Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Viagem Lisboa - Timor - Macau - Índia - Lisboa


Imagem 1
Imagem 2


a. Tripulação
     Capitão Humberto da Cruz (piloto)
     1º Sargento António Lobato (mecânico)

b. Datas:
    Saída da Amadora em 25 de Outubro de 1934.
    Chegada à Amadora em 21 de Dezembro de 1934.


Imagem 3

c. Aeronave
    De Havilland DH-85 Leopard-Moth


d. Tempo de voo
    268 horas e 25 minutos.

e. Distância total percorrida
    42.670 Km

f. Viagem e escalas
   Voo de ida:
    Saída da Amadora a 25 de Outubro, atravessando a África do Norte, com paragens em Argel, Tripoli, Bengasi e Tobruk.

    O Médio Oriente, com passagem por Gaza e Basra.
    Passagem pelo actual Paquistão e Índia, com as etapas a terminarem em Jask, Karachi e Allahabad.

   Rumo ao Sudeste Asiático e às Índias Orientais Holandesas, com paragem em Akyab, Banguecoque, Prachuab, Singapura, Soerabaia, Rambang e Dili, onde foram recebidos com grande entusiasmo, a 7 de Novembro de 1934.

    Foi em Timor que o De Havilland DH-85 Leopard-Moth recebeu, solenemente, o nome de baptismo «Dilly» 
    "Os indígenas de Timor são mais dóceis e subordinados do que geralmente se acredita ( ... ) Não existia já um português em Timor há tantos anos que a nossa força naquelas ilhas é nula, pois a força que existe é tirada deles mesmos", comenta Humberto da Cruz.


Imagem 4
                 

Voo de volta:

    Saída de Dili a 13 de Novembro, passando por Bobonaro, Lantem, Dili, Soerabaia, Batávia, Singapura, Taiping, Banguecoque, Hanoi e Macau, onde chegaram a 18 de Novembro.

    Saída a 19 de Novembro para Taipa, Coloane, Macau, Hong Kong, Macau (sobrevoo), Hanoi, Banguecoque, Akyab, Calcutá, Allahabad e Goa, onde chegam a 1 de Dezembro, dia de grande significado patriótico, o da Restauração Nacional.

    Saída para Bombaim, Diu, Karachi, Jask, Ziarat, Bushire, Brasa, Bagdad, Cairo, Bengazi, Tripoli, Tunis, Oran e Amadora, onde chegaram a 21 de Dezembro, ainda antes do Natal, tal como tinha previsto Humberto da Cruz.


    A viagem foi transposta para o livro «A Viagem do "Dilly" : Lisboa, Timor, Macau, India, Lisboa, 25 de Outubro 1934, 21 de Dezembro 1934», escrito pelo Tenente-Aviador Humberto da Cruz.


     O Tenente-Aviador Humberto da Cruz dedica um capítulo à passagem por Macau que inclui fotografias aéreas. Fala da "recepção entusiástica" por parte da população e autoridades. Viram um jogo de hóckey em campo "entre o team de Macau e o team de Hong Kong", visitaram 2 quartéis, "o da artelharia e o das metralhadoras". Andaram de riquexó e repararam nos "guardas de trânsito e polícias de rua que são mouros mas usam uma farda igual à da metróple mas têm um turbante com faixas verdes e encarnadas." Já nas Portas do Cerco "os soldados são landins" (negros). Asssitiram à dança do Leão e passaram pela casa de Lara Reis, O Sol Poente. Destacaram ainda, incluindo os pormenores da cerimónia e a fotografia, o facto da comunidade chinesa lhes ter oferecido um repasto de chá.


f. Os Aviadores


Capitão-Aviador da Aeronáutica Militar, Humberto da Cruz



Imagem 5 - Humberto da Cruz
    Nasceu em 13 de Julho de 1900 em Coimbra. Viveu na Figueira da Foz quando jovem. Estava no último ano do Curso de Artilharia de Campanha da Escola do Exército, quando em 1919 rebentou uma revolução monárquica em Portugal. Fugiu então da escola, com um grupo de cadetes, para lutar em Monsanto (Lisboa) em defesa do regime republicano vigente desde 1910.
     Em 1927 concorreu à Aviação Militar, tendo obtido o seu brevet de piloto-aviador em 14 de Julho de 1928. Quando ingressou na aeronáutica, antecessora da actual Força Aérea, estava-se em plena fase das viagens aéreas. Esta viagem granjeou-lhe a sua segunda condecoração da Torre e Espada, como piloto excepcional. 
     
Humberto da Cruz possuía o dom de falar com notável fluência e quase sempre de improviso. De destacar os seus discursos mais importantes: na Sociedade de Geografia de Lisboa, na ampla Sala de Portugal, na presença do Chefe de Estado, General Óscar Carmona; na Universidade de Coimbra, em plena Sala dos Capelos, perante o Reitor e todo o Corpo Docente; na Universidade do Porto; no Colégio Militar, onde não foi aluno, mas fez questão de distinguir os «Meninos da Luz».
    
