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Caudron G. 4

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CAUDRON G. 4

Quantidade: 9
Utilizador: Aeronáutica Militar.
Entrada ao serviço: 1918
Data de abate: 1923

Dados Técnicos:
a. Tipo de Aeronave
    Avião bimotor terrestre, trem de aterragem convencional fixo, com patim de cauda, biplano com asa inferior menor que a superior, com quatro estabilizadores verticais, revestido a tela, bilugar com cabina descoberta, concebido para missões de bombardeamento e observação. Tripulação: 2(piloto e observador).
b. Construtor
    Avions Caudron / França.
    Sob licença: A.E.R. / Itália.
c. Motopropulsor
    Motores: 2 motores Rhone R-9-C de 9 cilindros em estrela rotativa, arrefecidos por ar, de 80 hp. Hélices: em madeira, duas pás, passo fixo.
d. Dimensões
    Envergadura………………. ……16,88 m
    Comprimento ………………….....7,30 m
    Altura ………………………....……2,60 m
    Área alar……………..…….…....36,80 m²
e. Pesos
    Peso vazio ………..……..........500 kg
    Peso máximo …...….........…1.320 kg
f. Performances
    Velocidade máxima ……………130 km/h
    Velocidade de cruzeiro ………desconhecido
    Tecto de serviço …………….4.300 m
    Autonomia ……………….…....3h30
g. Armamento
    Defensivo: 1 metralhadora ligeira móvel, operada pelo observador.
    Ofensivo: 113 kg de bombas.
h. Capacidade de transporte
    Nenhuma.



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Resumo histórico:
     O avião bombardeiro Caudron G.4, um bimotor desenhado pelos irmãos Gaston e René Caudron, fez a sua aparição na frente de combate na I Guerra Mundial em 1915, prosseguindo na esteira do sucesso alcançado com o seu antecessor, o mono-motor Caudron G.3.

     O protótipo realizou o primeiro voo em Março de 1915. A configuração era semelhante à do Caudron G.3, com os tripulantes alojados em dois lugares em tandem instalados numa pequena gôndola. O estabilizador de cauda estava ligado à estrutura principal por “paus e arames”, sendo notável o estabilizador vertical quádruplo.
     Embora francamente armado, o Caudron G.4 ganhou reputação pelas suas boas performances, especialmente devido à razão de subida e ainda pela sua elevada segurança. Tendo despertado o interesse das forças aliadas, foi utilizado pelos franceses, britânicos, belgas, russos e italianos, tendo estes últimos construído, em 1917 e 1918, 51 Caudron G.4 na sua fábrica A.E.R.

     Em 1916 e 1917, o Royal Flying Corps executou bombardeamentos diurnos e nocturnos com os Caudron G.4 sobre a Bélgica ocupada pelos alemães, destacando-se os resultados obtidos nos ataques às bases de hidroaviões e de dirigíveis Zeppelin. Terminada a guerra, alguns destes aviões foram cedidos a outras nações, especialmente as que integraram as forças aliadas, entre as quais Portugal.


Percurso em Portugal:
     Aproveitando a deslocação do Tenente de Marinha Sacadura Cabral a França para negociar a aquisição de aviões para a Aviação Naval, foi o mesmo encarregado pelo Exército para proceder à selecção e aquisição de aviões para a Aeronáutica Militar (AM), destinados a Angola. A escolha recaiu nos bimotores bombardeiros Caudron G.4.

     Os nove Caudron então adquiridos chegaram a Portugal em 1918. Depois de alguns vos de experiências realizados na Escola de Aeronáutica Militar (EAM) em Vila Nova da Rainha, foram embarcados no navio «Quelimane», que largou de Lisboa no dia 1 de Setembro de 1918 rumo a Angola, onde chegaram a 18 de Setembro. A carga, constituída por enormes caixotes transportados através das picadas do sertão e das vertentes da Serra da Chela, demoraram seis meses a chegar ao planalto de Huíla, local escolhido para a instalação da Esquadrilha Expedicionária de Angola (EEA).

     Como a guerra terminou antes de estar instalada, a EEA perdeu o interesse operacional, que era a vigilância da fronteira sul de Angola. Depois de devidamente instalada em Huíla, os primeiros tempos da EEA não foram auspiciosos. Um incêndio destruiu parte do material de voo e das instalações. Logo de seguida, quando o primeiro avião realizou o voo de ensaio, uma avaria à descolagem obrigou-o a uma aterragem de emergência, provocando ligeiros ferimentos no piloto e graves danos materiais.
     Em 1921, a EEA é extinta e é criado o Grupo de Esquadrilhas do Huambo, para onde foi transferido todo o pessoal e material. No ano seguinte, os Caudron G.4 foram substituídos pelos Caudron G.3 e Breguet Br14 A2, sendo abatidos ao serviço em 1923.

     Os Caudron G.4 deixaram registados dois factos históricos: quando da sua passagem por Vila Nova da Rainha, tornaram-se nos primeiros bimotores a voar com as cores nacionais e, depois, nos primeiros aviões a voar em Angola.


Fontes:
Imagem 1: FAP / AHFA - Força Aérea Portuguesa / Arquivo Histórico da Força Aérea;
Imagem 2: Cortesia de Richard Ferriere - 3 vues;
Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.

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