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Lockheed P2V-5 Neptune (segunda parte)

Ver  Lockheed P2V-5 Neptune (primeira parte)

(continuação)

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Resumo histórico (continuação)

     Tendo sido concebidos para a luta anti-submarino, os Neptune desempenharam inúmeras outras tarefas, algumas sob novas designações, especialmente a partir de 1962. Os P2V-7, sob a designação de AP-2H, estiveram na Guerra do Vietname, usados em missões de interdição nocturnas e de más condições meteorológicas contra a Rota Ho Chi Minh.
     Estavam equipados com sensores de visão frontal de raios infravermelhos (FLIR), televisão de visão lateral para baixos níveis de iluminação (LLLTV), assim como um sistema digitalizado de ataque próximo e navegação. Mas o seu real valor operacional residia na enorme bateria de mini-guns de diversos calibres, ocasionalmente completada com lança-granadas de 40 mm e metralhadoras, transportadas em contentores instalados sob as asas. Para além do Vietname, operaram no Cambodja e no Laos, onde se mantiveram até Junho de 1969.

     Os misteriosos aviões espiões Lockheed RB-69 eram P2V-6 (mais tarde P-2F) convertidos para missões de guerra electrónica e reconhecimento. O equipamento de reconhecimento óptico estava instalado internamente, no compartimento das bombas. Mais tarde tomaram a designação de P2-E e OP2-E. A Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) utilizou-os nas versões RB-69 e AP-2E.

     Em 1959 a fábrica japonesa Kawasaki foi licenciada para construir os P2V-7 e, mais tarde, os     P-2H. No verão de 1965 os japoneses tomaram a arrojada decisão de construir os P2-H com propulsores turbo-hélice. O protótipo voou pela primeira vez em 21 de Julho de 1966, sob a designação Kawasaki P-2J Neptune. Foram construídos 82 exemplares.

     Os Neptune, que na sua época foram os “Reis do Mar” na luta anti-submarino, executaram com sucesso a função de bombardeiros nucleares, missões de ataque ao solo, espionagem electrónica, transporte, instrução e treino, vigilância de fogos florestais e muitas outras, testemunhando a versatilidade e a durabilidade tradicionais dos aviões fabricados pela Lockheed.
     Para além das forças armadas dos Estados Unidos, os P2V-5 serviram nas forças armadas da Argentina, Austrália, Brasil, Grã-Bretanha, Holanda e Portugal.
No total dos modelos e variantes foram construídos cerca de 1.200 Lockheed P2V Neptune.

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Percurso em Portugal:
     Os Lockheed P2V-5 Neptune começaram a chegar à Força Aérea Portuguesa (FAP) em Abril de 1960, processo que se prolongou por todo o ano seguinte, até totalizar 12 aviões. Provenientes da Marinha Real Holandesa, estavam equipados com sofisticados meios electrónicos de detecção e combate a submarinos.
     Foram colocados na Esquadra 61 da Base Aérea N° 6 (BA6), Montijo, onde substituíram os Lockheed PV-2 Harpoon. Mais tarde foram-lhes retiradas as torres de tiro dorsais, conservando intacta a capacidade de combate anti-submarino. Mantiveram como missão a vigilância das águas territoriais portuguesas, tendo participado em diversos exercícios no âmbito da NATO / OTAN.

     Quando a Rodésia (hoje Zimbabwé) declarou uniteralmente a independência (11 de Novembro de 1965), facto que levou a ONU a determinar o bloqueio ao porto da Beira, foram destacados dois Lockheed P2V-5 Neptune para a Base Aérea N° 10 (BA10), Beira, Moçambique, onde se mantiveram de Novembro de 1965 a meados de 1966.

Imagem 5: Emblema da
Esquadra 61, BA6.
     Também estiveram destacados na Ilha de S. Tomé aquando do conflito do Biafra (1967-1970), vigiando a presença de navios suspeitos de transportar armamento para as partes envolvidas. Operaram a partir da Base Aérea N° 9 (BA9), Luanda, Angola, e da Base Aérea N° 12 (BA12), Bissau, Guiné, executando missões de bombardeamento e patrulhamento costeiro, assim como mantiveram destacamentos na Ilha do Sal, no Arquipélago de Cabo Verde.
     Estas deslocações foram sempre efectuadas em regime de destacamento de curta duração, mantendo os aviões a sua colocação, permanentemente, na BA6.
Para evitar problemas com a NATO – à qual os P2V-5 estavam atribuídos – procedia-se segundo um esquema de rotação entre os destacamentos e a BA6, de forma a que os aviões não ultrapassassem, fora da BA6, o tempo estipulado pela NATO.

     Em 1968 o P2V-5 número 4710 foi modificado nas Oficinas Gerais de Material Aeronáutico (OGMA), Alverca, de modo a receber uma câmara para fotografia vertical, sendo realizadas algumas missões de aerofotogrametria sobre o Arquipélago da Madeira durante 1969.

     Com a final da Guerra do Ultramar (1974) e a independência das antigas colónias, os P2V-5 Neptune cessaram os destacamentos e foram abatidos gradualmente.
     O último voo operacional de um Lockheed P2V-5 Neptune em Portugal foi registado no dia 15 de Junho de 1977, ainda que os P2V-5 número 4707 e 4711 tenham voado até 1978.

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     Os Neptune receberam as matrículas da FAP 4701 a 4712. Tinham os números de construção de 426-5273 a 426-5284 e os números de série da Marinha Real Holandesa de 19-21 a 19-32, respectivamente.
     Mantiveram a pintura original, com o dorso da fuselagem, os lados superiores das asas e dos estabilizadores em cinzento azulado e o restante a branco.
     A insígnia da Cruz de Cristo, sobre círculo branco limitado por anel em azul, estava pintada lateralmente na fuselagem, no extra-dorso da asa esquerda e no intradorso da asa direita, onde alternavam com os números de matrícula, pintados a preto. Os lados do estabilizador vertical apresentavam o rectângulo com as cores nacionais, sem escudo, encimados pelo número de matrícula em pequenos algarismos pretos.
O Museu do Ar  é detentor do Lockheed P2V-5 Neptune número 4711.




Fontes:
Imagem 3: FAP / AHFA - Força Aérea Portuguesa / Arquivo Histórico da Força Aérea;
Imagem 4: © Carlos Pedro - Blog Altimagem;
Imagem 5: Colecção Altimagem;
Imagem 6: Cortesia de Paulo Alegria - Blog DIGITAL HANGAR
Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.

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