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Cambodja


(Preăh Réachéanachâkr Kâmpŭchea)

Reino do Cambodja



Bandeira
Brasão de Armas





















Localização:
Ásia, Sudeste Asiático, Península da Indochina.


Origem / Pequeno resumo histórico:
Etimologia - O nome oficial do país é Reino do Cambodja, traduzido do khmer Preăh Réachéanachâk Kampuchea, muitas vezes abreviado apenas para Kampuchea. Kampuchea deriva da palavra sânscrita Kambuja. Popularmente, os cambojanos referem-se ao seu país como "A Terra dos Khmers" ou usando a expressão mais formal "O país do Cambodja". Em inglês, a forma "Cambodia" é derivada de "Cambodge" ou "Kamboj", a transcrição sânscrito de "Kampuchea".

História - Evidências arqueológicas mostram comunidades de caçadores-colectores habitando a região do actual Cambodja durante o Holoceno. O sítio arqueológico considerado mais antigo no país é a caverna de Laang Spean, em Battambang, e pertence ao período Hoabinhian. Escavações nas camadas mais profundas indicam uma ocupação de 6.000 a.C. Nas camadas mais superficiais do mesmo sítio, existem evidências de transição para o Neolítico, contendo dados das primeiras cerâmicas cambodjanas. Um grande acontecimento na pré-história cambodjana é a lenta introdução do cultivo de arroz na região norte do país, que se iniciou há cerca de 3.000 a.C.
     O Reino de Funan dominava grande parte do actual território cambodjano, concentrando-se em torno do delta do Rio Mekong. As poucas informações acerca do antigo reino é proveniente de textos históricos chineses, que se basearam nos relatos de dois diplomatas do Reino de Wu Nanking que, juntos, peregrinaram por Funan em meados do Século III. O nome "Funan" não é mencionado nos textos de origem cambodjana, acreditando-se que estes tenham dado um outro nome ao antigo reino.

     Durante os séculos III, IV e V, os Estados de Funan e Chenla uniram-se e tiveram domínio sobre o actual Cambodja e sudoeste do Vietname. O domínio substituiu o budismo mahayana pelo hinduísmo, no quesito religioso, que permaneceu como religião oficial durante toda a dominação de Funan e Chenla. Durante mais de 2.000 anos, o Cambodja Myanmar foram influenciados pela Índia e China, fazendo com que sua influência fosse para fora do seu actual território, reduzindo e passando esse conhecimento e cultura para outras civilizações do sudeste asiático, que correspondem hoje ao leste da Tailândia, sudoeste do Vietname e Laos.
     Por volta do Século XIII, o budismo teravada foi reintroduzido no país por monges do Sri Lanka, que eram vistos como os homens mais respeitáveis dentro das comunidades e vilas que surgiam à volta dos templos. Isso resultou no crescimento e predominância do budismo teravada e a perda de influência do hinduísmo e budismo mahayana.
     Em 1863 o Rei Norodom, que havia sido colocado no poder pela Tailândia, pediu a protecção da França contra os tailandeses e vietnamitas, após o acréscimo da tensão entre estes dois reinados.
     A França acreditava que também poderia influenciar nas acções e iniciativas do Rei Norodom Sihanouk. Todavia, em 9 de Novembro de 1953, sob seu reinado, o Cambodja declarou a independência da França.
     Foi após a Segunda Guerra Mundial que o forte sentimento nacionalista, liderado pelo recém surgido Partido Popular Revolucionário do Kampuchea (KPRP/PPRK), sob os auspícios do Vietname, levou a França a conceder a independência ao Cambodja. Quando a Indochina Francesa concedeu a independência, o Cambodja perdeu oficialmente o Delta do Mekong, que passou para a soberania vietnamita.
     Em 1970, enquanto Sihanouk viajava por Moscovo e Pequim, o seu primeiro-ministro, o Marechal Lon Nol, dá um golpe de Estado e, a 18 de Março, a Assembleia Nacional vota por unanimidade a deposição do governante ausente.
     A 17 de Abril de 1975, as forças do Khmer Vermelho entram na capital, Phnom Penh, quase sem resistência, marcando o fim da administração Lon Nol. O breve, mas sangrento, regime de Pol Pot e dos Khmer Vermelho terminou em 1978 com a intervenção do Vietname, que instalou um regime "amigo". Os Khmers Vermelhos continuaram a luta armada contra o regime até aos anos 1990 do Século XX, quando o Cambodja, sob a égide da ONU, iniciou um processo de democratização.
     Após a independência, o país foi renomeado por várias vezes: Reino do Cambodja, durante o governo de Reachia Niyum (1953-1970); República Khmer, sob o regime de Lon Nol (1970-1975), Kampuchea Democrático, sob o Regime genocida de Pol Pot (1975-1979); República Popular de Kampuchea entre 1979 e 1989; Estado do Cambodja entre 1989 e 1993 e, novamente, Reino do Cambodja, de 1993 até à actualidade.


