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Short Sunderland

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SHORT SUNDERLAND Mk I

Quantidade: 1
Utilizador: Aviação Naval
Entrada ao serviço: 1943
Data de abate: Finais de 1945


Dados técnicos:
a) Tipo de Aeronave
Hidroavião de casco, mono-motor, mono-plano de asa alta, revestimento metálico, cabina integrada na fuselagem, destinado a reconhecimento marítimo e luta anti-submarino. Tripulação: 12 elementos.
b) Construtor
Short Brothers Ltd. / Grã-Bretanha.
c) Motopropulsor
Motores: 4 motores Bristol Pegasus XVIII, de 9 cilindros radiais arrefecidos por ar, de 1.050 hp cada.
Hélices: metálicos, de três pás, de passo variável e posição de bandeira.
d) Dimensões
Envergadura …………..........34,38 m        
Comprimento…..…………..26,10 m
Altura………….……………10,00 m
Área alar ……….…….........138,14 m²
e) Pesos
Peso vazio……………..…….16.800 kg
Peso máximo………………..27.240 kg
f) Performances
Velocidade máxima ……..…….330 Km/h
Velocidade de cruzeiro ……......285 Km/h
Tecto de serviço ……………..6.250 m
Raio de acção………………..4.800 Km
g) Armamento
Defensivo:
2 metralhadoras de 7,7 mm na torre do nariz;
2 metralhadoras de 7,7 mm na torre dorsal;
2 metralhadoras de 7,7 mm na torre da cauda;
2 metralhadoras de 7,7 mm, uma em cada lado da fuselagem.
Ofensivo:
1.000 Kg de bombas ou cargas de profundidade.
h) Capacidade de transporte
Nenhuma.

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Resumo histórico:
     Os Short Sunderland eram gigantescos hidroaviões, versão militar dos proeminentes hidroaviões britânicos de transporte civil dos anos trinta, os Short Empire. O projecto para a construção dos Sunderland foi iniciado em fins de 1934, sob a designação de S.25.

     O protótipo realizou o primeiro voo no dia 16 de Outubro de 1937. Cinco meses depois começaram a operar os aviões da versão Short Sunderland Mk I, que equiparam três esquadras do Comando Costeiro da Royal Air Force (RAF).
     Caminhava-se para o fim de 1941 quando entraram ao serviço os aviões da segunda versão de produção, os Sunderland Mk II e, em Junho do ano seguinte surgiram os Sunderland Mk III. Estas versões apresentaram-se com motores mais potentes e capacidade de combate melhorada em relação à versão anterior.
     A última versão foi o Sunderland Mk V, cujo protótipo realizou o primeiro voo em Agosto de 1943, com capacidades operacionais substancialmente melhoradas, para o que muito contribuíram os motores americanos Pratt & Whitney Twin Wasp, utilizados em substituição dos britânicos Bristol Pegasus das versões anteriores. O Mk V apresentava também modificações estruturais no casco.

     Os Short Sunderland foram produzidos até 1945, totalizando 741 exemplares. Operaram intensamente e sem interrupção durante toda a Segunda Guerra Mundial. Estiveram ao serviço da RAF até 1959.
     Tecnicamente designados por aviões de reconhecimento marítimo, foram usados essencialmente na escolta aos comboios marítimos e na luta anti-submarino, para o que apresentavam os atributos de grande autonomia e potente armamento. Os alemães chamavam-lhe o “porco espinho voador”, por causa do seu armamento defensivo.
     Os Short Sunderland actuaram no Mar do Norte, Atlântico e Mediterrâneo.
     Terminada a guerra, uma quantidade significativa foi transformada para transporte civil, com a acomodação para 20 passageiros.


