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Farman F-40




FARMAN F-40

Quantidade: 5
Utilizador: Aeronáutica Militar
Entrada ao serviço: 6 de Outubro de 1916
Data de abate: 1920


Dados Técnicos:
a. Tipo de Aeronave
     Avião monomotor terrestre, de trem de aterragem convencional fixo, com patim de cauda, biplano, revestido a tela, com dois lugares em cabina descoberta, destinado a missões de observação e bombardeamento. Tripulação: 2 (piloto e observador).
b. Construtor
     Société Henri et Maurice Farman / França.
c. Motopropulsor
     Motor: 1 motor Renault 8-C de oito cilindros em linha arrefecidos por líquido, de 120 hp, instalado na rectaguarda da gôndola.
     Hélice: De madeira, de duas pás, de passo fixo, propulsor.
d. Dimensões
    Envergadura …………. 17,67 m              
    Comprimento ………… .9,24 m
    Altura …………………. 3,91 m
    Área alar ……………. 52,00 m²
e. Pesos
    Peso vazio ………. …. 605 kg
    Peso máximo …...… .1.160 kg
f. Performances
   Velocidade máxima …………110 km/h
   Velocidade de cruzeiro ……Desconhecido
   Tecto de serviço ……………3.750 m
   Raio de acção ……………… . 250 km
g. Armamento
    Defensivo: 1 metralhadora ligeira móvel.
    Ofensivo: 100 Kg de bombas.
h. Capacidade de transporte
    Nenhuma.





Resumo histórico:
     Os irmãos Henri e Maurice Farman, que tinham trabalhado separadamente em vários projectos de aviões, resolveram unir forças e fundaram a Société Henri et Maurice Farman. Desta união resultaram os aviões melhor construídos na época, denominados Farman F-40.
     Apareceram em 1915, em plena I Guerra Mundial, esperando-se deles uma boa contribuição em acções de observação e bombardeamento ligeiro. Eram biplanos com uma gôndola onde se encontravam os dois lugares dos tripulantes, bem como o motor, este na parte traseira, com hélice propulsor. O conjunto da cauda estava ligado à gôndola por tubos e cabos.
     Apesar da qualidade da construção, provaram ser ineficientes em combate, especialmente pelo armamento inadequado (uma metralhadora ligeira Lewis) e a limitada capacidade de transporte de bombas. Contudo, os Farman F-40 mantiveram-se na linha da frente durante um ano, sendo relegados para missões de bombardeamento nocturno e, finalmente, para missões de treino.
     O modelo básico - Farman F-40 - foi desenvolvido em cinco versões (Farman F-41, F-46, F-56, F-60 e F-61), diferindo essencialmente nos motores utilizados e nas dimensões das asas.
     Os Farman F-40 e as respectivas versões combateram integrados nas Forças Armadas Francesas, Belgas, Russas e Britânicas.


Percurso em Portugal:
     Os cinco Farman F-40 chegaram a Lisboa no dia 6 de Outubro de 1916, a bordo do navio cargueiro francês «Garrone». Foram entregues à Escola de Aeronáutica Militar (EAM), inaugurada a 1 de Agosto de 1916, situada em Vila Nova da Rainha, que os utilizou na instrução de pilotos e missões de observação.
     Em 1917, os efeitos da II Guerra Mundial fizeram-se sentir na Colónia Portuguesa de Moçambique, com a invasão da fronteira Norte pelas tropas alemãs. Foi então criada a Esquadrilha Expedicionária de Moçambique (EEM), com a finalidade de colaborar e dar apoio aéreo às forças luso-britânicas que se opunham ao invasor.
     Composta por 3 pilotos, 3 observadores e 3 mecânicos, dois dos quais contratados à firma Farman, e 3 aviões Farman F-40, a EEM embarcou em Lisboa no navio «Niassa» no dia 3 de Julho de 1917, chegando dia 8 de Agosto a Mocímboa da Praia, onde foi estabelecida a base operacional.
     O primeiro voo teve lugar a 7 de Setembro de 1917, sobrevoando Mocímboa da Praia. Foi o primeiro voo de uma aeronave portuguesa em terras africanas e um dos primeiros realizados no Continente Africano.

     No dia seguinte, quando repetia o voo, o Alferes Jorge Gorgulho, ao manobrar para aterrar, despenhou-se no solo. O avião incendiou-se de imediato, vitimando o jovem aviador. Desta forma, o Alferes Jorge Gorgulho (brevetado em 11 de Abril de 1917 no 1º Curso de pilotagem de Vila Nova da Rainha) abriu a lista dos mortos da Aviação Militar Portuguesa.

     A EEM nunca entrou em operações devido ao pouco esclarecimento do Estado-Maior da Força Expedicionária. Manteve-se em Mocímboa da Praia até 1918, sendo então transferida para Matola, nos arredores de Lourenço Marques, recebendo a designação de Esquadrilha da Província de Moçambique (EPM). A EPM foi extinta em 1920, sendo provável que os dois aviões restantes tenham sido abatidos ao serviço nessa altura.

     Os Farman F-40 que ficaram na EAM protagonizaram alguns factos inéditos em Portugal:
     - No dia 1 de Janeiro de 1917, o Primeiro-tenente Sacadura Cabral, na altura a prestar serviço na EAM, foi saudar o Presidente da República num F-40, o que causou grande sensação.
     - Durante uma revolução que eclodiu em Lisboa no dia 8 de Dezembro de 1917, o Segundo-Tenente Caseiro, instrutor na EAM, e o aluno Tenente- Coronel Martins de Lima, ao sobrevoarem a zona actualmente conhecida por parque Eduardo VII, a baixa altitude, num F-40, foram atingidos pelo fogo das armas ligeiras dos revoltosos. O avião despenhou-se, provocando a morte dos dois ocupantes.

     No que respeita à pintura, os dados disponíveis levam a crer que a gôndola estava pintada em verde escuro e as asas em castanho-terra. O leme de direcção estava pintado com as cores nacionais, tendo sobreposto uma grande letra “F” (de Farman) com um minúsculo algarismo encastrado, a branco, representativo do número atribuído ao aparelho. Em ambos os lados das asas ostentavam a insígnia circular a encarnado e verde.
     Em termos históricos, a data do abate ao serviço dos Farman F-40 é referida como tendo acontecido em 1920.


Fontes:
Foto: FAP / AHFA - Força Aérea Portuguesa / Arquivo Histórico da Força Aérea;
Plano: Cortesia de Richard Ferriere - 3 vues;
Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.

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