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Westland Lysander

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WESTLAND LYSANDER Mk IIIa

Quantidade: 8
Utilizadores: Aeronáutica Militar e Força Aérea
Entrada ao serviço: 18 de Setembro de 1943
Data de abate: 1953

Dados técnicos:
a)       Tipo de Aeronave
                Avião mono-motor terrestre, de trem de aterragem convencional fixo, com roda de cauda, de asa alta do tipo trapezoidal, bilugar de cabina coberta, com revestimento misto (metal e tela), destinado a missões de ligação e reconhecimento aéreo. 
Tripulação: 1 (piloto).
b)       Construtor
                Westland Aircraft Ltd. / Grã-Bretanha;
                National Steel Car Corporation  / Canadá.
c)       Motopropulsor
                Motor: 1 motor Bristol Mercury XXX, de 9 cilindros radiais arrefecidos por ar, de 870 hp.
                Hélice: metálico, de três pás, de passo variável.
d)       Dimensões
                Envergadura …………...........15,24 m  
                Comprimento…..………..….....9,29 m
                Altura………….………...……...4,41 m
                Área alar ……….……............23,82 m²
e)       Pesos
                Peso vazio……………..…….1.980 kg
                Peso máximo………………..2.865 kg
f)        Performances
                Velocidade máxima ……..…….335  Km/h
                Velocidade de cruzeiro ……..desconhecido
                Tecto de serviço ……………..6.550 m
                Raio de acção………………..desconhecido
g)       Armamento
                Duas metralhadoras ligeiras alojadas nas carenagens das rodas do trem de aterragem;
                Uma metralhadora ligeira, móvel, no lugar da rectaguarda;
                Pequenas bombas anti-pessoal suspensas em abas colocadas nas pernas do trem de aterragem.
h)       Capacidade de transporte
                Dois passageiros;
                Pequena quantidade de carga não volumosa.


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Resumo histórico:
       Em 1930 a Royal Air Force (RAF) abriu um concurso para fornecimento de aviões especificamente concebidos para a cooperação com o Exército. A Westland Aircraft apressou-se a projectar um avião de acordo com as especificações, sob a orientação do Director Técnico “Teddy” Peter (responsável pela existência de alguns aviões célebres, entre eles o Camberra e o Gnat).
            A construção dos protótipos foi autorizada em 1935. Um ano depois estava pronto o primeiro, com a designação de Westland P8 Lysander e a matrícula K6127. Realizou o primeiro voo em 15 de Junho de 1936 e foi apresentado publicamente em Hatfield no dia 29 do mesmo mês, inteiramente pintado de alumínio. Nesta altura, o hélice de duas pás de madeira foi substituído por um de três pás metálicas.

            Em Setembro de 1936 a Westland recebeu a encomenda de 144 aviões, dos quais 66 Lysander Mk I e os restantes da versão Lysander Mk II. O segundo protótipo do Lysander, com a matrícula K6128, realizou o primeiro voo no dia 11 de Dezembro de 1936. Pouco tempo depois foi enviado para a Médio oriente e Índia, com a finalidade de ser testado em climas tropicais.

            Quando eclodiu a II Guerra Mundial grande parte dos Lysander foram enviados para França, acompanhando o exército. A lentidão e capacidade para voar para voar a muito baixas altitudes salvaram muitos Lysander e seus tripulantes dos ataques dos aviões germânicos. Os Lysander operaram principalmente na Bélgica e norte de França, executando missões de reconhecimento, correcção do tiro de artilharia, lançamento de carga diversa, recolha e transporte de mensagens e, esporadicamente, de ataque ao solo.
            A superioridade da aviação inimiga foi um flagelo para os vulneráveis Lysander. Dos 170 que atravessaram o Canal da Mancha para combater em França, só regressaram 50. Cerca de 90 foram abatidos durante a execução de missões. Depois da retirada das tropas britânicas – operação militar conhecida como a Retirada de Dunquerque (27 de Maio a 3 de Junho de 1940) – os Lysander deixaram de executar, na Europa, as missões para que tinham sido concebidos, excepto as de treino. Contudo, continuaram a voar até 1942, em tarefas humanitárias de busca e salvamento, utilizando as bases espalhadas ao longo da costa britânica. Localizaram muitos tripulantes abatidos sobre o mar, que salvaram, lançando-lhes kits de sobrevivência e assinalando a sua posição aos hidroaviões e lanchas de salvamento.
            Os que se encontravam na Grécia assistiram ao rápido avanço dos alemães. Em Abril de 1941 acabaram por se refugiarem na Ilha de Creta, juntamente com todos os efectivos militares britânicos da área.
            Os Lysander que se encontravam no Egipto desde Janeiro de 1939 iniciaram as operações em 11 de Junho de 1940, quando a Itália entrou na guerra. Foram de grande utilidade às forças de superfície, inclusive em acções de apoio próximo, actuando na Palestina, Gaza, Tobruk e no vasto Deserto do Sahara, até que, a partir de 1942, foram gradualmente substituídos pelos Gauntlet, Gladiator, Hurricane, etc.

