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Egipto

جمهورية مصر العربية
(Gumhūriyyat Miṣr al-ʿArabiyyah)

República Árabe do Egipto


Bandeira
Brasão de Armas






















Localização:
África, Norte de África, Médio Oriente, Ásia, Sudoeste Asiático, Nação transcontinental.


Origem / Pequeno resumo histórico:
Etimologia - Um dos antigos nomes egípcios para o país, Kemet (kt), ou "terra negra" (dekem, "negro"), advém do solo fértil negro depositado pelas cheias do Nilo, distinto da "terra vermelha" (dechret, dšt) do deserto. O nome passou às formas kīmi ekīmə na fase copta da língua egípcia e aparece no grego primitivo como Χημία (Khēmía). Outro nome era t3-mry ("terra da ribeira").
     O termo português "Egipto" deriva do grego antigo Αίγυπτος (Aígyptos), por meio do latim Aegyptus, e já era registado no vernáculo no Século XIII. A forma grega, por sua vez, advém do egípcio Ha-K-Phtah, "morada de Ptá", denominação de Ménfis, capital do Antigo Império.

História - A História do Egipto corresponde a uma das mais longas histórias de um território do mundo. Os vestígios de ocupação humana no vale do Nilo desde o paleolítico assumem a forma de artefactos e arte rupestre em formações rochosas ao longo do rio e nos oásis. Cerca de 10.000 a.C., uma cultura de caçadores-recolectores e de pescadores substituiu outra, de moagem de grãos. Em torno de 8.000 a.C., mudanças climáticas ou o abuso de pastagens começou a secar as terras de pasto do Egipto,  formando o Saara. Povos tribais migraram para o Vale do Nilo, onde desenvolveram uma economia agrícola sedentária e uma sociedade mais centralizada.
     Cerca de 3.150 a.C., o Rei Menés (ou Narmer) fundou um reino unificado e estabeleceu a primeira de uma sequência de dinastias que governaria o Egipto durante os três milénios seguintes.
     O cristianismo foi introduzido no Egipto por São Marcos no primeiro século da era cristã. O reinado de Diocleciano marcou a transição entre os Impérios Romano e Bizantino no país, quando um grande número de cristãos foi perseguido. Naquela altura, o Novo Testamento foi traduzido para a língua egípcia. Após o Concílio de Calcedónia, em 451, uma Igreja Copta Egípcia foi firmemente estabelecida.
     Os bizantinos recuperaram o controlo do país após uma breve invasão persa no início do Século VII, mantendo-o até 639, quando o Egipto foi tomado pelos árabes muçulmanos sunitas. Os egípcios começaram então a misturar a sua nova fé com crenças e práticas locais que sobreviveram através do cristianismo copta, o que deu origem a diversas ordens sufistas que existem até hoje.

