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Avro 626

Imagem 1: Avro 626 da Aeronáutica Militar

AVRO 626

Quantidade: 43 (31 A.M. + 12 A.N.)
Utilizador: Aeronáutica Militar e Aviação Naval
Entrada ao serviço: 1936
Data de abate: 1952

Dados Técnicos:

a.      Tipo de Aeronave

         Avião monomotor terrestre, de trem de aterragem convencional fixo, com patim de cauda, ou hidroavião de flutuadores, biplano, três lugares de cabinas descobertas, revestido a tela, com a parte dianteira da fuselagem revestida a chapa, destinado a instrução de pilotos e tripulantes. Tripulação: 3 (piloto e instruendos).

b.      Construtor

        A. V. Roe & Co. Ltd. / Grã-Bretanha;
        Sob licença: OGMA - Oficinas Gerais de Material Aeronáutico / Portugal.

c.       Motopropulsor

        Motor: 1 motor Armstrong-Siddeley Cheetah V, de 7 cilindros radiais arrefecidos por ar, de 260 hp.
        Hélice: Metálico, de duas pás, de passo fixo.

d.      Dimensões

        Envergadura ……….....................10,36 m
        Comprimento (com rodas)…..……..8,07 m                        
                (com flutuadores) …...............8,91m
        Altura………….…….................……2,92 m
        Área alar ……….……...............….27,60 m²

e.      Pesos

        Peso vazio……………....………816 kg
        Peso máximo……………...…1.246 kg

f.        Performances

        Velocidade máxima …………..180 Km/h
        Velocidade de cruzeiro …….…160 Km/h
        Tecto de serviço …………..…3.660 m
        Raio de acção …………….…....360 Km

g.      Armamento

        Para fins de instrução: Duas metralhadoras Lewis de 7,7 mm
        (uma fixa, sincronizada com o hélice, accionada pelo piloto e outra móvel, no lugar traseiro).

h.      Capacidade de transporte

        Dois passageiros, na ausência de instruendos.



Imagem 2

Resumo histórico:
     O avião Avro 626, especialmente produzido para exportação, poderá ser considerado como a versão melhorada do Avro 621 Tutor. O Avro 621 foi o avião escolhido pela RAF - Royal Air Force, para substituir o Avro 504, outro famoso avião da mesma “família”.
     Na Grã-Bretanha, a construção do Avro 621 Tutor começou em 1931 e terminou em Maio de 1936. Durante este tempo construíram-se 50 aviões para utilização civil, 40 para exportação e mais de 400 para a RAF, dos quais 14 na versão hidroavião de flutuadores.
   
     A Central Flying School recebeu os Tutor em 1932, sendo a primeira unidade a operar estes aviões. Sobre o seu sucessor, o Avro 626, são raras as referências. No entanto, sabe-se que dispunha de três lugares em tandem, possuía um motor mais potente e estava melhor equipado, o que possibilitava a instrução de pilotos de uma forma geral e em modalidades específicas, como o voo sem visibilidade, voo nocturno, navegação, bombardeamento e treino de tiro - através de uma metralhadora fixa sobre o motor, sincronizada com o hélice. Servia também para a instrução de atiradores, utilizando a metralhadora móvel instalada no lugar traseiro.
   
     O Avro 626 podia ser equipado com trem de aterragem de rodas ou com flutuadores. Existiu também uma versão especial de dois lugares, designada por Avro 626 Prefect.
     A A. V. Roe encerrou a produção dos Avro 626 em 1939.
     Os Avro 626 foram utilizados pelas Forças Armadas da Argentina, Bélgica, Brasil, Canadá, Chile, Egipto, Estónia, Grécia, Irlanda Lituânia e Portugal.


