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Blackburn Shark

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BLACKBURN SHARK

Quantidade: 6
Utilizador: Aviação Naval
Entrada ao serviço: Março de 1936
Data de abate: 1938


Dados Técnicos: (versão Shark IIa - Hidroavião)

a.      Tipo de Aeronave

             Avião mono-motor terrestre, de trem de aterragem convencional fixo, ou avião de flutuadores, biplano, dois lugares em tandem em cabinas descobertas, destinado a  operações de observação e de lançamento de torpedos.
Tripulação: 2 (piloto e observador).

b.      Construtor

        Blackburn Aeroplane & Motor Co. Ltd. / Grã-Bretanha;
        Sob licença: Boeing Aircarft of Canada / Canadá.

c.       Motopropulsor

        Motor: 1 motor Armstrong-Siddeley Tiger IV, VI ou VI C, de 14 cilindros em dupla estrela arrefecidos por ar, de 700 a 760hp, conforme a versão.
        Hélice: De madeira, de duas pás, de passo fixo.

d.      Dimensões

        Envergadura …………....14,02 m
        Comprimento…..………..11,71 m
        Altura………….……..…..…4,72 m
        Área alar ……….…….….44,98 m²

e.      Pesos

        Peso vazio………….…..…2.172 kg
        Peso máximo……………..3.745 kg

f.        Performances

        Velocidade máxima ……….…..230 Km/h
        Velocidade de cruzeiro …….…180 Km/h
        Tecto de serviço ………..….…4.648 m
        Raio de acção …………..…….1.110 Km

g.      Armamento

        - Duas metralhadoras Vickers de 7,7 mm fixas na cobertura do motor, de disparo sincronizado com o hélice, accionadas pelo piloto.
        - Uma metralhadora Vickers-Berthier ou Lewis, de calibre variável, accionada pelo ocupante do lugar da retaguarda.
        - Um torpedo de 680 Kg instalado sob a fuselagem ou bombas com igual peso instaladas sob as asas.

h.      Capacidade de transporte

        Nenhuma.



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Resumo histórico:
     A fábrica inglesa Blackburn dedicou-se ao estudo de um avião mono-motor e biplano - que viria a ser o último Blackburn biplano - para lançamento de torpedos, que denominou de Blackburn Shark. O protótipo realizou o primeiro voo em 24 de Agosto de 1933.
     Cumprindo satisfatoriamente os testes operacionais a que foi submetido, a Fleet Air Arm (naquele tempo, a componente aérea da Royal Navy) encomendou 16 aviões especialmente adaptados para operar em porta-aviões. Estes aparelhos entraram ao serviço nos porta-aviões «Courageous» e «Furious», em Maio de 1935. Alguns foram utilizados nos couraçados «Repulse» e «Warspite», donde eram catapultados.
   
     Os Shark, concebidos para operar com trem de aterragem de rodas, podiam ser transformados para utilizar flutuadores ou skis. A Blackburn construiu 253 desses aviões e a Boeing 17, na sua fábrica no Canadá. A fraca resistência das asas, que não suportavam grandes esforços, originou que fossem retirados do serviço em 1938, muitos deles com menos de um ano de utilização na Royal Navy.
     Durante a II Guerra Mundial, a Royal Navy recuperou dois Blackburn Shark, que utilizou em missões de treino de observadores aéreos e operadores de rádio, bem como avião-alvo nos treinos de tiro. Os Blackburn Shark foram utilizados pela Grã-Bretanha, Portugal e Canadá.


Percurso em Portugal:
     Em 1935, a  Aviação Naval (A.N.) encomendou seis aviões Blackburn Shark IIa, equipados com flutuadores, destinados a missões de torpedamento e bombardeamento a picar.
     Os oficiais da A.N. que se deslocaram à Grã-Bretanha em missão de recepção dos aviões, recusaram-se a recebê-los, depois das provas em voo, devido às deficiências que apresentavam. Depois de mais de um mês de troca de mensagens, os elementos da comissão de recepção foram mandados regressar a Lisboa e o chefe da missão punido disciplinarmente.
     Os Shark acabaram por vir encaixotados para Lisboa, onde chegaram em 1936. A A.N. atribuiu-lhes os números de matrícula de 73 a 78.

     Colocados no Centro de Aviação Naval (CAN) do Bom Sucesso, em Lisboa, foram sujeitos a novos testes, que confirmaram a fraca resistência das asas na recuperação das picadas, dando razão aos aviadores que se tinham recusado a recebê-los. Apesar disso, foram mantidos em operação, muito embora tenha sido cancelada a aquisição dos torpedos que lhe eram destinados.

     Em 23 de Outubro de 1936, o Blackburn Shark número 74 realizou uma viagem em condições muito especiais, de S. Jacinto a Calshot (Grã-Bretanha), com escala em Brest (França), para transportar e entregar em mão, ao Embaixador de Portugal em Londres, uma mensagem governamental relacionada com a Guerra Civil de Espanha. Para tal, utilizou, pela primeira vez, um enorme depósito de combustível suplementar, colocado sob a fuselagem. Enfrentando as más condições meteorológicas presentes em toda a viagem, regressou a S. Jacinto no dia 29 do mesmo mês com a missão cumprida.

     Pese embora a grave deficiência que apresentavam, os Shark continuaram a voar, até que, em 1938, um avião se despenhou um no Rio Tejo provocando a morte do piloto. Após esse desastre, foi decidida a sua retirada de serviço, o que se concretizou ainda em 1938.

     Encontravam-se inteiramente pintados em alumínio, com os cascos dos flutuadores a preto. A parte superior da fuselagem, em frente e em volta das cabinas, estava pintada em preto anti-reflexo. Apresentavam a Cruz de Cristo, sobre círculo branco, no extra-dorso dos planos superiores e no intradorso dos planos inferiores. As cores nacionais, com escudo, encontravam-se situadas a toda a altura do leme de direcção. Na fuselagem, lateralmente e entre a cobertura do motor e o posto de pilotagem, encontrava-se o algarismo que designava o número de ordem do tipo do avião (1 a 6) e, sob o estabilizador horizontal, o número de matrícula da Aviação Naval (73 a 78).


Fontes:
Imagem 1: FAP / AHFA - Força Aérea Portuguesa / Arquivo Histórico da Força Aérea;
Imagem 2: Cortesia de  Richard Ferriere - 3 vues;
Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.

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