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North American F-86F Sabre

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NORTH AMERICAN F-86F SABRE

Quantidade: 65
Utilizador: Força Aérea
Entrada ao serviço: 25 de Agosto de 1958
Data de abate: 31 de Julho de 1980


Dados técnicos:
a.       Tipo de Aeronave (versão F-86F)
Avião transónico monorreactor terrestre, de trem de aterragem triciclo retráctil, monoplano de asa baixa em flecha, monolugar de cabina em bolha transparente, destinado a missões de caça e intercepção. Tripulação: 1 (piloto).
b.       Construtor
North-American Aviation Incorp. / USA.
Sob licença:          Canadair / Canadá;
                               Commonwealth Aircraft / Austrália;
                               Fiat /  Itália;
                               Mitsubishi / Japão.
c.       Motopropulsor
Motor: 1 motor turborreactor General Electric J-47-GE27, de 2.700 Kgf de impulsão.
d.       Dimensões
Envergadura.........................11,31 m
Comprimento…...................11,44 m
Altura………….…....................4,49 m
Área alar........................…...26,76 m²
e.       Pesos
Peso vazio……………..…...5.045 Kg
            Peso equipado......................6.856 Kg
Peso máximo.......................9.348 Kg
f.        Performances
Velocidade máxima ……......1.090 Km/h
Tecto de serviço …………..14.630 m
Raio de acção……………….1.369 Km
g.       Armamento
6 metralhadoras Browning M3 de calibre 0,50 polegadas;
2 mísseis ar-ar;
2.000 Kg de bombas suspensas nas asas;
ou 2 depósitos suplementares de 200 galões de combustível cada.
h.       Capacidade de transporte
Nenhuma.




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Resumo histórico:
     O North-American F-86 Sabre era um avião de primeira linha, moderno, robusto e bem armado. Construído pela North-American Aviation nos Estados Unidos, foi o primeiro caça a reacção com asas em flecha adoptado pela Força Aérea dos Estados Unidos (USAF). Apareceu durante a Guerra da Coreia (1950 a 1953) e obteve enorme sucesso.

     Os estudos do F-86 Sabre tiveram início em 1944, ainda decorria a II Guerra Mundial. Nessa altura a North-American tinha entre mãos o projecto de um avião a reacção com asas em flecha para a Marinha dos Estados Unidos (US Navy), designado XFJ-I-Fury e decidiu desenvolver esse projecto de acordo com as especificações da Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (USAAF). O projecto foi aceite depois de terminada a guerra, depois de analisadas as pesquisas e as experiências com as asas em flecha, realizadas pelos alemães, que já sabiam que melhoravam consideravelmente as performances dos aviões rápidos.

     Em 1947 foi criada a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), que apoiou a evolução do projecto. O primeiro voo do protótipo, designado XP-86 teve lugar em 1 de Outubro de 1947, ficando na história como sendo o primeiro avião a bater a barreira do som, ainda que a picar.

     O sucesso do XP-86 foi imediato. A USAF encomendou 221 aviões da primeira versão de produção, designados por F-86A Sabre, que voou pela primeira vez em 20 de Maio de 1948. Em 1949 já equipavam as esquadras doe 4° Grupos de Caça da USAF.

     Em 1950 os Estados Unidos estavam envolvidos na Guerra da Coreia, sob a bandeira da Organização das Nações Unidas (ONU / UN), utilizando os caças a reacção Lockheed F-80 Shooting Star e Republic F-84G Thunderjet, incapazes de se oporem aos modernos caças soviéticos MIG-15.
     Os F-86A Sabre foram enviados para a Coreia, onde fizeram o “baptismo de fogo”, demonstrando razoável superioridade sobre os aviões inimigos.
     O F-86D Sabre, cujo protótipo voou pela primeira vez em 22 de Dezembro de 1949, foi a primeira versão apta para operar de dia e de noite e em quaisquer condições meteorológicas. Dispunha de radar, com a antena instalada sobre a entrada de ar. Entrou ao serviço da USAF em Março de 1951. Foram construídos 2.054 aviões F-86D, dos quais 981 foram mais tarde modificados para a versão F-86L, com o mais refinado equipamento electrónico da época.

     O F-86E foi segundo modelo da versão de caça diurno. O protótipo fez o primeiro voo em 23 de Setembro de 1950. Foram construídos 336 exemplares.
     A versão F-86F, também caça diurno, ensaiada pela primeira vez em 19 de Maio de 1952, apresentou algumas modificações nas asas e um motor mais potente. Foram construídas cerca de 2.500 unidades. Ainda em 1952 foram enviados para a Coreia, substituindo todos os caças diurnos F-86 das versões anteriores – que tinham dificuldade em se opor aos caças soviéticos dos últimos modelos – reconquistando a supremacia aérea.
     Em 1953 surgiu o protótipo da versão F-86H, com melhor armamento e motor de maior potência. Entre Janeiro de 1954 e Agosto de 1955 foram construídos 473 exemplares.