O Rio Nilo em Assuão

     A breve invasão francesa do Egipto em 1798, chefiada por Napoleão Bonaparte, resultou num grande impacto no país e em sua cultura. Os egípcios foram expostos aos princípios da Revolução Francesa e tiveram a oportunidade de exercitar o auto-governo. À retirada francesa seguiu-se uma série de guerras civis entre os turcos otomanos, os mamelucos e mercenários albaneses, até que Mehmet Ali, de origem albanesa, tomou o controlo do país e foi nomeado vice-rei do Egipto, pelos otomanos, em 1805. Mehmet Ali promoveu uma campanha de obras públicas modernas, como projectos de irrigação e reformas agrícolas, bem como uma maior industrialização do país, tarefa continuada e ampliada pelo seu neto e sucessor, Ismail Paxá.
Embora vivesse um período de modernização, a má administração financeira de Ismail Paxá e os enormes empréstimos contraídos com credores europeus - especialmente para a construção Canal do Suez - deixaram o Egipto à beira da falência e o pretexto ideal para constantes ingerências dos governos do Reino Unido e da França no quedivato. Em 1879, pressionado interna e externamente Ismael renunciou e seu filho, Tewfik Paxá, assumiu o poder local. 
     Em 1880, foi declarada a moratória nacional e, no ano seguinte, credores europeus assumiram a tutela do fisco e das finanças egípcias. A situação humilhante ampliou o descontentamento e a oposição ao regime Tawfik, e o desejo de se livrar da dominação estrangeira culminou na Revolucão Urabista, liderada pelo coronel nacionalista Ahmed Urabi. A revolta foi esmagada em 1882 pelas forças britânicas, que intervieram a pedido do próprio quediva colaboracionista. Embora o Império Britânico tivesse prometido uma evacuação rápida das suas tropas, elas permaneceriam durante 72 anos no Egipto.
     Após a a deposição de Faruk I, a monarquia egípcia continuou existindo formalmente, com Fuad II no trono, embora a Junta Militar tenha esvaziado de todos os poderes. O monarca ficou no trono por 18 meses até a república ser proclamada em 18 de Junho de 1953, com o general Muhammad Nagib - número 1 do Conselho do Comando Revolucionário - tornando-se o primeiro presidente do Egipto moderno.
     Em 23 de Junho de 1956, Gamal Abdel Nasser assumiu oficialmente o poder como presidente do Egipto, após um referendo sobre uma nova constituição e sobre a sua eleição presidencial. Com sua personalidade carismática que, junto às suas reformas sociais e económicas bem sucedidas, proporcionaram-lhe grande apoio popular. O seu governo aboliu os partidos políticos, procedeu à reforma das estruturas agrárias, combateu o fundamentalismo islâmico e colocou em prática um processo de industrialização, como a construção da grande represa de Assuã, que era um dos projectos mais significativos. Para isso, nacionalizou o Canal de Suez, o que provocou uma grave crise internacional.
     Sucedeu-o Anwar Al Sadat, que distanciou o seu país da União Soviética, aproximando-se dos Estados Unidos. Promoveu uma reforma económica chamada "Infitá" e suprimiu de maneira violenta tanto a oposição política quanto a religiosa. Em 1973, aproveitando um feriado religioso judaico, forças do Egipto e da Síria atacaram de surpresa Israel, na chamada Guerra de Outubro (ou do Yom Kippur). Embora os israelitas conservem em seu poder os territórios ocupados desde 1967, tanto o Egipto quanto Israel consideravam-se vencedores do conflito de 19 dias. Em negociações secretas, Sadat buscava selar a paz com o governo israelita. Pressionado, o então primeiro-ministro israelita, Menachem Begin, convidou o dirigente egípcio para uma visita surpresa a Jerusalém em Novembro de 1977, um gesto que abriu definitivamente o caminho para os Acordos de Paz de Camp David, mediado pelo então presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter
     O tratado gerou a saída israelita da península do Sinai, em troca do Egipto reconhecer o Estado de Israel. A iniciativa provocou enorme controvérsia no mundo árabe e provocou a expulsão do Egipto da Liga Árabe. Sadat nem sequer chegou a ver completada a retirada das tropas israelitas do Sinai, pois foi assassinado em Outubro de 1981 por fundamentalistas muçulmanos que o acusavam de "trair o mundo árabe com o acordo de paz". Israel devolveu o Sinai aos egípcios em 1982 e os dois estados estabeleceram relações diplomáticas.

