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De Havilland DH-82 Tiger Moth


Imagem 1:  DH-82A Tiger Moth


DE HAVILLAND DH-82 TIGER MOTH
DE HAVILLAND DH-82A TIGER MOTH
DE HAVILLAND DH-82-A TIGER MOTH / OGMA

Quantidade: 141
                        DH-82: 11 (A.M.);
                                           DH-82A: 39 (9 A.M. + 30 A. N.);
         DH-82A/OGMA: 91 (A. M.)
Utilizadores: Aeronáutica Militar, Aviação Naval e Força Aérea
Entrada ao serviço: 1934
Data de abate: 1955


Dados técnicos:

a.      Tipo de Aeronave

                Avião monomotor terrestre, de trem de aterragem convencional fixo, com patim de cauda, biplano, revestimento misto (planos revestidos a tela e fuselagem revestida a contraplacado), bilugar em  tandem com cabinas descobertas, destinado à instrução elementar de pilotagem. Tripulação: 2 (piloto-instrutor e instruendo).

b.      Construtor

        De Havilland Aircraft Co. / Grã-Bretanha.
        Sob licença:          De Havilland of Canada Ltd. / Canadá;
                                    Oficinas Gerais de Material Aeronáutico / Portugal;
                                    Desconhecidos / Austrália e Nova Zelândia.

c.       Motopropulsor

        Motor (1):   DH 82: DH Gipsy III, de 120 hp.
                         DH 82A: DH Gipsy Major I, de 130 hp.
        Hélice: Em madeira, de duas pás, de passo fixo.

d.      Dimensões

        Envergadura …………. ..8,92 m
        Comprimento …..…….…7,27 m
        Altura………….……...…..2,68 m
        Área alar ………..……. 21,52 m²

e.      Pesos

        Peso vazio……………...……. 487 kg
        Peso máximo……….……. … 828 kg

f.        Performances

        Velocidade máxima …………..182 Km/h
        Velocidade de cruzeiro …….…144 Km/h
        Tecto de serviço …………..…4.200 m
        Raio de acção ……………..……485 Km

g.      Armamento

        Sem armamento.

h.      Capacidade de transporte

        Eventualmente, um passageiro.

Imagem 2



Resumo histórico:

            O avião DH-82 Tiger Moth, projectado e construído pela De Havilland Aircraft Co., foi um dos aviões que maior sucesso alcançou em todo o mundo. O primeiro voo do protótipo realizou-se em 26 de Outubro de 1931. Era um pequeno e elegante avião, destinado à instrução elementar de pilotagem, facilmente manobrável, que se comportava muito bem na execução de figuras acrobáticas.

            Tal como acontecia em quase todos os pequenos aviões da época, os Tiger Moth não possuíam travões, sendo a travagem conseguida pelo atrito provocado pelo patim de cauda, o que permitia um comportamento satisfatório em pistas de terra, mas sendo um “autêntico desastre” quando tinha de utilizar superfícies duras. Por uma questão de centro de gravidade, o piloto ocupava o lugar traseiro quando em voo solo. Não dispunha de quaisquer meios de comunicação rádio. As comunicações entre os tripulantes eram feitas através de um tubo que ligava os dois lugares.

            Antes da inclusão da II Guerra Mundial, em 1939, a De Havilland tinha construído mais de 1.600 DH-82 Tiger Moth, dos quais cerca de mil foram adquiridos pela Royal Air Force (RAF), que os adoptou como avião de instrução elementar a partir de 1932.
     As publicações aeronáuticas referem que foram construídos cerca de 4.200 na Grã-Bretanha e cerca de 3.000 no Canadá e Nova Zelândia. Muitos outros foram construídos na Austrália e alguns em Portugal.
            O DH-82 Tiger Moth foi uma celebridade aeronáutica, formando milhares de pilotos em todo o mundo. Ainda hoje voam algumas destas relíquias, ainda que normalmente só o façam em festivais aéreos.