Em tudo quanto fez, o Capitão Humberto da Cruz, no capítulo aeronáutico, mostrou a sua destreza de piloto fora de serviço, de oficial culto, competente e sabedor e, sobretudo, a grandeza e a verticalidade do seu carácter. Das suas proezas aeronáuticas não auferiu quaisquer proventos ou benesses, antes só serviram para dignificar e engrandecer o próprio país. 
   
Mas, infelizmente, mais tarde as decisões governamentais - em virtude duma questão entre Humberto da Cruz, comandante da aeronáutica nos Açores e o comandante militar do arquipélago, General Ramires - degradaram o assunto a favor das hierarquias e não democraticamente em prol da verdade e da justiça, obrigando Humberto da Cruz a pedir a passagem à reforma.
      Foram «asas cortadas», com glacial ingratidão, a alguém que deu tanto a Portugal!
     Publicou diversas obras sobre aviação, tendo falecido a 10 de Junho de 1981, no posto de Major-Aviador.

Viagens efectuadas por Humberto da Cruz:
-  Lisboa, Guiné, Angola, Lisboa (30 de Dezembro de 1930 a 21 de Fevereiro de 1931);
-  Cruzeiro Aéreo a Espanha e Marrocos (4 a 21 de Maio de 1934);
-  Viagem Lisboa, Timor, Macau, Índia, Lisboa (25 de Outubro a 21 de Dezembro de 1934);
-  Cruzeiro às Colónias.


Primeiro Sargento Mecânico da Aeronáutica Militar, António José Gonçalves Lobato



Imagem 6 - António Lobato
    De seu nome completo, António José Gonçalves Lobato, nasceu em Lisboa a 5 de Abril de 1909. Era um óptimo profissional com uma cultura fora do vulgar em indivíduos da sua especialidade, tinha preparação liceal e, por isso mesmo, cedo obteve a promoção a sargento. As suas qualidades foram notadas pelo comandante do GEAR da Amadora, o então tenente-coronel Ribeiro da Fonseca, que o escolheu para seu mecânico.
    Em 1932, com 23 anos, o 2º sargento António Lobato passou a mecânico do capitão Plácido de Abreu. Esse facto levou-o a Clevelland, quando o nosso grande ás da acrobacia ali realizou uma das suas famosas exibições. Com a morte trágica de Plácido de Abreu, Lobato passaria a mecânico de Humberto da Cruz e conquistaria a invejável condecoração da «Torre e Espada», com o grau de Cavaleiro. Foi escolhido como companheiro de viagem por Humberto Cruz, devido à sua competência, carácter alegre, correcção, aprumo e camaradagem.


     Humberto da Cruz estabelecera um curioso decálogo de obrigações para o seu mecânico de voo a Timor, que o brioso Lobato levou a rigor: desde «não ser preguiçoso e levantar-se à alvorada às 4h 30m da madrugada, até não ultrapassar o tempo de 15 minutos para tomar ar em frente ao hotel», de onde não saía senão no dia imediato para outro voo, sem nada ver ou visitar na localidade onde se encontrava.

   
     Faleceu em 6 de Junho de 1935, com apenas 26 anos, seis meses depois da sua hora de glória, vítima de um acidente com um "Tiger-Moth" no aeródromo de Viseu, no decorrer de uma das etapas do «II Rally Nacional Aéreo», organizado pelo Aero Club de Portugal, e quando seguia num avião pilotado pelo tenente João Tovar Faro, que sobreviveu ao acidente. Em sua memória, o aeródromo de Viseu passou a designar-se por "Aeródromo Municipal Gonçalves Lobato".
    Está sepultado em Lisboa, no cemitério dos Prazeres, num mausoléu da autoria do arquitecto e aviador civil Almeida Araújo, obtido por subscrição pública por iniciativa de Humberto da Cruz e com o patrocínio do jornal «O Século».

Fontes:
Fotos: 
- Imagens 1, 5 e 6: "História da Força Aérea Portuguesa", Volume II - Edgar Pereira da Costa Cardoso, Coronel Piloto Aviador - Edição Cromocolor, Ldª, Lisboa, 1981;
- Imagem 2 e 4: Cortesia de  Blog Macau Antigo
- Imagem 3: FAP / AHFA - Força Aérea Portuguesa / Arquivo Histórico da Força Aérea;
Texto: 
- "História da Força Aérea Portuguesa", Volume II - Edgar Pereira da Costa Cardoso, Coronel Piloto Aviador - Edição Cromocolor, Ldª, Lisboa, 1981; 
- "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.

Sem comentários :

Enviar um comentário