Cultura:
     Vários factores contribuíram para a formação da cultura cambodjana, incluindo o Budismo Teravada, a Colonização Francesa, a Era Angkor e a globalização moderna.
     A cultura do reino inclui não só os costumes da maioria étnica, Khmer, mas também os costumes das cerca de 20 tribos culturalmente distintas, reconhecidas pelo termo Khmer Leu, cunhado por Norodom Sihanouk, usado para significar a unidade entre população cambodjana, nas suas mais variadas representações.
     A população rural do Cambodja usa um lenço chamado krama, que é um aspecto único de vestuário no Cambodja. Há diversos estilos distintos de dança, arquitectura e escultura, que foram influenciados e partilhados historicamente com o Laos e a Tailândia. Angkor Wat (Angkor significa "cidade" e Wat "templo") é o exemplo mais bem preservado da arquitectura cambodjana do período Angkoriano, que detém ainda, centenas de outros templos dentro e à volta da região.
     Bonn Om Teuk, o "Festival de barcos de corrida", é um dos festivais culturais da nação. Consiste na competição anual de corrida com barcos a remos, sendo o festival do Cambodja mais visitado. É realizado no final da estação das chuvas, quando o Rio Mekong começa a perder o nível de água. Cerca de 10% da população participa neste evento, que presta homenagem à Lua. Fogo de artifício é lançado durante a realização do evento, como parte da tradição cultural.
     Uma vez que a maioria da população é budista, o Cambodja segue o Calendário Clássico Indiano. O Ano Novo Cambodjano é um feriado importante no país e realiza-se no mês de Abril.

Gastronomia - A culinária cambodjana combina as características das culinárias tailandesa, vietnamita e chinesa, mas também recebeu grande influência da culinária francesa, devido a colonização. O alimento principal é o arroz, utilizado três vezes por dia nas refeições.
     Na cozinha do país, as principais fontes de proteína são peixes e outras criaturas marinhas que são adquiridas através da pesca e da criação no Lago Tonle Sap.
     A carne (bovina, suína e de frango) também é muito usada. Hortaliças e frutas são consumidas em abundância e a gordura corporal é muito baixa no país.
     A influência francesa na culinária do Cambodja pode ser verificada no “red curry”, um baguette torrado cambodjano. O “red curry” é comido com arroz e vermicelli de arroz com macarrão.    
     Provavelmente, o prato mais popular no jantar cambodjano é o kuy teav, uma sopa de massa de arroz feita num caldo baseado em carne de porco e vegetais, temperada com camarão seco e vários condimentos e servida com camarão fresco cozido. A culinária do país ainda é desconhecida da maior parte do mundo, comparada com a dos seus vizinhos, Tailândia e Vietname.
     Os Cambodjanos aperfeiçoaram a arte de misturar especiarias usando muitos ingredientes como o cravo da índia, canela, anis estrelado, noz-moscada, cardamomo, gengibre e açafrão. Acrescentam ainda outros ingredientes nativos como galanga, alho, cebolinha, erva cidreira, coentros e limão-kaffir a estes temperos, a fim de fazerem uma mistura de especiarias bastante distinta e complexa, conhecido como "kroeung".
     Existem dois outros ingredientes únicos muito usados na culinária cambodjana. Um deles é uma pasta de peixe fermentada, conhecido como pra-hok, e o outro, o kapi, é uma pasta de camarão fermentada. Estes dois ingredientes exigem um gosto adquirido pelo tempo e são usados na maioria dos molhos que acompanham outros pratos típicos do país. Colectivamente, estes ingredientes têm-se tornado uma importante combinação aromática muito usada na culinária do Cambodja.

Línguas - Cerca de 23 línguas são faladas no Cambodja. A língua khmer, a única língua oficial no país, pertence ao grupo linguístico Mon-Khmer e é escrito no alfabeto próprio. As línguas estrangeiras mais comuns são o Francês, Inglês e Vietnamita, sendo que o francês é ensinado nas escolas e em algumas universidades. Nos últimos anos, o ensino do idioma inglês também se tornou muito acentuado na educação do país.

Música - A música tradicional do Cambodja tem uma longa tradição, que remonta ao Império Kmerskata. Danças reais, como o Apsara, são ícones da cultura cambodjana. Outra dança popular é a Kamodzha romvongot.

Artesanato - O artesanato cambodjano inclui arte têxtil, murais de templos e decoração em madeira, bem como cestas, máscaras e criação de jóias. Além destes, a tecelagem de seda, a ourivesaria, esculturas em pedra e em madeira, laca e cerâmica também estão presentes, muitas destas praticadas desde os tempos antigos. A tradição da arte moderna começou no Cambodja em meados do Século XX.