Percurso em Portugal:
     Em 5 de Março de 1943 amarou no estuário do Rio Sado um avião Short Sunderland Mk I pertencente à 95ª Esquadra da RAF, com um motor avariado e sob grande tempestade. Tinha o serial number RAF W6065. Antecipando-se à legal anexação por parte do Governo Português, o Governo Britânico ofereceu-o a Portugal.
     Ao fim de demorada estadia encalhado em Tróia, foi rebocado para o Centro de Aviação Naval (CAN) do Bom Sucesso, em Lisboa, onde se manteve por bastante tempo fundeado no Rio Tejo, sem quaisquer cuidados de protecção contra as intempéries.
     Por fim, foi decidida a sua activação, sendo integrado na Aviação Naval (AN), que lhe atribuiu o número de matrícula 136. Foi então alvo de uma grande reparação, que incluiu a substituição dos motores. A pintura original foi removida, ficando em metal natural, com o casco a preto. A Cruz de Cristo, provavelmente sem círculo branco, foi pintada em ambos os lados das asas e também nos lados da fuselagem, o que não era habitual nos aviões da AN. As cores nacionais, sem escudo, cobriam todo o leme de direcção. O número de matrícula foi pintado a preto nos lados da fuselagem, perto da cauda.

     Completada a reparação, realizaram-se curtos voos de ensaio. Entretanto, a AN recebeu autorização para utilizar o Sunderland num voo de ida e volta à Guiné, ficando em aberto a possibilidade de viagens a Luanda e a Lourenço Marques.
     No dia 8 de Março de 1944 o hidroavião empreendeu a viagem nocturna à Guiné. Pouco depois de completadas três horas de voo, quando passava ao largo do Arquipélago das Canárias, o hélice do motor interno direito soltou-se, danificando o hélice do motor externo da mesma asa. Nestas condições extremamente difíceis, com dois motores parados do mesmo lado, regressou penosamente a Lisboa, amarando no Rio Tejo.
     Foi içado para a muralha da AN, no Bom Sucesso, onde se manteve até ser desmantelado e transformado em sucata. Foi abatido em 1945.


Fontes:
Imagem 1: FAP / AHFA - Força Aérea Portuguesa / Arquivo Histórico da Força Aérea;
Imagem 2: Cortesia de  Richard Ferriere - 3 vues;
Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.

2 comentários :

José Alfaiate disse...

Considero o seu trabalho fantástico principalmente no que se refere a história da aeronáutica militar Portuguesa. Tenho usado o seu blog como principal fonte do que estou a desenvolver sobre aviões e mais... (principalmente no que se refere aos aviões que passaram por Portugal). Nos meus blogs http://asasdeferro.blogspot.pt/ e http://asasdeferro-suplementos.blogspot.pt/


Deixo-lhe aqui um comentário que fiz num outro blog (http://setubalcidadedorioazul.blogspot.pt/2011/11/ciclone-de-1941.html) sobre a questão do Sunderland:

«O avião da foto não é um Short Sunderland mas um bombardeiro bimotor Bristol Blenheim. Sobre o Sunderland a informação que obtive é que terá de facto amarado no estuario do Sado mas em 1943 ("Em 5 de Março de 1943 amarou no estuário do Rio Sado um avião Short Sunderland Mk I pertencente à 95ª Esquadra da RAF, com um motor avariado e sob grande tempestade" em http://altimagem.blogspot.pt/2013/04/62-short-sunderland.html). Mas na verdade também disponho de um foto datada de 24-02-1941 de um Sunderland amarado no que parece ser o estuário do Sado.
Consegue precisar as suas fontes ?»

Infelizmente não disponho do livro que lhe serve de fonte principal "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso". Também não tenho nenhum conecimento especial sobre aviões ou aeronáutica, apenas um gosto enorme (desde criança) de saber "coisas" sobre aviões, história da aeronáutica etc..

Parabens pelo Excelente trabalho.
José Alfaiate
http://asasdeferro.blogspot.pt/

Carlos Pedro disse...

Amigo aviador José Alfaiate:
Agradeço os seus simpáticos comentários a este blog que, tanto quanto possível, procuro manter com alguma qualidade e devidamente actualizado, principalmente em relação em relação à aviação militar portuguesa, na qual trabalhei durante mais de 30 anos. Conforme tive oportunidade de ver, amigo possui igualmente um excelente blog sobre aviões militares. Continue o seu belíssimo trabalho! Saudações aeronáuticas!

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