Percurso em Portugal:
  1. Aeronáutica Militar
      Em 1934, a Aeronáutica Militar (AM) procedeu ao estudo da aquisição de novos aviões de instrução de pilotos, para substituição dos obsoletos Caudron G.3 e Avro 504K. Foram seleccionados o italiano Caproni Ca-100 Caproncine e os britânicos Avro 631 Cadet e De Havilland DH-82 Tiger Moth, tendo sido adquirido um exemplar de cada.
        Tendo sido preferido o Tiger Moth, imediatamente se procedeu à aquisição de dez aviões que, adicionados ao inicialmente adquirido, totalizavam onze unidades. Tinham a fuselagem revestida a tela e os números de construção de 3159 a 3169. Foram numerados pela AM de 1 a 11, numeração depois alterada para 100 a 110.
      Em 1937 foram adquiridos nove aviões De Havilland DH-82A Tiger Moth (designado pela RAF de Tiger Moth Mk II), um modelo melhorado, com a fuselagem em contraplacado e o motor com mais 10 hp de potência (130 hp). Tinham os números de construtor de 3645 a 3653 e receberam as matrículas da AM de 111 a 119. (ver Imagem 1).


Imagem 3: OGMA-DE HAVILLAND DH 82A TIGER MOTH - Emissão especial dos
CTT CORREIOS (BPC-214), comemorativados 75 anos da Arma de Aeronáutica, 1 de Julho de 1999.
Desenho de M. Rodrigues Costa

     As Oficinas Gerais de Material Aeronáutico (OGMA), em Alverca, obtiveram a licença de construção em 1938, tendo produzido 91 DH-82A Tiger Moth, ao longo de um extenso calendário, que terminou em 1952, aquando da constituição da Força Aérea Portuguesa (FAP).
     As OGMA atribuíram-lhes os números de construção de P01 a P91. Quanto aos números de matrícula da AM, parece ser ponto assente que o primeiro DH-82A Tiger Moth construído nas OGMA recebeu o número 120. Contudo, o bloco de matrículas atribuído a estes aviões foi de 100 a 149, comportando unicamente 50 unidades. Uma vez que a AM dispôs de um total de 111 Tiger Moth, deduz-se que as matrículas dos aviões retirados de serviço foram atribuídas a outros, que iam saindo da linha de montagem.
     Num curto período, em 1937, verificaram-se alterações nos blocos atribuídos às diversas aeronaves, cabendo aos Junkers Ju-52/3m os números iniciais do bloco 100 (101 a 110). Esta sobreposição de matrículas não demorou muito tempo a ser desfeita, passando os Tiger Moth a ser os únicos aviões a usar matrículas do bloco 100/149. Na remodelação de 1951 coube-lhes o bloco 1100, numeração que não ostentaram.

     Os DH-82 Tiger Moth foram essencialmente utilizados na instrução elementar e treino de pilotos, a cargo da Escola militar de Aeronáutica (EMA), mais tarde Base Aérea de Sintra e, actualmente, Base Aérea nº 1.
     Todos se encontravam pintados com as cores dos aviões de instrução da época - a fuselagem em azul escuro e os planos em amarelo. Os aviões recebidos directamente da Grã-Bretanha, usaram por algum tempo a pintura original, com as superfícies superiores em camuflado castanho e verde e as superfícies inferiores em amarelo.
     Ostentavam a Cruz de Cristo, sobre círculo branco, no extra-dorso das asas superiores e no intradorso das asas inferiores. A bandeira nacional, com escudo, num rectângulo no leme de direcção. Os números de matrícula foram inicialmente pintados na fuselagem, em algarismos brancos, passando depois para os painéis laterais dos motores. Raros exemplares apresentaram os números de matrícula, a branco, também na parte inferior da fuselagem, logo a seguir ao motor.
Em 1952 foram absorvidos pela Força Aérea Portuguesa  (FAP).
     
