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Sud-Aviation SE-3160 Alouette III (segunda parte)

Ver  Sud-Aviation SE-3160 Alouette III (primeira parte)

(continuação)

Imagem 3


Percurso em Portugal:

     No início de 1963 o Governo Português encomendou à Sud-Aviation (mais tarde Aerospatiale) helicópteros do modelo SE-3160 Alouette III, recebendo um total de 142 unidades entre Abril de 1963 e Fevereiro de 1975 e destinados à Força Aérea Portuguesa (FAP).
     Receberam a numeração dividida em três séries. A primeira de 9251 a 9316, a segunda de 9332 a 9401 e a terceira de 9412 a 9417, inclusive.
A numeração de 9401 a 9412 já tinha sido atribuída aos Grumman G-21, abatidos em 1956.

     Os primeiros 12 Alouette III recebidos pela FAP foram enviados directamente de França para Angola, Luanda, onde chegaram no dia 25 de Abril de 1963. Foram colocados na Base Aérea N° 9 (BA9), Luanda, onde se realizou o primeiro voo do um Alouette III com matrícula portuguesa, no dia 18 de Junho de 1963.

     Conforme iam sendo disponibilizados pelo fabricante, os Alouette III eram enviados para as Unidades do Ultramar, ficando alguns na Base Aérea N° 3 (BA3), Tancos, essencialmente para instrução e adaptação de pilotos.

Imagem 4
Imagem 5
     Em Angola foram colocados na Esquadra 94 da BA9, cujo lema era “Do Miconge à Luiana” (imagens 4 e 5). Embora actuando em todo o território, foi principalmente na zona norte que foram inicialmente utilizados, por as operações militares estarem mais activas nessa área. Mais tarde foram constituídos destacamentos permanentes em Cuito Canavale, Cabinda, Cazombo e Gago Coutinho. A Esquadra 94 manteve-se activa até ao fim do conflito.

     Quando dispôs de maior quantidade de Alouette III, a FAP activou o Aeródromo de Recurso do Luso, onde instalou a Esquadra 402 – “Os Saltimbancos” -  do Aeródromo-Base N° 4 (AB4), de Henrique de Carvalho, Angola. (imagem 6)

Imagem 6 - Emblema da Esquadra 402,
"Os Saltimbancos", do AB4,
Henrique de Carvalho.

     Os Alouette III começaram a operar em Moçambique a partir de 1967. As suas bases de apoio eram o Aeródromo-Base N° 5 (AB5) em Nacala e o Aeródromo-Base N° 7 (AB7), em Tete.


      A Esquadra 503 do AB5 intitulava-se “Os Índios”, que esteve alguns anos estacionada em Nampula (imagem 7).
   

Mantinha destacamentos permanentes no Aeródromo de Manobra N° 51 (AM51) em Mueda, com cinco Alouette III, e no AM61 em Vila Cabral, com dois Alouette III.

     A Esquadra 703 do AB7, em Tete, Moçambique, cujo lema era “Os Vampiros” (imagem 8), mantinha destacamentos provisórios em Furancungo e Mutarara. Com o início da construção da Barragem de Cahora Bassa, a agressividade das hostilidades cresceram, passando a manter um destacamento permanente em Estima.

 
Imagem 7: Emblema da Esquadra 503,
"Os Índios", do AB5, Nampula.
Imagem 8 - Emblema da Esquadra 703,
"Os Vampiros", do AB7, Tete.














   

Imagem 9 - Emblemas das Esquadrilhas "Canibais" e
Lobo Mau" da Esquadra 122, da BA12, Bissalanca.


     O primeiro voo operacional de um Alouette III na Guiné ocorreu no dia 3 de Novembro de 1965. Colocados na Base Aérea Nº 12 (BA12), Bissalanca, foram integrados na Esquadra 122 do Grupo Operacional 1201, operando com duas esquadrilhas que se intitulavam “Canibais” e “Lobo mau” (imagem 9). Actuando por toda a Guiné - um território com características naturais que tornavam muito difíceis os transportes de superfície - suportaram um enorme esforço operacional, acrescido de elevada perigosidade.

     Os Alouette III fizeram o seu “baptismo de guerra” sob as cores portuguesas, na Guerra do Ultramar, executando todo o tipo de missões possíveis: transporte geral, transporte de tropas nos chamados heli-assaltos, transporte de feridos, apoio táctico na configuração designada por heli-canhão, etc.
     Para a execução das missões de heli-assalto, o banco do lado esquerdo da fila da frente era voltado para trás, a fim de permitir a rápida saída do seu ocupante pela porta traseira. Na versão de heli-canhão tinha montado atrás das cadeiras do piloto e do mecânico um canhão MG-151, de calibre 20 mm, que disparava através da porta do lado esquerdo.

