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Miles Master

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MILES MASTER Mk II
MILES MASTER Mk III

Quantidade:    Mk II: 4
                        Mk III: 10
Utilizador: Aeronáutica Militar
Entrada ao serviço: 1941
Data de abate: 1950

Dados técnicos:
 a.     Tipo de Aeronave
                Avião mono-motor terrestre, de trem de aterragem convencional retráctil, mono-plano de asa baixa, revestido a madeira, cabina fechada com dois postos de pilotagem em tandem, para instrução avançada de pilotagem destinado a missões de caça. Tripulação:  2 (piloto-instrutor e aluno).
b.    Construtor
       Miles Aircraft Ltd. / Grã-Bretanha.
c.     Motopropulsor
       Motor: 1 motor: 
                   Mk I: Rolls Royce Kestrel XXX, de 12 cilindros em V arrefecidos por líquido, de 715 hp;
                   Mk II: Bristol Mercury XX, de 9 cilindros radiais arrefecidos por ar, de 820 hp;
                   Mk III: Pratt & Whitney R-1535-SB4C Twin Wasp Júnior, de 14 cilindros radiais em dupla estrela, arrefecidos por ar, de 825 hp.
        Hélice: Metálico, de três pás, de passo variável.
d.    Dimensões
        Envergadura …………..........10,84 m
        Comprimento…..……………..9,17 m
        Altura………….……………...3,04 m
        Área alar ……….……...........21,10 m²
e.     Pesos
        Peso vazio……………..….….1.890 Kg
        Peso máximo………………...2.510 Kg
f.      Performances
        Velocidade máxima ……..…….375 Km/h
        Velocidade de cruzeiro ……...desconhecido
        Tecto de serviço ……………..8.250 m
        Raio de acção ……………….....512 Km
g.    Armamento
        1 metralhadora Vickers de 7,7 mm fixada na parte superior da cobertura do motor, sincronizada com o hélice;
        Possibilidade de adaptação de uma metralhadora Browning, de 0,303 polegadas na asa direita;
        8 bombas de treino sob as asas.
h.    Capacidade de transporte
        Nenhuma.
     
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Resumo histórico:
     O Miles Master foi um projecto da fábrica britânica Miles Aircraft Ltd., que obteve o maior sucesso entre os aviões de instrução avançada de pilotagem, usados pela Royal Air Force (RAF) durante a II Guerra Mundial.
      O protótipo realizou, com êxito, o primeiro voo em 2 de Junho de 1937. As linhas de montagem começaram, em 1938,  a trabalhar na versão Miles Master Mk I, equipada com motor Rolls Royce Krestel XXX, de 12 cilindros em V arrefecidos por líquido e desenvolvendo 715 hp, que entrou ao serviço em 1939, e da qual se construiram 900 unidades. Até então, só a De Havilland tinha beneficiado de encomendas tão vultuosas.
      O Ministério do Ar britânico, face ao bom desempenho do avião, encomendou a versão Miles Master Mk II, com motor radial Bristol Mercury XX, de 820 hp. Este motor, para além de mais potente, era de manutenção mais fácil e tinha menos limitações operacionais.

      Mais tarde surgiu a versão Miles Master Mk III, com motor radial Pratt & Whitney R-1535-SB4C, de 825 hp, da qual se construíram 602 unidades. Até 1941, ano em que cessou a produção, construiram-se 3.302 Miles Master nas três versões.
      Equipou todas as escolas de pilotagem básica e avançada da RAF, e ainda as unidades de combate, onde foram utilizados para avaliação e treino de combate dos pilotos de caça.
      Poucos foram os pilotos de caça da RAF que combateram na II Guerra Mundial que não passaram pelos Miles Master. Era um avião esplêndido na acrobacia isolada ou em formação, bem como no treino de combate aéreo (dogfight) e bombardeamento a picar.
      Uma variante deste avião, preparada para reboque de manga-alvo, tanto para treino de fogo real dos aviões, como da artilharia anti-aérea, foi designada por Miles Martinet.


Percurso em Portugal:
      Na sequência das negociações para a instalação de uma base militar britânica nos Açores durante a II Guerra Mundial, chegaram a Portugal no dia 10 de Outubro de 1941, dois Miles Master Mk III com os números de série da RAF W8626 e W8627.
     Entregues à Aeronáutica Militar (AM), receberam os números 409 e 410.

Imagem 3: Miles Master Mk III

      No dia 4 de Abril de 1942 chegaram mais cinco Master Mk III com os números de série W8882, W8892, W8893, W8943 e W8948, que foram numerados de 411 a 415, respectivamente.        No dia 20 desse mês chegou outro avião com o número de série W8900, que passou a ser o 416 da AM. Ainda no dia 28 do mesmo mês chegaram os dois últimos Miles Master Mk III, com os números de série W8907 e W8950, que foram os 417 e 418 da AM.

      Todos estes aviões foram entregues à Base Aérea N° 1, Sintra, para adaptação dos pilotos de caça – habituados aos trens de aterragem fixos – aos modernos aviões de trem de aterragem retráctil. Tiveram também papel muito relevante na instrução básica de pilotos.
     Em Setembro de 1942, os Miles Master números 417 e 418 foram enviados para a Base das Lajes, Açores, para treino dos pilotos dos velhos biplanos Gloster Gladiator aí estacionados, uma vez que se previa para breve a sua substituição pelos modernos Spitfire.

      Em 17 de Junho de 1943, a Embaixada Britânica em Portugal notificava o seu Governo que “os portugueses treinaram 100 pilotos nos seus Master, que estão caindo aos bocados devido ao excesso de uso”. Talvez devido a esta opinião, no dia 5 de Setembro de 1943 foram recebidos quatro Miles Master Mk II, para reforço dos cansados Mk III. Passaram a ter os números 419 a 422 da A.M., sendo colocados na Base Aérea de Sintra.

      Quanto à pintura, mantiveram o esquema dos aviões de treino da RAF: as superfícies superiores camufladas em verde e castanho, e as inferiores em amarelo. A Cruz de Cristo, sobre círculo branco, estavam colocadas nas duas faces das asas. Os números de matrícula estavam pintados a branco em ambos os lados da fuselagem, e a preto no intradorso das asas, entre a Cruz de Cristo e as pernas do trem de aterragem. O leme de direcção apresentava um rectângulo com as cores nacionais e com o escudo sobreposto.
      A partir de 1947 foi-lhes aplicado o esquema de pintura de instrução, então em uso na A.M., com a fuselagem em azul escuro e as asas e o conjunto da cauda a amarelo. A insígnia e os números não sofreram alterações. A bandeira nacional, desta vez sem escudo, passou do leme de direcção para o estabilizador vertical, sendo possível que os números do intradorso das asas tenham sido retirados.
           Os Miles Master foram retirados de serviço em 1950. 


Fontes:
Imagens 1 e 3: FAP / AHFA - Força Aérea Portuguesa / Arquivo Histórico da Força Aérea;
Imagem 2 e Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.

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