  1. Aviação Naval
      Em Outubro de 1943, a Aviação Naval (A.N.) recebeu 20 aviões DH-82A Tiger Moth II novos, construídos na Grã-Bretanha, com derivas anti-vrille instaladas na traseira da fuselagem e fendas de aumento de sustentação nas asas superiores. Tinham os números de construção EM968, EM969, NL789 e NL802 a NL805. A A.N. atribuiu-lhes a numeração de T-1 a T-20. O “T” significava Tiger.
        Colocados no Centro de Aviação Naval (CAN) de Aveiro (S. Jacinto), foram usados na instrução de pilotagem. Em Dezembro de 1944, a frota foi acrescida com dez DH-82A Tiger Moth II, também novos, iguais aos anteriores, com os números de construção da RAF: DF115, EM753, NL922, NL927, NL928, NL936 a NL939 e NL961. Receberam a numeração da A.N. em continuação das anteriores, de T-21 a T-30. Foram também colocados no CAN de Aveiro.

         A A.N. operou-os durante muito tempo com a pintura de origem inglesa, em camuflado de castanho e verde nas superfícies superiores e amarelo nas inferiores, com as matrículas pintadas a branco sobre os painéis laterais dos motores. Apresentavam a insígnia da Cruz de Cristo, sobre círculo branco, no extra-dorso das asas superiores e no intradorso das inferiores, tal como os Tiger Moth da AM. As cores nacionais, sem escudo, cobriam inteiramente o leme de direcção.

      No início da década de 50, os Tiger Moth da A.N. apresentavam-se inteiramente pintados em alumínio, mantendo as numerações e insígnias como do anterior, excepção feita às matrículas, que passaram para preto. Encontram-se fotografias de Tiger Moth com a pintura camuflada, ostentando, nos lados da fuselagem, a tradicional andorinha preta de S. Jacinto, sobre círculo branco. Em 1952, os Tiger Moth da A.N. foram transferidos para a FAP.

Imagem 4: O DH-82A Tiger Moth / OGMA

  1. Força Aérea Portuguesa
      Em 1952, a Força Aérea Portuguesa (FAP) absorveu os Tiger Moth oriundos da A.M. e da A.N., usando-os na instrução elementar de pilotagem.
     Nesse ano, a Esquadra de Instrução Elementar de Pilotagem (EIEP), composta pelos Tiger Moth, foi transferida da Base Aérea nº 1 (BA1), Sintra, para o Aeródromo Militar de Espinho. A passagem por Espinho foi muito curta, pois a instrução elementar passou a ter lugar na então Base Aérea nº 5 (BA5), S. Jacinto, também esta uma herança da A.N..
     O Aeródromo de Espinho ficou na posse do Exército, que ali instalou uma unidade de artilharia anti-aérea.
 
     Existem algumas dúvidas sobre a totalidade de Tiger Moth que a FAP recebeu das extintas AM e A.N., mas admite-se que tenha rondado as três dezenas.
     As pinturas originais não foram alteradas: os oriundos da AM mantiveram-se em azul e amarelo e os oriundos da A.N. inteiramente em alumínio. Quanto ás matrículas, a FAP manteve-os no bloco 1100. Apesar disto, os aviões ex-AM continuaram com os números de três algarismos brancos nos painéis dos motores, da mesma forma que os ex-A.N. mantiveram a letra “T” seguida da numeração.
     No entanto, teve-se acesso à fotografia de um Tiger Moth pintado em azul e amarelo, ostentando as insígnias e a matrícula segundo o esquema adoptado pela FAP, com a Cruz de Cristo, sobre círculo branco, alternado com os números da matrícula, composto por quatro dígitos pretos.
     Os DH-82A Tiger Moth, geralmente designados por Tiger, são hoje aviões históricos da Aviação Militar Portuguesa, tendo formado centenas de pilotos da A.M., A.N. e F.A.P., que neles fizeram a instrução elementar de pilotagem.

      Foram utilizados desde 1934 até 1955. Quando foram abatidos, a FAP cedeu alguns exemplares aos aero clubes, onde, segundo parece, por problemas de manutenção, não tiveram longa vida.
      O Museu do Ar é detentor de quatro Tiger Moth, entre eles o número 111, o primeiro DH-82A Tiger Moth recebido pela A.M..


Fontes:
Imagens 1 e 4: FAP / AHFA - Força Aérea Portuguesa / Arquivo Histórico da Força Aérea;
Imagem 2: Cortesia de Richard Ferriere - 3 vues;
Imagem 3: Colecção Altimagem;
Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.

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