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Lockheed P-3P Orion (primeira parte)

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LOCKHEED P-3P ORION

Quantidade: 6
Utilizador: Força Aérea
Entrada ao serviço: 7 de Agosto de 1988
Data de abate: 13 de Outubro de 2011


Dados técnicos:
a)       Tipo de Aeronave
Avião quadri-motor turbo-hélice terrestre, de trem de aterragem triciclo retráctil, mono-plano de asa baixa, revestimento metálico, cabina integrada na fuselagem, destinado a missões de patrulhamento marítimo, luta naval e luta anti-submarino.
Tripulação básica para qualquer tipo de missão: 13 tripulantes (piloto, co-piloto, mecânico de voo, coordenador táctico, navegador, operador de comunicações, dois operadores de sensores acústicos, especialista de armamento, 2º mecânico, dois operadores de radar e um técnico de voo).
b)       Construtor
Lockheed Aircraft Company / USA.
Sob licença: Kawasaki Heavy Industries / Japão.
c)       Motopropulsor
Motores: 4 motores Allison T56-A turbo-hélice, de 4.910 hp.
Hélices: Metálicos, de quatro pás, de passo variável, reversível e posição de bandeira.
d)       Dimensões
                Envergadura …………............30,37 m
                Comprimento…..…………......35,61 m
                Altura………….…………….....13,06 m
                Área alar ……….……...........120,77 m²
e)       Pesos
                Peso vazio……………..…….27.215 kg
                Peso máximo…………… ….64.410 kg
f)        Performances
                Velocidade máxima ………...760 Km/h
                Velocidade de cruzeiro ……..639 Km/h
                Tecto de serviço ………..…8.900 m
                Raio de acção ………........4.075 Km
                Autonomia (2 motores)...........16 horas
                Autonomia (4 motores)……..…12 horas e 15 minutos
g)      Armamento
Diverso, até cerca de 8.800 Kg.
h)      Capacidade de transporte
Nenhuma.



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Resumo histórico:
     Em Abril de 1958 a Lockheed anunciou que tinha obtido êxito na apresentação de um projecto de um avião de luta naval, tomando por base o quadrimotor turbohélice Lockheed L-188 Electra, um avião de transporte comercial bem sucedido.
     O fabricante baptizou o projecto de Lockheed Model 185 Orion, que a Marinha dos Estados Unidos (US Navy) designou de Lockheed P-3V-1, adoptando depois a designação final de Lockheed P-3 Orion.
     O protótipo inicial fez o primeiro voo em 19 de Agosto de 1958 e o protótipo definitivo, designado por YP-3A (inicialmente YP-3V-1), em 25 de Novembro de 1959.
     A primeira versão de série fornecida à US Navy foi inicialmente designada por P-3V-1 e depois por P-3A Orion. O protótipo desta versão realizou o primeiro voo em 15 de Abril de 1961 e o de uma versão melhorada em Outubro do mesmo ano.
     O primeiro avião de série saiu da linha de fabrico em  13 de Agosto de 1962, iniciando-se a substituição operacional dos Lockheed P2V Neptune.
     Em Junho de 1963 um Lockheed P-3A Orion standard, sem depósitos de combustível adicionais, voou directo de Van Nuys, na Califórnia, a Paris, cobrindo os 10.010 Km de distância em 14 horas e 17 minutos, a uma velocidade média de 701 Km/h.
     Os últimos P-3A Orion foram equipados com um sistema de detecção de submarinos mais moderno, denominado Deltic, pelo que ficaram conhecidos pelos Lockheed Deltic P-3A Orion. Foram construídos 286 P-3A Orion.
     A versão seguinte foi a dos P-3B, com motores de 4.900 hp. Para além da US Navy, que recebeu 186 aviões, esta versão foi fornecida às Forças Aéreas da Austrália (10 unidades), Nova Zelândia (5) e Noruega (5).
     A última versão de séria foi a P-3C, equipada com meios electrónicos altamente sofisticados, entrou ao serviço em 1969, depois do protótipo ter voado, pela primeira vez, em 18 de Setembro de 1968.
     Em 1970 entraram ao serviço uns poucos P-3A, especialmente modificados para reconhecimento meteorológico, designados por WP-3A. Também alguns P-3B foram dotados de equipamento para reconhecimento electrónico, que foram designados por EP-3B e EP-3E.
     Alguns dos P-3B fornecidos à Austrália - novamente adquiridos por retoma pela Lockheed - foram convertidos, em 1984, na versão P-3 Sentinel, para missões de vigilância e controle aéreo (AWACS - Airborne Warning and Control System).
     O progressivo desenvolvimento dos equipamentos electrónicos e dos computadores, levou a US Navy à transformação dos seus P-3C em variantes, designadas sucessivamente de Lockheed P-3C Update I, Update II e Update III.
     O projecto da variante Update IV foi abandonado em 1992, devido à redução de efectivos operacionais de primeira e segunda linha. Contudo, foi activado um programa de actualização, mais modesto, designado por Update III Plus.
     Embora a construção de novas unidades para a US Navy tenha terminado em Abril de 1990, em 1994 foram construídos oito aviões para a República da Coreia do Sul. Continuaram também a ser construídos no Japão, pela Kawasaki, destinados à Força de Defesa Marítima Japonesa.
     No Canadá, os Lockheed P-3 Orion são designados por CP-140 Aurora e CP140A Articus, esta uma variante simplificada, destinada à protecção da fauna oceânica, patrulha no Árctico e exploração dos recursos naturais.
     As opções de armamento a utilizar nos Lockheed P-3 Orion são várias e têm acompanhado a sua constante evolução. De uma forma muito generalizada, podem transportar minas, torpedos, cargas de profundidade e bombas de uso geral, tanto no compartimento interior da fuselagem (bomb bay), como em suportes sob as asas. Pode também transportar mísseis antinavio nos suportes das asas.
     Apesar de o primeiro protótipo ter realizado o primeiro voo há mais de cinquenta anos, os Lockheed P-3 Orion têm sido sujeitos a constantes programas de actualização, pelo que continuam a ser os aviões de patrulhamento marítimo por excelência em muitos países, tais como os Estados Unidos, Austrália, Canadá, Chile, Coreia do Sul, Espanha, Holanda, Irão, Japão, Noruega, Nova Zelândia, Paquistão, Portugal, Tailândia e, provavelmente, mais alguns.

