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Junkers Ju-52 / 3m (segunda parte)

(Continuação - segunda parte)

Ver  Junkers Ju-52/3m (primeira parte)

Imagem 3


Percurso em Portugal:

  1. Aeronáutica Militar
      No dia 23 de Dezembro de 1936 chegaram a Portugal dez Junkers Ju-52/3m g3e, versão de transporte com adaptação para missões de bombardeamento, adquiridos na Alemanha, a fim de serem operados pela Aeronáutica Militar (A.M.).
      Ainda os aviões se encontravam na Alemanha e já a A.M. lhes tinha atribuído os números de matrícula de 101 a 110, o que foi uma anomalia no sistema de matrículas que a A.M. vinha mantendo desde 1934, uma vez que esses números já pertenciam aos DH-82 Tiger Moth. Sabe-se que tinham os números de construção 5653 a 5655, 5661, 5662, 5664, 5667, 5669 a 5671, mas ignora-se a relação de todos estes números com as matrículas da A.M.. Só podem ser confirmadas as seguintes: 103 (número de construção 5655), 105 (5661), 107 (5667), 108 (5669) e 109 (5671).      A partir de Junho de 1938, as matrículas das Ju-52/3m foram alteradas para 201 a 210, numa relação directa com as anteriores.

Imagem 4: Junkers Ju 52/3m g3e - Emissão especial dos CTT CORREIOS (BPC-219)
comemorativa dos 75 anos da Arma da Aeronáutica, 1 de Julho de 1999.
Desenho de M. Rodrigues Costa.

       Os dez Ju-52/3m foram mantidos na Base de Sintra, com actividade muito reduzida. Em Junho de 1937, com a chegada de instrutores alemães, dois pilotos e alguns mecânicos, a actividade melhorou significativamente. Por essa altura, com a Guerra Civil de Espanha em grande força, o Governo português solicitou ao Governo espanhol autorização para a participação de aviadores portugueses em missões de bombardeamento nocturno realizadas em Ju-52/3m. A autorização foi concedida e dois pilotos portugueses efectuaram missões de bombardeamento nocturno nos dias 13 e 27 de Julho de 1937.

Imagem 5: Emblema do GIAB
      Entre Julho e Agosto de 1937, os dez Ju-52/3m transitaram da Base de Sintra para o Grupo Independente de Aviação de Bombardeamento (GIAB), instalado em Alverca, onde ficaram aguardando que os trabalhos de construção da Base da Ota fossem concluídos, pois estavam destinados a esta Unidade.
      Em 26 de Março de 1939 tem início a colocação de pessoal e material na Base Aérea da Ota, inaugurada oficialmente em 14 de Abril de 1940. É por esta altura que os Ju-52/3m são transferidos para a Ota e colocados no Grupo de Bombardeamento Nocturno, constituído por duas Esquadrilhas, cada uma dispondo de cinco aviões.
      Em 1940 a Base Aérea Nº1 (BA1), Sintra (ex-Base Aérea de Sintra) operava o Junkers Ju-52/3m número 207. Em Setembro desse ano foi substituído pelo número 201, que ficou muito danificado quando o ciclone que assolou a região no dia 2 de Fevereiro de 1941 fez ruir o hangar onde estava recolhido, juntamente com toda a frota dos Breda Ba 65, que ficou destruída de forma irrecuperável. Por certo que o 201 ficou destruído também de forma irrecuperável, dado que só em Outubro de 1951 é que se encontram registos referentes a esta matrícula, após a recepção de dois Ju-52/3m adquiridos na Noruega.