Percurso em Portugal:

a. Aeronáutica Militar
     Para substituição dos velhos Avro 504 K e Avro 548 A, a Aeronáutica Militar (A.M.) resolveu continuar na linha do prestigiado fabricante britânico A. V. Roe, optando pela versão de três lugares do Avro 621 Tutor, designada Avro 626, dada a possibilidade de se instalar uma metralhadora no terceiro lugar, para treino de tiro.
     Em 1936 foram adquiridos 14 aviões Avro 626 na Grã-Bretanha, com os números de construtor 869, 890 e de 996 até 1007 inclusive, aos quais a A.M. atribuiu a numeração de matrícula de 151 a 164.

     Em 1938 passaram a ser construídos sob licença nas Oficinas Gerais de Material Aeronáutico (OGMA), em Alverca, onde se produziram 17 exemplares, registados na A.M. com os números 165 a 181.
     A missão principal dos Avro 626 foi a instrução básica de pilotos, na Escola Militar de Aeronáutica (EMA), hoje Base Aérea Nº 1 (BA1), em Sintra, ainda que uns poucos tenham sido distribuídos pela Base Aérea da Ota e Portela de Sacavém.
     Estavam pintados segundo o esquema de instrução da A.M., com a fuselagem a azul-escuro, com o anel do motor e a secção dianteira da fuselagem em alumínio polido e com as asas e o conjunto da cauda em amarelo. Ostentavam a insígnia da Cruz de Cristo, sobre círculo branco, nos lados exteriores das asas. A bandeira nacional, com escudo, estava situada num rectângulo em ambos os lados do leme de direcção. Os números de matrícula estavam pintados a branco nos lados da fuselagem.
Foram sendo progressivamente abatidos ao serviço até 1952.

Imagem 3: Avro 626 da Aviação Naval


b. Aviação Naval
     A Aviação Naval (A.N.) também operou os Avro 626 na versão de hidroavião de flutuadores. Entre Dezembro de 1938 e Janeiro de 1939 foram recebidos da Grã-Bretanha 12 exemplares, com os números de construtor 1091 a 1098 e 1123 a 1126, aos quais a A.N. atribuiu a numeração de 85 a 96. É provável que a A.N. se decidisse pela aquisição dos Avro 626 pelo facto da A.M. já os utilizar com sucesso e ainda por serem construídos nas OGMA, o que, sem dúvida, facilitava a sua manutenção, tal como já se tinha verificado com os Avro 504.
   
     Os primeiros voos de ensaio tiveram lugar em Março de 1939, efectuados no Centro de Aviação Naval (CAN) de Lisboa, na Doca do Bom Sucesso. Foram distribuídos pelos CAN de Lisboa e de Aveiro, onde alguns operaram com rodas, utilizando a pista de S. Jacinto.
     A A.N. utilizou os Avro 626 na instrução e treino de pilotos e também em missões de observação e fotografia aérea.
   
     Entre 1939 e 1940, o hidroavião Avro 626 número 87 efectuou o primeiro levantamento aero-fotográfico do Arquipélago dos Açores.
     Em Junho de 1941 foi reactivado o CAN de Ponta Delgada, nos Açores, que recebeu três Avro 626 com os números 86, 93 e 95. O número 93 ficou destruído devido a um temporal que assolou o Arquipélago em 3 de Novembro de 1941 e o número 95 sofreu um acidente no dia 25 de Novembro do mesmo ano, de que resultou a destruição do aparelho e a morte do piloto.
     O CAN de Ponta Delgada foi desactivado no fim de 1941, tendo o Avro 626 número 86 regressado ao CAN de Lisboa.

     A A.N. manteve a pintura tradicional, com os aviões totalmente pintados em alumínio, a insígnia da Cruz de Cristo, sobre círculo branco, nas faces exteriores das asas. A bandeira nacional, com escudo, cobria todo o leme de direcção. Os números de matrícula, pintados a preto, situavam-se nos lados da fuselagem.
     Os Avro 626 da A.N. foram retirados do serviço em 1950.


Fontes:
Imagem 1: FAP / AHFA - Força Aérea Portuguesa / Arquivo Histórico da Força Aérea;
Imagem 2 e Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.

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