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Percurso em Portugal:
     Entre 1977 e 1988 a Força Aérea Portuguesa (FAP) não esteve equipada com aviões capazes de efectuar missões de patrulhamento marítimo e luta anti-submarino. Os últimos aviões concebidos para estas missões tinham sido os Lockheed P2V-5 Neptune, retirados do serviço em 1977. Por isso, as missões eram realizadas por aviões que não estavam vocacionados nem devidamente equipados para as executarem cabalmente.
     Face a esta situação - particularmente desajustada a um país responsável pela segunda maior área de busca e salvamento no mar, sendo a maior da responsabilidade do Canadá, área essa que corresponde a uma área 50 vezes maior que o território nacional, compreendendo a nossa Zona Económica Exclusiva (ZEE) e as regiões de informação de voo (FIR) de Lisboa e Santa Maria - o Governo decidiu adquirir aviões Lockheed P-3 Orion. Assim, em 1 de Outubro de 1985 aprovou o contrato de compra de seis exemplares à Lockheed, originalmente na versão P-3B, que tinham siso utilizados pela Royal Australian Air Force (RAAF).

     Depois de submetidos a uma recuperação total nas oficinas da Lockheed na Califórnia, um dos seis aparelhos foi transformado segundo os requisitos da FAP, adquirindo a sub-designação exclusiva de Lockheed P-3P Orion.
     Entregue em Junho de 1987, aterrou na Base Aérea Nº 6 (BA6), Montijo, em 7 de Agosto de 1988, depois de efectuar o voo mais longo da Esquadra, percorrendo 9.312 Km em 13 horas. Foi o único transformado nos Estados Unidos na versão portuguesa P-3P Orion. Recebeu a matrícula FAP número 4801. Tinha o construction number (C/n) 5402, o número do suporte logístico (BuAer - Bureau Aeronautics) da Lockheed era o Bu155292 e a matrícula que utilizava na RAAF era A9-292.

Em 1989 chegaram mais três aeronaves:
  • Matrícula FAP 4802, C/n 5403, BuAer Bu155293, matrícula RAAF A9-293;
  • Matrícula FAP 4804, C/n 5405, BuAer Bu155295, matrícula RAAF A9-295;
  • Matrícula FAP 4805, C/n 5407, BuAer Bu155297, matrícula RAAF A9-297.

Finalmente, em 1990 chegaram as restantes duas aeronaves:
  • Matrícula FAP 4803, C/n 5404, BuAer Bu155294, matrícula RAAF A9-294;
  • Matrícula FAP 4806, C/n 5408, BuAer Bu155298, matrícula RAAF A9-298.
     Em 1994, a numeração das matrículas da FAP foi alterada para 14801 a 14806.
     Estes cinco aviões mantinham a versão P-3B, tendo sido transformados nas Oficinas Gerais de Material Aeronáutico (OGMA), em Alverca, para a versão nacional P-3P, em sub-contrato com a Lockheed.

(continua)

Fontes (primeira parte):
  • Imagem 1: FAP / AHFA - Força Aérea Portuguesa / Arquivo Histórico da Força Aérea;
  • Imagem 2: Cortesia de Richard Ferriere - 3 vues;
  • Imagem 3: © Carlos Pedro Blog Altimagem;
  • Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.