Vista panorâmica da cidade do Cairo, capital do Egipto

     Com o assassinato de Anwar Sadat, assumiu o comando do Egipto o vice-presidente Hosni Mubarak em 14 de Novembro de 1981. Mubarak havia-se destacado na Força Aérea egípcia pelo seu desempenho na guerra de Yom Kippur. Em 1995, ele sobreviveu a uma tentativa de assassinato durante uma visita à Etiópia. Durante quase 24 anos sempre se reelegeu por via de referendo popular como candidato único. Essa situação perdurou até 2005, quando houve a primeira eleição sob seu regime disputada por diversos candidatos. Mesmo assim, o ditador saiu vitorioso. Inspirados nas manifestações insurreccionais ocorridas na Tunísia, milhares de egípcios foram para as ruas em diversas cidades no país no dia 25 de Janeiro de 2011 e iniciaram uma onda de protestos pedindo a saída do ditador do poder. 
     A Praça Tahrir, no Cairo, transformou-se em um dos principais palco dos protestos, com milhares de pessoas desafiando o toque de recolher imposto pelo regime. Em 11 de Fevereiro, Mubarak renunciou à presidência e passou o poder ao Exército, encerrando três décadas de governo autocrático.
     Em 23 de Junho de 2012, Mohamed Morsi, candidato da Irmandade Muçulmana, venceu o primeiro pleito presidencial pós-Mubarak, derrotando o opositor vinculado ao antigo ditador e se tornando o primeiro presidente civil eleito democraticamente no Egipto. Mas o seu governo foi marcado por muitas polémicas com a oposição, que o acusou de impor uma nova Constituição sectária e forçar à "islamização" do Egipto. Depois de novas manifestações pró e anti-Morsi, no começo de Julho, a oposição deu um ultimato de 24 horas a Morsi para que renunciasse, e o movimento Tamarod (rebelião, em árabe) pedia que o Exército tomasse uma posição clara "ao lado da vontade popular". Os militares estipularam 48 horas para a classe política entrar em acordo. Em 03 de Julho depuseram Mohamed Morsi e suspenderam a Constituição. Violentos protestos contra o golpe se seguiram e tomaram conta das principais cidades do país, incluindo a capital, Cairo.

A grande Esfinge e as pirâmides de Gizé, erguidas durante o Império Antigo,
Estes são alguns dos monumentos mais enigmáticos do Antigo Egipto.

Cultura:
     A cultura egípcia tem seis mil anos de história registada. O Antigo Egipto esteve entre as primeiras civilizações complexas a surgirem no planeta e por milénios manteve uma cultura impressionante intrincada e estável que influenciou as culturas posteriores da Europa, Oriente Médio e outros países africanos.
     Depois da era faraónica, o próprio Egipto ficou sob a influência do helenismo, do cristianismo e da cultura islâmica. Actualmente, muitos aspectos da cultura antiga do Egipto existem na interacção com os elementos mais recentes, incluindo a influência da cultura ocidental moderna, em si, com as raízes do Egipto antigo.
     A capital do país, a cidade do Cairo, é a maior cidade da África e é conhecida há séculos como um centro de cultura, formação e comércio. O Egipto tem o maior número de Prémios Nobel na África e no mundo árabe. Alguns políticos egípcios estiveram ou estão no comando de grandes organizações internacionais como Boutros Boutros-Ghali (Nações Unidas) e Mohamed El Baradei (AIEA - Agência Internacional de Energia Atómica).
     O Egipto é reconhecido por ser um criador de tendências culturais no mundo da língua e da cultura árabe contemporânea, influenciados fortemente pela literatura, música, cinema e televisão egípcia. O país ganhou um papel de liderança regional durante os anos de 1950 e 1960, o que deu um novo impulso duradouro para o estatuto da cultura egípcia no mundo árabe.


Principais recursos naturais:
Carvão, petróleo, gás natural, hidroeléctricas.


Datas comemorativas:
Dia da Independência - 28 de Fevereiro - Celebra a data da independência, do Reino Unido, em 1922.



Dia da Revolução - 23 de Julho - Revolução de 1952, golpe militar que levou à queda da monarquia e à dissolução do parlamento egípcio.



Símbolos nacionais:
Bandeira Nacional;
Brasão de Armas;
Hino Nacional - "Bilady, Bilady, Bilady" ("Minha Pátria, Minha Pátria, Minha Pátria");
Insígnia da Força Aérea egípcia.

Insígnia da Força Aérea egípcia.


