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Nieuport Ni 21 E1, Ni 80 E2 e Ni 83 E2




NIEUPORT Ni 21 E1, Ni 80 E2 e Ni 83 E2

Quantidades: Ni 21 E1: 8
                    Ni 80 E2: 3
                      Ni 83 E2:
Utilizador: Aeronáutica Militar
Entrada ao serviço: 1917
Data de abate: Desconhecida

Dados Técnicos:
a. Tipo de Aeronave
    Avião mono-motor terrestre, de trem de aterragem convencional fixo, com patim de cauda, biplano com as asas inferiores de menores dimensões que as superiores, revestimento em tela, cabina descoberta, destinado a missões de caça, reconhecimento ou instrução, conforme a versão.
Tripulação: 1 ( piloto ) ou 2 (piloto e observador ou piloto-instrutor e aluno).
b. Construtor
    Société Anonyme des Etablissements Nieuport / França.
    Sob licença : S.A. Nieuport-Macchi / Itália;
                        Beardmore Company / Escócia.
c. Motopropulsor
    Motor: 1 motor Rhône R-9C de 9 cilindros radiais rotativos arrefecidos por ar, de 80 hp.
    Hélice: De madeira, de duas pás, passo fixo.

d. Dimensões               Ni 21 E1         Ni 80 E2         Ni 83 E2
    Envergadura……..........8,22 m           9,03 m             7,90 m
    Comprimento ……........5,74 m           7,30 m             6,98 m
    Altura ……………..........2,33 m           2,67 m             2,70 m
    Área alar ………….......14,75 m²        22,00m²            18,60 m²
e. Pesos
    Peso vazio ……….......380 kg        desconhecido         410 Kg
    Peso máximo ….........565 kg            920 Kg              720 Kg
f. Performances
    Velocidade máxima …130 km/h         145 Km/h         145 Km/h
    Velocidade de cruzeiro …… ...........Desconhecido
    Tecto de serviço …5.700 m             4.700 m        desconhecido
    Raio de acção ……...350 km              400 Km         250 Km
g. Armamento
    1 ou 2 metralhadoras fixas na fuselagem, sincronizadas com o hélice.
h. Capacidade de transporte
    Nenhuma.


Resumo histórico:
     A Société Anonyme des Etablissements Nieuport, formada em 1910 por Edouard Nieuport, tornou-se famosa durante a I Guerra Mundial graças à série de modelos de aviões biplanos de caça que construiu.
     Nos anos que antecederam a guerra, Nieuport construía aviões mono-planos, o primeiro dos quais apareceu em público em Reims, em Julho de 1910, impressionando a assistência quando voou a 70 Km/h, graças ao motor Darracq de 20hp.

     Em 1911 a Nieuport esteve muito activa na produção de um avião designado por Nieuport IV, do qual produziu diversas versões, diferenciadas especialmente pelo motor que usavam. Dá-se destaque aos Nieuport IV G, propulsionados por um motor Gnôme de 50hp, de cilindros rotativos, que o Corpo do Exército Italiano adquiriu em quantidade razoável e que utilizou no Norte de África.

     O Exército Francês adquiriu dez destes aviões, o Real Corpo Aéreo Britânico adquiriu cinco e, já em 1912, a Real Marinha Britânica adquiriu doze, equipados com flutuadores.
     Entretanto, um Nieuport IV N bateu o recorde mundial de velocidade no dia 11 de Maio de 1911, ao atingir 119 Km/h. Em Julho de 1912, dois Nieuport IV apoderaram-se dos dois primeiros lugares da prova internacional de velocidade denominada Gordon Bennet Trophy, alcançando 125 e 121 Km/h, respectivamente.
     Outro facto interessante e histórico ocorreu no dia 20 de Agosto de 1913, quando o Tenente Petr Nikolaevich Nesterov, do XI Corpo do Serviço Aéreo Imperial Russo, instalado em Kiev, se tornou no primeiro piloto do mundo a realizar um looping com sucesso. Disto resultou a detenção do piloto, sob a acusação de «pôr em risco o avião, propriedade do Governo». Alguns dias depois foi promovido a Capitão e, em fins de 1913 foi condecorado com a Medalha de Ouro do Aero Clube da Rússia pelo feito.


Percurso em Portugal:
     Durante o ano de 1917 chegaram a Portugal 7 aviões Nieuport Ni 83 E2. Esta designação foi aplicada ao conhecido bi-lugar de reconhecimento Nieuport Ni 10 A2, devido às modificações para instrução de pilotos (“E2” indica Entrainement, 2 Places). Era igualmente designado por Nieuport de 18 metros, a sua superfície alar. Por isso, aparecem referidos como Nieuport Ni 83 E2, Nieuport Ni 10 A2 e Nieuport de 18 metros.
     Estes aviões foram colocados na Escola de Aeronáutica Militar (EAM) em Vila Nova da Rainha.

     Quando em 5 de Fevereiro de 1920 foi inaugurada a Escola Militar de Aviação (EMA), instalada na Granja do Marquês, Sintra, a EAM de Vila Nova da Rainha foi extinta. Os Nieuport Ni 83 E2 foram então colocados na Esquadrilha Mista de Depósito (EMD) em Tancos.
     Nesse ano, para os substituir na instrução, adquiriram-se em França mais aviões Nieuport, que tinham combatido na I Guerra Mundial, agora adaptados à instrução e treino de pilotos. Esta aquisição constou de 3 aviões bilugar Nieuport Ni 80 E2, antigos Ni 12 A2 modificados para instrução, conhecidos também por Nieuport de 21 metros ou Nieuport de 23 metros - dado que se verificavam estas diferenças na área alar destes 3 aviões do mesmo modelo - e de 8 monolugares Nieuport Ni 21 E1, antigos caças Ni 17 C1 convertidos para treino, com motores de 80 hp, em substituição dos de 110 hp, que equipavam o modelo original. Eram igualmente referidos por Nieuport de 15 metros.
     Todos os Nieuport que operaram em Portugal, inclusive os Ni 83 E2 adquiridos em 1917, foram adaptados para utilizar motores Rhône R-9C de 80 hp, uniformizando a motorização da frota.
     Os Nieuport Ni 80 E2 e Nieuport Ni 21 E1 foram entregues à EMA de Sintra.

     Os Nieuport estavam pintados de alumínio, com os montantes das asas em madeira envernizada. Durante pouco tempo após a sua chegada mantiveram as cores francesas nos lemes de direcção, passando a apresentar a Cruz de Cristo sobre círculo branco nos lados externos das asas, bem como as cores nacionais, com escudo, nos lemes de direcção.
     Os aviões colocados na EMA apresentavam uma diagonal azul envolvendo a fuselagem, na qual se sobrepunha um pequeno círculo branco com o número do avião.
     São conhecidos alguns acidentes graves, dos quais se destaca o ocorrido em 10 de Abril de 1921, que vitimou o primeiro Director do Serviço de Aeronáutica Militar, Tenente Coronel Castilho Nobre.


Fontes:
Foto: FAP / AHFA - Força Aérea Portuguesa / Arquivo Histórico da Força Aérea;
Plano e Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.

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