     Uma pesquisa não exaustiva indica que nas operações levadas a efeito durante a Guerra do Ultramar (1963 / 1974), cerca de 30 helicópteros Alouette III foram destruídos, onde cerca de 30 tripulantes perderam a vida, para além de cerca de 10 passageiros mortos.

     Quanto à sua actuação na Metrópole, os Alouette III números 9269, 9270 e 9271 foram os primeiros a ser colocados na Esquadra Mista de Aviões e Helicópteros (EMAH), em 1965. A partir de 1968, a EMAH passou a denominar-se Esquadra de Instrução Complementar de Helicópteros (EICH) nº 33 - "Zangãos" (imagens 10 e 11), da Base Aérea Nº 3 (BA3), em Tancos.

Imagem 11: Emblema da Esquadra 33,
definitivo.



Imagem 10: Emblema da Esquadra 33,
original.














     Com o aumento dos efectivos a nível de pessoal e material, a Esquadra 33 – “Os Zangãos” – subdividiu-se em duas Esquadrilhas: a Esquadrilha 1, os “Hippies” e a Esquadrilha 2, os “Snobs” (imagem 12).

Imagem 12 - Emblemas das Esquadrilhas 1 e 2 da Esquadra 33 da BA3,
"Hippies" e "Snobs".

     A Esquadra 33 registou um grande período de actividade entre 1970 e 1972, voando mais de 5.000 horas anuais e dispondo de 16 pilotos-instrutores, facto nunca sucedido nas esquadras de helicópteros.      Um acto de sabotagem ocorrido em Março de 1971 motivou a deslocação temporária da Esquadra 33 para a Base Aérea Nº 6 (BA6), Montijo.

Imagem 13 - Emblema do Grupo Aéreo
de Helicópteros, da BA6, Montijo.

     Com o fim da Guerra do Ultramar, os Alouette III sobreviventes regressaram à Metrópole, sendo colocados na BA3 e na BA6. Na BA6 foi criado o Grupo Aéreo de Helicópteros (GAH) (imagem 13), com três Esquadras, uma de Alouette III a duas Esquadrilhas, outra de SA-330 Puma e a Esquadra de Manutenção, responsável pela manutenção das aeronaves de ambas.

     (**) A participação dos Alouette III no combate aos fogos iniciou-se nos fins dos anos de 1970. O seu emprego consistia fundamentalmente no transporte das "brigadas" e nas acções de comando e controlo aéreo dos grandes incêndios. As "brigadas" eram constituídas por equipas de cinco bombeiros, devidamente equipados, destinadas ao ataque rápido e imediato aos focos de incêndio. A partir do princípio dos anos de 1980 a solicitação dos Alouette III pela Protecção Civil foi gradualmente diminuindo para um valor quase residual. Hoje, pontualmente a Protecção Civil ainda solicita o Alouette III para o apoio a grandes fogos. (**)


A reestruturação da FAP de Novembro de 1978 introduziu novas alterações:
  • Na BA3, o Grupo 301 passou a Grupo Operacional 31, com duas esquadras: 
     - a Esquadra 111, responsável pela instrução de pilotos de aviões bimotores Aviocar e de helicópteros Alouette III (imagem 14);

       - a Esquadra 552, (antiga Esquadra 33) com o lema “...Em perigos e guerras esforçados...”, responsável pelo transporte aéreo táctico e apoio aéreo ofensivo, equipada com Alouette III;


Imagem 14 - Emblema da
Esquadra 111, BA3, Tancos.

  • Na BA6 foi criado o Grupo Operacional 61 (imagem 15), constituído pela Esquadra 551, com o lema “Onde e quando necessário” (imagem 16), equipada com os Alouette III, responsável pelo transporte aéreo táctico e apoio aéreo ofensivo, acrescida do salvamento marítimo, equipados com guincho e flutuadores. e pela Esquadra 751, equipada com os helicópteros Puma.

Imagem 15 - Emblema do
Grupo Operacional 61, BA6.
Imagem 16 - Emblema da
Esquadra 551, BA6, Montijo.


















(continua)



Fontes (segunda parte):
Imagem 3: © Carlos PedroBlog Altimagem;
Imagens 4 a 8 e 15, 16: Colecção Altimagem;
Imagens 9 a 14 e Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.

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