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Lockheed P-3P Orion (segunda parte)

Ver  Lockheed P-3P Orion (primeira parte)

(continuação)

Imagem 4


Percurso em Portugal (continuação):


     Os P-3P Orion foram colocados na Esquadra 601 da Base Aérea Nº 6 (BA6), Montijo, cuja missão primária é a luta anti-submarino e o patrulhamento marítimo.
     A Esquadra 601Lobos” foi criada em 23 de Março de 1986, na Base Aérea Nº 6, no Montijo, adoptando o lema “Ser-lhe-á todo o oceano obediente”. As suas Missões Primárias são a condução de operações de patrulhamento marítimo para detectar, localizar, seguir e atacar submarinos e unidades de superfície (ASW / ASUW), e como Missões Secundárias missões de Busca e Salvamento, e Operações de Informações, Vigilância e Reconhecimento (ISR).

Imagem 5: Brasão da
BA6, Montijo.
     A actuação da Esquadra 601 nos exercícios do âmbito da NATO mereceram referência elogiosas por parte dos Altos Comandos da Aliança.
     Especial realce deve ser dado às operações que executaram no Mar Adriático, não só pela importância internacional, mas também pela qualidade com que foram executadas. Estacionados em Sigonella, Itália, mantiveram um destacamento entre Julho de 1992 e Dezembro de 1995, prestando apoio às Forças Navais Multinacionais envolvidas no embargo de armas à ex-Jugoslávia, decretado pela ONU. Nesta missão, o grau de prontidão dos P-3P da Esquadra 601 foi notável, atingindo em Abril de 1995 a extraordinária cifra de 96%, devida, em grande parte, à colaboração prestada pela Esquadra de P-3C da US Navy, também estacionada em Sigonella.
     No entanto, em mais de 23 anos de serviço, os P-3P Orion participaram em muitas outras missões internacionais. De referir, igualmente,  a Operação Falcão (Guiné-Bissau em 1998), a Operação Sharp Guard, a Operação Active Endeavour (desde 2003), Operação Frontex (desde 2007), e a Operação Atalanta (desde 2010), para além de incontáveis e constantes missões de Patrulhamento Marítimo e de Busca e Salvamento.

     Enquanto não receberam a pintura padrão da FAP, apresentaram-se em cinzento azulado, inclusive o estabilizador vertical, com a metade superior da fuselagem em branco.
     Com o padrão da FAP, apresentaram-se com uma longa faixa ao longo da fuselagem, o estabilizador vertical e ainda as partes inferiores dos motores que antecedem os bordos de ataque das asas em cinzento escuro (FS 36.173), as superfícies superiores das asas e dos estabilizadores horizontais, o dorso da fuselagem e uma pequena faixa na parte inferior da mesma em cinzento azulado (FS 36.320) e as superfícies inferiores das asas e da fuselagem em cinzento claro (Fs 36.492). A cobertura da antena do radar, os cubos dos hélices e as partes mais largas das pás dos hélices, estão pintados a preto (Fs 37.083). As extremidades das pás estão pintadas em três faixas: cinzento azulado, branco e novamente cinzento azulado. Os bordos de ataque apresentam uma estreita faixa acobreada.
     Ostentam a Cruz de Cristo, sem círculo branco, contornada por uma circunferência em cinzento azulado, com 37 cm de diâmetro, no extra-dorso da asa esquerda, no intradorso da asa direita e nos lados da fuselagem.
     As cores nacionais, sem escudo, estão colocadas num rectângulo com 50 cm de comprimento nos lados do estabilizador vertical. Os números de matrícula encontram-se pintados a cinzento escuro em ambos os lados das asas, com 37 cm de altura, alternando com a insígnia e também sobre os rectângulos com as cores nacionais do estabilizador vertical, com 15 cm de altura. Todas as insígnias e algarismos estão pintados com tintas anti-reflexo.

Imagem 6: Emblema da
Esquadra 601, original.
Imagem 7: Emblema da
Esquadra 601, definitivo.

















A Esquadra 601 adoptou o nome «Lobos», com o lema «Ser-lhe-á todo o oceano obediente».

     Tendo em conta que os P-3P foram adquiridos em segunda mão, sabia-se que o seu potencial de vida se iria esgotar, de forma sequencial, entre 2004 e 2011. Por este motivo, a FAP iniciou em 1999 o processo de avaliação da necessidade de manutenção da capacidade de patrulhamento marítimo e das alternativas que se colocavam à modernização ou substituição da frota de P-3P.
     A solução que merecia maior consenso contemplava a modernização das aeronaves P-3P. O respectivo programa de modernização, designado por LECIP (Life Extension and Capabilities Improvement Program), chegou a ser incluído na Lei de Programação Militar, mas, devido a inúmeros impedimentos negociais, contratuais e financeiros, foi sendo sucessivamente adiado

     A partir de 2004 teve início o «phase-out» progressivo da frota de P-3P Orion, com vista à sua substituição pelos novos P-3C CUP+, resultantes do processo de modernização da frota.

Imagem 8
     No dia 19 de Fevereiro de 2008 a Esquadra 601 foi transferida para a Base Aérea Nº 11 (BA11), Beja, transferência essa também relacionada com as alterações operadas na BA6 para a chegada dos novos EADS/CASA C-295M. A principal razão para a escolha da BA11 relaciona-se com o investimento que seria necessário fazer em outra qualquer Base Aérea, de forma a instalar adequadamente esta esquadra de voo. Foi assim aproveitada uma Unidade com estruturas e infraestruturas de Base Aérea, com instalações disponíveis, resultado da deslocação da Esquadra 301 «Jaguares» para a Base Aérea Nº 5 (BA5), Monte Real.
     A Esquadra 601 cumpriu o seu primeiro alerta de busca e salvamento a partir de Beja no dia 25 de Fevereiro de 2008, atingindo a totalidade da sua capacidade operacional a 3 de Março de 2008.



     Em 22 de Abril de 2010, o último P-3P operacional (matrícula 14805), chegou ao Oceano Índico para participar na Operação Atalanta,de combate à pirataria naquela região do globo. Esta operação, da responsabilidade da União Europeia no âmbito da EUNAVFOR, estendeu-se até finais de 2012. A presença da Esquadra 601 na ilha de Mahé, no Arquipélago das Seychelles, manteve-se até ao final de Agosto de 2010, tendo sido realizadas 40 missões que totalizaram mais de 320 horas de voo.

     A 13 de Outubro de 2011, após 23 anos de operação, a frota P-3P Orion encerrou a sua vida operacional, com a  realização do último voo operacional de um Lockheed  P-3P Orion, efectuado pelo número 14805, que descolou da BA11 para um curto voo de despedida.

     Ao longo da sua vida operacional, as seis aeronaves que integraram a frota, efectuaram 25.278 horas e 25 minutos de voo, com a participação de mais de 250 tripulantes e de 700 elementos da área da manutenção. Paralelamente, o Centro de Apoio à Missão preparou, acompanhou e tratou 1875 missões operacionais de âmbito marítimo, onde prestaram serviço 45 militares, alguns deles também tripulantes.

     Os Lockheed P-3P Orion abatidos encontram-se espalhados pelo Depósito Geral de Material da Força Aérea (DGMFA - Alverca), BA6 (Montijo), BA11 (Beja), Centro de Formação Militar e Técnica da Força Aérea (CFMTFA - Ota) e Museu do Ar (Sintra).


Fontes (segunda parte):