Capital:                                                                       Língua oficial:
Cairo                                                                          Árabe


Imagens do Cairo, capital do Egipto


Moeda oficial:                                                             Tipo de Governo:
Libra egípcia                                                               Governo provisório


Data de admissão como membro da ONU (Organização das Nações Unidas):
24 de Outubro de 1945


Organizações / Relações internacionais:
  • ONU - Organização das Nações Unidas;
  • CEN-SAD - Comunidade dos Estados Sahelo-Saharianos;
  • COI - Comité Olímpico Internacional;
  • COMESA - Mercado Comum da África Oriental e Austral;
  • AALCO - Associação Jurídica Consultiva Afro-Asiática;
  • FMA - Fundo Monetário Árabe;
  • FMI - Fundo Monetário Internacional;
  • G20 (países em desenvolvimento);
  • IHO - Organização Hidrográfica Internacional;
  • INTERPOL - Organização Internacional de Polícia Criminal;
  • IRENA - Agência Internacional para as Energias Renováveis;
  • IRU - União Internacional de Transportes Rodoviários;
  • IUCN - União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais;
  • ICDO - Organização Internacional de Protecção Civil;
  • LEA - Liga dos Estados Árabes;
  • MIGA - Agência Multilateral de Garantia de Investimentos;
  • MNA - Movimento dos Países Não-Alinhados;
  • OCEMN - Organização de Cooperação Económica do Mar Negro (observador);
  • OCI - Organização da Conferência Islâmica;
  • OIF - Organização Internacional da Francofonia;
  • OIM - Organização Internacional para as Migrações;
  • OMC - Organização Mundial do Comércio;
  • OPAEP - Organização dos Países Árabes Exportadores de Petróleo;
  • PCA - Tribunal Permanente de Arbitragem;
  • PEV - Política Europeia de Vizinhança;
  • UA - União Africana;
  • UIC - União Internacional dos Caminhos-de-Ferro;
  • UPM - União para o Mediterrâneo;
  • UIHJ - União Internacional dos Oficiais de Justiça;
  • WCO - Organização Mundial das Alfândegas;
  • ANWFZ - Tratado Africano para a Formação de uma Zona Livre de Armas Nucleares;
  • Grupo dos 77 - Nações em desenvolvimento;
  • RAMSAR - Convenção sobre as Zonas Húmidas de Importância Internacional;
  • UNIDROIT - Instituto Internacional para a Unificação do Direito Privado;
  • BAD - Banco Africano de Desenvolvimento;
  • WIPO - Organização Mundial da Propriedade Intelectual.


Património Mundial (UNESCO):
  • Ruínas de Abu Mena (1979);
  • Cairo islâmico (1979);
  • Ménfis e a sua necrópole - Complexo de pirâmides de Gize a Dahchur (1979);
  • Monumentos Núbios de Ebu Simbel a Filas (1979);
  • Antiga Tebas e sua necrópole (1979);
  • Área de Santa Catarina - Monte Sinai (2002);
  • Wadi Al-Hitan (“Vale das Baleias”) (2005).




Pirâmides de Gizé (UNESCO)



Cairo islâmico - Portão do Cairo
(UNESCO)











Grande templo de Ramsés II, em Abu Simbel (UNESCO)
























Mosteiro Ortodoxo de Santa Catarina, Monte Sinai (UNESCO)

Wadi Al-Hitan, Vale da Baleias (UNESCO)


Património Oral e Imaterial da Humanidade (UNESCO):
  • Al-Sirah Al-Hilaliyyah épico (2008) - Este poema oral, também conhecido como o épico Hilali, conta a saga da tribo de beduínos Bani Hilal e a sua migração a partir da Península Árabe para o Norte de África, no século décimo. Esta tribo dominou um longo e vasto território no centro norte de África, há mais de um século, antes de ser aniquilada por rivais marroquinos. Considerado um dos principais poemas épicos que se desenvolveram dentro da tradição popular árabe, a Hilali é o único épico ainda realizado na sua forma musical integral. Além disso já foi, em tempos, difundido em todo o Oriente Médio, desaparecendo em todos os lugares excepto no Egipto.


Fonte:
Wikipedia, a enciclopédia livre.