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Agusta-Westland EH-101 Merlin (segunda parte)

(continuação)

Ver  Agusta-Westland EH-101 Merlin (primeira parte)


Imagem 6: EH-101 Merlin da FAP na Ilha Terceira, Açores


Percurso em Portugal:

     Em 29 de Novembro de 2001 o Governo Português seleccionou o EH-101, efectuando um contrato para fornecimento de 12 aeronaves. A selecção do EH-101 da Força Aérea Portuguesa (FAP) veio no final de uma completa e extensa avaliação, como resultado da avaliação de voo do EH-101 contra o Sikorsky S-92 e o Eurocopter Cougar Mk2 +.
     A ampla gama de testes realizados pela Comissão de Avaliação de Portuguesa demonstrou a capacidade inigualável do EH-101, e sua capacidade de realizar os mais exigentes requisitos de SAR.
     Esta conquista destaca a capacidade superior do EH-101 para satisfazer os requisitos extremamente exigentes de missões SAR em combate, bem como o seu desempenho já comprovado no papel de transporte marítimo / Utility e SAR.

Imagem 7

     O pedido inicial de 12 Merlin, ficaram assim distribuídos: variante SAR - Busca e Salvamento (6 na versão Mk514), variante CSAR - Busca e Salvamento em Combate (4 na versão Mk516) e variante SIFICAP - Sistema de Fiscalização das Pescas (2 na versão Mk515).
     A construção dos EH-101 da FAP teve início em 15 de Janeiro de 2003 nas instalações da Agusta-Westland, em Vergiate, Itália.
Em 30 de Novembro de 2003 foi efectuado o primeiro voo de ensaio de um EH-101 da FAP.

     A entrega formal do primeiro EH-101 Merlin a Portugal foi feita em 22 de Dezembro de 2004 nas instalações da Agusta-Westland, em Vergiate, Itália.
     Em 11 de Fevereiro de 2005, os primeiros dois helicópteros Agusta-Westland EH-101 Merlin aterraram na Base Aérea Nº 6 (BA6), Montijo. Em 17 de Fevereiro deu-se o primeiro voo operacional no território nacional. Em 24 de Fevereiro de 2005 decorreu na BA6, onde ficou colocado, a cerimónia de recepção e apresentação oficial do novo helicóptero.

Imagem 8: Brasão da Base Aérea nº 6, Montijo

     Receberam as matrículas FAP de 19601 a 19612. A correspondência entre as matrículas e os números de construção, entre parêntesis, é a seguinte: 19601 (50088), 19602 (50094), 19603 (50104), 19604 (50107), 19605 (50126), 19606 (50128), 19607 (50100), 19608 (50115), 19609 (50122), 19610 (50140), 19611 (50152) e 19612 (50158).

A correspondência entre as versões e as matrículas são as seguintes:
  • Versão Mk514 - SAR, Busca e Salvamento: Matrículas 19601 a 19606;
  • Versão Mk515 - SIFICAP, Sistema de Fiscalização das Pescas: Matrículas 19607 e 19608;
  • Versão Mk516 - CSAR, Busca e Salvamento em Combate: Matrículas 19619 a 19612.
     Foram distribuídos pela Esquadra 751 da BA6, cuja missão primária é a busca e salvamento e tem como lema «Para que outros vivam».

Imagem 9: Emblema de pano
da Esquadra 751, BA6.

     A introdução do EH-101 conduziu a uma reestruturação do dispositivo SAR (Search and Rescue - Busca e Salvamento) nacional sob a responsabilidade da FAP. A Esquadra 751, que já dispunha de uma tripulação e uma aeronave em alerta permanente na BA6 e uma tripulação e aeronave no Aeródromo de Manobra  Nº 3 (AM3), no Porto Santo, passou a ter também a seu cargo, desde 30 de Novembro de 2005, duas tripulações e dois helicópteros na Base Aérea Nº 4 (BA4), nas Lajes, Açores. Este destacamento foi interrompido entre 24 de Setembro de 2008 e 5 de Abril de 2011, período correspondente ao regresso dos SA-330 Puma ao Arquipélago.

     Embora se trate de um helicóptero naval, (característica identificável pela capacidade de dobrar os rotores e a cauda para facilmente caber num hangar) ele terá tanto utilização sobre o mar, para operações de busca e salvamento, como servirá de helicóptero de transporte para o exército.
     Possui flutuadores de emergência, 2 barcos internos de 20 pessoas, 1 guincho primário e um guincho secundário, NITESUN e FLIR. É equipado com um RADAR de busca da GALILEO com capacidade de identificar e monitorizar 32 alvos de superfície em simultâneo, um farol de busca e uma câmara de infra-vermelhos. Todas as aeronaves têm a capacidade para operarem em ambiente NVG (Night Vision Goggles).

     A variante CSAR está equipada com “Defensive Aids Suite” (DAS), que consiste num sistema integrado de auto-protecção electrónica, formado pelos seguintes subsistemas:
  • um Sistema de Alerta de Radar (RWR-“Radar Warning Receiver”);
  • um Sistema de Alerta de Mísseis Guiados (MWS - “Missile Warning System”);
  • um Sistema de Contra-Medidas Electrónicas (CMDS -“Counter Measures Dispensing System”). 