            As tropas da França livre, comandadas pelo General Leclerc, utilizaram os Lysander na Líbia e no Chad, de Janeiro de 1942 a Março de 1943. Também tomaram parte na luta contra os japoneses, voando na Índia e Burma. O primeiro Lysander da Esquadra 20 da RAF chegou a Burma em Setembro de 1941. Aterravam e descolavam de pequenas clareiras encravadas nas florestas da região, executando missões de reconhecimento e bombardeamento, até serem recebidos os Hurricane Mk II, em Dezembro de 1942. Apesar deste forte esforço, os Lysander continuaram a voar em Burma até Maio de 1943.

            O nome dos Lysander ficou ligado para sempre às missões clandestinas do Special Operations Executive (SOE). A maior parte das missões clandestinas foram destinadas a França, durante a ocupação alemã, em apoio às organizações dos franceses que resistiam clandestinamente ao invasor.
     A missão-tipo era executada à noite, requerendo pilotos com um extraordinário grau de perícia e temeridade, pilotando os aviões a muito baixa altitude, desde um aeródromo na Grã-Bretanha, atravessar o Canal da Mancha, localizar com precisão um lugar no Continente, aterrar e descolar num minúsculo terreno desconhecido, geralmente sinalizado por três ténues archotes empunhados por elementos da Resistência.

     Estas operações estiveram na origem de uma versão especialmente adaptada às missões clandestinas, designada por Lysander Mk III (SD) e Lysander Mk IIIa (SD), em que “SD” significava “Special Duties”. Esta versão começou a operar no início de 1942, com todo o armamento retirado, um enorme depósito de combustível auxiliar colocado sob a fuselagem, uma escada permanente fixada no lado esquerdo da fuselagem, para permitir que as saídas e entradas da cabina da rectaguarda se processassem de forma expedita. Estes aviões estavam inteiramente pintados em preto-fosco. O piloto era o único tripulante e a cabina da rectaguarda era normalmente utilizada para transportar pessoal dos serviços secretos, membros da Resistência Francesa e tripulantes abatidos em França, que assim conseguiam escapar. Os Lysander desta versão eram conhecidos pelos “aviões dos espiões”.

            A fábrica National Steel Car Corporation, de Hamilton, Ontário, Canadá, construiu 225 Lysander, dos quais 75 foram transferidos para a Europa em 1940, para apoio às Forças Militares Canadianas. Os restantes mantiveram-se no Canadá, sendo retirados de serviço já nos anos cinquenta.
            Para além da Grã-Bretanha, Canadá e Forças Francesas Livres, os Lysander serviram nas Forças Armadas do Egipto, Estados Unidos da América, Finlândia, Irlanda, Portugal e Turquia.
            Nas suas diversas versões construíram-se 1.668 Westland Lysander. Alguns estão preservados em museus na Grã-Bretanha e Canadá.


Percurso em Portugal:

a.       Aeronáutica Militar
No dia 18 de Setembro de 1943 chegaram a Portugal a bordo do navio-cargueiro “Fort Cumberland”, oito aviões Westland Lysander Mk IIIa, com os serial number da RAF V9309, V9321, V9363, V9439, V9555, V9594, V9705 e V9729. Foram entregues à Aeronáutica Militar (AM), que lhes atribuiu os números de 361 a 368. Equiparam a Esquadrilha de Ligação e Reconhecimento da Base Aérea de Tancos, onde sempre permaneceram.
A actividade dos Westland Lysander em Portugal deve ter sido muito modesta, o que se presume pela quase total ausência de referências, salvo a sua participação em alguns exercícios militares.
Mantiveram o camuflado da RAF, em castanho e verde-escuro, com as superfícies inferiores em azul-claro. Cada asa ostentava a Cruz de Cristo, sobre círculo branco, e o número de matrícula, em pequenos algarismos brancos, perto do conjunto da cauda. As cores nacionais, sem escudo, estavam pintadas no estabilizador vertical, num pequeno rectângulo. Começaram a ser abatidos em 1952.

b.      Força Aérea
Admite-se que os poucos Westland Lysander que ainda existiam aquando da formação da Força Aérea Portuguesa (FAP) em 1952, tenham sido transferidos para o novo Ramo, enquanto se completava o processo de abate ao efectivo. Foram-lhes destinadas as matrículas de 3101 a 3108, que nunca usaram.
A FAP nunca utilizou os Lysander, tendo o processo de abate sido completado em 1953.


Fontes:
Imagem 1: FAP / AHFA - Força Aérea Portuguesa / Arquivo Histórico da Força Aérea;
Imagem 2: Cortesia de  Richard Ferriere - 3 vues;
Texto: "Aeronaves Militares Portuguesas no Século XX" - Adelino Cardoso - Edição ESSENCIAL, Lisboa, 2000.

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