     A última versão de produção em série foi o F-86K, especialmente destinado às forças da NATO (OTAN), cujo protótipo voou pela primeira vez em 15 de Julho de 1954. Possuía quatro canhões de 20 mm e quatro mísseis ar-ar. Foram construídos 341 aviões desta versão.
     Os F-86 Sabre foram construídos, sob licença da North-American, por outros fabricantes, destacando-se a Canadair que, desde 1949 até Outubro de 1958 produziu 1.815 aviões de várias versões sob a designação básica de CL-13 Sabre, algumas com finalidades muito específicas.
           A italiana Fiat também produziu algumas centenas em várias versões, predominando a versão F-86K.
     Outros foram construídos na Austrália pela Commonwealth Aircraft sob a designação CA-27 Avon Sabre.
     A fábrica japonesa Mitsubishi construiu os F-86 Sabre Hachi-Roku.
     A North-American experimentou uma versão de dois lugares para treino de pilotos, com a fuselagem acrescida em 1,6 metros e designada por TF-86F Sabre, da qual construiu dois protótipos. O primeiro voou em 14 de Dezembro de 1953, mas pouco depois ficou destruído num acidente. O segundo protótipo voou no verão de 1954. O projecto foi abandonado, provavelmente por não obter sucesso.
     O North-American F-86 Sabre manteve-se ao serviço por mais de 20 anos, o que demonstra a sua alta qualidade, especialmente atravessando uma época em que, com muita frequência se ensaiava um novo avião de combate.
     Muitos foram os países que os utilizaram, especialmente os integrados na NATO.

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Percurso em Portugal:
     No dia 25 de Agosto de 1958 aterraram na Base Aérea N° 2 (BA2), Ota, os primeiros aviões North-American F-86F Sabre da Força Aérea Portuguesa (FAP), fornecidos pelos Estados Unidos. Faziam parte de uma remessa de 30 aviões que foram sendo recebidos sucessivamente, tendo os últimos chegado em Outubro desse ano. Foram os primeiros aviões supersónicos da FAP, embora em picada, bem como os primeiros com asas em flecha.

     Foram destinados à Esquadra 50 da Base Aérea N° 5 (BA5), Monte Real, onde ainda não estavam concluídas as infraestruturas necessárias à sua operação. Por isso, a Esquadra 50 ficou colocada provisoriamente na BA2, adoptando desde logo o nome “Falcões” e a cor azul.
Os “Falcões” começaram a voar em Setembro de 1958. No dia 24 de Setembro de 1958 um avião militar português ultrapassou a barreira do som pela primeira vez.


Imagem 4: Emblema da
Esquadra 51, BA5.
Imagem 5: Emblema da
Esquadra 52

   















     No mesmo mês, devido à nova estruturação operacional da FAP, a Esquadra 50 passou a ser designada por Esquadra 51 (Imagem 4). Entretanto preparava-se já a estruturação da Esquadra 52, os “Galos”.
Os Estados Unidos entregaram o 50° avião F-86F Sabre em Setembro de 1959.
     Em 4 de Outubro de 1959 é inaugurada a BA5. A Esquadra 51 é transferida para Monte Real a 16 de Dezembro do mesmo ano. Em 1960 é activada a Esquadra 52 (Imagem 5).


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     Os 50 F-86F Sabre receberam a numeração de 5301 a 5350. Ainda que com uma falha, é possível indicar a correspondência entre as matrículas da FAP e os respectivos números de construção, entre parêntesis:
5301 (191-864), 5302 (191-865), 5303 (191-867), 5304 (191-872), 5305 (191-874), 5306 (191-875), 5307 (191-876), 5308 (191-879), 5309 (191-885), 5310 (191-890), 5311 (191-902), 5312 (191-903), 5313 (191-904), 5314 (191-906), 5315 (191-936), 5316 (191-938), 5317 (191-939), 5318 (191-950), 5319 (191-958), 5320 (191-964), 5321 (202-19), 5322 (desconhecido), 5323 (202-83), 5324 (202-138), 5325 (202-142), 5326 (191-866), 5327 (191-877), 5328 (191-878), 5329 (191-897), 5330 (191-901), 5331 (202-73), 5332 (202-154), 5333 (191-880), 5334 (191-881), 5335 (191-893), 5336 (191-894), 5337 (191-895), 5338 (191-900), 5339 (191-916), 5340 (191-917), 5341 (191-948), 5342 (191-959), 5343 (191-961), 5344 (191-963), 5345 (191-967), 5346 (202-2), 5347 (202-12), 5348 (202-21), 5349 (202-29) e 5350 (202-39). Todos estes aviões eram do modelo F-86F-35 NA.