     Tem a capacidade para reabastecimento “Hovering In Flight Refueling” (HIRF) e “Air to Air Refueling” (AAR).
     Os EH-101 portugueses têm a característica de serem as únicas aeronaves deste modelo pintadas com uma camuflagem táctica (verde e castanha).
     São utilizados primariamente em missões de Busca e Salvamento, mantendo-se dois em alerta permanente de 30 minutos (a partir da Base Aérea do Montijo e da Base Aérea das Lajes) e um em alerta permanente de 45 minutos (a partir do Aeroporto de Porto Santo).

Imagem 10: Emblema alusivo à visita
do Papa Bento XVI a Portugal, em 2010

     Desde 2005 que os PUMA foram substituídos pelos helicópteros Agusta-Westland EH-101 Merlin. O que então se anunciava como o último voo, verificou-se em Fevereiro de 2006. Contudo, alguns problemas que surgiram nos anos seguintes, quanto à manutenção dos novos helicópteros, de fabrico italiano, levou a FAP a reactivar os velhos aparelhos SA-330 Puma em 2008, já com mais de 40 anos de serviço, e a colocá-los novamente em alerta e operação, na BA6 (Montijo)  e na BA4 (Lajes, ilha Terceira - Açores).
     Logo que o problema foi ultrapassado, os PUMA deslocados regressaram novamente a Portugal continental. As três unidades que estavam nos Açores regressaram em Abril de 2012, tendo voado juntos com escalas técnicas nas ilhas de Santa Maria e do Porto Santo. Por decisão superior foram deslocados para a Base Aérea Nº 11 (BA11), em Beja, onde ficaram armazenados.
Desde então, os 12 helicópteros EH-101 Merlin substituíram, totalmente, os velhinhos PUMA.

     Em 2010, a FAP alcançou a marca de 10.000 horas de voo com sua frota AW-101 (renomeados a partir de Julho de 2007 pela Agusta-Westland) realizando a fiscalização e protecção das pescas, assim como variadas missões de busca e salvamento, efectuando o resgate e salvamento de mais de 630 vidas desde que entrou ao serviço da FAP, no final de 2004.

     Os AW-101 têm sido empregues em inúmeras missões das quais se destacam o transporte de Sua Santidade o Papa Bento XVI na sua primeira visita ao nosso país em 2010, o resgate dos náufragos do navio "MV KEA" ao largo da Galiza, Espanha, em Março de 2010, que valeu à Esquadra 751 a atribuição da "Ancla de Plata", prémio que distingue personalidades na área do SAR e combate à poluição, atribuído pela Rádio Nacional de Espanha e pela Sociedade Espanhola de Salvamento Marítimo (SASEMAR), e a mais mediática operação de resgate de sempre, a recuperação de seis tripulantes do pesqueiro "Virgem do Sameiro", em Dezembro de 2011, ao norte da Figueira da Foz.

Imagem 11: Patch comemorativo dos
35 anos da Esquadra 751

     Em 28 Abril de 2013 a Esquadra 751 celebrou os seus 35 anos de história (1978-2013).

Imagem 12: Patch alusivo às 3.000 vidas salvas, em 1 de Fevereiro de 2014.


      Até Fevereiro de 2014, a Esquadra 751 já tinha executado mais de 51.000 horas de voo (mais de 16.000 horas com a aeronave EH-101 Merlin) e salvando mais de 3.000 vidas!

Imagem 13: Patch alusivo ao Prémio "Sikorsky Humanitarian Service Award",
recebido pela Esquadra 751 em 2015.

     Em 4 de Março de 2015, nos Estados Unidos da América, a Esquadra 751 recebeu o Prémio  Internacional de Serviço Humanitário “Sikorsky Humanitarian Service Award”, equivalente aos "Oscares" da aviação dos helicópteros, e atribuído pela Helicopter Aviation International (HAI), pelo trabalho que tem sido desenvolvido ao longo dos anos nas missões de Busca e Salvamento. Esta entidade destaca os resgates de longo alcance, referindo a maior operação sem reabastecimento da Esquadra 751, que durou mais de sete horas, tendo sido percorrida uma distância de mais de 1.340 km.

Imagem 14

     O AW-101 Merlin mantém a pintura de origem em camuflado: castanho (FS 30219) e dois tons de verde (FS 34072 e FS 34079). As superfícies inferiores apresentam-se com uma pintura contínua em cinzento claro (FS 36622). A insígnia da Cruz de Cristo, sobre círculo branco encontra-se em cada um dos lados da fuselagem no seguimento da janela traseira e também na parte exterior da porta de carga.
  
     A introdução do AW-101 permitiu à Esquadra 751 ficar dotada de tecnologia de ponta e também aumentar a sua capacidade de operação, traduzido principalmente pelo salvamento de mais de 3.500 vidas desde a sua criação, em 28 de Abril de 1978.

     Os cerca de 100 militares que executam todas as missões atribuídas a à Esquadra 751 através do Agusta-Westland AW-101 Merlin continuarão, no seu dia a dia, (apesar de todos os constrangimentos operacionais e económicos...) a honrar e a fazer jus ao seu lema:

"Para que outros vivam"



Fontes (segunda parte):
Imagens 6, 7, 8, 13 e 14: Cortesia de EMFA - Estado Maior da Força Aérea;
Imagens 9 a 12: Colecção Altimagem;
Texto:
- Cortesia de EMFA - Estado Maior da Força Aérea ;
- Cortesia de MAIS ALTO - Revista da Força Aérea Portuguesa, número 387, de Setembro / Outubro de 2010;
- Cortesia de Wikipedia, a enciclopédia livre;
- Cortesia de Helis.com - Helicopter history site;
- Cortesia de Walkarounds-ccadf.blogspot.pt/.