      Em 1942, os Ju-52/3m da Base Aérea nº 2 (BA2), Ota (ex-Base Aérea da Ota), com os números 204, 205, 207, 208 e 210 foram transferidos para o Aeródromo de Rabo de Peixe, Ilha de S. Miguel, Açores, onde constituíram a Esquadrilha de Bombardeamento do Grupo de Esquadrilhas Expedicionárias Nº 1. Ainda que sob a aparente justificação de reforçar os meios aéreos existentes no arquipélago, com aviões pesados de bombardeamento, na realidade o objectivo foi aproveitar a considerável capacidade de transporte destes aviões. Transportados por via marítima, três chegaram em Fevereiro de 1942 e os dois restantes em Junho do mesmo ano.

      No dia 2 de Maio de 1942, um Junkers Ju-52/3m descolou de Rabo de Peixe, Ilha de S. Miguel, e aterrou nas Lajes, Ilha Terceira, inaugurando a carreira aérea semanal entre as ilhas. No dia 6 de Junho de 1942, o avião 210 lançou pára-quedistas sobre o aeródromo das Lajes, sendo provável que tenha sido o primeiro lançamento de pára-quedistas realizado em Portugal por um avião militar.
      De uma forma geral, os Ju-52/3m estacionados nos Açores realizavam missões de reconhecimento visual e fotográfico, treino de tiro e bombardeamento real (utilizando uma carreira de tiro muito rudimentar instalada no Ilhéu das Formigas), e executam voos em altitude para crianças com tosse convulsa.
      Em 1943 o Ju-52/3m número 210 incendiou-se ao aterrar em Rabo de Peixe, ficando completamente destruído, devido à inexistência de meios para extinção de incêndios.
      Em 12 de Janeiro de 1944 foi extinta a Esquadrilha de Bombardeamento, e os quatro JU-52/3m regressaram ao Continente. Foram colocados três na B.A.2 e um na B.A.1.
     Foi-lhes retirado o armamento, assim como as coberturas metálicas das rodas. Foi por esta época que deixaram de ser considerados bombardeiros, passando para a categoria de aviões de transporte.

      Em 1951 foram adquiridos dois Ju-52/3m g7e à Noruega. Receberam as matrículas da A.M. números 200 e 201. Distinguiam-se dos já existentes pela grande porta de carga do lado direito da fuselagem, e também pelo bordo de ataque das asas, em chapa não corrugada, contendo câmaras de ar aquecido por gases de escape, integradas no sistema de degelo. Eram aviões com bastante uso, apreendidos aos alemães no fim da II Guerra Mundial e utilizados pela Real Força Aérea Norueguesa.

      Foi ainda sob a égide da A.M. que os Ju-52/3m alteraram as matrículas para quatro dígitos, cabendo-lhes o bloco 6300. Tratou-se de um processo que tem merecido a atenção dos investigadores, sem resultados satisfatórios. Embora tenham sido recebidos doze aviões JU-52/3m, só foram atribuídas matrículas de quatro dígitos a dez, de 6300 a 6309. Assim, tanto o 201 original como o 210 - este destruído no acidente de Rabo de Peixe em 1943 - foram retirados da relação das matrículas, acabando a 201 por ser recuperada para um dos Ju-52/3m que veio da Noruega, ficando o 210 por preencher.
      Todos os Ju-52/3m se encontravam pintados em camuflado, segundo o esquema tradicional alemão, em verde, castanho e cinzento-escuro, separados por linhas rectas quebradas, com a superfície inferior a preto. Ostentavam, em ambos os lados das asas, a Cruz de Cristo, sobre círculo branco. No leme de direcção, a bandeira nacional, com escudo. Na fuselagem, os três algarismos pretos da matrícula. Fotografias da época mostram que, enquanto colocados no GIAB, ostentaram, sob a janela da cabina de pilotagem, o respectivo distintivo.

Fontes (segunda parte):
Imagem 3: FAP / AHFA - Força Aérea Portuguesa / Arquivo Histórico da Força Aérea;
Imagens 4 e 5: Colecção Altimagem;
Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000; - "História da Força Aérea Portuguesa", Volume III, Coronel Piloto-Aviador Edgar Pereira da Costa Cardoso, Edição Cromocolor, Lda, Lisboa, 1984.

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