     Em 1961 começaram a levantar-se os problemas nas províncias ultramarinas portuguesas. Dada a grande importância estratégica da Guiné e temendo-se que a Guiné-Conakry utilizasse os seus MIG-15 e MIG-17 em apoio dos guerrilheiros – o que nunca aconteceu – foi constituído em Agosto de 1961 um destacamento da BA5 na BA12, Bissau, composto por oito aviões F-86F, que descolaram da Base Aérea N° 6 (BA6), Montijo, no dia 9 de Agosto de 1961. Com escalas em Gando (Ilhas Canárias) e na Ilha do Sal (Cabo Verde), aterraram em Bissalanca no dia 15, gastando 6 horas e 10 minutos de voo a cobrir os 3.800 Km de percurso. Foi a viagem mais longa realizada pelos F-86 Sabre portugueses.
     Entretanto, a NATO e os Estados Unidos levantaram problemas à utilização dos aviões em África, exigindo o seu regresso à BA5, com o argumento de que não podiam ser desviados da sua integração nas Forças da NATO. Desta forma, o destacamento da BA5 na Guiné terminou em 1963. Os aviões foram transportados para Portugal por via marítima.

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     Entre 1958 e 1960 foram recebidos 15 F-86F da Força Aérea Norueguesa, provavelmente por intermédio dos Estados Unidos, destinados a compensar o desgaste e as perdas sofridas pelos aviões iniciais.
     Receberam a numeração da FAP de 5351 a 5365. A relação com os números de construção era a seguinte: 5351 (202-44), 5352 (202-45), 5353 (202-63), 5354 (202-65), 5355 (202-81), 5356 (202-85), 5357 (202-93), 5358 (202-99), 5359 (202-117), 5360 (202-119), 5361 (202-133), 5362 (202-152), 5363 (202-153), 5364 (191-779) e 5365 (191-780).
     Tal como os recebidos anteriormente, eram do modelo F-86F-35 NA, com excepção dos 5364 e 5365, que eram F-86F-30 NA.

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     Por esta altura foi entregue à FAP um significativo número de aviões Canadair CL-13B Sabre Mk6, provenientes da Força Aérea Alemã, versão canadiana do F-86 Sabre americano, que nunca chegaram a ser montados, pelo facto de estarem equipados com motores que tinham grandes diferenças em relação aos existentes em Portugal, o que levantaria problemas de manutenção.  
     Contribuíram para a recuperação de alguns F-86F, disponibilizando peças e equipamentos compatíveis entre os dois modelos.

Imagem 9: Emblema da
Esquadra 201

     Em 25 de Abril de 1974 sobreviviam cerca de 25 F-86F. A reestruturação então efectuada na FAP extinguiu o Grupo Operacional 501 e as respectivas esquadras, ao mesmo tempo que foi constituído o Grupo Operacional 51 com a Esquadra 201, “Falcões” (Imagem 8), onde foram colocados os F-86F Sabre, e a Esquadra 103, com os Lockheed T-33 T-Bird, “Caracóis”.

     Entre 1 de Junho de 1960 e 13 de Janeiro de 1977 ocorreram 15 acidentes com os F-86F (2 acidentes na Guiné e os restantes em Portugal), onde se perderam o mesmo número de aviões, resultando a morte de 5 pilotos.
     Os F-86F Sabre da FAP estavam pintados em cinzento com a Cruz de Cristo, sobre círculo branco, no extra-dorso da asa esquerda, no intradorso da asa direita e em ambos os lados da fuselagem. O número de matrícula estava pintada nas asas, a preto, alternando com as insígnias. Nos lados do estabilizador vertical, a bandeira nacional, sem escudo, tinha por cima a matrícula, em quatro algarismos pretos. Na secção dianteira da fuselagem apresentavam os três últimos algarismos da matrícula, a preto. O nariz e o estabilizador vertical estavam pintados com as cores das esquadras: Esquadra 51 a azul e a Esquadra 52 a encarnado.
     A FAP, ao manter os F-86F ao serviço até 31 de Julho de 1980, tornou-se, no âmbito da NATO, no seu último utilizador.
     O Museu do Ar recebeu sete North-American F-86F Sabre. Na BA5 encontra-se o avião número 5320 em exposição estática e o 5301 em pedestal.


Fontes:
Imagem 1: EMFA / CAVFA - Estado-Maior da Força Aérea / Centro de Audio-Visuais da Força Aérea;

Imagem 2: Cortesia de Richard Ferriere - 3 vues;

Imagem 3: FAP / AHFA - Arquivo Histórico da Força Aérea;

Imagem 4 e 9: EMFA - Estado-Maior da Força Aérea;

Imagem 5: Cortesia de  Paulo Moreno - Blog Especialistas da Base Aérea 12;

Imagens 6 e 7:  © Carlos Pedro - Blog Altimagem;

Imagem 8: Cortesia de Paulo Alegria - Blog DIGITAL HANGAR

Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.

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