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Amador sem coisa amada


Amador sem coisa amada

Resolvi andar na rua
com os olhos postos no chão.
Quem me quiser que me chame
ou que me toque com a mão.

Quando a angústia embaciar
de tédio os olhos vidrados,
olharei para os prédios altos,
para as telhas dos telhados.

Amador sem coisa amada,
aprendiz colegial.
Sou amador da existência,
não chego a profissional.



= António Gedeão, pseudónimo de Rómulo Vasco da Gama de Carvalho ou, simplesmente, Rómulo de Carvalho, químico, professor, pedagogo, investigador de História da Ciência em Portugal, e poeta português  (24 de Novembro de 1906 - 19 de Fevereiro de 1997) =