integrada na fuselagem, destinado a transporte executivo.
Tripulação: 2 (pilotos).
b)       Construtor
Avions Marcel Dassault - Breguet Aviation / França.
c)       Motopropulsor
Motores: 2  turborreactores General Electric CF700, de 2.050 Kgf de impulsão.
d)       Dimensões
                Envergadura …………............15,40 m
                Comprimento…..…………......17,15 m
                Altura………….…………….......5,32 m
                Área alar ……….……............41,00 m²
e)       Pesos
                Peso vazio……………..….….6.900 kg
                Peso máximo……………….12.400 kg
f)        Performances
                Velocidade máxima ……..….862 Km/h (Mach 0.82)
                Velocidade de cruzeiro …….750 Km/h
                Tecto de serviço ………...13.000 m
                Raio de acção ……........…3.350 Km
g)      Armamento
Sem armamento.
h)      Capacidade de transporte
6 passageiros.



Imagem 2
Resumo histórico:
     A Marcel Dassault, em associação com a Sud-Aviation, projectou um pequeno bimotor a reacção para transporte executivo, com os motores colocados na fuselagem, junto à cauda. O protótipo começou a ser construído em Janeiro de 1962, sob a designação de Mystère 20.
     A fuselagem do protótipo foi construída pela Dassault e as asas e o conjunto da cauda pela Sud-Aviation, com a primeira a assumir a responsabilidade da montagem final.
     Curiosamente, os aviões de produção de série apresentaram-se com as fuselagens construídas pela Sud-Aviation, cabendo à Dassault a construção das asas, dos conjuntos da cauda e a montagem final.
     O protótipo realizou o primeiro voo em 4 de Maio de 1963, utilizando motores Pratt & Whitney, de 1.489 Kg de impulsão.
     No dia 10 de Julho de 1964 voou pela primeira vez o protótipo em que se baseou a produção de série, com motores General Electric CF700 turbofan de 2.050 Kg de impulsão, a fuselagem aumentada em 45 cm, a distância entre as pernas do trem de aterragem (espalho) aumentada de 1 m, rodas duplas e velocidade de aterragem inferior.

     O sucesso do Mystère 20 começou a ganhar forma logo que começaram a ser divulgados os resultados obtidos pelo primeiro protótipo.
     Em Agosto de 1963, quando ainda decorriam os voos de ensaio, a Business Jets Division of Pan American World Airways encomendou 54 aparelhos, com opção para mais 106, tendo como objectivo a sua exploração e, sobretudo, a sua comercialização no mercado internacional.
     O primeiro Mystère 20 de produção fez o voo de ensaio em 1 de Janeiro de 1965. Em 9 de Junho de 1965, a França e os Estados Unidos conferiram-lhe a certificação oficial para transporte aéreo. No dia seguinte, Jacqueline Auriol estabeleceu o recorde mundial de velocidade para aeronaves da Classe C-1-g, voando 1.000 Km em circuito fechado a 859,51 Km/h, repetindo a proeza em 15 de Junho, desta vez voando 2.000 Km a 819,13 Km/h.
     Desde o início das negociações que a Business Jets Division designou os Dassault Mystère 20 por Dassault Fan Jet Falcon, designação que prevaleceu sobre a original, passando estes aviões a ser internacionalmente designados por Dassault Falcon 20.
     Na Primavera de 1966 a produção dos Falcon 20 alcançou a razão de 4,5 aeronaves por mês. Em meados de 1966, a Business Jets Division, face ao sucesso obtido, concretizou a encomenda de 115 unidades, a maior parte das quais para venda, ainda que tenha operado com cerca de duas dezenas destes aviões.
     Os Falcon 20 foram construídos em diferentes versões (20C, 20D, 20E, etc.), sofrendo sucessivos melhoramentos, incidindo particularmente no aumento de autonomia e das condições aerodinâmicas, bem como na sofisticação dos equipamentos electrónicos de navegação. A versão com a porta de grandes dimensões obteve muito sucesso, devido à capacidade de transportar carga volumosa.
Para além dos utilizadores particulares, foi adquirido por muitos governos e forças armadas.
   
Imagem 3: Cortesia de © digitalhangar.blogspot.pt/

     Muitos Falcon 20, embora inicialmente concebidos para missões de transporte, têm sofrido conversões para missões específicas, tais como a calibração de ajudas electrónicas à navegação aérea, treino de pilotos militares e civis de linha aérea, ambulância e fotografia aérea, inclusive para fins científicos.
     A Força Aérea Francesa utiliza-os no treino de pilotos, com os equipamentos electrónicos de combate e navegação iguais aos utilizados nos caças Mirage, e também no reboque de alvos.
     As Forças Aéreas do Canadá, Espanha, Marrocos, Noruega e Paquistão operam Falcon 20 na guerra electrónica, com equipamentos de contra-medidas electrónicas (ECM).
     A Guarda Costeira dos Estados Unidos adquiriu um número indeterminado de Falcon 20, que designou por HU-25A Guardian, utilizando-os na vigilância marítima e na busca e salvamento.
     Uma variante de maiores dimensões e mais potente surgiu em 1983, designada por Falcon 20G, passando depois a adoptar a designação de Falcon 200.

(continua)

Fontes (primeira parte):
  • Imagem 1: FAP / AHFA - Força Aérea Portuguesa / Arquivo Histórico da Força Aérea;
  • Imagem 2: Cortesia de Richard Ferriere - 3 vues;
  • Imagem 3: Cortesia de  Paulo Alegria - Blog Digital Hangar;
  • Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.