Arquitectura e Belas Artes - A arquitectura do Cambodja foi preservada através das ruínas dos templos do complexo de Angkor Wat. Incluindo as esculturas de pedra representando deuses hindus, os monumentos arquitectónicos mais importantes do período do Império Khmer.
     As primeiras obras arquitectónicas (Preah Ko e Bakong) foram construídas pelo Rei Indravarman I (877-889), na então capital do reino, Hariharalayaan. O seu sucessor, Indravarmanin, mudou a capital para Angkor.
     O famoso e brilhante templo, Angkor, no entanto, só foi concluído no reinado de Suryavarman II, entre 1130 e 1150. Seguiu-se o reinado de Jayavarman VII, que construiu uma nova capital em Angkor Thomiin, no centro de um enorme templo budista, Bayonin.
      Outros exemplos da arquitectura do país foram surgindo ao longo dos anos, entre estes o Ramayana e o Mahabharata.
     No período colonial a França teve um grande impacto sobre a arquitectura e as artes visuais. Em Phnom Penh foram construídos cerca de 1800 canais, avenidas e edifícios de estilo europeu, como o Art’s Deco e o mercado coberto Phsar Thom Thmei.
     Após a independência, nos anos 1950, as artes visuais e a arquitectura começaram a sofrer mistura dos costumes do reino khmer e do colonialismo francês, sendo aproveitados para criar uma nova identidade nacional. Nos últimos anos, a paisagem urbana mudou a um ritmo acelerado, muitas vezes sem planeamento ordenado.


Principais recursos naturais:
Fosfatos, pedras preciosas, madeira, manganés e ferro. Possui reservas de petróleo e gás natural por explorar.


Datas comemorativas:
Dia da Independência – 9 de Novembro – Celebra a data da independência, da França, em 1953.

Símbolos nacionais:
Bandeira Nacional;
Brasão de Armas;
Hino Nacional:
Insígnia da Real Força Aérea do Cambodja.


Insígnia da Real Força Aérea do Cambodja


Lema:                                                                                                                      Capital:
                                                     Phnom Penh 




(“Nação, Religião, Rei”)



Vista parcial de Phnom Penh, capital do Cambodja


   
Língua oficial:                                                                            Moeda oficial:
Khmer                                                                                         Riel


Tipo de Governo:
Democracia Parlamentarista Unitária e Monarquia Constitucional.


Edifício da Assembleia Nacional do Cambodja, em Phnom Penh.


Data de admissão como membro da ONU (Organização das Nações Unidas):
14 de Dezembro de 1955.


Organizações / Relações internacionais:
  • ONU - Organização das Nações Unidas;
  • ASEAN - Associação de Nações do Sudeste Asiático;
  • MNA - Movimento dos Países Não-Alinhados;
  • OIF - Organização Internacional da Francofonia;
  • ACFTA - Área Livre de Comércio entre a Associação de Nações do Sudeste Asiático e a China;
  • COI - Comité Olímpico Internacional;
  • Grupo dos 77 - Nações em desenvolvimento;
  • INTERPOL - Organização Internacional de Polícia Criminal;
  • MIGA - Agência Multilateral de Garantia de Investimentos;
  • OIM - Organização Internacional para as Migrações;
  • OMC - Organização Mundial do Comércio;
  • OPCW - Organização para a Proibição de Armas Químicas;
  • PCA - Tribunal Permanente de Arbitragem;
  • WCO - Organização Mundial das Alfândegas;
  • TACSA - Tratado de Amizade e Cooperação no Sudeste Asiático;
  • CLA - Cúpula do Leste Asiático;
  • IPU - União Inter-Parlamentar;
  • TPI - Tribunal Penal Internacional;
  • PSIWMD - Iniciativa de Segurança contra a Proliferação de Armas de Destruição Maciça;
  • IRENA - Agência Internacional para as Energias Renováveis;
  • IUCN - União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais;
  • RAMSAR - Convenção sobre as Zonas Húmidas de Importância Internacional;
  • WIPO - Organização Mundial da Propriedade Intelectual.


Património Mundial (UNESCO):
  • Angkor Wat (1992);
  • Templo Hindu de Preah Vihear (2008).

Templo de Angkor Wat (UNESCO)


Património Oral e Imaterial da Humanidade (UNESCO):
  • Ballet Real do Cambodja (2003, 2008) - A dança clássica khmer faz parte das tradições cambojanas há mais de um milénio, e tem celebrado coroações, funerais e casamentos reais. O ballet é composto por quatro personagens principais: o Macaco Sva, o Gigante Yeak, a Mulher Neang e o Homem Neayrong, que podem ser distinguidos pelas suas máscaras, trajes e gestos;
  • Sbek Thom, Teatro de Sombras Khmer (2005, 2008) - O Sbek Thom é um teatro de sombras khmer que usa fantoches não articulados com dois metros de altura, feitos em couro. Anterior ao período angkoriano, o Sbek Thom é considerado sagrado, tal como o ballet real e o teatro de máscaras. As performances, dedicadas às divindades, tinham lugar apenas em algumas ocasiões específicas do ano, tal como o Ano Novo Khmer, o aniversário do Rei ou a veneração de pessoas famosas. O teatro de sombras foi enfraquecendo após a queda de Angkor, no século passado. No entanto, evoluiu de uma actividade cerimonial para uma forma de arte, embora retenha a sua dimensão ritualista.

Fonte:
Wikipedia, a enciclopédia livre